Uma Piada Que Vai Muito Além de Ser Apenas Engraçada!

“…o sonho do brasileiro, se for da classe média, é passar em concurso público; se for pobre, receber bolsa família; e se for rico, conseguir uma “bolsa BNDES”. Todo mundo quer ser parasita do Estado…”

Não há como negar que a frase do humorista Marcelo Madureira faz uma constatação inequívoca: o brasileiro médio costuma buscar, de alguma forma, o suporte do aparato estatal, independente de sua classe social. E é grande a tentação de atribuir essa predileção de nosso povo, em recorrer à administração pública para seu sustento ou para auferir lucros, a uma suposta cultura de “preguiça”, de aversão ao risco, um desdobramento do jeitinho brasileiro. Creio que esse fator desempenhe papel apenas complementar na tentativa de compreender o porquê desta prática recorrente.

Começo invocando a sabedoria da natureza: as formigas vão até onde está o açúcar. As abelhas onde está o néctar. E as pessoas, quando querem ganhar dinheiro, vão onde está a maior gama de recursos disponível, sejam elas pessoas de baixa remuneração que precisam de complemento em sua renda mensal para sua subsistência, jovens que buscam ingressar no mercado de trabalho, ou empresários que querem uma “clientela” fixa. E onde essas pessoas podem encontrar esse “açúcar” fácil? No caso do Brasil, e de outros países onde predomina uma administração de cunho populista, a resposta é…no Estado, claro!

Em torno de 40% de toda a riqueza gerada no Brasil está concentrada nas esferas governamentais. Comparando com países como a Coréia do Sul (26%) e Estados Unidos (27%), fica evidente que a carga tributária em nosso país suga uma parcela demasiadamente grande do que é produzido pela iniciativa privada. Não à toa, o brasileiro médio precisa trabalhar 151 dias ao ano para quitar todos os seus tributos, seja aqueles pagos diretamente, ou aqueles pagos de forma indireta, já embutidos nos preços dos produtos e serviços, ao passo que na Suíça são 102 dias, e nos Estados Unidos 89. Tão ruim quanto é  a situação das empresas no Brasil, que levam, em decorrência da complexidade do nosso sistema tributário, 2.600 horas por ano pagando tributos – número cinco vezes maior que a média da América Latina.

Os resultados disso? Diversos e variados, mas todos devastadores.

As taxas de juros no Brasil são tão altas pelo “simples” fato de que 72%  de todo o crédito gerado no país é absorvido por este gigantesco e inchado governo e suas estatais – reduzindo, assim, a oferta de crédito para os agentes privados, e aumentando, portanto, os juros, que nada mais são do que o preço do capital. Esses juros tão elevados dificultam os investimentos privados, e impedem o crescimento da atividade produtiva;

Parcela significativa do faturamento das empresas, que poderia gerar reinvestimento, e assim, criar mais e melhores empregos, precisa ser paga aos entes públicos –  e isso é um grande problema, na medida que o setor público, invariavelmente, gasta com menos eficiência que o setor privado (no caso do Brasil, com MUITO menos eficiência, e com elevado índice de desperdício e corrupção);

Desta forma, ao brasileiro (aquele, citado por Marcelo Madureira), resta pouca escolha:

1 – O trabalhador de menor renda vai preferir ficar fazendo bico sem registro e recebendo auxílios governamentais, ou procurar trabalho com carteira assinada, “contribuindo” com largas fatias de sua remuneração para Previdência e Receita Federal, em um mercado com grande taxa de desemprego, e com salários achatados pela situação periclitante das empresas e corroídos pela inflação? pouco provável ele escolher a segunda hipótese;

2 – O estudante de classe média, que acabou de sair da faculdade, vai preferir brigar por uma colocação no mercado de trabalho, sendo que empregos de melhor qualidade costumam ser gerados, direta ou indiretamente, pelo setor industrial, o qual encontra-se totalmente sufocado pelo Estado, contribuindo com o PIB nacional em nível da década de 1950, ou ele vai preferir entrar para a administração pública? Certamente ele escolherá a segunda hipótese;

3 – O empresário vai preferir vender seu produto ou oferecer seus serviços no mercado, ficando exposta à grave depressão econômica que vivemos, com grande risco de entrar em insolvência e vir a falir, ou vai tentar conseguir um contrato com a administração pública, ficando livre de concorrer com outras empresas, e ainda podendo cobrar preços acima dos praticados no mercado – com baixíssima chance de ser investigado e punido por isso? Opção dois, por certo.

Trocando em miúdos: é injusto acusar o brasileiro de preferir escorar-se no Estado em um país onde o Estado toma conta de tudo! Se em outros países a maioria das pessoas preferem tomar outros caminhos, buscando seus objetivos andando com suas próprias pernas, é porque a conjuntura lhes permite e lhes estimula a seguir estes caminhos alternativos.

Tome-se como evidência disso um exemplo dentro do Brasil: a cidade de São Paulo. Fosse um país, seria a 5º economia da América Latina. Costuma-se dizer que “São Paulo é o onde o dinheiro circula”. Pois bem: lá, o percentual de estudantes que visam tornar-se empregados públicos sempre foi mais baixo que no restante do Brasil, bem como o de pessoas que recebem auxílios do Estado. E são brasileiros. Eis aí.

Portanto, mudar este aspecto da cultura do brasileiro passa necessariamente pela diminuição do tamanho do Estado e de sua burocracia, o que possibilitaria redução da tributação e decorrente aumento da atividade produtiva. Todavia, não será da noite para o dia que o brasileiro vai alterar essa concepção que já dura décadas.

No mínimo desde 1973, quando o governo militar resolveu combater a inflação com emissões de moeda escritural, passando pela constituição de 1988, onde foi alargado o imenso rol de promessas de novos direitos “sociais” (palavra mágica que autoriza o governo a gastar à vontade) sem fontes definidas de recursos para tal, chegando ao período atual, onde a maioria dos gestores tem calafrios ao ouvir falar em enxugamento da máquina pública, foi incrustado na mente do nosso povo, a custa de muita propaganda estatal, o mito do “governo grátis”. Este consiste, nas palavras de Paulo Rabello De Castro, “naquele que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém; fenômeno político que está na raiz dos declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação de seu processo produtivo”. Acrescento: no conceito de “distribuir vantagens”, inclua-se aí os empréstimos com juros subsidiados, cujas únicas funções alternam-se em ora representar favores estatais aos “amigos do rei”, ora causar endividamento das camadas menos favorecidas da população – por meio da falsa sensação do aumento da renda.

Estima-se que, ao final de 2013, já eram contados aproximadamente 60 milhões de beneficiários de contracheques do governo federal, entre salários, benefícios e previdência, totalizando 71% do total despendido pela União. De fato, será necessário um período de transição para livrar o país dessa visão de cunho socialista, que tanto retarda nosso desenvolvimento.

Felizmente, cresce entre os pagadores de tributos a consciência de que a conta está errada, e de que essa “folhona de pagamentos” de dependentes do Estado acaba fazendo mal ao país, no sentido de ser liquidamente negativa – mesmo para os que recebem tais benefícios, uma vez que esta gera inflação e juros altos, desemprego e tudo o mais. Afinal de contas, ninguém vive em uma bolha, muito menos em regimes de aspirações socialistas. Pergunte aos servidores públicos da Venezuela se eles estão felizes neste momento…

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