O fracasso da “greve” geral confirma: caos que a prisão de Lula supostamente geraria é lenda

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O Juiz Sérgio Moro costuma ser considerado, acima de tudo, um bravo – pelo menos por aqueles ávidos pela devida responsabilização de agentes públicos e privados que dilapidaram como nunca os cofres estatais e contribuíram para mergulhar o país na recessão; bom que se faça a ressalva.

Muito além do conhecimento e da perspicácia, o trabalho do paranaense de Ponta Grossa (a cidade, ok?) tornou-se notório pela coragem de interpretar as leis sempre no sentido de assegurar a eficácia da persecução penal contra os criminosos (especialmente quando da expedição de mandados de prisão preventiva).

Até a lavajato começar a trazer figuras de relevo da política e do capitalismo de laços para sentir o frio de Curitiba, pareciam intocáveis pelo Judiciário e pelo ordenamento jurídico pátrio os maiores corruptos e corruptores de que se tem notícia na história da humanidade.

Ora, se a mesmíssima legislação que servia, até então, para promover a impunidade, agora faz infratores sofrerem as consequências de seus atos, resta claro que o elemento que faltava nesta questão era mesmo ousadia. E a chancela dos tribunais superiores a mais de 90% de suas decisões ainda prestou-se a comprovar que nunca estivemos diante de um suposto “justiceiro” atropelador das normas, mas simplesmente de alguém disposto a dar um basta na impenitência generalizada.

Ou seja, Sérgio Moro não faz nada, portanto, que seus colegas de profissão não possam fazer também – e esperamos que doravante,  diante de tão egrégio exemplo, o façam.

Mas é sabido, por outro lado, que a valentia do magistrado é temperada por sua notável capacidade de pensar a longo prazo, de agir pensando nos desdobramentos de seus despachos ali na frente, como se xadrez jogasse contra a bandidagem.

Não por acaso, ele chegou a pedir apoio da população, durante suas palestras, para que pudesse encarcerar altas autoridades do Brasil. Vale dizer: ele sabe ler o ambiente político, avaliar a vontade do cidadão, ponderar se uma dada ação sua pode vir a comprometer a credibilidade de toda a operação.

E é certamente esse o motivo pelo qual o ex-presidente Lula ainda não está preso: o temor, por parte dos membros da “República de Curitiba”, de uma suposta convulsão social que poderia ser gerada pela condução do ex-presidente para trás das grades.

Bastaria lançar mão, afinal de contas, dos mesmos critérios que foram empregados para aprisionar Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e José Dirceu, dentre outros, e pronto: o “amigo” da Odebrecht começaria a pagar por seus crimes.

Não à toa, Sérgio Moro atendeu à solicitação da Polícia Federal para adiar o depoimento de Lula – no curso de uma das seis ações penais  nas quais é réu – em uma semana, com vistas a evitar enfrentamentos entre seus correligionários e as forças de segurança.

O magistrado chegou a afirmar que os grampos que flagraram conversas suspeitas de Lula, na Operação Aletheia, poderiam justificar sua prisão temporária, mas que, na ocasião, acabou-se optando por ‘medida menos gravosa’ – no caso, a condução coercitiva do petista.

Sérgio Moro deveria realizar este cálculo de possíveis danos à ordem pública antes de decretar uma prisão? Há controvérsias, pois cidadão algum deveria,  em tese, ser visto de forma diferenciada pelo Estado. Já a prática é bem diferente, e sabemos que este trade-off  que permite que Lula usufrua da liberdade até eventual condenação em segunda instância serve para garantir a continuidade da Lavajato e das demais operações dela derivadas.

De qualquer forma, frente a acontecimentos recentes diversos, já é possível afirmar sem medo de errar: este receio de que o encarceramento de Luiz Inácio poderia gerar caos nas ruas do país não tem mais razão de ser. É lenda urbana.

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Com o impedimento de Dilma Rousseff, havia expectativa de que revoltas e protestos de padrões venezuelanos irromperiam impiedosamente. Mas que nada: meia dúzia de apaniguados insatisfeitos atearam fogo a pneus aqui, hashtags indignadas ali, e pronto. O governo que faliu o Brasil para reeleger-se, varreu tudo para debaixo do tapete dos bancos públicos e foi pego no flagra por pessoas como Janaina Paschoal, acabou sendo apeado do poder sem efeitos colaterais de espécie alguma.

A prometida guerra civil não deu às caras e, não fosse pela curiosidade mórbida de rever vídeos engraçados da ex-presidenta vez por outra, ela já teria sido esquecida de vez – embora seu marqueteiro insista em nos reavivar a memória em suas declarações à Justiça.

Nem mesmo as invasões de colégios por parte de estudantes capitaneados por militantes disfarçados de professores surtiram efeito algum. Apesar de contar com a complacência daqueles que deveriam garantir o direito de ir e vir dos alunos que pretendiam estudar, a forte reprovação por parte da população ordeira fez minguar o movimento.

Já há um sem número de pessoas saltando da barca lulista tal qual ratos durante um naufrágio. Quando até mesmo indivíduos outrora apoiadores incondicionais de Lula, como Paulo Henrique Amorim e Leonardo Boff, passam a afirmar que o Brahma “deturpou o petismo”, é porque a água (suja) já bateu no queixo – ou na barba.

Ademais, o partido dos trabalhadores foi varrido nas eleições municipais de 2016, em uma evidente demonstração de que sua capacidade de convencimento das massas reduziu-se quase ao zero absoluto.

E o ato final deste enredo de derrocada: o fracasso estrondoso do movimento que se pretendia paradista neste 28/04/2017. A adesão ficou muito abaixo do pretendido pelos organizadores, e restrita basicamente a descontentes com a perda de privilégios – especialmente o imposto sindical compulsório em vias de ser  extinto.

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Primeiramente, deixemos claro: greve é resultado de desacordo entre empregados e empregadores após tentativa frustrada de negociação. O que ora ocorre nesta (conveniente) véspera de feriadão prolongado pode ser chamada, pois, de qualquer coisa menos greve. Assim sendo, o desconto de um dia de trabalho no salário dos faltantes (mais a remuneração do descanso semanal) é totalmente legal – bem como o emprego, sendo o caso, de outras medidas inerentes ao poder disciplinar, como advertência ou suspensão.

O principal problema causado pelo evento em comento foi a paralisação do transporte coletivo terrestre  (pois os aeroportos operaram normalmente), muito pelo fato de que a maioria dos motoristas de ônibus foi constrangida a não trabalhar por representantes sindicais – conduta tipificada como crime no Brasil, e que poderia perfeitamente (alô, PM) motivar a prisão de seus perpetradores.

Aliás, convém aqui ressaltar que multas impostas a sindicatos pela realização de greves ilegais de nada adiantam, pois como tais entidades são monopolistas em suas devidas regiões de alcance, não há motivo sequer para que elas preocupem-se com uma possível insolvência. A legislação, pois, salvaguarda suas atuações irregulares e prejudiciais à sociedade, incentivando suas práticas manifestamente ilegais.

Apesar, portanto,  de algum transtorno e da esperada paralisação de determinadas escolas (lugar comum na conjuntura atual Paulofreireana), o resultado da mobilização foi praticamente nulo. Pior: serviu para mostrar que as pautas da agenda dos protestantes não coincide com as do povo em geral, dando mais munição política para a aprovação das necessárias reformas que tramitam no parlamento.

Face ao exposto, rogo ao juiz Sérgio Moro, em nome dos demais brasileiros de bem: se o senhor já possui os elementos de convicção para prender preventivamente Luiz Inácio Lula da Silva, e tem segurado a caneta pensando em nossa segurança, fique susse, como se diz em Curitiba, e faça as honras. As delações premiadas são benéficas ao processo penal justamente por propiciarem a captura dos cabeças dos esquemas de corrupção. E se o procurador Deltan Dallagnol estiver certo em seu PowerPoint, vossa excelência está com a faca e o queijo na mão para pegar o Capo do petrolão.

Adaptando um certo slogan entoado por aí, “não vai ter bagunça”; no máximo um dia ou dois de incômodo. Nada mais. Valerá   (e muito) a pena.

Renato Duque, em novo depoimento marcado para 05/05, promete entregar mais subsídios ainda para sua apreciação. Não quer aproveitar o ensejo? Só uma sugestão…

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Campanha “Criança não namora” tenta reverter cenário de erotização precoce

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Quando a rede pública de ensino expõe estudantes à sexualidade de forma prematura ou a mídia reproduz material impróprio para crianças, costumamos tecer críticas contra tais procedimentos, no intuito de preservar a infância, visando propiciar o adequado desenvolvimento da pessoa e a formação de um adulto mental e socialmente saudável. Nada mais justo, portanto, que iniciativas que vão na contramão da atual tendência de erotização infantil sejam elogiadas e propagadas.

A campanha “Criança não namora, nem de brincadeira” foi lançada pelo governo do Amazonas (o qual ganhou a parceria do Conselho Nacional de Justiça na empreitada), e objetiva combater a sexualização precoce, amplamente aceita e até mesmo incentivada (inclusive por muitos pais) em nossa sociedade.

Para os idealizadores do movimento, a principal meta é convencer os adultos do fato de que a relação natural entre meninas e meninos que ainda não chegaram à adolescência é a amizade. Incentivar o namoro na infância, para eles, pode “adultizar” e até mesmo estimular o desejo por experiências sexuais.

Tal precaução não equivale, em absoluto, a reprimir as expressões de afetividade da criança, mas tão somente a evitar transformar relações de respeito e carinho em namoro. Segundo relatado por professores, seriam comuns casos de crianças de quatro anos que se escondem para beijar na boca, e até mesmo pedidos de casamento aos cinco anos.

É trabalho fundamental de todos os envolvidos no processo educacional, pois, separar o mundo adulto do infantil. Cabe aos pais, em especial, orientar seus filhos durante as diferentes etapas do crescimento, não permitindo que importantes estágios deixem de ser vividos. Nesta conjuntura, trocar as músicas infantis por som de “balada” ( e suas coreografias frequentemente obscenas) nas festas de aniversário ou vestir as crianças com roupas e acessórios de adultos são atitudes que contribuem muito para o encurtamento da infância, dando vazão a sentimentos que elas ainda não estão prontas para compreender e processar em suas mentes.

E não adianta tentar jogar esta responsabilidade na conta dos professores: o trabalho da escola é fornecer a educação regular; incutir conceitos morais e limites de comportamento é tarefa dos genitores, para cuja execução eles, eventualmente, podem (e devem) receber ajuda de amigos e familiares, mas nunca esquecendo que o dever repousa sobre seus ombros.

Um indivíduo que tenha pulado a infância enfrentará embaraços para tornar-se um adulto maduro e responsável, pois passará o restante de sua existência tentando recuperar aquele período deixado para trás, além de apresentar dificuldade em assimilar as vicissitudes do cotidiano da vida adulta – virando um eterno púbere e potencial sujeito dependente de benesses estatais diversas (o típico membro da “juventude socialista” aos 50 anos de idade). Este fenômeno já foi melhor explicado neste artigo.

Não é bonitinho instigar beijinhos de namoro ou declarações de amor entre pessoinhas de pouco mais de um metro de altura. Tudo a seu tempo. É claro que os pedófilos não curtiram esta campanha, mas eles não podem reclamar: devem é se contar felizes por ainda estarem com vida – muito embora a Rede Globo (bem como a esquerda em geral) discorde disto  veementemente, por óbvio.

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Nem dar o peixe nem ensinar a pescar: apenas deixem o pescador em paz

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Impossível alguém passar a vida sem proferir, nem que seja uma vez ou outra, o surrado provérbio segundo o qual não se deve dar o peixe, e sim ensinar a pescar. O contexto do emprego da metáfora costuma ser o mesmo: se o governo disponibilizar as condições para que as pessoas humildes evoluam por si mesmas, não será necessário conceder-lhes benesses estatais no futuro, reduzindo, assim, a demanda por políticas assistencialistas.

Só que a tese de que o povo precisa que alguém lhe ensine a pescar é também dotada de teor paternalista, e seus desdobramentos práticos, via de regra, são a degradação do cenário econômico e a necessidade premente de mais paternalismo, em um ciclo infindável.

O brasileiro é um povo notório por sua criatividade, iniciativa e capacidade de adaptar-se a qualquer situação para sobreviver ou prosperar – nosso famigerado “jogo de cintura”, que inclui no pacote, por vezes, ter de driblar a burocracia e a sanha arrecadadora estatais para seguir empreendendo.

Diante de um cotidiano caótico e uma vida atabalhoada pelos percalços da indevida intervenção do Estado na economia, o brasileiro, ainda assim, integra-se às novas tecnologias – malgrado os pesados impostos que tanto as encarecem, dando origem a startups de reconhecido sucesso. Mesmo durante a crise, negócios inovadores despontam e comprovam a capacidade de nosso povo de se virar (mesmo como freelancer) e fazer dar certo.

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Considerar, portanto, que o brasileiro precisa ser pego pela mão por algum suposto ente governamental benfeitor e caridoso para que possa subsistir e evoluir é, no mínimo, ingenuidade – e, no limite, mau-caratismo, tendo em vista que a intenção de “ensinar a pescar” tende a ser o pretexto ideal para criar diversos órgãos estatais, aumentar o papel e a influência do governo na vida das pessoas e inchar a máquina pública (para tanto extraindo recursos dos setores produtivos da sociedade).

“Ensinar a pescar” pode ser caracterizado especialmente como dar educação a todos. Então tome dinheiro para o MEC ficar enchendo a cabeça de nossos estudantes com marxismo e demais teorias anticapitalistas. Falar em privatização, sistema de vouchers, Escola Sem Partido, meritocracia para alunos e professores, ensinar as matérias em vez de instigar “senso crítico” (leia-se: transformar jovens em zumbis repetidores de slogans de esquerda)? Coisa de fascista, claro.

“Ensinar a pescar” também engloba a possibilidade de adquirir o material de pesca, certo? Então vamos criar um banco de fomento a atividades empresariais, ainda que, em verdade, ele apenas sirva para captar dinheiro caro no mercado financeiro e repassá-lo a juros mínimos para os ditos “campeões nacionais”, gerando corrupção indefectivelmente e enriquecendo grupos de interesse que exercem forte lobby junto a governantes. E assim segue o Estado em sua missão de tirar dinheiro das pessoas pobres para dar aos ricos fingindo que tira dos ricos para dar aos pobres.

“Ensinar a pescar” também pode ser tipificado como prover infraestrutura e logística por meio do investimento estatal, visando o desenvolvimento nacional, correto? Nada mais justo, portanto, que o governo transforme-se em um grande empresário de diversas atividades econômicas, desde a geração de energia (ainda que venha a quebrar o setor para baixar na marra as taxas durante o período eleitoral), passando pelos correios (meio bilhão de prejuízos em três meses no corrente ano), até, claro, a menina dos olhos de ébano, a prospecção (junto ao refinamento e a distribuição) de petróleo. Se o custo de oportunidade de realizar todas essas empreitadas for elevadíssimo e ainda tornar necessário endividar o governo até o pescoço, provocando aumento crônico de inflação e juros, paciência: é do jogo.

“Ensinar a pescar” também deve consistir, por óbvio, em expandir o crédito via bancos estatais, ampliando a base monetária, gerando a falsa sensação de que há dinheiro no bolso de todos, e soprando uma bolha que, quando estourar, fará todos os peixes sumirem do rio e endividará todas as famílias do país, causando recessão e desemprego – e transformando indivíduos outrora independentes em novos candidatos a receber as aulas de pesca “gratuitas” do governo, na forma de suas mais variadas facetas, como supramencionado.

Veja a armadilha esquizofrênica em que caímos quando entramos nesta conversa fiada de “ensinar a pescar”: damos carta branca para que aqueles que tem a chave dos cofres públicos possam inflar o orçamento indefinidamente em prol desta “causa tão nobre” de tornar as pessoas autônomas em relação ao Estado – sendo que o efeito obtido é exatamente o oposto!

Os índices de desenvolvimento humanos de um país estão intimamente ligados ao seu grau de liberdade econômica – e isso não é opinião de algum “neoliberal” sem coração, mas sim a frieza dos números falando em alto e bom som.

Ou seja, apenas não atrapalhem o pescador que ele certamente voltará para casa com a bolsa cheia. Nós temos muito o que aprender com ele, com o homem comum que prescinde de conselhos de intelectuais para viver sua vida, e não o contrário. Achar que precisamos ou mesmo podemos ensinar a pessoas possuidoras de tanto conhecimento prático como ganhar seu pão é resultado de prepotência mixada com visão romanceada de mundo. Elas só querem, em verdade, uma coisa: que o governo pare de impor obstáculos, permitindo que elas possam poupar mais e pagar menos pelos bens que consomem. Mais nada. Palavras delas mesmas.

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Nova série Global: Os Dias Eram Assim – e poderiam ter sido bem piores!

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É sumamente melancólico – porém não irrealista – admitir-se que, no albor dos anos 60, este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: “anos de chumbo” ou “rios de sangue”…

Proferida por Roberto Campos, esta assertiva descreve com exatidão o cenário que se apresentava diante dos brasileiros nos idos dos “anos rebeldes”, composto de um lado por João Goulart – e seu flerte indisfarçado com o Comunismo – e por outro da possibilidade de ver as forças armadas assumirem a administração federal. Entre o péssimo e o ruim, optaram eles (em larga maioria) pelo ruim.

Nenhum debate honesto sobre o período do regime militar poderia, portanto, ignorar os efeitos positivos e negativos da conjuntura experimentada pelo Brasil naquele período deveras complexo. Assim procedeu, por exemplo, Lucas Berlanza em artigo recentemente publicado pelo Instituto Liberal, no qual destacou que a simplificação histórica não é capaz de reunir os elementos suficientes para a devida compreensão daquele episódio. Na mesma linha foi este articulista quando opinou sobre a inconveniência de uma nova intervenção militar nos tempos atuais, mas sem deixar de render homenagens àqueles que outrora impediram que virássemos uma Cuba de dimensões continentais.

Mas é claro que a Rede Progressista de Televisão, para não perder o costume, precisaria caracterizar os protagonistas de seu mais novo seriado, ambientado durante os anos 1970, como abnegados que buscavam a “redemocratização” do país a qualquer custo – ainda que, para isso, instaurassem a famigerada “ditadura do proletariado”, como alguns socialistas menos cara de pau admitiram em tempos recentes.

Nenhuma chance, claro, de uma argumentação séria e calcada em fatos reais. Em vez disso, a ladainha totalmente enviesada à esquerda repetida à exaustão a nossos estudantes pelo professores da rede pública. Permeia a obra televisiva apenas a velha e surrada vitimização daqueles supostos jovens idealistas que lutavam  – a base de bombas e sequestros – por um Brasil mais parecido com a URSS. E assim vai o grosso da população brasileira sendo doutrinado enquanto apenas tenta usufruir de algum entretenimento após um longo dia de trabalho.

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O foco central do enredo, por certo, não trata diretamente da crítica à ditadura militar, mas sim do romance de um jovem casal apaixonado, conferindo contornos menos espinhosos à verdadeira peça de propaganda vermelha. E não poderia ser diferente após tantas décadas de dominação de ideologias coletivistas nas universidades – especialmente nos departamentos de Humanas -, quando os princípios  gramscianos e frankfurtianos tomaram conta de nossa produção cultural.

Antonio Gramsci e a Escola de Frankfurt idealizaram métodos diferentes de mobilização das massas: o primeiro pregava a “ocupação hegemônica dos espaços” (infiltração comunista nos meios acadêmicos e jornalísticos, assim como em outros ambientes intelectuais) e a segunda pregava a “revolução cultural” (mudança dos costumes e da moral nas relações familiares e sociais).

No entanto, ambos compartilhavam pontos em comum em suas diretrizes: 1) a luta de classes não se daria pelo método revolucionário; 2) a manipulação psicológica das massas era o objetivo primeiro; e 3) a implementação do programa socialista, que seria a finalidade última, dar-se-ia pelas vias institucionais do regime democrático, e não pela via insurrecional típica das revoluções.

No Brasil, os dois métodos de propagação do marxismo foram implementados juntos, de modo sincronizado, com grande sucesso – e continuam permeando nossa teledramaturgia.

E quando poderemos assistir a um filme ou a qualquer outra obra do gênero que trate do tema em questão com a devida seriedade e honestidade? Demanda para tal já há, sem dúvidas. Basta haver a iniciativa de pessoas da área e patrocínio – que certamente não virá da Lei Rouanet nem da Lei do Audiovisual; estas verbas estatais estão reservadas para personalidades como Kéfera e Luan Santana.

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De fato, os dias era assim, cinzas e incertos, e poderiam ter sido muito piores. Mas nem pense em ficar sabendo disso pelo plim-plim…

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O Jogo da Baleia Azul: um Crime contra a Família

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Virou (mais um) motivo de preocupação para os pais de adolescentes a disseminação em escala mundial de um jogo macabro que faria o Jigsaw ficar com inveja: uma espécie de sequência de desafios que culminam com o óbito (voluntário) do jogador. Ambientada nas redes sociais, este versão de “jogos mortais” da vida real instiga os competidores a automutilarem-se, contraírem doenças propositadamente, e, na derradeira fase, cometer suicídio.

Troca de mensagens sobre o jogo da balea azul

A “brincadeira” começou fazendo vítimas entre jovens da Rússia, e já há dois casos cujos indícios apurados pela investigação policial apontam claramente para a prática da “Baleia Azul” no Brasil. Em um deles, ocorrido no Mato Grosso, uma menina de 16 anos, a estudante Maria de Fátima da Silva Oliveira, tirou a própria vida saltando dentro de uma represa. Esta era a última “tarefa” determinada pelos sádicos virtuais.

O que mais chama a atenção nesses episódios é a obediência cega dos adolescentes aos criminosos, a ponto de se jogarem do alto de edifícios ou na frente de trens em movimento, sem pestanejarem e de bom grado. Jovens estes que, a contrario sensu, não costumam respeitar as ordens de seus pais.

No caso ocorrido em Vila Rica/MT, a mãe percebeu que a filha já não dormia direito e passava as noites acordada com o celular e o fone de ouvido, mas “não sabia o que fazer”. Causa estranhamento ela não ter simplesmente tirado o smartphone à força das mãos da mocinha e dado de dedo em sua cara para que fosse dormir de uma vez. Por que será que ela não tomou esta atitude ou empreendeu outra ação corretiva similar – o que seria de se esperar de progenitoras de tempos passados?

Ora, procedimentos como este não são admitidos em nossa sociedade onde o mundo inteiro (especialmente o Estado) dá pitaco em como devem ser criados nossos rebentos. A cultura dominante atualmente reza que não se pode chamar a atenção dos filhos por nada, pois qualquer coisa pode ser enquadrada como “opressão paterna”; não se pode, em absoluto, contrariar os desejos dos “senhorezinhos”, pois seria bullying caseiro – distorcendo por completo o real significado da palavra.

Os pais são, destarte, convertidos em amiguinhos dos filhos, criando um vácuo de autoridade, que acaba por ser preenchido por qualquer pessoa mal intencionada que se apresente.

Posso lhes afirmar sem medo de errar: eu não entraria neste jogo, em meu tempo de púbere, pelo simples fato de que, se eu aparecesse em casa com qualquer sinal de mutilação deliberada, meu pai “terminaria o serviço” com a bainha do facão e me deixaria de castigo sem jogar bola na praça pelo resto do mês. Valeu, pai! Muito embora, por certo, hoje o senhor seria tachado de “fascista” pelos pseudo-educadores cuja opinião ninguém pediu.

O resultado desta insubordinação generalizada entre pais e filhos é uma geração frágil, que vitimiza-se por tudo e sujeita-se a este tipo de comportamento doentio. Como qualquer desvio de suas vontades é motivo de desespero, gera-se uma linha muito tênue entre a felicidade e a depressão: se tudo está como a pessoinha quer, felicidade irrestrita, a vida é bela, selfies em profusão no Instagram; se, todavia, qualquer tipo de apreensão, tristeza ou desilusão entrar no circuito, já é motivo suficiente para lançar mão da Gillette e da banheira. Nonsense total.

Uma boa maneira de combater esta ameaça: alocar parte do tempo das crianças e adolescentes na prática de esportes, escotismo e atividades afins que lhes arranquem, vez por outra, do quarto e do Wifi.

Afinal, só no mundo virtual é possível morrer e começar do zero de novo. Perder contato com o mundo real, portanto, contribui muito para cair nesta armadilha. Cortar a grama e lavar a louça, neste cenário, tornam-se ótimos antídotos contra estas doenças psicológicas da era moderna – efeito contrário ao provocado por seriados como 13 Reasons Why, que tratam suicídios de jovens com naturalidade demasiada, criando uma áurea cool, uma espécie de fetiche sobre este lastimável procedimento.

Em suma: viver 24/7 em um universo de faz-de-conta apartado da realidade fortalece o relativismo moral, uma vez que os conceitos de certo e errado somente encontram fundamento no mundo físico, onde as consequências nefastas de certos atos podem ser constatadas, visualizadas pelos aprendizes de adultos.

Por fim, o recente enfraquecimento da religiosidade e da fé retirou de inúmeras pessoas a perspectiva do significado da existência. Buscar no racionalismo respostas para perguntas tais quais “de onde viemos” e “para onde vamos”, em um estágio da vida onde ainda não usufruímos da estrutura psicológica necessária para encarar determinadas verdades,  é um convite à loucura precoce.

Ou seja, esta mistura explosiva de libertinagem dos filhos com afastamento do mundo real mais a ausência de uma crença espiritual abre caminho para que facínoras como esses que promovem o jogo da Baleia Azul convençam jovens a causarem danos a si próprios e a, no limite, tirarem a própria vida – ainda que tão somente para demonstrar a seu grupo de “amigos” sua coragem de aderir a esta maluquice.

Depende tão somente dos próprios pais, portanto, blindar seus pupilos, na medida do possível (e do permitido pelas leis que interferem na criação e pela cultura antidisciplinar em vigor), contra este tipo de investida diabólica. Nada que umas palmadas e uns esporros quando necessário, ensiná-los a lavar o carro e a responsabilizar-se pelo cachorro, mostrar-lhes como é bom empinar pipa e andar de bicicleta,  e matriculá-los na catequese não possa resolver. Dar amor e carinho é tão importante quanto mostrar o rumo correto, ainda que seja preciso conduzi-los pelas orelhas e aos prantos. Ossos do ofício paterno.

Ações essas simples e eficazes contra cruéis sociopatas ávidos pelo sofrimento alheio, que buscam suprir e compensar frustrações suas, e ainda contando com o anonimato como aliado – não esquecendo que nossas forças de segurança ainda não conseguem interceptar comunicações efetuadas via Whatsapp, o qual permanece sendo território livre para incorrer em crimes e sair ileso, em nome de uma suposta liberdade de expressão. Um trade-off (ou seja, ceder um pouco de um direito para ganhar em outro) cairia aqui como uma luva, reduzindo a sensação de impunidade destes cyber-bandidos.

Se você achava que ser processado pelo próprio filho poderia ser o maior dos seus problemas, eis que aparecem ameaças como estas para mostrar que a série Black Mirror é bem mais realista e menos fantasiosa do que possa parecer.

Pobre geração Baleia Azul, que não conhece a alegria de jogar Salada Mista!

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O Leito de Morte não é o Melhor dos Conselheiros

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O depoimento de uma enfermeira australiana sobre sua convivência durante anos com pacientes sob cuidados paliativos (desenganados pelos médicos) despertou atenção mundial há cerca de dois anos. Ela publicou um livro intitulado “Antes de partir: uma vida transformada pelo convívio com pessoas diante da morte”, no qual descreve como sua vida foi transformada pelo contato com os arrependimentos dos doentes terminais dos quais cuidou.

Ao descrever os relatos daqueles que experimentavam suas últimas semanas entre nós, Bronnie Ware lista algumas constrições destas pessoas – as coisas que elas, munidas do conhecimento adquirido no limiar da existência terrena, gostariam de voltar no tempo para corrigir e fazer diferente.

Os leitores da obra, naturalmente, tendem a concluir que devem fazer uso destes derradeiros desabafos em benefício próprio, praticando as lições aprendidas por aqueles que já estão, em parte, desconectados de nosso atribulado cotidiano – e que, em tese, possuem melhores condições da avaliar, do alto de sua indesejável (mas libertadora) conjuntura, o que valeu a pena ou não em suas jornadas.

Mas há um problema conceitual muito grave nesta análise feita no epílogo da vida, neste ato de passar a limpo todos os atos pretéritos ao concluir nossa trajetória corpórea: o fato de que, em tais circunstâncias, o autor da reflexão não mais precisa preocupar-se com o maior tormento da humanidade – qual seja, a escassez.

Nossos desejos e demandas são infinitos; a possibilidade de tê-los atendidos é limitada. Não há como fugir de tal realidade, a menos, justamente, que já tenhamos virado a esquina do falecimento. Enquanto há esperança de seguir respirando por tempo indeterminado, portanto, não há como desprezar a necessidade indefectível de despender boa parte do tempo que nos cabe neste corpo humano buscando a subsistência (nossa e daqueles que de nós dependem).

Vejamos os cinco principais desgostos (convertidos em conselhos) manifestados por pessoas no leito de morte, transcritas no livro supracitado, e ponderemos, pois, sobre a real chance de incorpora-los, ipsis litteris,  ao modo de viver das pessoas comuns. Mais: vejamos se não há uma boa dose de exagero e até, pode-se dizer, de ingratidão com a evolução dos índices de desenvolvimento humano registrados nos últimos 200 anos.

Gostaria de não ter trabalhado tanto

Difícil discordar aqui. Poder usufruir de mais tempo disponível para as coisas boas da vida, desde viajar até apenas ficar de papo para o ar, é presença constante nas listas de realizações pessoais. Todos fazemos parte, felizmente, de uma geração privilegiada, a qual, graças ao sacrifício de nossos antepassados, que produziram, acumularam e nos transmitiram riqueza, pode se dar ao luxo de dedicar menos horas trocando nosso trabalho pelos bens que precisamos para sobreviver.

Nas últimas décadas do século XIX, a jornada semanal de labor era de, em média, 61 horas (alguns precisavam encarar de 70 a 80 horas no batente).  Atualmente, nos países mais ricos, ela é de 34 horas (43,5 no Brasil).

À medida que os investimentos em capital — isto é, em máquinas, equipamentos e instalações mais modernas — levaram a um aumento na produtividade marginal dos trabalhadores ao longo do tempo, foi possível que uma quantidade menor de trabalho gerasse os mesmos níveis de produção.

E na proporção que a concorrência por mão-de-obra foi se tornando mais intensa, vários empregadores passaram a competir pelos melhores empregados.  E esta competição se deu de duas maneiras: oferecendo salários maiores e horas de trabalho menores.

Ou seja, já foi muito mais difícil atingir este objetivo. Nossos tataravós (que, por certo, proferiam este lamento com bem mais frequência em suas partidas deste mundo) nos deixaram de legado os meios para produzirmos o que precisamos (especialmente seu know-how) sem “ralar” tanto quanto eles, e é nossa missão, portanto, deixar herança semelhante a nossos filhos e netos (sempre lhes recordando, todavia, que nada disso caiu do céu). Mas dar este presente aos brasileiros do futuro só será possível se…trabalharmos mais e, principalmente, melhor.

Eis aí o paradoxo que nos desafia: trabalhar menos só é possível após longos períodos trabalhando mais e aprimorando nossos processos produtivos – seja considerando um único indivíduo, seja nos tomando como nação ou espécie humana.

Eu queria ter mantido contato com meus amigos

Isso já foi uma tarefa bem mais árdua no passado também. Afastar-se de alguém querido era quase sinônimo de passar a desconhecer seu paradeiro. Vê-lo novamente em carne e osso seria pouco provável. Conversar à distância menos ainda. Sequer se estava vivo ou morto era dado saber.

Até que começam a surgir os serviços de envios de telegramas e cartas (com a possibilidade de enviar fotos impressas nelas), acompanhados da popularização da telefonia fixa e móvel, seguidos, na sequência, pelo advento da internet e seus aplicativos de trocas de mensagens e de conversa via áudio ou vídeo.

As redes sociais, a seu turno, vem a permitir até mesmo rastrear por onde andam os conhecidos e manter-se atualizados sobre suas vidas – às vezes até demais, é verdade.

Melhor: os meios de transporte coletivo evoluem sobremaneira e encurtam as distâncias entre as pessoas, a preços pagáveis até por cidadãos de menor renda (e deve melhorar em breve). Isso para não falar do Uber e o “empoderamento” daqueles que não tinham como pagar as caras corridas de táxi.

Ou seja, está muito mais fácil hoje passar mais tempo (em presença física ou virtual) com os amigos e familiares, ainda que eles vivam em cidades longínquas. É tudo uma questão de prioridade – ou de querer, em português claro.

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Eu queria ter tido coragem de expressar meus sentimentos

Aqui a situação fica mais complexa. Por um lado, temos uma superexposição de pontos de vista “permitidos” pela cartilha politicamente correta, especialmente através da internet e seus “especialistas de Facebook”; por outro, temos visões de mundo proibidas por este mesmo censor.

Ou seja, ter coragem de expressar sentimentos só é um atributo indispensável se você for um conservador ou um liberal. Caso sejas um “progressista”, será estimulado a todo instante a emitir suas opiniões e “abrir o peito” falando sobre tudo o que pensa sem pestanejar. Na verdade, é provável que você diga até mesmo coisas que não pensa, apenas para se enquadrar no primeiro grupo e ficar livre da patrulha que (na prática) odeia diversidade.

Quanto a expressar sentimentos de afeto por outras pessoas, talvez este seja um problema no país de origem da autora, mas não no Brasil – nem de longe. Aqui, em verdade, o pêndulo extrapolou para o outro lado, e qualquer “bom dia” pode ser respondido com um “eu te amo”, desvirtuando e tirando por completo o significado de expressões do tipo.

Há pessoas que afirmam categoricamente terem milhares de amigos amados, ou seja, vê-se que o conceito de amigo e pessoa querida foi esticado a ponto de abarcar qualquer um. Pior que deixar de expressar sentimentos, portanto, é expressar sentimentos falsos apenas para pagar de popularzão. Talvez isto atormente ainda mais o moribundo.

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Eu queria ter vivido uma vida fiel a mim mesmo, não ao que os outros esperavam de mim

Podemos separar esta “fidelidade a si mesmo” em duas facetas: trabalho e vida amorosa.

O estágio atual atingido pela divisão do trabalho, visando a especialização e a redução dos custos em escala, aliado ao avanço da tecnologia, deram origem a profissões até pouco atrás inexistentes, aumentando a probabilidade de que cada pessoa se encaixe perfeitamente em um determinado ofício – não importando o sexo.

Some-se a isso o fato de que, há não muito tempo, se fazia necessário que todos os membros de uma família (incluindo os filhos pequenos) trabalhassem para garantir seu sustento. Ainda que alguém do grupo fosse dotado de um talento diferenciado, dificilmente ele seria descoberto e lapidado, pois estudar era um luxo para muitos.

Não mais: agora boa parte dos jovens em idade escolar estão estudando (só não me pergunte o quê), podendo ser direcionados para ocupações condizentes com seus dons naturais.

Em relação à vida sentimental e à sexualidade, jamais houve, em nosso hemisfério Ocidental, tamanha liberdade para escolha (por vezes confundida com libertinagem). Na verdade, qualquer mísera dúvida ou confusão da criança ou do adolescente, em relação a seu comportamento e a suas preferências, já tem se mostrado suficiente para convencê-los de que são homossexuais ou transgêneros – sem chance de contraditório. Talvez aí é que resida o verdadeiro problema – ao contrário do que  costuma compreender o senso comum.

Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz

Bom, aí é tudo uma questão de valorizar as chamadas pequenas coisas da vida mesmo. Por mais clichê que possa parecer tal frase, cada vez mais é notável que vidas “chatas e enfadonhas”, cuidando da família e do papagaio, são desprezadas em nome de “viver la vida loca“, redundando em altos índices de depressão experimentados por pessoas que buscam um ideal de felicidade distorcido e inatingível.

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Conclusão:

Se você sentir que precisa aproveitar mais ou de forma diferente sua vida, a fim de evitar arrependimentos durante seus últimos suspiros, não jogue tudo para o alto, pois vai cair na cabeça de alguém – possivelmente algum familiar (o pai do Filho Pródigo da parábola que o diga); virar hippie não é tão fácil ou agradável quanto parece; chutar o pau da barraca porque “a vida é curta” pode dar dor no pé;

Faça transições dentro da velocidade que as circunstâncias permitirem, sem desespero –  o anjo da morte não está olhando por cima do seu ombro (possivelmente o anjo da guarda lá esteja); pense nas consequências deste processo para aqueles que o cercam;

Se precisar de mais dinheiro para tais mudanças, trabalhe e poupe, ou estude e persiga profissões mais bem remuneradas; corra atrás das condições necessárias, e não as exija de ninguém;

Se durante tais esforços pensando no longo prazo você abotoar o paletó de madeira, paciência, mas é fato que o amanhã sempre chega para 99.998% de nós (basta observar a expectativa de vida mundial crescente), então tenha razoável certeza de que irá colher os frutos de seus planejamento e dedicação; na pior das hipóteses, seus filhos farão a colheita por você, e estará (muito) bem justificada sua empreitada.

Por fim, reflita bem se sua vida é tão ruim assim quanto parece ser – ou quanto tentam te convencer que é. Pode ser que o seu  filme (aquele que dizem passar diante dos olhos) seja mais bonito do que você imagina…

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A Lei Maria Eduarda prova que boas intenções não bastam

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O morte da menina Maria Eduarda já havia suscitado polêmica em função das perícias inconclusivas em relação à autoria dos disparos que a vitimaram. A comoção provocada pela tragédia, todavia, ainda pode dar origem à uma medida totalmente descabida solicitada às autoridades em meio às lágrimas – e sem pensar muito nas consequências:

Familiares da menina Maria Eduarda foram recebidos na manhã desta sexta-feira (7) no Palácio Guanabara com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. Aos 13 anos, ela foi morta dentro da Escola Daniel Piza, no dia 30 de abril, durante confronto entre policiais e traficantes. A Pezão, os parentes pediram o fim de incursões policiais na hora da aula, entre 6h e 18h, através de uma lei chamada Maria Eduarda.

Como a tramitação pode demorar, os familiares pediram que as operações policiais sejam canceladas por determinação do governador num raio de até 3 quilômetros de escolas, durante o horário de aula.

Eis aí um bom exemplo de como as boas intenções não são suficientes para resolver problemas complexos como a violência urbana. A entrada em vigor de uma hipotética lei com este teor transformaria os entornos das escolas em verdadeiros safe spaces da bandidagem. O bichou pegou? Corre para perto do colégio! Este seria o novo mantra dos marginais no Estado do RJ. Tal qual fugitivos tentar cruzar a fronteira entre países para escapar de perseguições policiais, aqui eles correriam para as salas de aula.

Ou seja, restariam inviabilizados por completo os cumprimentos de mandados de prisão, busca e apreensão durante o dia. Aliás, não seria má ideia para os traficantes transferir todas as suas “operações comerciais” para dentro do perímetro protegido contra a ação da polícia em horário escolar.

Além disso, como vários destes círculos de três quilômetros de raio acabariam por tangenciar um ao outro, formando um espécie de bolsão de impunidade (além do habitual) nos turnos da manhã e da tarde, todas as demais atividades econômicas nestas regiões seriam comprometidas, uma vez que elas virariam verdadeiras “Terra de Marlboro”, afugentando clientes e impedindo o acesso dos funcionários. Até mesmo morar perto de uma escola acabaria se tornando um grande risco, desvalorizando todas as residências ali localizadas.

E como o único turno que sobraria para realizar operações nestas áreas “protegidas” seria o noturno, certamente o trabalho da policia passaria a concentra-se a partir do por-do-sol, tornando a noite um horário de caça aos bandidos, fazendo com que nenhum cidadão honesto tenha coragem de por o pé para fora de casa sem ser à luz do dia.

Diante do novo cenário, a vida de criminosos sabedores que estão na mira das autoridades restaria bastante facilitada, pois bastaria recolher-se a seus covis até o nascer do sol (amparados pela inviolabilidade do domicílio), quando, então, voltariam a contar com o verdadeiro “campo de força” contra a polícia gerado por tal diploma legal.

E se precisar encarar algum homem de farda entre 6 e 18 horas, pode descer o dedo que, com certeza, não haverá chumbo de volta, graças ao salvo conduto conferido a quem infrinja a lei próximo aos colégios. Por fim, até onde se sabe, um grande número de escolas oferece aulas à noite. Estes alunos não contariam com a suposta garantia de segurança para estudar?

Pior: se os diretores do colégio precisarem chamar a polícia durante o dia para socorrê-los e a seus alunos, os agentes de segurança não poderão disparar contra os meliantes? E a mesma questão se levanta em relação aos moradores do bairro escolar: só poderão ligar para o 190 depois das seis da tarde? Serão cidadãos de segunda classe, tolhidos do direito constitucional (teórico) à vida?

Não há solução mágica para o verdadeiro caos da segurança urbana que assola o Brasil. Endurecimento das leis penais, manutenção de indivíduos perigosos fora do contato com a sociedade ordeira, melhor preparação e remuneração para policiais: nada disso pode ser substituído por uma canetada do governador ou do legislativo – por mais que as intenções sejam ótimas.

BANDIDOS

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