O Brasil está sem governo – e a culpa é do STF!

Foto - Brasil sem Governo_STF - Ricardo Bordin

22/12/2015: esta foi a data em que a suprema corte brasileira determinou que o Brasil, caso a votação pela admissibilidade do impeachment fosse desfavorável a Dilma Roussef na câmara dos deputados, ficasse em estado de total catarse até que o senado procedesse à “admissibilidade da admissibilidade” – etapa intermediária gerada e concebida pelos Ministros do STF, em um arroubo de antipatriotismo, que configurou, em verdade, atividade legislativa, travestida de hermenêutica.

Não fosse o referido acórdão do STF, e tudo estaria correndo como mandam a Lei 1.079/1950 e a CRFB/88 (e como ocorreu quando do julgamento do impeachment de Fernando Collor): a presidente, tão logo fosse proferido o 342º voto favorável a seu afastamento, no dia 17/04/2016, seria afastada de pronto de suas funções, assumindo o vice-presidente o cargo, até julgamento do mérito da acusação no senado federal.

Todavia, o egrégio tribunal, no afã de alongar o processo de afastamento (proporcionado mais chances ainda de a acusada justificar o injustificável) e de conferir mais importância ao senado federal no procedimento (talvez tenha algo a ver com o fato de que Renan Calheiros é fiel aliado do PT, bem como protegido de Rodrigo Janot nas apurações da lava-jato), determinou que a “casa alta” poderia decidir, após ser comunicada pela “casa baixa” sobre a admissibilidade do impeachment, se daria prosseguimento ou não ao julgamento da presidente – muito embora a CRFB/88, em seu artigo 86, seja clara ao dizer que “Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, SERÁ ELE SUBMETIDO a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.”

Em razão da decisão do STF, segue a Sra. Vana ocupando a presidência, até que o senado decida afastá-la. Eis que surge a situação sui generis: Dilma ainda é presidente, mas já está limpando as gavetas; Temer ainda não é, mas já está montando seu ministério. Tal conjuntura é deveras prejudicial ao país por dois motivos:

1 – É gerada uma espécie de “compasso de espera” nos investidores e em todo o mercado financeiro, que ficará quase um mês em uma situação de insegurança, sem saber que rumos o Brasil tomará, combalindo ainda mais os índices econômicos. Uma substituição de chefe do executivo federal jamais deveria ficar indefinida de tal forma. Para efeito comparativo, imaginemos que uma substituição de jogadores em uma partida de handball (onde o jogo não é paralisado para alterações) demorasse 5 minutos para acontecer: um dos times ficaria com um jogador a menos esse tempo todo; por isso as substituições nesse esporte costumam ser processadas de forma extremamente rápida. No mesmo sentido, a CRFB/88, muito salutarmente, também previa que fosse célere a substituição do presidente pelo vice, durante o processo de impedimento – ainda que depois viesse a ser revertida, em caso de julgamento favorável ao titular do cargo no senado;

2 – Existe a possibilidade de o presidente acusado de crime de responsabilidade, durante este ínterim normativo criado pelo Judiciário, fabricar uma herança (ainda mais) maldita para seu sucessor. Crente de que será afastada, mas ainda no cargo, Dilma está pintando e bordando durante o tempo que lhe resta no poder – expediente que em muito lembra a atitude de Cristina Kirchner quando da passagem de governo para Macri, quando ela não compareceu a cerimônia de posse, e seus funcionários até mesmo levaram computadores dos escritórios, câmeras e até veículos oficiais para casa. Ela está se comportando como aquele empregado que, demitido sem justa causa e no cumprimento de aviso prévio, resolve sabotar o estabelecimento do empregador, como vingança:

  • Pediu sanções do MERCOSUL ao Brasil pelo “golpe” em curso (pena que não deu certo, pois nos obrigaria a buscar acordos de livre comércio com o restante da Ásia e Europa, e quem sabe até ajudaria na implementação do ALCA);
  • Saiu vociferando para a imprensa internacional que está ocorrendo um golpe de Estado no Brasil, o que, uma vez mais, assusta e afasta investidores estrangeiros;
  • Pretende promover ampliações de gastos públicos, a fim de causar desgaste político para a eventual gestão de Michel Temer, como aumento de despesas do bolsa-família (interessante notar que desde 2014, antes das eleições presidenciais, isso não ocorria), em vez de passar um pente fino nesses benefícios (o TCU identificou pagamentos indevidos do Bolsa Família a 163 mil famílias);
  • Avalia a extensão do Programa Mais Médicos, por meio da prorrogação de prazo da permanência dos profissionais estrangeiros no Brasil, por mais três anos. Assim, o projeto de enviar dinheiro para a ditadura Cubana de forma “legalizada” ficará em funcionamento até 2019.

E isso é o que se tem notícia. Temer precisará realizar auditorias em todos os ministérios assim que assumir, se não quiser ser surpreendido com mais esqueletos no armário petista.

Estima-se que até o da 12/05/2016 a presidente seja afastada por até 180 dias, mas nem esta previsão pode ser considerada como segura: é que o STF, como não está tão acostumado a legislar, criou uma etapa do processo de impedimento sem definir os prazos e o rito para tal. Felizmente, a comissão que avalia o impedimento no senado é composta majoritariamente por parlamentares favoráveis ao afastamento da presidente; caso contrário, esta situação absurda poderia ser postergada ainda mais, com enorme prejuízo ao Brasil.

Assim sendo, seria fortemente recomendável que nossa suprema corte, da próxima vez, se limitasse a interpretar a lei, ou, no máximo, suprir lacunas de normas de eficácia contida da CRFB/88 (julgando mandados de injunção). Os brasileiros não deveriam ter sido obrigados a ficar tanto tempo aguardando nesse limbo administrativo, e pagando, como sempre, a respectiva conta. Decisões emanadas do poder Judiciário com caráter “extra legem” ferem a independência dos poderes, e ferem ainda mais o Brasil, afetando seus já carcomidos ambiente de negócios e segurança jurídica.

 

 

“Esquerda ou Direita? Tanto faz…”, será?

Foto - Esquerda ou Direita - Ricardo Bordin (1)

 

 

 

 

 

 

 

Foi intrigante observar a mensagem deste cartaz, a qual foi repetida Brasil afora nas manifestações de 16/03/2016, e cujo significado pode ser assim resumido: o brasileiro médio está indignado com o PT, por sua corrupção endêmica e pelas trevas onde a economia de nosso país encontra-se mergulhada; todavia, ele não associa essas mazelas com o fato de o PT ser um partido de Esquerda. Ademais, considera que a Direita não faria muito diferente. Faço uma aposta com vocês: 100% das pessoas que carregavam estes cartazes não sabiam, ou então apenas pensavam que sabiam, o que é Direita ou Esquerda, em se tratando de gestão governamental.

Minha afirmação está assentada, primeiramente, no fato de que o Brasil nunca foi administrado por um governo liberal ou conservador – as duas principais linhas de pensamento da Direita. Engana-se quem pensou na ditadura militar: sob a ótica gerencial, o regime militar apresentou diversos pontos em comum com os governos de esquerda, uma vez que era coletivista, contrário ao livre mercado, criou inúmeras empresas estatais, e interferiu profundamente na economia. Tampouco acertou quem pensou em FHC: muito embora seu governo tenha apresentado lampejos de liberalismo econômico (promoveu privatizações, iniciou reformas na Previdência, e criou a Lei de Responsabilidade Fiscal), o PSDB ajudou a ampliar um sistema tributário que suga demais das atividades mais rentáveis e das pessoas mais capazes de investir e inovar, simplesmente trocando, desde o 1º dia do plano Real, a hiperinflação pela tributação desmesurada, associada a juros altos.

Ou seja, o brasileiro jamais experimentou o que estão vivenciando os Argentinos com Macri: enxugamento do Estado, redução de impostos, responsabilidade fiscal e planejamento de longo prazo.

Além disso, a Esquerda, com sua conhecida eficiência na “guerra de narrativas”, sempre conseguiu incutir no inconsciente coletivo que seu objetivo é “governar para os pobres e minorias”, ao passo que a Direita objetiva “governar para as elites”. O brasileiro precisou descobrir da pior forma possível que nada poderia ser mais falso: enquanto as classes menos favorecidas do país estão amargando desemprego, queda do poder de compra e endividamento em níveis inéditos, instituições bancárias nunca lucraram tanto simplesmente emprestando dinheiro para o Estado, e grandes empreiteiras, adeptas do “capitalismo de compadrio” (dentre outras “campeãs nacionais”), faturaram fortunas emprestando capital do BNDES com juros subsidiados com recursos públicos.

Vale dizer: ainda que o PT não tivesse sido o protagonista do maior esquema de corrupção da história, ele teria, eventualmente, quebrado a economia do país de qualquer jeito. Devido à “nova matriz econômica”, adotada a partir de 2008, cujas medidas sintetizam o pensamento típico da esquerda (expansão do crédito estatal, redução artificial de tarifas de energia elétrica e preços dos combustíveis, e a utilização de truques contábeis para esconder a elevação da dívida pública), a depressão que hoje vivemos, com queda de 10% do PIB em dois anos, já estava programada. E justiça seja feita: o PT não fez nada que outros partidos que seguem a partilha socialista não fariam – aliás, fariam, por certo, em muito mais larga escala. Não à toa, o PT sofreu “oposição” de partidos como o PSOL, que acreditavam que nossa economia precisava de doses mais generosas do veneno das medidas “desenvolvimentistas”.

Aliás, a corrupção, que alcançou cifras espantosas durante o governo do PT, também costuma andar de mãos dadas com uma das principais características da esquerda: o governo inchado. Diante de tantos entraves desse mastodonte à atividade produtiva, surge a necessidade de criar meios para burlar esses obstáculos, sendo gerada, destarte, a “demanda” pela corrupção, e, criada a demanda, surge a figura do corruptor, aquela pessoa que, por meio de propina, vê-se livre dessas amarras estatais. Associe isso à sensação de impunidade prevalecente em nosso país, e está feito o estrago.

Por fim, enfatize-se que, de acordo com pesquisas recentes, os eleitores ainda depositam muita confiança em partidos de orientação bastante semelhante à do PT, sem ao menos dar-se conta disso – sim, estou fazendo referência à Rede Sustentabilidade, não apenas porque ela está recebendo a maioria dos políticos que estão abandonando o PT, mas também pelo fato de que sua principal expoente, Marina Silva, é oriunda de uma célula ainda mais radical da esquerda (foi militante do Partido Comunista Revolucionário) e bebe na mesma fonte (o marxismo), só que em versão ambientalista. Pra não mencionar seu suporte ao MST, um dos braços do PT na abolição da propriedade privada rural (eles chamam isso de “reforma agrária”, só para constar).

E por que isso tudo é importante? Porque enquanto nosso eleitorado (e nossa imprensa, bom que se diga) não entender que medidas de caráter liberal podem ser “impopulares” no curto prazo – enquanto consertam os estragos causados pelas medidas “populares” implementadas pela esquerda – mas são necessárias para pôr a casa em ordem, político nenhum irá adotar um discurso mais à Direita. Vejam o caso da “ponte para o futuro” de Michel Temer, que causou arrepios em muitos apenas por propor maior responsabilidade fiscal, forçando-o a recuar em alguns aspectos.

Trocando em miúdos: Esquerda? Não, obrigado. Precisamos de um longo período livres dessa erva daninha!

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Jesus era Comunista? Aham. Senta lá Companheiro!

“…Fulano, você costuma ler a bíblia? Eu até leio, mas apenas o velho testamento. Por quê? Porque Jesus Cristo era um comunista safado…uhauhauha….kkkkk…”

Já ouvi mais de uma vez essa gracinha de esquerdistas, cujo único objetivo real é ridicularizar a Direita, a qual, de acordo com a exegese da referida anedota , discordaria de Jesus e de suas pregações estimulando a partilha. A contrario senso, os fundamentos da esquerda, assim, iriam no mesmo sentido daqueles defendidos pelo Cristo – restando, assim, demonizados Liberais e Conservadores, e beatificados os Comunistas. Essa mensagem toda, bom que se diga, tramita de forma inconsciente entre os interlocutores da piada. Ou seja, seria difícil atingir o objetivo de forma mais eficiente. Bom, talvez fosse mais eficiente ainda quedar-se em silêncio do que proferir tal disparate.

A ignorância não apenas é uma benção, mas também pode fazer piadas ficarem engraçadas, como se pode constatar no caso. O que não tem graça nenhuma é se fazer de desentendido, e fingir que não se dá conta de que entre as pregações de Jesus e os princípios do Comunismo (ou socialismo, populismo, enfim) há uma distância tão grande que nem por meio de milagres eles tangenciam-se.

Vejamos: Jesus prega, conforme passagens bíblicas, que pessoas possuidoras de um maior número de bens devem partilhar parte desses com pessoas menos favorecidas. Ele recomenda cautela com a ganância e com a avareza; que o homem procure possuir tudo que precisa, e não tudo que deseja. Todavia, o texto bíblico leva a crer que essa transferência de bens,  dos mais para os menos possuídos, deve dar-se de forma VOLUNTÁRIA E DIRETA.

Entenda-se: Ele não sugere que os bens sejam expropriados (à força ou por meios indiretos, como pela cobrança de impostos acachapantes), na medida em que busca a conscientização dos ricos, apregoando que nada do que foi acumulado em terra pode ser levado aos céus; Ele, tampouco,  apoia a criação de um Estado totalitário, no qual toda a riqueza gerada pelos particulares seja concentrada, para posterior “distribuição”. E sem expropriação nem Estado mastodôntico, não há comunismo. Há, sim, doação e contribuição. E desenvolvimento, claro.

Convém aqui ressaltar que a riqueza, em si, não chega a ser mal vista pelos comunistas, não é mesmo? Basta considerar algumas excentricidades de Fidel Castro, típicas de um bilionário capitalista (tais como uma criação de golfinhos para entreter os netos, localizada em sua ilha particular), ou quem sabe  a frota de carros Mercedes-Benz do ditador da Coréia do Norte  Kim Jong-Il, na qual incluem-se duas limusines. Tudo em nome do social, por certo. A “esquerda caviar” pode. Mas eu duvido que Jesus concordaria com isso.

Por fim, é bom enfatizar que, se o esquerdista da piada declara que lê, ao menos, o velho testamento, seria bom ele prestar especial atenção no texto dos dez mandamentos, principalmente o 6º, o 8º e o 9º. Já o 10º parece que foi esculpido nas pedras por Deus pensando justamente nos comunistas, a tal ponto que vou reproduzi-lo:

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

Seria mais prático Deus ter dito a Moisés: “Não serás um comunista!” 

Rindo ainda, CAMARADA?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma Piada Que Vai Muito Além de Ser Apenas Engraçada!

“…o sonho do brasileiro, se for da classe média, é passar em concurso público; se for pobre, receber bolsa família; e se for rico, conseguir uma “bolsa BNDES”. Todo mundo quer ser parasita do Estado…”

Não há como negar que a frase do humorista Marcelo Madureira faz uma constatação inequívoca: o brasileiro médio costuma buscar, de alguma forma, o suporte do aparato estatal, independente de sua classe social. E é grande a tentação de atribuir essa predileção de nosso povo, em recorrer à administração pública para seu sustento ou para auferir lucros, a uma suposta cultura de “preguiça”, de aversão ao risco, um desdobramento do jeitinho brasileiro. Creio que esse fator desempenhe papel apenas complementar na tentativa de compreender o porquê desta prática recorrente.

Começo invocando a sabedoria da natureza: as formigas vão até onde está o açúcar. As abelhas onde está o néctar. E as pessoas, quando querem ganhar dinheiro, vão onde está a maior gama de recursos disponível, sejam elas pessoas de baixa remuneração que precisam de complemento em sua renda mensal para sua subsistência, jovens que buscam ingressar no mercado de trabalho, ou empresários que querem uma “clientela” fixa. E onde essas pessoas podem encontrar esse “açúcar” fácil? No caso do Brasil, e de outros países onde predomina uma administração de cunho populista, a resposta é…no Estado, claro!

Em torno de 40% de toda a riqueza gerada no Brasil está concentrada nas esferas governamentais. Comparando com países como a Coréia do Sul (26%) e Estados Unidos (27%), fica evidente que a carga tributária em nosso país suga uma parcela demasiadamente grande do que é produzido pela iniciativa privada. Não à toa, o brasileiro médio precisa trabalhar 151 dias ao ano para quitar todos os seus tributos, seja aqueles pagos diretamente, ou aqueles pagos de forma indireta, já embutidos nos preços dos produtos e serviços, ao passo que na Suíça são 102 dias, e nos Estados Unidos 89. Tão ruim quanto é  a situação das empresas no Brasil, que levam, em decorrência da complexidade do nosso sistema tributário, 2.600 horas por ano pagando tributos – número cinco vezes maior que a média da América Latina.

Os resultados disso? Diversos e variados, mas todos devastadores.

As taxas de juros no Brasil são tão altas pelo “simples” fato de que 72%  de todo o crédito gerado no país é absorvido por este gigantesco e inchado governo e suas estatais – reduzindo, assim, a oferta de crédito para os agentes privados, e aumentando, portanto, os juros, que nada mais são do que o preço do capital. Esses juros tão elevados dificultam os investimentos privados, e impedem o crescimento da atividade produtiva;

Parcela significativa do faturamento das empresas, que poderia gerar reinvestimento, e assim, criar mais e melhores empregos, precisa ser paga aos entes públicos –  e isso é um grande problema, na medida que o setor público, invariavelmente, gasta com menos eficiência que o setor privado (no caso do Brasil, com MUITO menos eficiência, e com elevado índice de desperdício e corrupção);

Desta forma, ao brasileiro (aquele, citado por Marcelo Madureira), resta pouca escolha:

1 – O trabalhador de menor renda vai preferir ficar fazendo bico sem registro e recebendo auxílios governamentais, ou procurar trabalho com carteira assinada, “contribuindo” com largas fatias de sua remuneração para Previdência e Receita Federal, em um mercado com grande taxa de desemprego, e com salários achatados pela situação periclitante das empresas e corroídos pela inflação? pouco provável ele escolher a segunda hipótese;

2 – O estudante de classe média, que acabou de sair da faculdade, vai preferir brigar por uma colocação no mercado de trabalho, sendo que empregos de melhor qualidade costumam ser gerados, direta ou indiretamente, pelo setor industrial, o qual encontra-se totalmente sufocado pelo Estado, contribuindo com o PIB nacional em nível da década de 1950, ou ele vai preferir entrar para a administração pública? Certamente ele escolherá a segunda hipótese;

3 – O empresário vai preferir vender seu produto ou oferecer seus serviços no mercado, ficando exposta à grave depressão econômica que vivemos, com grande risco de entrar em insolvência e vir a falir, ou vai tentar conseguir um contrato com a administração pública, ficando livre de concorrer com outras empresas, e ainda podendo cobrar preços acima dos praticados no mercado – com baixíssima chance de ser investigado e punido por isso? Opção dois, por certo.

Trocando em miúdos: é injusto acusar o brasileiro de preferir escorar-se no Estado em um país onde o Estado toma conta de tudo! Se em outros países a maioria das pessoas preferem tomar outros caminhos, buscando seus objetivos andando com suas próprias pernas, é porque a conjuntura lhes permite e lhes estimula a seguir estes caminhos alternativos.

Tome-se como evidência disso um exemplo dentro do Brasil: a cidade de São Paulo. Fosse um país, seria a 5º economia da América Latina. Costuma-se dizer que “São Paulo é o onde o dinheiro circula”. Pois bem: lá, o percentual de estudantes que visam tornar-se empregados públicos sempre foi mais baixo que no restante do Brasil, bem como o de pessoas que recebem auxílios do Estado. E são brasileiros. Eis aí.

Portanto, mudar este aspecto da cultura do brasileiro passa necessariamente pela diminuição do tamanho do Estado e de sua burocracia, o que possibilitaria redução da tributação e decorrente aumento da atividade produtiva. Todavia, não será da noite para o dia que o brasileiro vai alterar essa concepção que já dura décadas.

No mínimo desde 1973, quando o governo militar resolveu combater a inflação com emissões de moeda escritural, passando pela constituição de 1988, onde foi alargado o imenso rol de promessas de novos direitos “sociais” (palavra mágica que autoriza o governo a gastar à vontade) sem fontes definidas de recursos para tal, chegando ao período atual, onde a maioria dos gestores tem calafrios ao ouvir falar em enxugamento da máquina pública, foi incrustado na mente do nosso povo, a custa de muita propaganda estatal, o mito do “governo grátis”. Este consiste, nas palavras de Paulo Rabello De Castro, “naquele que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém; fenômeno político que está na raiz dos declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação de seu processo produtivo”. Acrescento: no conceito de “distribuir vantagens”, inclua-se aí os empréstimos com juros subsidiados, cujas únicas funções alternam-se em ora representar favores estatais aos “amigos do rei”, ora causar endividamento das camadas menos favorecidas da população – por meio da falsa sensação do aumento da renda.

Estima-se que, ao final de 2013, já eram contados aproximadamente 60 milhões de beneficiários de contracheques do governo federal, entre salários, benefícios e previdência, totalizando 71% do total despendido pela União. De fato, será necessário um período de transição para livrar o país dessa visão de cunho socialista, que tanto retarda nosso desenvolvimento.

Felizmente, cresce entre os pagadores de tributos a consciência de que a conta está errada, e de que essa “folhona de pagamentos” de dependentes do Estado acaba fazendo mal ao país, no sentido de ser liquidamente negativa – mesmo para os que recebem tais benefícios, uma vez que esta gera inflação e juros altos, desemprego e tudo o mais. Afinal de contas, ninguém vive em uma bolha, muito menos em regimes de aspirações socialistas. Pergunte aos servidores públicos da Venezuela se eles estão felizes neste momento…

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A Revolução das Máquinas – e das Mulheres!

“…É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar…” (Edmund Burke). 

A pergunta é simples: quem tirou a maioria das mulheres da frente do tanque de roupas  e as colocou como protagonistas na história recente da humanidade? Duas dicas: pense um pouco antes de responder que foram os famigerados movimentos feministas; e conte até dez antes de proferir impropérios quando eu responder que a busca por produtividade e por maiores lucros do mercado e da indústria foi responsável por permitir que o talento e a capacidade inatos das mulheres ganhassem importância, e, portanto, possibilitou que elas passassem a ocupar papel de destaque na sociedade atual.

Duvida? Então contemos até dez juntos:

1 – Os postos de trabalho, em sua maioria, desde os primórdios da atividade produtiva, demandavam grande FORÇA FÍSICA por parte dos trabalhadores. Este fator, por si só, era suficiente para afastar a possibilidade de as mulheres ocuparem tais postos de trabalho – o que reservava para elas, primordialmente, os afazeres domésticos, cuidar do lar.

2 – A mecanização da indústria e da agricultura, nos fins do século XVIII, advinda da 1ª  fase da revolução industrial,  começava a substituir o trabalho braçal e a força motriz muscular humana, animal ou ainda da roda de água. Eram máquinas grandes e pesadas, mas com incrível superioridade sobre os processes manuais de produção da época. Na sequência, tem início a aplicação da força motriz elétrica à indústria, o desenvolvimento do sistema fabril, e a evolução dos meios de transporte e das comunicações – e todas essas etapas apontam em uma mesma direção: eliminar, cada vez mais, a necessidade de força física do trabalhador, tornando, em consequência, o INTELECTO, as competências e habilidades cognitivas, muito mais relevantes no desempenho laboral. Não preciso nem dizer que, neste processo, a desvantagem competitiva da mulher em relação ao homem diminui substancialmente;

3 – A indústria, então, passa a desenvolver tecnologias que reduzem em muito o trabalho de cuidar do lar. Principalmente a partir do surgimento das linhas de produção e a decorrente redução dos custos de fabricação e distribuição, torna-se possível, para o cidadão comum, adquirir máquinas que tornam as tarefas domésticas muito mais fáceis e rápidas de executar – a tal ponto que até um homem poderia faze-las (hehe) – liberando a mulher, desta forma, de parte da necessidade de permanecer em casa;

4 – Outros serviços oferecidos de forma cada vez mais acessível pelo mercado, como alimentos de rápido e fácil preparo, escolas maternais, dentre outros, reduzem ainda mais as responsabilidades tradicionalmente tidas como da mulher sobre o lar, liberando-a, definitivamente, para o mercado de trabalho (que se note: a intenção das empresas era, como de praxe, faturar, mas acabaram por beneficiar as mulheres – fenômeno descrito por Adam Smith, quando referiu-se ao conceito da “mão invisível” do mercado, em uma de suas muitas facetas);

5 – Contribuíram ainda, para o processo de integração das mulheres ao mercado de trabalho, as grandes guerras mundiais: os homens foram convocados a defender suas pátrias nos campos de batalha, e recaiu sobre as mulheres a obrigação de ocupar o espaço por eles vagado. Principalmente na Segunda Grande Guerra, funções nunca antes assumidas por mulheres foram entregues a elas, em uma alteração na cadeia produtiva que já havia sido notada na guerra anterior – ou seja, uma vez mais, a demanda do mercado (no caso, por mão de obra) ajudando a derrubar a visão machista predominante da época (a lamentar que esta demanda foi criada por  tragédias sem precedentes);

6 – A meritocracia e a busca pelo lucro também foram fundamentais na mudança cultural dos empregadores, que passaram a contratar mais mulheres. Entenda: se um homem e uma mulher apresentam-se para o mesmo cargo, e o empregador contrata o homem motivado por preconceito, sendo que a mulher era mais competente, isso vai causar-lhe prejuízo no médio prazo, visto que a pessoa mais competente será, inevitavelmente, contratada por algum concorrente seu que não seja machista – até chegar uma hora que a empresa do primeiro empresário estará cheia de homens incompetentes, e a do concorrente cheia de mulheres competentes;

7 – Recebendo seus próprios salários e não mais dependendo do homem (marido) para sua subsistência, abre-se uma grande porta para que a mulher passe a exigir tratamento igualitário, em todas as esferas. Algumas dessas conquistas não foram positivadas em normas estatais, mas simplesmente constituem demandas que passaram a ser atendidas pelo mercado que buscava lucros: cada vez mais produtos e serviços voltados às mulheres foram criados e ampliados – não por respeito à igualdade, mas porque elas passaram a ter dinheiro para pagar a conta.

Criou-se, assim, um ciclo virtuoso, no qual a mulher contribui diretamente com a geração de riqueza para a sociedade e recebe o retorno desta (observe-se que o trabalho da mulher nos séculos passados, de cuidar do lar e criar os filhos, deveria, sem sombra de dúvida, ter sido devidamente valorizado, mas como esse trabalho não lhe gerava renda, esse ciclo virtuoso acima descrito não tinha como ocorrer, e a mulher ficava a mercê da boa vontade dos homens. Não mais.).

8 – Até mesmo normas especiais de proteção à mulher, como as presentes na Consolidação das Leis do Trabalho e na Lei Maria da Penha, são fruto de todo esse processo, em que a mulher passa a ser vista como protagonista na sociedade, e merecedora, portanto, de tratamento respeitoso, e, por vezes, diferenciado (mais benéfico);

9 – A evolução dos meios de comunicação e transporte tirou muitas sociedades do planeta do isolamento cultural até então vivido, permitindo que regiões onde as mulheres costumavam ser subjugadas pelos homens deixassem de considerar tal tratamento como natural, e passassem a estender ao sexo feminino  direitos já desfrutados por mulheres de outras civilizações. Como exemplo, cito a recente conquista da população feminina da Arábia Saudita, que adquiriu o direito ao sufrágio – fruto do intercâmbio cultural com o Ocidente, onde o Iluminismo, e seus ideais de liberdade e igualdade, já influenciam as relações humanas há séculos.

Aliás, a regra é que as mulheres do Oriente busquem equiparação com as do outro hemisfério, tendo em vista, especialmente, a forte disseminação da cultura Islâmica, a qual desfavorece a mulher em quase todos os aspectos de sua vida. Desnecessário dizer que o desenvolvimento dos transportes e das comunicações é resultado da busca por lucros, visto que empresas aéreas, telefônicas e empresas que difundem informação e entretenimento não vivem de caridade;

10 – Na época em que títulos de nobreza valiam mais do que o mérito (antes da revolução industrial), o status de uma pessoa permanecia inalterado por toda sua existência – como ainda ocorre em países de economia planificada, como a Índia. A partir do advento da economia de mercado, pessoas de talento passam a poder ascender socialmente independentemente de sua origem, desde que logrem atender ao interesse de um considerável número de pessoas com seu trabalho. Neste cenário, as mulheres começam a livrar-se da sombra de seus maridos, na medida em que aos consumidores pouco importa quem produziu aquele bem que facilita sua vida – se um homem ou uma mulher.

Portanto, na prática, as mulheres, DESDE SEMPRE, possuíram capacidade para serem figuras de alto relevo, mas durante muito tempo foram tolhidas dessa possibilidade, em função de tudo que foi exposto. Até mesmo trabalhos que nunca dependeram de força física (como literatura, jornalismo, atividade legislativa, etc) passaram a ser desempenhados por mulheres com muito mais frequência, uma vez que a população masculina “acostumou-se”, por falta de uma palavra melhor, a ver mulheres como colegas de trabalho e, muitas vezes, como chefes, e isso diminuiu o machismo em todas as áreas.

Tivessem nascido algumas geracões antes, e mulheres como Margareth Tatcher, Angela Merkel e Janaína Paschoal poderiam passar a vida apenas atendendo aos caprichos de seus maridos, sem nunca explorar seu imenso potencial latente – aliás, quantas grandes mulheres deixaram de desabrochar por causa disso, e nunca iremos nem saber…

Aproveito aqui para elucidar uma questão recorrente: a de que mulheres ganham menos do que homens. Isso é uma meia verdade, pelo seguinte: a média salarial dos homens (massa salarial dividida pelo número de trabalhadores) é maior do que a das mulheres (massa salarial dividida pelo número de trabalhadoras), pelo fato de que AINDA há mais homens ocupando funções de chefia e gerência, já que a entrada das mulheres no mercado de trabalho ainda é um fenômeno relativamente recente, mas a tendência é que essa lógica INVERTA-SE RAPIDAMENTE.

A visão que muitos tem de que há mulheres que ganham menos do que homens fazendo o mesmo trabalho, é de difícil concepção, por um motivo simples: se um empregador pudesse pagar, para uma mulher, salário mais baixo do que paga para um homem, para fazer o mesmo trabalho, por que diabos ele contrataria homens? Para ter menos lucro? Isso pra não mencionar que, no Brasil, esta prática já é ilegal (artigos 460 e 461 da CLT). Portanto, se tal disparate ocorre de fato, o Judiciário (para casos individuais) ou a Inspeção Trabalhista (para casos coletivos) podem e devem ser acionados.

Oportuno ressaltar que o fato de que determinadas atividades venham a ser desenvolvidas, prioritariamente, por homens ou mulheres,  não implica, necessariamente, em discriminação. Pedreiros são na maioria homens, e operadoras de teleatendimento na maior parte mulheres, por questões naturais de aptidão. Homens e mulheres merecem tratamento igualitário, mas não são iguais – ao contrário do que determinados “intelectuais” propagam. Essa seleção natural torna o desempenho de ambos mais eficiente, motivo pelo qual instituir cotas para mulheres em qualquer profissão é algo que vai de encontro aos interesses delas mesmas, e de toda a coletividade.

Tenho certeza que mulheres que invadem igrejas com os seios de fora ou pregam o ódio contra os homens muito pouco ou nada contribuem para a “causa feminina”. Em vez de me alongar comentando sobre esses grupelhos fanáticos, preferi apenas citar Edmund Burke, com a frase no início do post. Vale dizer: Bill Gates e Henry Ford fizeram mais pelas mulheres (e por toda a humanidade) do que  as queimadoras de sutiã em praça pública.

Que bom que tudo isso aconteceu e continua acontecendo. O mundo é muito melhor assim, com as mulheres tendo a oportunidade de mostrar seu valor com trabalho e dedicação, e podendo exigir o devido reconhecimento. Melhor para elas – e para os homens também, com certeza.

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