Ser Comunista é um Luxo para Poucos – Felizmente para os Cariocas

Diz a sabedoria popular que “cabeça vazia é oficina do diabo” – e o terreno ideal para plantar a erva daninha do “progressismo”, complemento eu. Qual indivíduo seria mais facilmente transformado em idiota útil da Esquerda: o playboyzinho que está tomando cerveja artesanal no Delirium Café em Ipanema, quando deveria estar em uma aula bancada pelos pagadores de impostos, sem horário para acordar no dia seguinte; ou o cidadão que mora no morro, e precisa matinar quase todo santo dia para empreender sua labuta diária em busca do sustento, desviando de criminosos pelo caminho, ansioso pelo dia do descanso sagrado? Este mapa do resultado das eleições municipais no Rio de Janeiro dá uma dica preciosa sobre a solução deste enigma:

mapa

Marcelo Freixo só venceu nos bairros ricos.

Esta notável polarização política entre um candidato representante da Igreja Universal e um legítimo e assumido (até onde as pretensões eleitorais permitiram) socialista, e sua coincidência com determinados níveis de renda per capita da cidade maravilhosa, merecem uma análise mais acurada, portanto. Entender por que as pessoas menos abastadas deram preferência a um bispo da religião que mais cresce no país, em detrimento daquele que, supostamente, fala em nome, justamente, de tais desfavorecidos pelo “sistema capitalista opressor”, é tarefa essencial no esforço contra a disseminação do ideário marxista. Se funcionou no RJ, pode perfeitamente dar certo Brasil afora.

1) “Se Deus quiser, meu filho…”: A frequência com que uma pessoa repete esta expressão costuma guardar relação inversamente proporcional com sua condição financeira. Não á toa, minha mãe, esposa de um motorista de caminhão, que cuidava dos três filhos em casa, seguidamente entoava o mantra. E não era difícil entender o porquê: em meio à inflação, juros e desemprego nas alturas, associada com a violência da vila onde residíamos, dentre outras mazelas sociais comuns naquela região, a fé no transcendente estava sempre na ordem do dia. A oração do anjo da guarda era sua favorita. Ateísmo não costuma proliferar em bairros de periferia. Rezar para o ordenado chegar ao final do mês ou para chegar vivo em casa, ao final da jornada, é prática corriqueira.

Meu pai não contribuía com dízimo, mas alguns de nossos vizinhos, sim. Pagar para continuar tendo esperanças, ao passo que a expansão do Estado pseudo-assistencialista tornava a vida cada dia mais dura, era expediente mais benéfico do que entregar os pontos e render-se aos vícios. É claro que para os moradores do Leblon que apenas visitam os pobres, vez por outra, para gravar documentário glamourizando a favela e produzir filme louvando bandido como vítima – e ganhar ainda mais dinheiro de pagadores de imposto, pela via torta da lei Rouanet – isso não faz muito sentido, por certo.

 2) “Deus ajuda quem cedo madruga”: Outra máxima que compõe o repertório da população humilde, ela retrata a necessidade diária de correr atrás da própria subsistência – sim, existe um mundo além do cartão de crédito do papai, galera de Copacabana beach. Portanto, ao contrário do que poderia imaginar o eleitor médio do Freixo, pobre gosta é de capitalismo (bem selvagem, de preferência). Ele quer que muitos empresas sejam inauguradas no município, para que ele não precise engrossar as estatísticas dos desempregados. Quem sabe, dependendo das condições, ele mesmo não inaugure seu próprio negócio – se a regulação estatal permitir, claro.

E sim, pobre reza para arranjar ou manter o seu trabalho, ainda que seja varrer a rua, cortar grama ou lavar louça (quantas novidades hoje, hein, Zona Sul?). Aliás, só quem nunca mesmo executou um trabalho mais modesto (ou algum trabalho, qualquer que seja) pode considerar humilhação desenvolver tais atividades. Meu avô, sapateiro, costumava dizer que “todo trabalho honesto é digno” – e é bem melhor do que ficar dependendo de bolsa-esmola. E como bom comportamento ajuda a assegurar um currículo profissional decente, é óbvio que, ao contrário do filhinho de papai comuna e do sindicalista militante, o pobre trabalhador não pode se dar ao desplante de faltar o serviço para bradar “Fora Temer” em plena quarta-feira à tarde, sob o risco de seus filhos ficarem sem pão. Até porque “Deus dá o pão, mas não amassa a farinha”. Neste contexto, no departamento de RH, o crente que só toma refrigerante e dorme cedo larga na frente do ateu baladeiro maconheiro. Graças a Deus.

xingando-pobre                                               

 3) “Em algum lugar ele vai pagar pelo que fez”: A crença no post-mortem também desempenha importante papel de lenimento da alma. Tomar ciência no noticiário de tanta roubalheira, assistir crimes acontecendo da janela de casa e seguir caminhando, não é tarefa das mais simples. Neste sentido, acreditar que a vida não se resume ao plano físico pode evitar que uma pessoa menos favorecida enlouqueça e jogue tudo para o alto de seu barraco. Segundo consta, aliás, Deus não daria uma cruz mais pesada do que aquela que conseguimos carregar; Deus está vendo tudo; e por aí vai. Ou seja, esta esperança em um estágio posterior de existência pode salvar uma pessoa de entregar-se às drogas e à libertinagem total – o que, por conseguinte, poderia jogá-la na dependência do Estado (o pessoal da cracolândia do Haddad e sua mesada que o digam).

 Ademais, se nossa existência, conforme doutrinas espirituais as mais diversas, não está restrita a este corpo humano, não resta motivo para sair “curtindo a vida” por aí como se não houvesse amanhã (já que, contrariamente ao que acreditavam alguns fãs de Renato Russo, para 99% de nós, há um amanhã, sim – e ele vem com contas a pagar). Neste cenário, pode-se vislumbrar uma redução do uso de entorpecentes, de gravidezes precoces indesejadas e abortos. Curtir a experiência carnal de forma descontrolada torna-se, pois, desnecessário nesta conjuntura. E isso é muito salutar para quem não tem a vida ganha, diferentemente da maioria do pessoal que “fecha com Freixo”.

fmb

Trocando tudo em miúdos: foi-se o tempo em que o rebanho da Esquerda era composto pelas camadas mais desvalidas de nosso povo. Ele agora reduziu-se a “intelectuais” e artistas engajados, em um processo no qual os pobres, em sua maioria, abriram os olhos, mesmo em meio a tanta dificuldade, e perceberam que “gostar dos pobres” é muito diferente de “gostar da pobreza”, e dela fazer uso eleitoral. E, aparentemente, o pessoal que quer “mudar o mundo” ainda não percebeu que a galera do morro está mais preocupada com saúde e transporte do que com a liberalização das drogas e a ideologia de gênero.

Deduzo, pois, que tanto o fato de o novo prefeito do Rio de Janeiro ser um membro de uma instituição religiosa, quanto a circunstância de que seu rival representava tudo aquilo que mantém os pobres atolados na pobreza indefinidamente (vide a vizinha Venezuela), contribuíram para o resultado das urnas no domingo. E isso, por acaso, significa que os pastores evangélicos vão tomar conta do Brasil? Não creio. Acredito, tão somente, que o eleitor médio do Rio já estava de saco cheio de “progressismo”, e apenas valeu-se que um representante da instituição que costuma ajudá-lo a viver a vida de forma menos padecida era candidato, e votou nele. Crivella possivelmente não teria a vida tão facilitada contra outros políticos que ficaram pelo caminho no 1º turno (por muito pouco, e graças ao “voto inútil” dos Conservadores).

Sempre ouvi de esquerdistas que “os crentes são massa de manobra” de espertalhões de bom papo. Está bastante raso esse exame, viu, companheiros. É mais crível afirmar que as elites econômicas e intelectuais do Brasil é que estão apenas servindo aos propósitos de quem quer ver o Estado intrometendo-se em cada aspecto de nossas vidas e espalhando-se feito um câncer oneroso. Não por acaso, nos Estados Unidos, país cuja população atingiu níveis de prosperidade inéditos na história da humanidade (gerando, destarte, muita elite culpada), a Esquerda avança como nunca dantes.

Em suma: não é forçoso ajoelhar e rezar para fazer o capeta comunista ir embora do Brasil. Mas que o exorcismo operado ontem no Rio de Janeiro fez William Friedkin sentir inveja, ah, isso fez…

edit-humanas

O marxismo sempre viu no cristianismo um adversário para suas pretensões totalitárias. Como aquele nega qualquer transcendência, seu paraíso deve se realizar neste mundo por meio do controle total. Seu absolutismo não admite concorrência. Segundo Lenin, “a guerra contra quaisquer cristãos é para nós inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste”. Acho que o tiro saiu foi pela culatra…

Encerro indicando este vídeo de Dennis Prager, no qual ele relaciona a evolução do Ocidente com princípios religiosos – notadamente a noção de respeito à autoridade, tão em falta nos dias atuais (para regozijo dos marxistas). Cinco minutos para ajudar a entender, grosso modo, o que ocorreu no RJ:

https://www.youtube.com/watch?v=vJttFXmthM0

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

A OAB e o Tabelamento de Honorários

tabela

Carl Menger, em sua obra pioneira de 1871, Grundsätze der Volkswirtschaftslehre (Princípios de Economia Política), explicou o sistema de preços no livre mercado como sendo “o resultado de interações voluntárias e propositais entre compradores e vendedores, cada qual guiado por suas próprias e subjetivas avaliações sobre a capacidade de vários bens e serviços em satisfazer seus objetivos” – o que viria a ser denominado como utilidade marginal, termo posteriormente cunhado por Friedrich Von Wieser. Mas é claro que a OAB está se lixando para isso tudo, e impõe aos profissionais que vivem sob seu jugo a execrável tabela de honorários advocatícios.

Se o leitor achava que tabelar preços (desencadeando grande desordem na economia) era coisa de Sarney e Maduro, qual nada: tal expediente é utilizado de forma contumaz por essa entidade qualificada pelo Supremo como “única”, “especial”, “sui generis” – adjetivos que dificilmente lhe seriam outorgados por aqueles que sofrem as consequências de suas peculiares prerrogativas.

desabastecimento

Já está em vigor o novo Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, publicado em 04/11/2015, o qual reafirma a costumeira obrigatoriedade de os advogados cobrarem um preço mínimo por seus serviços, e, além disso, respeitarem um teto máximo de cobrança. As consequências de descumprir tal prescrição? Vejamos o que reza o § 6º do artigo 48 do referido diploma legal:

“Deverá o advogado observar o valor mínimo da Tabela de Honorários instituída pelo respectivo Conselho Seccional onde for realizado o serviço, inclusive aquele referente às diligências, sob pena de caracterizar-se aviltamento de honorários.”

Ou seja, o profissional que descumprir a tabela de honorários da OAB pode vir a sofrer processo disciplinar e ter seu registro cassado, sendo, doravante, impedido de trabalhar. Portanto, para não cair em desgraça financeira, o advogado que labora no estado de São Paulo e que for, por exemplo, ajuizar uma ação de natureza previdenciária, deve taxar seus clientes entre vinte e trinta por cento sobre o valor econômico da questão, mas não menos do que R$ 3.991,07. Vejamos, então, as implicações dessa ingerência indevida deste conselho profissional que mais parece uma corte arbitral – ou arbitrária.

tabelamento-de-honorarios-dos-advogados

Sabemos a consequência mais nefasta da política de salário mínimo (incluindo-se aí os pisos remuneratórios definidos em legislações estaduais, em convenções coletivas e por entidades de classe – como o CREA, por exemplo): especialmente aqueles trabalhadores mais jovens, ainda em início de carreira, recém egressos no mercado de trabalho e sem experiência prática, não conseguem produzir o suficiente para justificarem sua contratação, e passam a compor a massa de desempregados – e de beneficiários dos programas assistencialistas – do país. Muitos empregados, diante de tais circunstâncias, irão submeter-se a trabalhar sem o registro em carteira, uma vez que consideram ser mais vantajoso não ser agraciado com direitos trabalhistas previstos em lei a permanecerem inativos.

A natureza sempre encontra, pois, um meio de subsistir, e, no país do “jeitinho” tal característica, claro, acentua-se. Esta espécie de “mercado negro de trabalho” vira alternativa a sofrer privações básicas. Adotando tal procedimento, tanto empregador quanto empregado expõem-se a riscos perante a administração pública: o primeiro pode ser autuado por descumprimento da legislação celetista, e o segundo pode ser demitido – supondo-se que a empresa não tem capacidade de manter o vínculo de emprego atendendo a todas as obrigações impostas pelo Estado.

Não há porque imaginar que, no caso dos advogados, o cenário seria diferente: se o preço cobrado pelo serviço não puder refletir as valorações do comprador, a transação, consequentemente, deixará de ser efetuada. Em decorrência, tanto cliente quando advogado restam prejudicados nesta conjuntura, pois aquele não terá condições de arcar com os custos de ser representado por este profissional, o qual ficará, portanto, de bolso vazio. Assim, se o preço mínimo de determinada postulação for 3X, mas três potenciais clientes de um advogado hipotético só podem pagar X, este profissional não poderá submeter-se a prestar este serviço pelo preço acordado e receber, no final das contas, os mesmos 3X pela representação do trio. Tal operação comercial precisará ocorrer “na surdina”, por meio da emissão de notas de prestação de serviços frias, para não desagradar a OAB e seus burocratas tão preocupados com seus “contribuintes” involuntários. Ou não ocorrer.

adeva-i

Também é comum o entendimento de que determinados honorários seriam “extorsivos”, por estarem acima do estabelecido pela OAB. Ainda que tenham sido livremente acordadas entre as partes, certas cobranças podem ser consideradas abusivas e virarem objeto de processo instaurados pelo Ministério Público, podendo redundar até mesmo em reclusão do “usurário”.

Advogado e cliente, frustrados por este tabelamento à la Plano Cruzado, frequentemente, acabam indo cada qual para seu lado: o bacharel em Direito, de canudo em mãos e impossibilitado ou desmotivado por trabalhar (tal qual aqueles que não logram serem aprovados no exame da Ordem, outra excrescência nacional), vai abarrotar as salas de aula de cursos preparatórios para concursos públicos da área jurídica, ocasionando o descaminho de bons profissionais da iniciativa privada para o setor não produtivo da sociedade – e enchendo os cofres dos proprietários destes estabelecimentos de ensino.

Aliás, este é justamente um dos motivos pelos quais o trabalho do advogado, em geral, costuma ser subvalorizado pelos consumidores: há uma enorme gama de cargos públicos para os graduados na área; assim, faculdades de Direito são inauguradas em profusão, visando este nicho de estudantes; as curvas de oferta e demanda por serviços advocatícios acabam por se encontrar, destarte, em um ponto baixo do gráfico; mas a tabela de honorários, aparentemente, é cega para este aspecto microeconômico – tal qual a Justiça o é perante as partes do processo (aham).

Já o cidadão que não conseguiu contratar o advogado, a seu turno, irá compor, junto a outros desalentados, uma demanda por este serviço, o qual (não podia ser diferente em terra Brasilis) será provido pelo Estado, por meio da advocacia pública. Ou seja, mais custos para o pagador de impostos (mesmo aquele que jamais irá precisar acionar o Judiciário) arcar – e poderia ser ainda pior, não fosse Temer ter decidido, recentemente, vetar integralmente reajuste de 67% para os defensores públicos federais.

A conjunção desses fatores todos gera um ambiente esquizofrênico na sociedade: o advogado só pode trabalhar se for aprovado no exame da Ordem, pagar religiosamente sua anuidade e seguir à risca os valores da tabela de honorários; o cliente menos abastado, sem condições de remunerar o profissional com valores proibitivos, (e sendo obrigado a nomear um representante, haja vista que, na maioria dos casos, não se conhece de petição subscrita por pessoa que não detém a condição de advogado), vai precisar de um advogado público, o que contribui para inchar o Estado; aqueles advogados que ficarem sem esses clientes vão almejar que o Estado cresça, pois isso facilitaria seu ingresso em carreiras jurídicas como Procuradoria e Magistratura, livrando-os de permanecer entre a cruz e a espada – ou seja, entre a formação de preços em livre concorrência e a OAB. Isso tudo contribui para mais recursos deixarem de circular entre os agentes privados e passarem a compor orçamentos públicos, reduzindo a capacidade de geração de empregos e de pagamento de salários no país.

Pois saibam que conheço uma menina que, recém-graduada no Direito, usou recursos que havia economizado (eis aí a importância da poupança) para abrir um escritório junto com um colega, e atendeu, nos primeiros meses, de graça. Sim, sem cobrar nada, para que seu trabalho fosse visto pela clientela e a propaganda boca-a-boca pudesse fazer seu papel – tal qual, por exemplo, uma concorrente do Uber chegou a oferecer corridas sem custo para atrair fregueses. A estratégia funcionou perfeitamente, e hoje ela presta serviço a diversas empresas grandes da cidade. Mas ela teve sorte de ninguém denunciá-la por “captação indevida de clientes”, o que poderia lhe custar pesadas sanções disciplinares.

Sim, pois é: a OAB considera que o oferecimento de serviços jurídicos gratuitos ou cobrança de honorários abaixo da tabela configuram infração a seu código de ética. Essa “concorrência desleal” é comparada pela Ordem ao dumping, ou seja, uma ação ou expediente de pôr à venda produtos a um preço inferior ao praticado no mercado para derrotar os competidores, e, a seguir, quando restar somente o advogado perverso que levou à bancarrota todos os demais, ele elevará seus preços e extorquirá toda a sociedade sem nenhuma misericórdia. Este concatenamento caricato de eventos até faria algum sentido, não fosse a boa e velha realidade – conforme foi explicado neste artigo sobre o UBER e o suposto risco de um monopólio no setor.

No caso em tela, adiantaria alguma coisa essa moça, tentando inserir-se no mercado, não cobrar nada por seus serviços e perder todas as ações judiciais com as quais ingressou em nome de seus primeiros clientes? Está aí o X da questão: os consumidores devem ser os responsáveis por determinar quanto ganha cada prestador de serviços e quem deve continuar ou sair da atividade, e não terceiros interessados apenas em manter seus próprios privilégios – o episódio da OAB apoiando o recente impeachment apenas quando a vaca já havia indo para o brejo, com corda e tudo, demonstra bem esta sua faceta arguta.  Até mesmo o CADE já se manifestou no sentido de que a tabela de honorários da OAB deve ter fins meramente indicativos, e não ostentar caráter impositivo.

Essa interferência autoritária da Ordem acaba por distorcer, portanto, todo o sistema de preços do setor, uma vez que os valores artificialmente sobrevalorizados emitem informações erradas a toda a cadeia de agentes. Assim, tal prática descabida não interessa a ninguém – ou, quem sabe, a grandes bancas e renomados advogados, que garantem sua reserva de mercado e os altos valores da remuneração de seus serviços. Não tenha dúvidas de que os profissionais que estão tentando livrar a cara dos réus da Lavajato estão garantindo o sustento até de seus bisnetos, mas fazer o que, né: é muita produtividade marginal – no bom e o mau sentido.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

A Teoria do Pai Ausente Vai Muito Além de uma Simples Brincadeira

mpa

Tudo começou com uma constatação inequívoca do perfil no Twitter “Editora Humanas”: praticamente toda pessoa que publicava posts manifestando posição contrária ao impeachment de Dilma, criticando os Bolsonaro, pregando o socialismo, tremulando a bandeira do feminismo, pedindo votos em Marcelo Freixo, clamando pela legalização dos entorpecentes (enfim, bancando o idiota útil da Esquerda), já havia, em algum momento de seu passado (ou até na mesma postagem), maldito seus pais ou queixado-se  de sua ausência em suas vidas, por meio de alguma mídia social.

O percentual de casos verificados com esta coincidência foi tão significativo que acabou gerando um “spin-off” daquele perfil, o @meupaiausente. Só que tal ocorrência, infelizmente, não se trata tão somente de uma surpreendente casualidade, mas sim do resultado prático de décadas de doutrinação marxista, a qual, por meio de diversos instrumentos ideológicos, ataca a família tradicional incessantemente. O cenário atual no Brasil não poderia, pois, ser diferente.

pai-ausente-i

Que a ausência dos pais pode comprometer a saúde emocional dos filhos não é novidade alguma. O que impinge aqueles que buscam o agigantamento do aparato estatal a usarem estas pessoas carentes como ferramentas, em busca de seu propósito máximo, é que precisa ser elucidado. Marilena Chauí nos fornece algumas pistas quando assevera que aqueles que defendem a família são “bestas”, e que os pais são “déspotas de sua prole”. Se ela assim afirma, é sinal de que a família representa um obstáculo para o arranjo social que ela gostaria que fosse implantado. Mais do que isso: a estrutura familiar é o último sustentáculo da civilização ocidental, e já não é mais possível prever por mais quanto tempo poderá resistir ao empuxo “progressista”.

O amadurecimento do indivíduo passa, necessariamente, por uma fase de dependência familiar, onde ele ainda não possui maturidade suficiente para fazer escolhas por conta própria. Neste período, portanto, ele não deve dispor da liberdade para traçar os próprios rumos, e deve subordinar-se às decisões tomadas por seus pais, com um grau mínimo de ingerência própria. Com o avanço da idade, é natural que a pessoa, por meio da experimentação e do acúmulo de conhecimento prático, desconecte-se, gradativamente, da “barra da saia” da mãe, passando a assumir as consequências por seus erros e a auferir os louros de suas conquistas.

Quando este processo é interrompido ou sequer tem início, há grande chance de este indivíduo procurar esta referência paternal em alguma outra figura abstrata ou concreta. E já que o governo não pode ver ninguém sofrendo que já fica alvoroçado, é claro que ele vai se oferecer para “tomar conta” desses pobres coitados, assumindo a função de “babá”. Só que esta pessoa adotada pelo Estado precisa entender que este papai tem muitos outros filhos órfãos sob sua tutela, e, portanto, ela deve submeter-se ao interesse coletivo de todos os demais desamparados recolhidos.

Ademais, ele não deve almejar sua independência jamais, pois tal ato de rebeldia colocaria em risco a subsistência dos demais maninhos. Caso insista na pirraça, deverá ser castigado, como medida pedagógica, emitindo um aviso aos demais membros da grande família estatal. Assim, todos devem trabalhar em prol da comunidade, sob a orientação do generoso padrasto, permitindo que ele esquadrinhe cada aspecto de sua vida, determinando desde sua alimentação até o que ele vai assistir na TV. Sim, é exatamente o que parece: o totalitarismo encontra forte resistência na família, e a forma mais eficaz de subjugá-la é, na verdade, tomando seu lugar e assumindo suas funções. Não à toa, no livro 1984, de George Orwell, o indivíduo é criado pelo estado, e a família serve apenas para procriação.

pai-ausente-ii

Ou seja, a destruição do modelo de família tradicional é o primeiro passo para instalar a desordem social que servirá de base para esta revolução cultural – e isso já está acontecendo bem diante de nossos olhos. Karl Marx, em seu medonho Manifesto Comunista, considera o núcleo da “família burguesa” uma instituição que precisa ser abolida, pois, segundo consta, ela seria baseada somente no capital – homens exploram mulheres, pais exploram crianças. Interessante notar que, vendo a questão por este ângulo, os marxistas simplesmente desconsideram que tais pessoas permanecem ligadas por laços afetivos. Será que Marx também ficaria famoso no @meupaiausente se houvesse twitter aquela época? Bem provável.

Assim sendo, não basta aos revolucionários catarem somente os frutos que caem da árvore; isto é, não é suficiente cooptar para seu exército de desocupados apenas aquelas pessoas que, por motivos de ordem diversa, não possuem vínculos familiares sólidos. Não mesmo. Eles precisam atacar também aquelas que são membros de famílias estáveis e felizes (até então), e voltá-las contra seus irmãos e genitores. Desta forma, o “monopólio da generosidade” fica na mão do Estado.

Entenda: se eu precisar de socorro financeiro, por exemplo, posso recorrer a algum dos meus parentes; mas se eu mal olho na cara deles, quando vier a atravessar uma situação de penúria, precisarei aceitar ajuda estatal (bolsa família, seguro-desemprego, subvenções para cursar faculdades e adquirir moradia, e por aí vai).

Extrapolando os efeitos desta lógica para todas as situações da vida em que demandamos auxílio de terceiros, passa a ser aceito com naturalidade que o Estado cresça até níveis insuportáveis pelos pagadores de impostos – sempre em nome do “social”, que nada mais é do que socorrer pessoas em necessidade, como descrito no exemplo. Quando a família não mais pode prover abrigo material e psicológico para seus entes (ou mesmo existir), os camaradas surgem como o último recurso, a mão estendida, o ombro amigo. E pense em um ombro caro.

bolsa-esmola

Como provas do sucesso parcial alcançado por este pessoal “gente boa” que quer prestar serviços terceirizados de caridade, estão aí o aumento do número de divórcios; o avanço dos defensores do assassinato de bebês; o crescente número de idosos abandonados; a ridicularização, em filmes e seriados, do homem ocidental como provedor da família; a ideologia de gênero ganhando terrenX; o feminismo cada vez mais convencendo mulheres de que seus maridos são seus inimigos, que seus filhos (quando são gerados) são estorvos em suas vidas, e que colecionar parceiros sexuais em profusão faz parte da luta pela libertação feminina; os “educadores” estatais declarando descaradamente que cabe a eles decidir o que deve ser ensinado a nossas crianças – e lecionando, claro, tudo o que consta em sua agenda enviesada politicamente; o vício em drogas destruindo famílias como um verdadeiro tsunami – contando, inclusive, com o apoio de Libertários, que alegam que o usuário seria “livre” para consumir crack, sem perceberem que ele é, na verdade, escravo da substância.

cvdpk9ixgaegmty

A propagação do relativismo moral e a flexibilização dos sensos de justiça e de honra contribuem para erigir um império de conflito e agitação, propício para aqueles que buscam corromper a ordem natural das coisas e lançar por terra tudo o que tirou a humanidade da barbárie do período pré-civilizatório. Roger Scruton, em artigo recentemente publicado, abordou essa necessidade de desapego do mundo real na busca pelo igualitarismo:

“Dessa forma, para Žižek (stalinista), o pensamento cancela a realidade, quando o pensamento está “à esquerda”. O que você faz importa menos do que o que você pensa estar fazendo, dado que o que você pensa estar fazendo tem o objetivo principal de emancipação – de égaliberté, como colocou o teórico marxista Étienne Balibar. O objetivo não é igualdade ou liberdade no sentido qualificado em que você ou eu entendemos esses termos. É a igualdade absoluta (com um pouquinho de liberdade, se você tiver sorte), que, por sua natureza, só poderá ser atingida por meio de um ato de total destruição. Buscar esse objetivo também pode significar reconhecer sua impossibilidade – não é a isso que equivalem esses projetos “totais”? Não importa. É precisamente a impossibilidade da utopia que nos prende a ela: nada pode macular a pureza absoluta do que jamais será testado”.

Sendo a família considerada a mais importante célula da sociedade, já que através dela que aprendemos a perceber o mundo e a nele nos situarmos, formando nossa identidade e dando início ao processo de socialização do indivíduo, ela não poderia deixar de ser a primeira vítima daqueles que buscam subverter o status quo. Ataque-a, e tudo o mais virá abaixo, facilitando o trabalho dos inimigos dos valores e princípios conservadores. Russell Kirk costumava afirmar que uma sociedade amoral é uma sociedade caótica, e que “independentemente do sistema político vigente, uma sociedade em que homens e mulheres conheçam as normas e respeitem as convicções de “certo” e “errado”, sempre será uma boa sociedade. Entretanto, seres humanos voltados apenas para a “gratificação de seus apetites”, produzirão uma sociedade ruim”.

Adulterar as fases do amadurecimento do indivíduo tem se mostrado, até então, uma das estratégias mais eficientes adotadas com este intuito de convulsionar a sociedade. Expondo crianças ao sexo precoce em sua infância, e privando-lhes, destarte, de uma etapa essencial de seu desenvolvimento emocional, verdadeiro alicerce do ser humano que será formado ali na frente, torna-se improvável que ele venha a reunir condições de constituir uma família.

 O resultado que se costuma observar são pessoas buscando eternamente esta etapa perdida de suas vidas, sem conseguir portarem-se como adultos, e, claro, sem demonstrar a estrutura psicológica necessária para responsabilizar-se pelo bem estar de outras pessoas – exatamente em que consiste ser arrimo de família. Adicionem-se neste caldo os filhos de adolescentes (alguns deles gerados dentro da escola – literalmente), advindos dessa mesma deturpação de padrões e costumes, e está pronto o preâmbulo de tantas histórias de “pai ausente” em nosso país. Ainda bem que a “creche estatal” sempre mostra-se solícita em acolher estas eternas crianças que sentem falta dos pais, não é mesmo? Essa indústria de massa de manobra é a única no Brasil que não sofre os efeitos da crise…

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

A Internet Matou o Repórter Isento – Ou Desferiu Apenas o Tiro de Misericórdia

tiro-net

Nos idos dos anos 1980, fazia sucesso nas rádios uma musiquinha pegajosa cujo refrão revelava uma verdade inconteste: “Video killed the radio star”. De fato, a popularização da televisão fez a radiodifusão perder muito de sua importância, relegando-a a um papel secundário na missão de informar e entreter o público. Mas eis que chegamos a 2016, e um fenômeno similar parece estar ocorrendo: tudo leva a crer que a Internet matou (ou deixou capenga) a tarefa da mídia convencional (canais de TV, jornais, revistas e demais veículos de comunicação do gênero) de manter o cidadão informado – e esta, em tentativa desesperada de sobreviver (e manter seus patrocinadores), resolveu mesclar entretenimento e informação. Em busca da audiência perdida para os celulares e notebooks, os noticiários resolveram preterir a objetividade em favor da passionalidade, e as consequências dessa metamorfose se fazem sentir de várias formas distintas – umas mais daninhas, outras nem tanto – a cada notícia “isenta” divulgada.

Primeiramente, é bom que se diga que o drama vivenciado pelo jornalismo tradicional é real. Especialmente a partir da introdução de smartphones de baixo custo no mercado, a qual tornou possível que até mesmo pessoas de baixa renda acessassem a grande rede, saber que ao meio-dia ocorreu um assalto ou um acidente de trânsito em nosso bairro, que vai chover daqui a duas horas, que meu time ganhou o clássico local ou que a atriz da novela está de namorado novo, são todas informações que chegam pelo Whatsapp ou por outros meios a todo instante. Desta forma, a informação em estado bruto perdeu valor de mercado, em prejuízo das mídias clássicas, e até mesmo noticiários de renome viram-se ameaçados de extinção. Ou seja, o monopólio da comunicação de massa estava quebrado, e não adiantava (desta vez) ir de joelhos até Brasília implorar por reserva de mercado. Enfrentar a competição de youtubers com milhões de inscritos em seus canais e blogueiros seguidos por não menos internautas apresentou-se como o grande desafio desta atividade econômica. Acrescentem ainda as centenas de canais de TV a cabo disponíveis a preços módicos (muitos dos quais podem ser visualizados online, inclusive), e temos a tempestade perfeita aproximando-se do mundo do Cidadão Kane.

A solução da qual lançaram mão tais empresas? Colocar “tempero” na notícia insossa. Se antes a voz marcante de Léo Batista era suficiente para atrair a atenção dos aficionados por futebol para os “Gols do Fantástico”, algumas décadas depois se fez necessário colocar em campo Tadeu Schmidt e seus cavalinhos torcedores.  O saldo desta estratégia foi ótimo, e ela pode ser observada em diversos programas, desta e de outras emissoras, os quais passaram por alterações no sentido de não oferecer apenas a notícia ao espectador, ouvinte ou leitor, mas também diversão no pacote – quem já assistiu ao “Jogo Aberto”, da TV Band, há de concordar comigo. E esta evolução não ficou restrita, claro, ao segmento esportivo. Basta ligar a televisão, o rádio, abrir um jornal ou uma revista (principalmente nas versões digitais), e observar os novos formatos adotados e a maior interação com os usuários de redes sociais.

Até aí, nenhum problema a ser constatado. Pelo contrário: a concorrência no livre mercado fez seu milagre, e gerou mais qualidade a custos minorados para os consumidores – e quem não concorda, só precisa mudar de canal. É difícil negar que a maior dinamicidade foi um ingrediente que conferiu uma roupagem muito mais moderna e aproximou público e apresentadores de uma forma sem precedentes.

A celeuma teve início quando começaram a adicionar mais tempero do que informação nos noticiários, especialmente quando estão envolvidas questões políticas, jurídicas e econômicas. Pior: nestes campos, costuma-se fazer uso imoderado de pimenta esquerdista, e de forma dissimulada. A dor de estômago, claro, fica para quem tem paladar conservador ou liberal mais aguçado.

Ressalte-se que emitir opinião (do jornalista ou da própria instituição) não apenas é salutar, mas também inevitável. Comentaristas dos mais diversos assuntos prestam um serviço primordial, na medida em que não é humanamente possível ser versado em todas as áreas de conhecimento, e, por isso, um especialista que possa “digerir” os dados para o público é sempre bem-vindo. Ademais, não há como exigir isonomia total dos profissionais no trato com as matérias a serem publicadas, visto não estarmos lidando com autômatos, e sim com pessoas. Em maior ou menor grau, portanto, sempre haverá algum ponto de vista manifestado.

Mas o recomendável, todavia, seria sempre o difusor manter informação e opinião em separado, como prezava o padrão clássico de telejornal. Basta lembrar-se de Boris Casoy lendo no teleprompt da câmera principal uma notícia, e, na sequência, voltando-se para uma câmera lateral e proferindo sua análise a respeito do noticiado, separando, de maneira muito explícita, uma coisa da outra – e permitindo que o consumidor “comprasse” apenas aquilo que lhe interessasse. A prática atual, contudo, nos mostra que convicções do próprio repórter ou da empresa onde labora estão implícitas em cada palavra (literalmente) dita ou escrita, transmitindo, pelo uso de métodos sub-reptícios, conceitos ocultos entre os fatos relatados. O pessoal da “caneta desesquerdizadora” encontrou farto material para seu website apenas sondando estes mensagens subliminares nem um pouco discretas, reproduzidas por veículos autodeclarados como de “Centro”:

caneta

Outro contratempo gerado por esta mudança de paradigmas no jornalismo: os recrutadores de repórteres e apresentadores passaram a dar preferência para profissionais com virtudes artísticas. Como exemplo, cite-se a substituição das âncoras do programa “Primeiro Impacto” do SBT por um garoto de 18 anos sem formação específica na área. Aparentemente, a interface ficou melhor mesmo (Eduardo Camargo demonstra bastante desenvoltura), mas deixou claro que foi-se o tempo em que a expressão corporal não era uma das principais características exigidas para este ofício. Até mesmo atores profissionais têm sido convertidos em apresentadores, e vice-versa – Dan Stulback na ESPN é uma evidência desta tendência.

E porque isto deveria causar preocupação? Ora, a relação umbilical da classe artística com o Estado é notória há longa data. Ludvig Von Mises costumava tratar do tema em suas palestras (e convenhamos que, levando em conta o desespero de nossos artistas com a mera possiblidade de redução da subvenção estatal, nem seria preciso citar o austríaco):

“Muitos pintores, poetas, escritores e compositores já se queixaram de que o público não reconhecia sua obra, o que os obrigava a permanecerem na pobreza. Não há dúvida de que o público pode ter julgado mal; mas, quando promulgam que “o governo deve subsidiar os grandes artistas, pintores e escritores”, esses artistas estão completamente errados. A quem deveria o governo confiar a tarefa de decidir se determinado estreante é ou não, de fato, um grande pintor? Teria de se valer da apreciação dos críticos e dos professores de história da arte, que, sempre voltados para o passado, até hoje deram raras mostras de talento no que tange à descoberta de novos gênios. Essa é a grande diferença entre um sistema de “planejamento” e um sistema em que é dado a cada um planejar e agir por conta própria.”

Portanto, cada passo dado pela classe jornalística em direção contrária à objetividade e ao encontro da subjetividade, aproxima-a mais e mais do aparato estatal. À medida que o noticiário vai virando entretenimento, faz-se necessário inovar frequentemente sua forma, sob o risco de aborrecer o público, que é capaz de desprezar hoje o que apreciava ontem – o que afugentaria o interesse de empresas privadas nas cotas de propaganda. Eis porque muitos artistas recorrem ao Estado como forma de fugir deste constante risco de entediar seus clientes. E quando se vê repórteres praticamente “interpretando papéis” no desempenho de suas funções, fica difícil de imaginar que não serão acometidos do mesmo mal.

De que forma? Bom, some-se a esse fator o fato de que, em decorrência da crise financeira que se abalou sobre os veículos de comunicação, haja vista a fuga de anunciantes para a Internet, os anúncios governamentais e de empresas paridas pelo BNDES tornaram-se a tábua de salvação de quase a totalidade daqueles. E como governos populistas tendem a desperdiçar bem mais dinheiro dos pagadores de impostos em publicidade, seria suicídio apoiar um governo parcimonioso em seus gastos – Veja só você.

Este cenário, porventura, pode servir para entender porque uma analista de economia de um conhecido canal não pode explicar, em português bem claro (enquanto comenta a redução da Selic promovida pelo Banco Central esta semana), como o Estado poderia diminuir, de forma muito mais significativa, o preço do capital no Brasil: freando gastos públicos, claro! Ora, isso seria loucura, correto? A chance de os efeitos de tal sugestão respingarem de volta na própria emissora seria consideravelmente alta. Melhor chamar um sociólogo da UFRJ para contestar a PEC 241. E rápido! Ah, e nem pensem em chamar um coxinha para fazer o contraponto, hein? Mantenha-se a conversa dentro da mesma bolha impenetrável de costume. E o espectador segue achando que juros podem ser reduzidos ao bel prazer do governantes, ou que lucro é crime. Um baita desserviço.

juliana-rosa

Visualizar tal conjuntura já seria suficiente para compreender o viés à esquerda de boa parte do jornalismo, mas não se pode olvidar da revolução cultural que transformou os departamentos de Humanas das universidades em ajuntamentos de “sociais-democratas” – para não pegar mais pesado. Como os cursos de jornalismos estão inseridos nesta estrutura, não há como escapar desta “Escola Com Partido” – e põe partido nisso.

O resultado é uma verdadeira fábrica de repetidores de mantras politicamente corretos que deixariam Antonio Gramsci orgulhoso de seus cadernos, nos quais ele preconizava que um regime comunista, em países com democracia e economia relativamente consolidadas e estáveis, não poderia ser instaurado a força, como aconteceu na Rússia. Infiltrar lenta e gradualmente a ideia revolucionária, pela via pacífica, legal, constitucional, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subconsciente, imperceptível aos mais incautos – a grande maioria da população, no caso – seria a fórmula ideal para subverter o capitalismo no vilão de todas as mazelas mundiais. Ocupando espaços estratégicos, (principalmente na mídia) formar-se-ia a necessária hegemonia (criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões), e aí entram os repórteres simpatizantes do Che.

comuna-bandeira

Ou seja, o que já era “canhoto” desde 1968 só piorou com o surgimento da Internet, que empurrou a mídia mainstream mais ainda para a esquerda, fazendo até mesmo profissionais como Miriam Leitão serem “insultadas” por serem, segundo a patrulha da mortadela, “de Direita”. Logo ela que, entrevistando Michel Temer, ao vê-lo declarar que, para não cortar gastos com Educação e Saúde, poderia, por exemplo, suspender a execução de uma obra qualquer, interpelou-o e indagou: “mas e os empregos gerados por esta obra?”.  Uma leitura do século XIX (Frédéric Bastiat) poderia tê-la poupado da gafe, e mudado a opinião de seus críticos sobre as inclinações ideológicas da economista:

“(…) O estado faz uma estrada, constrói um palácio, conserta uma rua, abre um canal e, com isso, dá trabalho a certos operários: é o que se vê. Mas ele priva de trabalho outros operários: é o que não se vê. (…) Ora, é compreensível que se reúnam todos os cidadãos para mandá-los fazer, através do dinheiro que emprestarem, uma obra útil para todos: a recompensa estaria nos resultados apresentados pela própria obra. Mas, se depois de havê-los convocado, pede-se que construam estradas nas quais ninguém passará, palácios onde ninguém viverá — e isso só a pretexto de arranjar-lhes trabalho —, seria absurdo e eles teriam todo o direito de objetar, dizendo que, com esse trabalho, nada teriam que fazer e que prefeririam trabalhar por conta própria. (…)

E olhe que não estamos tratando aqui de um problema peculiar de nosso país. Felipe Moura Brasil divulgou artigo de David Kupelian, onde é explicitada a verdadeira razão da imprensa americana para proteger Hillary Clinton: “A grande mídia é cada vez mais apenas um pretexto, uma farsa, um show – apenas mais um grande empreendimento no qual os ativistas da esquerda dita progressista podem trabalhar juntos para transformar os Estados Unidos. Quando eles se cansam de ser “jornalistas” e “analistas” – ou conseguem uma oferta de trabalho melhor – eles podem sempre voltar a ser parte da administração esquerdista. Afinal de contas, é tudo um mesmo show.” Ou seja, esta “porta giratória” entre a imprensa e o Estado contamina a autonomia de qualquer profissional do ramo.

E como é muito mais fácil manter níveis de audiência altos priorizando reportagens de cunho sentimentalóide, com direito a violino no fundo, a apologia a estas pseudocausas que a esquerda adora explorar seguirão em pauta por tempo indeterminado. Até Bart Simpson sempre soube das vantagens de apelar para o coitadismo:

bart

Convém enfatizar: que ninguém saia bradando por aí que “deveria haver uma lei proibindo tudo isso”. Tal atitude seria o estopim perfeito para a tão desejada pela esquerda regulação da mídia, e, por consequência, para a censura de tudo aquilo que não for “progressista”. A solução passa por alertar os desavisados a respeito destas artimanhas, e gerar, destarte, uma forte demanda por veículos mais independentes. Neste momento, Rodrigo Constantino vai se perguntar “onde está a Foxnews Brasil?”, e a resposta, miseravelmente, ainda será um silêncio ensurdecedor. Até que surja uma alternativa que possa bater de frente com a “mídia golpista”, a Internet seguirá sendo o bastião dos defensores da liberdade e das tradições, o quartel-general de Liberais e Conservadores.

Como exemplo disto, recomendo este vídeo da Denis Prager University. A narradora é uma jornalista, e sabe muito bem, portanto, do que estamos falando aqui: padrões profissionais em decadência. E é difícil não anuir com a conclusão dela: como seria bom para nossas vidas poder confiar na mídia!

https://www.youtube.com/watch?v=6PjHYuBWvuY

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

E agora, Petista?

cunha-preso

 

E agora, Petista?

o argumento acabou,

a propina minguou,

a povo se uniu,

a noite esfriou (em Curitiba),

e agora, petista?

e agora, petista?

você que é sem ética,

que zomba dos “reaças”,

você que faz versos (com incentivo da Lei Rouanet),

que contra o Cunha protesta?

E agora, petista?

 

Está sem escusas,

está sem discurso,

está sem carinho (bolsa BNDES),

já não pode beber (a adega do sítio foi confiscada),

já não pode fumar (na frente da polícia),

cuspir já não pode (Jean Willys que o diga),

a noite esfriou (na República paranaense),

o dia da prisão de Lula não veio (ainda),

o bonde não veio (tava superfaturada a obra),

o riso não veio (pra você),

não veio a utopia (marxista),

e tudo acabou,

e tudo fugiu,

e tudo mofou,

e agora, petista?

 

E agora, petista?

sua dolce vita,

seu instante de febre partidária,

sua gula (por poder) e jejum (de moral),

sua biblioteca (a presidentA “devoradora de livros”),

sua lavra de ouro (e pixuleco),

seu terno Armani,

sua incoerência,

seu ódio pela Zelite, – e agora?

 

Com a grana na cueca,

quer vazar do país,

não quer ir pra Cuba,

quer viver em Paris,

mas a mortadela secou,

quer ir para Minas,

Minas não há mais (Pimentel tomou conta)!

e agora, petista?

 

Se você gritasse (FORA CUNHA),

se você gemesse (com o crucifixo no reto),

se você tocasse,

a valsa vienense (daria de cara com Diogo Mainardi),

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse,

mas você não morre (ressuscita na Rede e no Psol)

você é duro, petista (de aturar)!

 

Sozinho na política

qual bicho-do-mato-sem-cachorro,

vivendo em agonia no neoliberalismo coxinha,

sem companheira nua

para se encostar (ai, ai, Rosemary)

sem jatinho da Odebrecht

que fuja do Sérgio Moro,

você vaza, petista,

petista, para onde?

 

http://www.tanto.com.br/drummond-jose.htm

 

img-20161018-wa0005

 

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

 

 

 

 

 

 

O Lar dos Bravos Virou a Terra do Desrespeito

Danilo Gentili, certa feita, definiu o politicamente correto como sendo “tudo aquilo que está fora da correção política que um grupo com representantes no mainstream tenta implantar por meio de pressões e encheções de saco”. Traduzo e já dou um exemplo: foi padronizado pela mídia dos Estados Unidos que posicionar-se contra os queixumes perpetrados pelo black lives matter e outras confrarias do ódio similares consiste em comportamento condenável. E pronto. Tal prerrogativa foi conquistada na base de muita violência urbana, patrimônio público e privado destruído, mentiras em profusão, assassinato de policiais (brancos e negros) e desserviço prestado por agitadores de massas de manobra. O resultado é que criticar quaisquer iniciativas desses grupelhos é qualificado, indefectivelmente, como racismo – ainda que isso insufle a tensão entre brancos e negros como não se via desde o tempo da “democrata” Ku-Klux-Klan. E a NFL, a bilionária liga de futebol americano, não escapou dessa cruzada dos intocáveis monopolistas da virtude. Aliás, nem o hino da América escapou.

policial-hino

Desde 1918, quando a canção star spangled banner foi reproduzida antes de um jogo de baseball, em homenagem aos soldados que combatiam na primeira guerra mundial, executar o hino nacional americano passou a ser uma tradição de todo evento esportivo. Eis que, em meio à querela que questiona os métodos de abordagem policial – ressalte-se que o maior controle sobre as ações praticadas pelas forças de segurança vem resultando em um aumento significativo da criminalidade naquele país (o maior nas últimas duas décadas), o quarterback reserva do San Francisco 49ers Colin Kaepernick recusou-se a ficar em pé durante este momento de tamanha relevância patriótica. O motivo? Uma suposta “guerra silenciosa” contra o profiling e pela contenção de outras ações preventivas empregadas pelo policiamento ostensivo.

nfl-sentado

Se alguém imaginou que o ato do insurgente seria considerado um ultraje a valores caros àquele povo, esqueça. Ao contrário, a moda pegou, e até cheer leaders e cantores escalados para entoarem o hino entraram na onda, que acabou por invadir outros esportes. Obama, obviamente, endossou a atitude (sendo ele o grande fomentador desta luta de classes moderna, não poderia ser diferente), e até a juíza da suprema corte Ruth Bader Ginsburg declarou que não há crime na conduta, muito embora a caracterize como “burrice”. De fato, servir de marionete de movimentos coletivistas é fruto de ignorância das mais graves mesmo – e, neste caso, um belo tiro no pé, especialmente em se tratando de moradores de bairros das periferias das grandes metrópoles.

Senão vejamos: até então, um policial americano poderia (e deveria) interpelar qualquer suspeito que caminhasse por quadras seguidas atrás de uma mulher jovem, em um bairro com alto índice de estupros, ao anoitecer. Entretanto, o risco de ser processado administrativamente e linchado nas mídias sociais por tal procedimento subiu tanto nos tempos recentes que, hoje, o “meu corpo, minhas regras” fica em segundo plano em uma conjuntura como essa.

E essa mesma lógica (ou falta de) aplica-se a diversas outras situações em que um crime poderia ser evitado antes mesmo que o marginal pudesse engajar-se no delito – ao melhor estilo do filme “Minority Report”. Mas um grande número de americanos, aparentemente, prefere “How to Get Away With Murder” (or rape). Afinal, estamos tratando de vítimas do sistema, que foram compelidos por sua condição social a infringirem a lei, pois não? Paulo Freire não me deixaria mentir (sozinho).

Mas bancar o preocupado com “minorias oprimidas” é tática que costuma retornar ótimos dividendos. Às favas com os números e sua frieza fascista. Bem melhor desprezar o fato de que, após crescimento de 178% de porte de armas registrado entre 2007 e 2014, a ocorrência de crimes violentos tenha despencado em 25%; melhor ainda ignorar que, na sequência, logo após os desdobramentos da polêmica de Ferguson e a correlata criação do (only) black lives matter e suas linhas auxiliares, os índices de criminalidade tenham voltado a crescer assustadoramente – Saint Louis experimentou um acréscimo de 60% neste quesito.

A estratégia de marketing que prega que a polícia americana transfigurou-se em um esquadrão de extermínio de negros (e que as armas assassinas nas mãos dos cidadãos contribuem para tal drama; vai entender) deve estar rendendo bastante audiência para seus propagadores, mas também resulta em muitas mortes desnecessárias. E olhe que as estatísticas oficiais deixam claro que esta suposta limpeza étnica é mais falsa que o choro do Barack no púlpito da Casa Branca.

pgto-dh

Querem um exemplo prático dos benefícios advindos de engrossar o coro do “mimimi”? O atleta em questão acaba de tornar-se titular de seu time. A luta continua, companheiros – agora na equipe principal, correto? Toca aqui, parceiro. Encampar a guerra pela igualdade compensa mesmo (para meia dúzia de espertalhões). Bradar contra a polícia, então, pode até mesmo render uma cadeira na Assembléia Legislativa, como bem sabe o companheiro Freixo.

Desrespeitar um dos símbolos nacionais mais representativos dos Estados Unidos demonstra com precisão o que querem esses “senhorzinhos satisfeitos”: subverter tudo aquilo que contribuiu para transformar aquela nação no lar dos seres humanos mais privilegiados do planeta – especialmente os menos abastados. Obama deseja, declaradamente, “transformar fundamentalmente a América”, e isso passa necessariamente por oferecer o governo americano como mediador de uma guerra tribal criada por ele mesmo e seus comparsas – se isso vai resultar em aumento do tamanho do Estado, mais interferência na vida das pessoas e caos urbano, fazer o que, não é? O custo dessa operação de Latino-americanização dos Estados Unidos? Alguns episódios de  “knock-out game” pelas ruas, e outras brincadeiras de pouca gravidade se comparadas à “dívida histórica dos brancos”, correto?

https://www.youtube.com/watch?v=iT2ULWSGKEA&index=15&list=PLTjzFlbIYwAIWEGWYSe13sinR6D4Q8Hko

Ou incorreto? Bom, aguardemos e vejamos o que vão decidir por nós. Obrigado por pensar por mim, Presidente Hussein. O que seria da “minha classe” se não fossem esses abnegados em apontar que temos tantos inimigos na sociedade – e nenhum deles está no governo de Esquerda e suas tentações socialistas, desnecessário dizer. Como tudo que é publicado pelo NYT e pela CNN é simplesmente traduzido ipsis litteris por nossos veículos de comunicação tupiniquins, em breve o hino nacional brazuca também estará sendo desrespeitado.

Opa, isso já ocorre, por um sem número de motivos, mas notadamente por falta de educação. Vai ser melhor os paladinos da igualdade encontrarem outra forma de “protestar” por aqui, e de preferência que envolva depredar ônibus e escolas, ou vituperar tradições; fazer reivindicações de forma pacífica e ordeira é muito quadrado, meirmão. Ou, quem sabe, eles ouçam o que tem a dizer Chloe Valdary antes de baixarem as calças e empinarem os traseiros durante o hasteamento do pavilhão nacional:

https://www.youtube.com/watch?v=y5HrFfNk1IY

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Seria a PEC 241 Um Tiro no Pé da Pretendida Austeridade Fiscal?

images

Bernardo Santoro, por meio de sua página no Facebook, chamou a atenção para o fato de que a PEC 241, muito embora tenha sido elaborada com o intuito de reduzir os gastos públicos federais, pode vir a servir como um instrumento pernicioso na mão de governos pródigos. Eis o alerta emitido pelo economista que é referência entre os liberais no Brasil:

bernardo-santoro-pec-241

Faz todo o sentido: se a elevação de despesas públicas estiver atrelada à inflação, e considerando que é o próprio Estado quem provoca este flagelo – quando cria dinheiro “do nada” –, seria perfeitamente possível que uma equipe econômica mal intencionada passasse, deliberadamente, a emitir títulos de sua dívida de forma descomedida. Com isso, lograria majorar o teto operacional de suas despesas para o período seguinte, enquanto ainda poderia quitar suas contas com esse dinheiro captado do mercado. E como explica o próprio Bernardo Santoro, “o efeito inflacionário não é imediato. Ele funciona em etapas na cadeia financeira. Os mais próximos do Estado sempre sentem a inflação antes e lucram com isso”. Ou seja, esta tática teria o condão, sim, de aliviar a barra do governo esbanjador, jogando a fatura para todos os cidadãos – notadamente os mais pobres, sempre mais severamente atingidos pela inflação.

A oportunidade que a redação atual da PEC 241 oferece para que eventuais políticos perdulários driblem a vontade dos legisladores (ao menos se imagina que sua intenção original consiste em sanear o estrago feito pelo PT), seja contraindo empréstimos tendo como lastro depósitos à vista (por meio do sistema bancário de reservas fracionárias), seja gerando notas fiduciárias (títulos não conversíveis, não lastreados em ouro ou prata), é, portanto, consideravelmente grave e deve ser sopesada. Marcelo Faria, em artigo do ILISP, já havia advertido sobre este risco:

“A maior brecha (desta PEC), entretanto, é limitar o crescimento dos gastos estatais a uma variável que o próprio estado controla, a impressão de dinheiro (ou seja, a inflação). Um governo irresponsável que seja (novamente) eleito nos próximos anos poderia simplesmente implantar outra “Nova Matriz Econômica” baseada em impressão desenfreada de dinheiro, aumentando a inflação para permitir aumentos de gastos no ano posterior.”

O ideal seria, claro, cortar gastos estatais, de forma simples e direta, ou, na pior das hipóteses (tendo em vista a dificuldade de enfrentar os interesses de vários grupos de pressão, que mantém lobby permanente junto ao Executivo, praticamente uma faca no pescoço dos ordenadores de despesa), limitá-los ao crescimento do PIB. Se um cidadão comum, eventualmente, contratou dívidas no cartão de crédito acima de sua capacidade financeira, a primeira medida seria picotar o dito cujo e restringir seus desembolsos ao mínimo necessário, até cobrir o rombo em suas finanças, abrindo mão, inclusive, de qualquer atividade de lazer não gratuita. A não ser que, durante este período de carestia, este indivíduo logre um incremento em seus ganhos, o que possibilitará que ele relaxe um pouco sua moderação ao abrir a carteira. Um pouco, pois a primeira providência que ele deveria adotar a partir desta injeção de recursos seria tentar abater os juros do parcelamento acordado com o credor – no caso da esfera governamental, o chamado serviço da dívida. Este devedor hipotético, aparentemente, demonstra bem mais responsabilidade do que nossos gestores precisarão manifestar sob a égide desta nova normatização.

Outra estratégia leviana, e que foi adotada pelos Kirchner largamente: a maquiagem do cálculo da inflação. A equipe de Macri demorou 6 meses para descobrir qual era o índice real na Argentina – o triplo do até então anunciado. No caso em tela, o risco seria o oposto: o Estado superestimar a inflação para aumentar o teto de gastos. O custo político de tal empreitada seria alto, mas que seria uma malandragem possível de ser usada, não tenho dúvidas. Cabe ponderar, todavia, se as metas de inflação autoimpostas pelo Banco Central tornariam este cenário provável. Não me parece ser o caso.

Infelizmente, mesmo diante de todo o exposto, “é o que tem pra hoje” parece estar presente na ordem do dia em Brasília. Se não vai resolver o problema no curto prazo, e ainda vai deixar algumas pontas soltas temerárias pelo caminho, esta PEC, ao menos, vai surtir algum efeito positivo no sentido de impedir que, a exemplo do que fizeram Lula e Dilma diante da famigerada “marolinha” insuflada pelo FED, as despesas (principalmente as permanentes) da União cresçam acima da inflação acumulada no período considerado.  No período 2008 a 2015, a despesa pública primária brasileira cresceu 51% acima da inflação, enquanto a receita evoluiu 14,5%, inviabilizando qualquer previsibilidade da política macroeconômica, e impossibilitando o ajuste estrutural das contas públicas.

Ademais, outro fator que os proponentes desta proposta de emenda constitucional propugnam é que, ao estabelecer a inflação como o limite de gastos, esses estariam, indiretamente, atrelados ao aumento da receita captada do setor produtivo, uma vez que, com uma subida de preços generalizada, os impostos cobrados sobre as respectivas transações comerciais aumentariam na mesma proporção. Desta forma, o déficit das contas públicas tenderia a diminuir gradativamente, e, em decorrência, não haveria necessidade de o Banco Central imprimir dinheiro desmesuradamente – em tese, bom que se diga.

E na prática? Bom, o preço da liberdade é a vigilância eterna, como bem pontuou Thomas Jefferson. Far-se-á necessário acompanhar de muito perto a evolução dos resultados obtidos com esta alteração legislativa. Se em alguns anos estivermos fazendo superávit primário, com redução gradual de juros e inflação, tudo bem. Caso contrário, menos mal que já saberemos o que está emperrando a engrenagem – graças a observações acuradas proferidas por economistas liberais que já estão atentos às possibilidades de desvirtuamento da norma. Se iremos ou não poder fazer algo a respeito, só o tempo dirá, mas será nossa missão primeira esclarecer à população de quem seria a culpa por uma eventual conjuntura hiperinflacionária (já que a tendência é o povo mais humilde e sem esclarecimento culpar os lucros do “capitalista explorador”). Que tal começar agora mesmo, quem sabe?

Eu ainda acredito que aventurar-se por este caminho seja mais salutar do que reivindicar mudanças no texto da PEC 241 a esta altura do campeonato, pois isso reabriria os debates a um ponto quase preambular, e atrasaria muito sua entrada em vigor, em um momento em que o relógio é inimigo mortal de nossos planos de não virarmos uma Grécia – sem o privilégio de um Banco Central Europeu para nos resgatar.

Uma última observação: nós, como povo brasileiro, fomos desafiados por Bernardo Santoro a não eleger nenhum partido de Esquerda nos próximos vinte anos. Eu topo!

challenge

**Editado: Michel Temer declarou, em entrevista à jornalista Mirian Leitão, o óbvio (para um governo de centro-esquerda): que se, em 5 anos ou mais, a economia brasileira der sinais claros de recuperação, uma outra PEC que sobreponha e anule os efeitos da 241 pode vir a ser aprovada. Não vi motivos para escândalo na assertiva, mas tão somente para lamentar que ainda vigore, em nosso país, a mentalidade de que a austeridade só deve ser posta em prática em momentos de emergência no orçamento público, e não como política permanente. Os boom e busts descritos por Hayek ainda farão parte de nossas vidas por tempo indeterminado, aparentemente.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.