A saúde pública desafia a lógica do livre mercado – mas não muito

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Existe uma preocupação que nos une a todos, enquanto seres humanos, em qualquer tempo e lugar considerados: a preservação da vida. Na clássica obra de ficção “O Físico”, de Noah Gordon, é narrada a epopeia de um médico medieval que atravessa a Europa a procura da cura para a “doença do lado” (apendicite), a qual vitimava inúmeras pessoas à época sem manifestar sintomas prévios.

Eis que essa incessante busca de nossa espécie por manter nossos organismos sadios pelo máximo de tempo possível consiste em uma atividade das mais relevantes a ser desempenhada em nossa sociedade.

Vale dizer: esta tarefa é importante demais para ser deixada sob a incumbência do Estado.

O livre mercado sempre logrou reduzir o custo e aumentar a qualidade de qualquer bem a ser ofertado aos consumidores. Nas palavras de Gary North, este sistema de trocas voluntárias pode ser conceituado como:

O arranjo econômico em que não há subsídios (ou empréstimos subsidiados com os impostos da população) governamentais para as empresas favoritas do governo, não há protecionismo via obstrução de importações, não há barreiras governamentais à entrada de concorrentes em qualquer setor do mercado (como ocorre em setores regulados por agências reguladoras), ninguém é impedido de empreender em qualquer área da economia, e não há altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Quanto mais próximo uma economia está deste arranjo, mais genuinamente capitalista ela é.

E a prática confirma a teoria supracitada, a tal ponto que mesmo pessoas de menor renda de nossa civilização pós-revolução industrial (Venezuela e demais redutos socialistas à parte) possuem acesso, hoje, a produtos e serviços que nem mesmo o mais abastado dos membros da nobreza de alguns séculos atrás jamais sequer sonharia em usufruir.

E este avanço notável ocorreu apesar das constantes investidas dos governos interventores sobre a iniciativa privada, provando que o ser humano, na perseguição legítima de seus próprios interesses, acaba por gerar valor e criar riqueza que por todos serão desfrutados – a despeito das tentativas estatais de meter-se no caminho.

Costuma-se escutar aqui e ali, todavia, que tais princípios que nortearam esta evolução sem precedentes de nossa qualidade de vida  não se aplicariam à saúde pública, tendo em vista a natureza vital desta atividade econômica. Se eu estou sem dinheiro momentaneamente, posso ficar algum tempo sem ir ao cinema ou andando de ônibus até que minha condição financeira melhore, mas jamais poderei abrir mão da insulina se for diabético – eis a linha de raciocínio por alguns adotada para inferir que os governos devem imiscuir-se neste mister.

Vale notar que vestuário e alimentação também são produções essenciais à subsistência humana e não costumam ser encabeçadas pelo Estado – sempre que governos aventuraram-se como “empresários” do ramo alimentício, aliás, o resultado invariável foi a inanição, como na China de Mao e na URSS de Stalin (especialmente no episódio conhecido como Holodomor, durante o qual milhões de ucranianos foram dizimados pelo confisco de suas colheitas).

Ou seja, prover serviços de saúde é algo que os agentes privados, para não variar, fazem muito melhor do que o Estado, especialmente se levarmos em conta a pesquisa e o decorrente desenvolvimento de medicamentos, exames, cirurgias e métodos de tratamentos inovadores – permitindo ainda, por meio da produção em série (através da qual é possível reduzir o  lucro na margem e aumentá-lo na escala), que procedimentos médicos outrora restritos a indivíduos ricos torne-se acessível a custos minorados.

E antes que alguém incomode-se com o fato de que os preços cobrados por instituições de saúde particulares costumam ser proibitivos para parcela significativa da população, recomendo fortemente este artigo de Predrag Rajsic (onde o articulista explica que a presença do governo em um determinado setor obriga os investidores privados a direcionarem seus serviços e produtos a um nicho de clientes de renda elevada), bem como este texto de Luan Sperandio – no qual o autor evidencia que o dirigismo estatal está destruindo e encarecendo os planos de saúde no Brasil (tal qual ocorre nos Estados Unidos desde o advento do famigerado Obamacare).

Uma economia voltada para o empreendedorismo tende a atender as necessidades de todos os gostos e bolsos. Mesmo aqueles com menos recursos conseguem obter aquilo de que necessitam para uma vida minimamente digna, mediante o emprego de um número de horas de trabalho bem inferior àquele exigido de nossos antecessores. Desde que deixem a inveja de lado (aquele sentimento que já foi um “pecado capital” e que se tornou o pilar de várias políticas oficiais), os agraciados por experimentarem um ambiente capitalista podem viver como nababos de tempos passados.

Se eu não posso comprar uma BMW-Z4, sem problemas: o carro popular cumpre as mesmas funções sem chamar tanta atenção. Se não posso adquirir um Iphone 7, tranquilo: aquele smartphone mais simples traz em seu bojo as mesmas funcionalidades. Se não posso morar em uma mansão no Morumbi, tanto melhor: aquele apartamento de um quarto também representa um teto sobre minha cabeça. Se não há como arcar com os custos de um táxi aéreo na próxima viagem, vamos de promoção com as milhas acumuladas na classe econômica mesmo, que o avião vai pousar na mesma pista.

Neste sentido, os cidadãos de classe “baixa” desta hipotética nação centrada no livre mercado estarão em melhores condições do que a classe “média” de muitas republiquetas de mentalidade estatizante por aí – tal qual o nosso Brasil. E caso essas pessoas pretendam ascender socialmente, tanto mais fácil será esta missão quanto mais dinâmica e livre de amarras for o ambiente de negócios no qual estejam imersos.

E até certa medida, tal cenário também aplica-se à saúde.

Se eu não posso frequentar o Sírio-Libanês ou o Albert Einstein, não quer dizer que minha vida esteja com os dias contados por precisar realizar uma cirurgia em um hospital que não seja de alto padrão. Se eu não posso pagar a mensalidade de uma academia, está cada vez mais barato comprar uma esteira ergométrica (até mesmo usada, se for o caso). Se eu não tenho dinheiro para pagar a consulta de um nutricionista ou para frequentar um spa, há programas de reeducação alimentar gratuitos na Internet (disponibilizados por websites que faturam com publicidade). Se não posso bancar o plano de saúde mais caro do mercado, nada impede que alguma opção regional e mais específica para meu perfil adeque-se aos meus vencimentos.

E por ai vai. Só que tal conjuntura favorável a todos será tão mais provável de materializar-se quanto mais liberdade econômica houver no país em questão. Isto é, a saúde também pode (e deve) ser tratada, a princípio, como um produto, que precisa, portanto, ser produzido por alguém com vistas a obter lucro antes de ser ofertado a quem dele precisa.

Mas neste ponto da análise surge um problema que o próprio Milton Friedman admitia existir: uma falha de mercado, causada, aí sim, pelas peculiaridades desta atividade econômica.

Digamos que um dado indivíduo viva muito bem com sua remuneração atual em um país onde vigore o liberalismo econômico, dispondo de tudo o que precisa, ainda que sem luxo. Então descobre-se, repentinamente, que ele (ou alguém de sua família) é portador de uma doença rara, cujo tratamento ainda é extremamente caro, muito além de suas posses e da cobertura do plano de saúde por ele contratado.

Eis aí o conflito: não se trata de um ser invejoso olhando para o gramado do vizinho e achando-o mais verde. Não se trata de alguém clamando por “justiça social” enquanto apoia políticos que almejam tão somente angariar mais poder financeiro e decisório para si próprios. Não: é um caso de vida ou morte. Esta pessoa hipotética pode seguir com seu “golzinho” sem invejar o carrão do chefe, mas ela não poderá abrir mão deste tratamento, pois dele depende sua própria existência.

Neste caso, será imprescindível que este indivíduo receba ajuda externa. Em um primeiro momento, seus concidadãos, amigos e familiares é que têm o dever de vir em seu socorro – e, novamente, deve-se ressaltar que quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade costumam ser observadas (na forma de doações, instituições sem fins lucrativos e congêneres), demonstrando haver forte correlação entre elas.

É evidente também que, quanto mais esta pessoa conseguir poupar durante a vida, menos ela precisará de suporte de terceiros em momentos desfavoráveis. Mas daí entra em cena a necessidade de haver uma carga tributária enxuta, inflação e taxa básica de juros que não consumam por completo o poder de compra, e educação financeira – tudo o que não pertence à realidade dos brasileiros, no caso.

Ademais, mediante um sistema de “saúde universal” como o quase falido SUS, bem como por conta das regras impostas pela ANS às operadoras de planos de saúde,  torna-se natural que os indivíduos preocupem-se muito pouco com a prevenção, no sentido de evitar comportamentos e condutas que possam comprometer-lhes a saúde.

Ora, se uma pessoa que precisa de atendimento médico toda semana e outra que raramente pisa em um consultório graças a seus hábitos saudáveis são obrigadas a pagar o mesmo pelos serviços de saúde (seja na forma de impostos, seja na forma de mensalidades), então a motivação para evitar ficar doente ou ferir-se tende a arrefecer. Tal conjuntura, por sinal, acaba por aumentar a demanda por médicos e serviços clínicos e hospitalares, encarecendo-os ainda mais.

Mas o fato é que aquela pessoa com a doença grave do exemplo acima, independente de quanto ela tenha se cuidado e poupado na vida, e considerando que não haja ação de filantropia que consiga reunir os recursos necessários para ampará-la, vai continuar precisando de ajuda. Se for mesmo este o caso, como último recurso, o Estado, deve, sim, prestar-lhe auxílio, destinando parte da arrecadação para este fim.

Ou seja, a prática mostra que quanto mais riqueza há em uma sociedade e quanto menos o governo assume este papel de protagonista na vida pública, mais os indivíduos tendem a cuidar daqueles que necessitam (e de si mesmos). Se, ainda assim, seguirem existindo pessoas em descoberto, o Estado pode e deve oferecer ajuda (indiretamente, contratando clínicas terceiras), em caráter meramente residual – nos mesmos moldes da proposta de vouchers para Educação, quando são custeados os custos escolares daqueles que comprovadamente não tem como fazê-lo por conta.

Conclusão: O ideal, portanto, para que o máximo número de pessoas receba os melhores serviços de saúde possíveis, passa por uma combinação de aproximadamente 90% de livre mercado (sem as regulações esquizofrênicas atuais) com uns 10% de Estado canalizando dinheiro de tributos para situações específicas. Quem costuma ser contra a abolição do SUS geralmente não pesa que, junto com ele, devem ser abolidos também os impostos que o sustentam. Isso significa mais dinheiro no bolso de quem trabalha e, consequente, maior possibilidade de gastos privados, inclusive com… saúde!

Simplesmente escrever na Constituição Federal que saúde é um “direito de todos” e reservar gordas fatias do PIB para tal? “Acho” que não vem funcionando, aparentemente – e só vem gerando mais oportunidades para corrupção desenfreada nas três esferas do Poder.

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YING-YANG, DINHEIRO PÚBLICO E PROTESTOS

Ctba Yi

* Texto de Leonardo Glass:

Dizem que, segundo a cultura/filosofia oriental, duas proposições antagônicas podem estar, ao mesmo tempo, certas. Isso tem relação com o conceito de ying-yang: se analisadas isoladamente, cada proposição é incompleta e verdadeira em si mesmo; porém, quando as posições são colocadas lado-a-lado, elas se complementam, formando um todo que é maior e mais coerente do que a soma de suas partes. A despeito da aparente “ilógica” desse sistema, o fato é que precisamos analisar as coisas em seu todo, se quisermos ter uma verdadeira compreensão dos fatos que nos cercam diariamente.

 Foi recentemente noticiado a greve dos servidores da Prefeitura de Curitiba, contrários a um pacote de austeridade do governo. Em que pese a real crise que assola o país, esses servidores estão certos em protestar. E antes que o leitor me atire pedras morais (e quiçá, reais), afirmo: quem critica os servidores também está certo. Apesar da aparente contradição, o fato é que o todo é maior do que as proposições e argumentos de cada um dos lados dessa questão.

Os servidores estão certos em criticar o pacote, pois este tipo de solução “não mexe” onde realmente interessa: no bojo da crise, que é a malversação do dinheiro público. O poder público tende a gastar mal o seu dinheiro. A lei de licitações, por exemplo, é uma piada de mau gosto que, no melhor dos casos, engessa e atrasa a Administração Pública; no pior, não impede a corrupção e o desvio de dinheiro público. Além disso, ficar refém do “menor preço” quase sempre esbarra na péssima qualidade do produto adquirido, o que deságua em gastos extras o que, no médio prazo, representa mais gastos ao invés de economia aos cofres públicos.

E a deseducação financeira da Administração Pública não para por aí. Podemos citar diversas obras inacabadas, o excesso de cargos comissionados e funções gratificadas que não contribuem efetivamente com o serviço e funcionam meramente como guarda-chuva político. Isso sem falar nas diversas “migalhas” como a falta de cuidado com a “res publica“: luzes desnecessariamente acessas e ar-condicionados ligados à noite, fora do horário de expediente; uso de veículo oficial para saídas inúteis, além dos diversos “mimos” que a Administração Pública frequentemente se presenteia.

Por último – mas não menos importante – podemos citar o dinheiro público aplicado com viés político. O leitor, se pensar em sua cidade, certamente terá exemplos claros, mas citarei aqui o mais pungente de todos: A cidade do Rio de Janeiro que gastou bilhões nas Olimpíadas e hoje não tem dinheiro para pagar os seus servidores.

Nesse sentido, que culpa tem as enfermeiras das Unidades Básica de Saúde ou os professores municipais? É fácil apontar o dedo para um fiscal de tributos ou um procurador bem remunerados. Mas esses são exceções.  Esquecemo-nos frequentemente que o maior montante de servidores públicos são pessoas exercendo funções essenciais à sociedade, e cujos vencimentos, longe de serem nababescos, nem sempre condizem com a tão propalada “realidade do funcionalismo público”.

De outra monta, sim, os servidores tem privilégios que trabalhadores do setor privado sequer sonham: licença-prêmio, horários menos intensos, menor rigor no controle de sua produtividade. É preciso que os servidores reconheçam que, mesmo não sendo esse paraíso todo, na média, estão melhores do que seus pares da iniciativa privada.

E nem mesmo os contra-argumentos dos servidores justificam essas benesses. Se, por um lado não há como crescer no serviço público, por outro lado há a estabilidade que evita retrocesso; se não há FGTS quando o servidor se aposenta, por outro lado, os servidores tendem a se aposentar com vencimentos quase integrais e no pico do recebimento; se, por um lado, não há margem para negociar um aumento por produtividade, tampouco há punição pela não-produtividade. E quanto mais envelhecem – e mais conhecem os meandros de suas funções –  mais improdutivos tendem a ficar. Os vencimentos, em contrapartida, só aumentam.

Porém, como costumava dizer minha mãe: “dinheiro não dá em árvore.” A fonte dos recursos são os impostos, as taxas e as contribuições pagas pelos cidadãos. É dinheiro que deixa de ser usado em benefício de quem produziu e gerou a riqueza e vai para quem, nem sempre, cumpre com zelo seus afazeres. E é isso que causa desgosto na população que depende de servidores públicos.

E no tocante às contas públicas, os benefícios dos servidores públicos representam gasto de dinheiro público. Gostem os servidores ou não, dada a grande quantidade de pessoas empregadas pelo poder público, a soma no fim do mês tende a ser substancial. E como a Administração tem poder de definir aquilo que deve ser feito para resolver seus problemas de caixa, é natural que se mexa primeiro no bolso dos servidores. É mais fácil (e mais “possível”) do que mudar a lei licitações. Ademais, mexer no bolso dos servidores é boa mídia certa. Mostra que os “políticos” estão preocupados com a conta que – ironia – eles mesmo fizeram.

Daí a solução proposta lá no início do artigo: que os dois lados se entendam e reconheçam seus argumentos em comum. A população está certa em exigir mais austeridade com o dinheiro público, e os servidores estão certos em não quererem ser os primeiros a pagarem a conta de políticas populistas.

Cabe aqui uma importante ressalva: para o bem da moral dos servidores, e da coerência no modo de vida, é necessário que estes recusem ofertas populistas quando essas são direcionadas para eles: aumentos de vencimentos muito acima da inflação, por exemplo, deveriam ser rechaçados em assembleias de sindicato. Isso daria moral para que os servidores exigissem, quando de vacas magras, que não fossem os primeiros a pagar a conta pela não austeridade.

Isso leva a verdade óbvia e ululante (e como toda a verdade óbvia e ululante, ela precisa ser relembrada periodicamente): é preciso austeridade com dinheiro público sim, mas também é preciso mexer nas entranhas da Administração. Rever leis inúteis, diminuir burocracias, que os servidores dependam menos de agentes políticos para a tomada de decisões, e que os empreendedores dependam menos de servidores públicos para poder trabalhar e empreender, diminuir o desperdício de dinheiro… de outro lado, os funcionários públicos precisam entender que devem sim trabalhar com afinco e que, eventualmente, o sacrifício de algum de seus “direitos adquiridos” será necessário para salvar o todo.

Se a população de Curitiba fosse à Câmara e pressionasse os vereadores pela aprovação do pacote, porém, COM ADENDOS como os supracitados, certamente, população e servidores se entenderiam e uniriam forças contra a origem do problema – e não contra os seus sintomas. No fim das contas – e voltado à filosofia oriental – à sombra do que ensinou Sun-Tzu, o inimigo (o Estado Burocrático) quer apenas jogar suas vítimas umas contra as outras, para assim poder reinar em paz e tranquilidade.

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Estado quer interferir até no preço da balada!

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Eis um procedimento totalmente arraigado na cultura do brasileiro: está descontente com qualquer coisa em sua vida? Socorra-se do aparato estatal e de seu poder de intervir em nossas vidas, suplicando-lhe que dite nossos comportamentos e regulamente nossas condutas. Ou seja, ao menor sinal de conflito pela frente, nosso povo costuma agir feito Olívia Palito, gritando “Popeye, faça alguma coisa”, ao invés de procurar atingir um ponto de entendimento junto aos demais membros da sociedade.

O problema é que o espinafre deste suposto herói são os impostos extraídos do setor produtivo, e sua atuação, na vida real, costuma ser mais prejudicial à desamparada donzela do que a própria truculência do vilão Brutus.

Não haveria porque ser diferente, pois, quando um consumidor considerasse “injusto” que mulheres paguem menos do que homens na entrada de bares e casas noturnas afins. Foi o que ocorreu no Distro Federal, e pode acabar repercutindo em todo o país:

No início do mês, a juíza substituta do Juizado Especial Cível Caroline Lima disse considerar “ilegal e discriminatória” a cobrança dos valores diferenciados nos ingressos masculinos e femininos. Segundo ela, a prática fere o Código de Defesa do Consumidor. O processo julgado por Caroline foi movido por um cliente contra uma produtora de eventos, que vendia meia-entrada masculina a R$ 220 e feminina a R$ 170 para uma festa no DF.

Em vez disso, a juíza decidiu enviar o caso ao conhecimento do Ministério Público, que poderia analisar a abertura de uma ação coletiva. O inquérito aberto nesta semana é resultado deste procedimento. Como argumento, a juíza considerou que o livre mercado “não pode servir de escudo para justificar práticas abusivas”. “Não se trata de um salvo conduto para o estabelecimento de quaisquer critérios para a diferenciação de preços”, declarou.

Na decisão judicial emitida, Caroline também afirma que, ao adotar preço diferente, o empresário “usa a mulher como ‘insumo’ para atividade econômica, servindo como ‘isca’ para atrair clientes do sexo masculino para seu estabelecimento”.

A lógica (ou falta de) observada no imbróglio em questão baseia-se toda em uma único conceito (ou falácia): os empresários do ramo do entretenimento em questão cobram de forma diferenciada a fim de atrair um grande número de mulheres, as quais irão servir de chamariz para os homens, resultando num cenário machista e discriminatório.

Haja paciência. Mas senta que lá vem história.

1) Os donos de balada não cobram menos de mulheres porque querem ter menos lucro, e sim pelo fato de que as circunstâncias de um mercado pouco regulado e a própria natureza dos seres humanos os induziram a assim agir.

Primeiramente, é preciso estabelecer uma premissa básica: parcela bastante significativa dos clientes destes estabelecimentos são solteiros que buscam conhecer pessoas interessadas em sair desta condição, por assim dizer – ou, no mínimo, divertir-se com pessoas erradas antes de encontrar a pessoa certa para mudar seu status no Facebook.

Entrementes, a sanha igualitária em vigor nos meios de comunicação e nas mídias sociais quer incutir em nosso senso comum, a todo custo, que ambos os sexos tendem a partir em busca de parceiros com a mesma intensidade e interesse.

A realidade, todavia, esta opressora insensível, ensina o oposto: os homens é que, na maioria das vezes, tomam a iniciativa da conquista, da azaração, da paquera. Se alguém duvida, pesquise qual animal costuma proceder à dança do acasalamento na época da procriação: se o pavão macho ou fêmea. Não vou contar para não estragar a surpresa…

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Como decorrência disto, qual era o cenário que costumava desenhar-se antes do advento da prática de discriminar os clientes de acordo com seu sexo na hora de cobrar-lhes pelo ingresso na casa? Os estabelecimentos eram frequentados por muito mais homens do que mulheres, obviamente. E por que isso seria prejudicial ao andamento dos negócios do empreendimento?

Ora, considerando que nossa moral concede às mulheres (felizmente) o direito de rejeitar quantas cantadas quiser, torna-se natural que inúmeras tentativas frustradas de galanteio sucedam-se até que uma bem sucedida sobrevenha – variando de acordo com a competência do sujeito, bom que se diga.

Os homens, portanto, chegam à conclusão de que quanto mais mulheres há em um recinto, mais provável torna-se um final feliz em sua empreitada orientada pelo instinto de preservação da espécie e pela testosterona. Quanta perspicácia da rapaziada.

Só que esta conjunção de fatores determinada pela fisiologia, conforme explicado, estimula que os homens frequentem as baladas com mais frequência e mais precocemente do que as mulheres, atraindo mais clientes do sexo masculino. Mas tal ambiente, dominado por marmanjos, não constitui aquilo que os heterossexuais procuram. Se os gestores destas empresas de entretenimento não fizessem nada a respeito, a falência seria o destino certo.

E o que eles decidem fazer a respeito? Ora, atendem ao chamado da irrevogável lei natural que relaciona procura X oferta e transferem para os homens parte do custo que as mulheres teriam para entrar em suas casas, equilibrando sobremaneira a presença de pessoas dos dois sexos.

Atingem eles, assim, o legítimo panorama de ganha-ganha: os homens não se importam em pagar mais para não ficarem cercados só de barbados; as mulheres não acham nem um pouco ruim que lhes sobre mais dinheiro ao final da noite; e os empresários ficam satisfeitos por verem clientes satisfeitos (a única forma de enriquecer sem fazer conluio com o Estado) e seus bares e baladas cheios.

2) Ninguém obriga os homens insatisfeitos por pagarem mais a frequentar tais estabelecimentos nem tampouco os impede de abrirem bares que cobrem de forma isonômica. 

Item autoexplicativo: ninguém é seguro pelo colarinho e arremessado para dentro da balada, e lá mantido à força. Todos vão e lá permanecem de livre alvitre. E se acharem os desgostosos que é o caso, não há barreiras para que novos empreendedores invistam no ramo – não se trata de um setor cartelizado, como o de telefonia, de transporte aéreo ou de planos de saúde. Basta que eles, portanto, inaugurem casas noturnas com sistemas de cobrança alternativos. Se houver mesmo um largo contingente de descontentes, os protagonistas de tal iniciativa vão se dar muito bem.

É assim, ao menos, que se deve buscar resolver este tipo de conflito, sem apelar para que o Estado ponha suas garras intervencionistas de fora. Há poucos meses, um caso na Itália chamou a atenção quando restaurantes daqueles país lidaram com crianças bagunceiras de formas distintas, oferecendo serviços e condições procurando atrair perfis específicos de clientela.

Mais uma curta historieta: um apart-hotel localizado no interior de Santa Catarina, situado próximo a um campus de universidade estadual, contava com muitos estudantes moradores. O problema é que este povo provocava muita agitação altas horas da noite, e incomodava os demais hóspedes. As providências adotadas pelo proprietário: em um primeiro momento, passou a cobrar mais dos universitários, visto que eles espantavam clientes. A tendência natural foi seu êxodo do hotel. Em um segundo momento, passou a não mais acomodar novos estudantes em seu estabelecimento. Questione-me se os rejeitados precisaram dormir na rua ou simplesmente partiram em busca de outro hotel. Pois é.

Outro exemplo mais, digamos, exótico: as casas de swing visam oferecer um ambiente propício para pessoas que curtem troca de casais. Elas não impedem, a princípio, que solteiros entrem no estabelecimento, mas costumam cobrar-lhes em torno de 5 a 6 vezes o preço cobrado dos casais. Vai uma intervenção estatal aí, gente?

Porque, se for o caso, abre-se um leque quase infinito de possibilidades para a “criatividade” dos burocratas governamentais entrar em ação. Tabelamento de preços de entradas? Ou quem sabe, em nome do bem-estar social, o governo não deveria distribuir vale-balada por aí – ao melhor estilo Cristina Kirchner comprando, com dinheiro de impostos, os direitos de transmissão dos jogos do campeonato nacional de futebol (goste o pagador de tributos argentino do esporte ou não), garantido diversão “gratuita” para todos. Melhor: que tal baladas estatais? o problema seriam as greves intermináveis em pleno verão…e por aí vai.

Já virou moda, miseravelmente. Há projetos de lei no parlamento prevendo a limitação do número de farmácias por bairro, e discute-se no meio jurídico até mesmo se um prestador de serviços pode ou não cobrar pelo orçamento. Até o preço da pizza já entrou no radar dos “justiceiros sociais”. Na dúvida, chama o governo.

Não tem jeito: ou o brasileiro perde esta mania ridícula de clamar pelo Estado em vista de qualquer contratempo, ou bizarrices do gênero seguirão ocorrendo a torto e a direito – mais a torto, com certeza. Quando dois irmãos discutem em torno do videogame e um deles chama “paiêêêê” a cada cinco minutos, a chance do pai acabar com o jogo é muito grande. Será tão difícil assim aprender esta lição?

3) As feministas devem estar extremamente felizes com o episódio.

A próxima meta das companheiras em busca da igualdade é conseguir que mulheres aposentem-se com a mesma idade dos homens. Força, camaradas!

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Terror reverso em Londres: o Ocidente não iria oferecer a outra face para sempre

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Pelo menos uma pessoa morreu e outras dez foram feridas quando uma van atingiu pedestres nos arredores de uma mesquita em Londres (com longo histórico de ligação com extremistas) neste domingo. Toufik Kacimi, diretor executivo da Muslim Welfare House (entidade que presta suporte a muçulmanos), declarou que o ataque foi claramente direcionado a islamistas que recém haviam participado de cultos do Ramadan. O agressor foi capturado e está sendo tratado pelas autoridades como terrorista. O prefeito da capital, Sadiq Khan, asseverou que não haverá tolerância com tais crimes de ódio. A primeira-ministra Theresa May lamentou o episódio perpetrado contra a comunidade islâmica.

Interessante notar como é fácil falar grosso e generalizar quando o interlocutor é o pacífico cidadão europeu médio.

Questões que emergem do fato insólito e urgem respostas imediatas:

1 – Muito diferentemente de como costuma proceder, a imprensa, tão logou soube dos detalhes do atentado, correu para entrevistar figuras eminentes do Islam na Inglaterra e dar-lhes voz para manifestar sua indignação com o ocorrido.

Por quê? Já havíamos sido quase todos convencidos pela mídia tradicional que os incontáveis atos de terrorismo praticados por devotos de Alah não guardavam qualquer relação com a religião em si. Até mesmo Obama fez sua parte (e como) para difundir tal consenso.

O que mudou? Por que não foi concedido o mesmo espaço midiático para cristãos proeminentes quando um padre católico foi degolado por dois jihadistas enquanto celebrava uma missa na França? Ou quando doze outros devotos de Cristo foram atropelados e mortos em uma feira de natal na Alemanha? Sua opinião era irrelevante diante da necessidade premente de lutar contra a islamofobia – mesmo sendo o Papa Francisco adepto do relativismo religioso?

Ou, quem sabe, poderiam ter posto um microfone diante da boca destes mesmos Ímãs e ter-lhes cobrado um posicionamento referente ao banho de sangue de adolescentes e crianças em Manchester. Ou uma palavrinha qualquer sobre as dezenas de inocentes dizimados no Bataclan. Não estavam curiosos na ocasião? Mas agora estão? Por quê?

Teria havido, quem sabe, uma “inversão de papéis” entre agressores e agredidos, e que pudesse justificar – na cabeça dos jornalistas que veem muçulmanos apenas como outro grupo de “minorias oprimidas” e homens brancos ocidentais como opressores – esta mudança de atitude?

Impossível. Nem em sonho (ou pesadelo) tal troca de posição entre bandidos e vítimas fez-se notar: o ataque terrorista na Finsbury Park não foi consumado por um seguidor do cristianismo em nome de sua religião – como fazem questão de enfatizar aqueles que matam “infiéis” em atendimento aos comandos do Alcorão -, aos gritos de “por Jesus” ou algo do gênero; nenhum cristão ou judeu manifestou regozijo, comemorou ou mesmo admitiu qualquer conexão com o crime hediondo (o sentimento generalizado, em verdade, é de vergonha); e a quase totalidade da população defende punição máxima para o terrorista.

Agir de forma diferente seria, isto sim, deturpar a cultura judaico-cristã, visto que seus ensinamentos pregam a tolerância e coexistência ordeira com outros credos.

2 – O procedimento segue o mesmo? Devemos seguir a vida normalmente e não olhar para trás com raiva? Estas, ao menos, foram as instruções expedidas pelos representantes governamentais logo após os ataques que ceifaram a vida de milhares de pessoas apenas nos tempos recentes.

Eis aí: os indivíduos delegam ao Estado o monopólio do uso da força para, justamente, evitar vinganças pessoais e cobranças de dívidas de sangue. Mas quando as forças de segurança fazem cara de paisagem frente aos incessantes atos de violência injustificáveis, torna-se favas contadas que, cedo ou tarde, algum cidadão desequilibrado irá fazer o que fez o britânico – tal qual os brasileiros que andam fazendo justiça com as próprias mãos, como o tatuador de testas de São Bernardo do Campo, ou os pais que tentaram tirar pela orelha os “estudantes” que invadiram escolas impedindo de estudar a maioria interessada em aprender.

A omissão estatal em proteger efetivamente aqueles que estão sob sua responsabilidade e resguardar sua liberdade sempre redundará, cedo ou tarde, em atitudes desesperadas como estas – segundo consta, o “atacante” teria declarado à polícia que “fez sua parte”. Menos mal que tudo leva a crer que tratava-se de um “lobo solitário”. Eufemismo no dos outros é refresco.

Ou seja, os verdadeiros culpados pela atrocidade em questão (muito embora o terrorista deva e vá pagar pelo que fez) resumem-se basicamente em dois grupos: os governantes adeptos do globalismo e do multiculturalismo que escancararam as fronteiras dos países europeus, jogando às favas suas soberanias nacionais (juntamente com a possibilidade de preservar valores fundamentais que unem seus povos), pensando tão somente em amealhar poder no curto prazo; e, claro, aqueles que votaram favoravelmente a Emanuel Macron, Angela Merkel, Jeremy Corbyn e outros que estão adorando ver o circo pegar fogo enquanto sobem hashtags #PrayForTheEntireWest.

Sim, não se engane: após tanto horror em série, estava cada vez mais próxima a hora em que um contra-ataque viria a cabo. Pior: muita gente esperava ansiosamente por este momento, e já aguardava com o discurso “branquiofóbico” e “direitofóbico” na ponta da língua.

O cenário ideal almejado por estes aproveitadores seria a sociedade europeia imersa no caos de um eterno confronto entre aqueles que querem implantar a lei islâmica e aqueles que não concordam em perder sua identidade. Nesta conjuntura apocalíptica, quem apareceria como salvador da pátria? Ele, claro, o Estado! Seria necessário pagar mais impostos e conceder-lhe mais poder, mas tratam-se de detalhes fortuitos.

Como bem disse João Pereira Coutinho: a Europa é vítima de terrorismo, mas nunca acredita que ele existe. Ora, como empreender uma batalha sem que os soldados sequer entendam ou queiram ver quem são os verdadeiros inimigos?

Uma pena, portanto, que tal estupidez tenha ocorrido, pois se o inglês assassino achava que seria possível dar conta desta tentativa de dominação de nossa civilização como outrora ocorreu na batalha dos portões de Viena, estava absolutamente enganado.

Não querendo desmerecer a epopeia daqueles que evitaram a islamização do Velho Mundo em 1683, mas desta vez os correligionários de Maomé contam com o apoio incondicional da esquerda politicamente correta (que impede que até mesmo tente-se debater o tema da imigração em massa), o que complica demais a tarefa, uma vez que não é possível sequer refletir sobre o problema de forma séria e buscar soluções efetivas – que não sejam simplesmente oferecer bem-estar social ilimitadamente e permitir crimes em nosso território porque supostamente fazem parte do código de conduta dos novos moradores.

Uma religião qualquer que praticasse sacrifício de animais e começasse a ser largamente difundida na Europa rapidamente seria reprimida e seus seguidores orientados no sentido de que tal prática é incompatível com as normas e costumes do continente. Mas não há como esperar que postura semelhante seja adotada em relação à disseminação da Sharia, visto que sequer trazer à baila a questão do conflito vem sendo permitido sem ser rotulado de uma dezena de “ismos”.

Que fique claro: Jesus jamais proibiu a legítima defesa com seu famoso aconselhamento em que manda oferecer a outra face em caso de agressão. O que Ele queria evitar  era justamente que se criasse um ciclo de agressão contínua, com vinganças sucessivas, até o ponto em que as ofensivas se perpetuariam sem que ninguém sequer mais lembrasse como tudo começou. Embora seja sábio recuar sempre que possível para evitar uma briga, é apropriado tomar medidas de ordem diversa visando a autoproteção.

A providência adotada pelo terrorista da van, todavia, foi totalmente desastrosa, e só logrou fornecer mais munição para aqueles que almejam a desordem e o desentendimento (muito embora afirmem o contrário), sabedores de que o livre mercado não prospera nestas condições. Ninguém de boa índole deixará de condenar esta ação delituosa sob alegações ridículas como fez, por exemplo, o âncora da CBS que culpou Republicanos pelo atentado cometido por um Democrata. Mas que o Islam não vai deixar este golpe sem resposta, não vai mesmo!

 3 – O pessoal da Parada LGBTQ vai dar uma força para o Ocidente em seu esforço de sobrevivência, considerando tanto o histórico do evento em combater o “conservadorismo religioso” quanto a tradição islâmica de enforcar homossexuais?

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Depois de resistir às agruras dos absolutismos monárquicos e dos governos coletivistas, a Europa habituou-se tanto à democracia que a dá por descontada, como algo tão natural quando respirar. Vai acabar ficando sem ar…e sem o “governo laico” pelo qual o povo na Avenida Paulista tanto clamava neste domingo.

O declínio de uma civilização vem com a aparecimento dos bárbaros, de uma forma ou outra a senilidade crescente dos países que compõem o mundo ocidental vai sucumbir aos invasores, o resultado será a extinção da cultura ocidental juntamente com a sua riqueza e poder e um retorno à idade das trevas.  Arnold Joseph Toynbee

Resultado de imagem para meu cu é laico

Quero ver pintor isso no fiofó e ir pra frente da mesquita…

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Se Trump ajudar Cuba a livrar-se do Comunismo, merece(ria) o Nobel da Paz

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O ex-presidente Barack Hussein venceu o Prêmio Nobel da Paz na edição 2009, quando mal havia pisado na Casa Branca, por conta, segundo o comitê norueguês, de seus apelos pelo desarmamento nuclear e “por seu trabalho pela paz mundial”. Conforme declarado na época pela turma de Oslo, “muito raramente uma pessoa com a influência de Obama capturou a atenção do mundo e deu às pessoas a esperança de um futuro melhor.”

Muito raramente também, por certo, um líder do mundo livre despeja tantos milhares de mísseis sobre o Oriente Médio, enquanto incentiva a desastrosa Primavera Árabe; fornece tantas armas e recursos logísticos para milícias armadas da Síria – que compõem, vejam só, o Estado Islâmico; retira as tropas americanas do Iraque no pior momento possível, contribuindo para desestabilizar a região; semeia tanto ódio racial e divisão entre as pessoas de seu próprio país; faz tanta força para desarmar os cidadãos honestos de sua nação; e o gran finale: decreta a revogação da política do “pé molhado, pé seco”, a qual garantia residência aos cubanos que conseguissem pisar em território americano (fugindo da ditadura caribenha) sem o visto.

Apressado come cru mesmo – e concede honrarias àquele que pôs a (relativa) estabilidade da civilização ocidental em grave risco com sua postura pusilânime frente aos inimigos da liberdade (especialmente terroristas muçulmanos) e sua cumplicidade para com globalistas que buscam minar as soberanias nacionais e governar (e enriquecer) à distância – além, claro, de ter flertado com o regime sanguinário implantado na ilha mais admirada (a partir do conforto capitalista) pela esquerda caviar, visando dar nova vida ao regime opressor dos Castro, que vinha cambaleante após o afastamento de Fidel de seu posto de “comandante”.

Convenhamos que não dá para considerar tal estapafúrdio uma surpresa, visto que o falecido terrorista Yasser Arafat – que declarou abertamente que a OLP planejava “eliminar o Estado de Israel e estabelecer um Estado puramente palestino” – foi agraciado com o Nobel da Paz em 1994. E como esquecer do presidente colombiano Juan Manuel Santos levando a premiação em 2016 após empurrar goela abaixo de seu povo um acordo de leniência com a organização guerrilheira terrorista de inspiração comunista – autoproclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista – conhecida como FARC?

A imagem do Nobel da Paz poderia restar menos arranhada depois de tantos episódios insensatos, todavia, se seus encarregados prestassem atenção no anúncio feito por Donald Trump em Miami esta semana:

Donald Trump anunciou nesta sexta (16) que o acordo feito entre Barack Obama e a ditadura cubana está cancelado.

“Eu estou cancelando o acordo completamente unilateral da última administração [Obama] assinado com Cuba”, disse Trump em um comício realizado em Little Havana, na cidade de Miami, tradicional polo de exilados cubanos nos Estados Unidos.

Ele ainda lembrou que reforçará o embargo contra a ilha e que seu governo adotará novas restrições a viagens de americanos para Cuba e a proibição para empresas norte-americanas de fazer negócios com empresas cubanas controladas pelas Forças Armadas do país latino-americano.

Em posição diametralmente oposta à indiferença desumana de Obama, Trump denunciou o que chamou de “natureza brutal” do regime de Raúl Castro em Cuba. “Em breve alcançaremos uma Cuba livre”, afirmou o presidente.

Acompanhado pelo vice-presidente Mike Pence, por vários membros de seu gabinete, pelo governador da Flórida, Rick Scott, por congressistas de origem cubana como Marco Rubio, Mario Diaz Balart e Carlos Curbelo e representantes de da comunidade de exilados cubanos, Trump disse que os dissidentes José Daniel Ferrer e Berta Soler, que não foram autorizados a viajar para Miami, “estão aqui com a gente.”

“Negociaremos um acordo melhor [com Cuba]”, avisou Trump, salientando, todavia, que isso será possível somente no caso ocorram avanços democráticos “concretos”, e a realização de “eleições livres” e a “libertação de prisioneiros políticos”.

“Quando os cubanos realizarem medidas concretas, estaremos prontos, dispostos e capazes de voltar à mesa de negociação do acordo, que será muito melhor “, disse Trump.

“É importante que haja liberdade em Cuba e na Venezuela”, declarou. Por fim, o presidente agradeceu a comunidade de exilados cubanos por ser a “voz dos sem voz” e disse que eles fazem a diferença na luta para parar a perseguição do regime contra os dissidentes e para acabar com a “ideologia depravada” que existe em Cuba.

Difícil antecipar os desdobramentos de tal medida, mas uma coisa é certa: os Estados Unidos não mais compactuam nem tampouco fazem vista grossa para as atrocidades cometidas a poucas milhas de sua costa, e que motivam serem humanos sedentos por liberdade a arriscarem a vida em embarcações improvisadas durante fugas desesperadas para longe da “igualdade” socialista.

CT

É esperado, obviamente, que diante da retomada do embargo comercial, voltarão as mesmas malas de sempre a afirmar que a miséria em Cuba é “culpa dos Ianques capitalistas” – falácia que pode ser facilmente refutada, da mesma forma que vão por terra os mitos dos exemplares serviços públicos de Saúde e Educação no país com 11 milhões de escravos.

Que fique claro, porém, que deixar de prestar apoio ao governo tirânico de Cuba e ainda, de lambuja, deixar Nicolas Maduro com as orelhas em brasa, é atitude que não se via partindo da Casa Branca desde que Ronald Reagan findou seu segundo mandato. Se tal atitude servir de estopim para, quem sabe, destronar os líderes comunistas da Força Armada Revolucionária e forçar uma transição para um sistema econômico e político menos controlado pelo Estado, além de restaurar a democracia, Trump já deveria receber um Nobel da Paz no ato.

A probabilidade que isso ocorra é mínima, com certeza, levando em conta que a esquerda hegemônica na mídia e na academia não vão deixar barato nem mesmo uma eventual indicação de Donald Trump.

Mas que seria merecido, isso seria. Não traria de volta à vida todas aqueles que padeceram sob o jugo dos revolucionários filhinhos de papai Che e Fidel, nem tampouco devolveria a dignidade daqueles que foram sob suas ordens torturados, mas honraria sua memória e seu sacrifício, e ainda lograria referendar aquele que pode ser o primeiro passo do povo cubano rumo a uma “Revolução Gloriosa” (quando pela primeira vez, na Inglaterra, foram colocadas rédeas institucionais no poder do Estado) em plena América Central.

Não será esta a primeira vez, todavia, que um presidente americano irá engajar-se no embate a regimes comunistas mundo afora, e nem será a última oportunidade em que tal iniciativa será alvo de críticas vindas daqueles “preocupados com o avanço dos imperialistas”.

Destacam-se, entre eles, Ronald Reagan e seu programa apelidado de “Guerra nas Estrelas” (que consistia, basicamente, em um significativo aumento dos gastos com Defesa, o que induziu o regime soviético ao colapso derradeiro);  Harry Truman, que interveio na Guerra da Coreia – mesmo sob o risco de um possível conflito na região contra as potências China e URSS – e evitou que o os coreanos do sul amargassem uma dominação do vizinho do norte comunista, fomentando um crescimento econômico sem precedentes naquele país asiático; e Lyndon Johnson, que tentou, sem sucesso (devido a influência negativa da cobertura da imprensa americana e a decorrente pressão popular contrária à participação dos Estados Unidos no conflito), impedir o que viria a ocorrer após a retirada das tropas americanas do Vietnã: um massacre do vizinho do sul, com um número de mortes três vezes superior ao registrado durante o confronto entre vietnamitas e EUA.

Enfim, combater o comunismo, ainda que em terras longínquas, equivale a tratar um câncer ainda nos estágios iniciais, aos primeiros sintomas: mais vale prevenir do que remediar, pois com esta ideologia que ceifou tantos milhões de vida não se brinca nem quando ela ainda está em outro hemisfério – o que dirá quando ela, em pleno ano de 2017, ainda viceja no mesmo continente do país notório pela liberdade. Não faz sentido mesmo: que Trump mostre para Raul Castro que não esta de pilhéria. E se o comitê do Nobel da Paz não reconhecer a importância de seu ato, whatever: nós o faremos.

Em Tempo: é de se indagar como seria a vida em uma eventual Cuba capitalista – e como ela seria retratada para o mundo. Nos moldes atuais, ela nos serve de eterno alerta de quão terrível é a vida sem liberdade, e de que não vale a pena, pois, investir em utopias igualitaristas – muito embora alguns “historiadores” prefiram distorcer fatos e criar narrativas fraudulentas. Após a queda do comunismo, porém, como seria mostrada esta nova Cuba, pelas lentes calibradas ideologicamente à esquerda da imensa maioria de jornalistas, documentaristas, fotógrafos e escritores? Assunto para o próximo artigo.

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Travesti de 8 (sim, oito) anos de idade encanta os “progressistas”

Torci para que fosse notícia falsa. Para que alguém tivesse produzido montagens, inventado nomes e fabricado uma grande piada – sem graça, diga-se. Mas não é o caso, a julgar pela quantidade de websites que deram publicidade e detalharam o episódio. É sério mesmo: uma criança de oito anos (que começou a “carreira” com 7) é a mais nova drag queen do Canadá.

Lactacia

Como anuncia com entusiasmo o subtítulo da matéria, Lactitia “tem o veneno de uma pessoa com quatro vezes a sua idade”. Ato falho do repórter ávido por aparentar ser adepto da “diversidade”: é lógico que não se espera tal comportamento de uma pessoa em tão tenra idade. Deixou escapar e nem se deu conta, filho?

Entrevistada em Montreal como uma estrela local, a criança revela o elemento crucial que a fez parar ali naquela situação: seus pais a apoiaram muito em “sua escolha”. Basta seguir lendo, todavia, para perceber que sua mãe foi muito além de encorajá-la a seguir por este caminho “alternativo”: ela matriculou o filho em aulas de voguing (bons tempos aqueles em que as opções mais usuais eram o Karatê e o Judô) e costuma maquiá-lo, regularmente, como se uma mulher (adulta) fosse. Certamente foi bem mais, portanto, do que meramente tolerância com alguma tendência natural observada ou um inocente empurrãozinho: o menino foi criado para ser menina; simples assim.

“Se você quer ser uma drag queen e seus pais não deixam, você precisa de novos pais”. Eis aí, nas palavras da própria vítima de sexualização precoce, o real perigo que se esconde por trás da atitude tão moderninha: a desestabilização do núcleo familiar, o qual sempre representou um dos maiores focos de resistência ao avanço do Estado sobre os indivíduos.

Conflitos familiares são tudo que um governo com pretensões totalitárias precisa para produzir, em massa e em número sempre crescente, cidadãos necessitados do aparato e do assistencialismo estatal. Uma vez apartados de seu grupo de referência, só resta pedir asilo, justamente, àqueles que promovem medidas paternalistas, como cotas em concursos públicos para transexuais, por exemplo.

JT

Há pouco tempo, ganhou repercussão também o caso em que um menino da mesma idade do canadense foi levado pela mãe, na Flórida, até um maquiador para que este “realizasse a vontade do filho” de ganhar a aparência de um drag queen. Em ambos os episódios, caberia simplesmente fazer o que recomendam pesquisas médicas sérias (leia-se: não comprometidas com agendas ideológicas e políticas): nada!

Estudos da Universidade de Vanderbilt e da Portman Clinic, de Londres, observaram algumas crianças que haviam demonstrado comportamentos transexuais – transtorno que não costuma afetar mais do que 0,3% da população mundial. Ao longo do tempo, 80% dessas crianças deixaram espontaneamente esses comportamentos. Ou seja, sem serem submetidas a tratamento de espécie alguma, passaram a agir como meninos e meninas normalmente agem.

Seria bem menos traumático, pois, se os pais “prafrentex” de Lactitia tivessem simplesmente seguido naturalmente com a educação do menino, sem introduzi-lo antes mesmo da adolescência no mundo LGBT. Haveria alta probabilidade de que, em pouco tempo, ele esquecesse a mania de andar de salto alto e de passar batom. Mas agora que eles o fizeram ficar famoso desfilando dentro de uma casa noturna (e ainda permitindo que o material fosse veiculado na Internet), tudo vai ficar mais difícil caso ele queira, um dia, voltar atrás em “sua decisão” (que foi de seus pais, na verdade).

Ele, por enquanto, acha que é tudo muito divertido. Mas e quando crescer e se der conta de que foi usado como instrumento de “lacre” de seus genitores, como brinquedinho de uma mãe que cansou de maquiar suas bonecas, como meio de serem chamados de “lovely parents” (pais adoráveis), como ferramenta para jogarem na cara da “sociedade careta” que são mente aberta, como forma de ficarem famosos e aparecerem sem precisar pendurar uma melancia no pescoço? Certamente será motivo de muita revolta por parte deste ser humano que está sendo tratado como peça de publicidade “vanguardista”.

Aliás, o jornal Gazeta do Povo (só podia ser ele mesmo, o único bastião conservador da mídia nacional) deu destaque a um documentário no qual vários ex-transgêneros relatam seus desoladores arrependimentos – especialmente em relação a cirurgias de troca de sexo e uso de medicamentos para frear a puberdade.

Mas esta desordem entre corpo e mente (quando acomete de fato um indivíduo, e não quando se trata apenas de capricho doentio dos pais ou fruto de exposição prematura a conteúdo sexual – especialmente nas escolas e na mídia com suas pautas de ideologia de gênero) deve ser considerada um problema a ser sanado, via terapêutica ou medicamentosa? Ora, esta é uma pergunta que somente a própria pessoa pode responder: se tal disfunção representa-lhe um obstáculo à felicidade, sim; caso contrário, não.

Tal qual, por exemplo, uma pessoa que não apenas não sente medo algum de altura (sentimento que seria considerado “normal”, até mesmo pela questão do instinto de sobrevivência), mas também sente prazer por estar em lugares muito altos, e inclusive curte saltar lá de cima. Indaga-se:  isto é um problema? Pode até ser, mas quem deve julgar é a própria pessoa afetada.

Nem por isso, entretanto, devemos nos apressar a levar nossos filhos de cinco anos para saltar de paraquedas para que eles experimentem a sensação extemporaneamente – ainda que, eventualmente, eles peçam insistentemente. Ninguém deixaria de achar insano um pai fazer isso (especialmente se a iniciativa for exclusivamente sua), e o caso em epígrafe não é nem um pouco diferente.

Deixe esta criança virar um adulto, formar seu cérebro por completo e constituir seu caráter, e então ela decide o que faz com sua vida e sua liberdade, bem como assume as consequências de seus atos e escolhas.

Não que os grupos barulhentos de sempre pretendam facilitar está tarefa, obviamente. Tal qual no 3° filme da saga X-MEN, quando uma cura para a mutação é criada, os mutantes reagem de três formas distintas: há os que não querem a cura (estamos bem assim, obrigado); há os que querem a cura (obrigado, eu estava precisando disso); e há os que querem impedir este segundo grupo de usar a cura (como vocês ousam querer sair desta condição?). Vida e arte imitam-se mutuamente: você tem liberdade para viver do jeito que quiser, desde que esse jeito coincida com os ditames impostos pelo terceiro grupo.

Urge que tal mentalidade que considera “bacana” tais intervenções que prejudicam o amadurecimento das crianças de forma quase irreversível seja revista. caso contrário, passarão a ser aceitas interferências cada vez mais precoces no desenvolvimento sexual dos indivíduos (tal qual a filha de Brad Pitt, que, segundo consta, desde os três anos seria transexual).

Até o ponto, então, em que começarão os “mais atentos” a perceberem trejeitos estes ou aqueles até mesmo em bebês na barriga das mães durante o ultrassom – o que levaria esta turma que odeia a “moral burguesa” a um conflito de cortar os pulsos: neste caso, um aborto seria direito natural da mulher, ou transfobia???

Em busca da resolução de problemas como este, convém reverberar as palavras de Olavo de Carvalho no livro O Jardim das Aflições, segundo quem   deve ser dada preferência à ação recriminatória dos próprios membros da sociedade sobre a atuação do Estado.

A expansão do olhar fiscalizador do Estado (e da intelligentzia) para dentro da esfera privada tem como uma de suas mais graves consequências a redução da diferença entre o moral e o jurídico — diferença que, resguardando da intromissão oficial áreas vitais do comportamento humano, sempre foi uma das garantias básicas da liberdade civil. Até umas décadas atrás, o pai de família que estendesse as asinhas para cima de sua doméstica atrairia sobre si a desaprovação da esposa, dos filhos, dos vizinhos, da paróquia — um castigo moral infligido espontaneamente pela comunidade; e este castigo, sendo proporcional à falta cometida, era mais do que suficiente para fazer justiça. Quando ao castigo moral se soma porém a sanção penal e administrativa, o caso passou da esfera ética para a jurídica — e o Estado, a pretexto de proteger domésticas ofendidas, na verdade o que faz é usurpar uma das funções básicas da comunidade, que é a de fiscalizar a conduta moral de seus membros.

Mas será que a conduta dos pais de Lactitia não é criminosa no caso em análise, caracterizando abuso e corrupção de menores, e não faria jus, portanto, a que o Estado usasse seu poder coercitivo para impedir tal ultraje e punir os perpetradores – especialmente diante da omissão dos demais cidadãos e/ou da impossibilidade de criticar tais atos sem ser alvo da patrulha politicamente correta?

E o que fazer quando o próprio Ministério Público estiver repleto de “progressistas”? E o que fazer quando tal cenário desalentador já for uma realidade, como em boa parte do Ocidente, incluindo o Brasil?

DQ

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Quem defender Temer sonhando com a recuperação econômica pode acordar com Keynes

TK

As reações que se seguiram ao bizarro julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, em sua maioria, revelaram indignação ante à omissão dos magistrados em seu dever de zelar pela correção do processo eleitoral, a tal ponto de se questionar a própria validade da existência do referido tribunal.

Uma determinada parcela de brasileiros, todavia, enveredou suas opiniões em sentido diverso, dando conta de que, mesmo diante das fartas evidências de que recursos captados junto ao BNDES alimentaram (via empreiteiras envolvidas no Petrolão) a campanha da coligação PT/PMDB em 2014, seria salutar indeferir as AIME e AIJE propostas, em nome, sobretudo, da preservação da ainda incipiente recuperação econômica do país.

DT

Pois é. A melhora dos índices econômicos, ainda que tímida, já se fazia notar e sentir, de fato, após menos de um ano de troca de comando no Planalto. Mesmo que o prometido ajuste fiscal ainda não tivesse sido implementado (com o resultado das contas federais apenas suavizando o rombo herdado do governo anterior), a mera expectativa de políticas mais austeras já animava o setor produtivo, uma vez que o cenário alimentava a esperança de que aumentos de tributos seriam desnecessários no futuro.

Neste sentido, a limitação dos gatos da União aprovada no Congresso Nacional nos estertores de 2016 e a (outrora) iminente reforma da Previdência (ainda que por meio de uma proposta que mantém o insustentável esquema Ponzi) geravam algum alento para empreendedores que teimam em investir no Brasil.

Natural, nesta conjuntura, que indivíduos preocupados com a degradação das expectativas ante (mais uma) troca de chefia de Executivo posicionem-se contra a destituição de Michel Temer neste momento – muito embora seja questionável tal “vista grossa” em nome de uma suposta estabilidade governamental, e que assemelha-se, em boa parte, ao clássico “rouba mas faz” atribuído costumeiramente a Paulo Maluf.

Só que a coisa não é tão simples quanto parece. Se antes dos irmãos Batista fazerem da política nacional um verdadeiro matadouro havia motivos para crer que o vice de Dilma poderia conduzir o processo de restabelecimento financeiro do país, agora restam poucas dúvidas de que sua capacidade de governar tenha sido abalada a tal ponto que a ressurreição  do setor produtivo será a última de suas preocupações.

O maior trunfo de Temer tão logo foi empossado no cargo era o amplo apoio no Parlamento angariado na esteira do longo procedimento de afastamento de sua ex-parceira de coligação eleitoral. Visando obter os 342 votos na Câmara e 54 no Senado necessários para emplacar sua ascensão à Presidência da República, ele acabou por lograr uma base de apoio de proporções animadoras, suficiente para legitimar qualquer projeto de lei por ele encaminhado.

Some-se isso ao fato de que ele, por não apresentar aspirações pela reeleição, podia dar-se ao luxo de encampar reformas estruturantes “impopulares” (por serem incompreendidas pelo grosso da população, tal qual as alterações na CLT), aliado, ainda, à ideologia peemedebista tipicamente camaleônica (a qual se adapta ao momento visando manter seu status), e temos que, diante da recessão que assola o país desde 2014, tudo levava a crer que o governo Temer estaria apto a dar a arrancada rumo à saída do atoleiro em que o lulopetismo nos meteu.

E tudo começou relativamente bem. Inflação e taxa básica de juros em franco declive, modestos sinais de retomada das contratações, previsões de PIB para 2017 mais acalentadoras, revisão vital nos benefícios estatais (como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e bolsa-família), dólar em queda, designação de diretores para BNDES e Petrobrás visando a condução mais responsável destas instituições (já que suas extinção e privatização, respectivamente, ainda não estão na pauta do dia), enfim: mesmo em meio às inúmeras concessões feitas à extrema-esquerda, ainda estava valendo bastante a pena aturar o vice de Dilma como mandatário máximo da administração pública.

Isso até 17/05/2017. Desta data em diante, a coisa mudou de figura, e a preocupação com a recuperação econômica deu lugar ao mais puro e simples instinto de sobrevivência dos palacianos. Pior: no afã de manterem-se agarrados aos postos (e ao foro privilegiado), uma guinada “desenvolvimentista” se avizinha.

Sim, exato: após a jornada exitosa no TSE, o próximo desafio do governo Temer é escapar da denúncia que nos próximos dias será apresentada pela PGR ao STF. Para que o Presidente possa responder pelos crimes apontados pelo Ministério Público (sendo afastado de suas funções, para tanto, por até seis meses), é necessário que a Casa Baixa referende com 2/3 de seus membros tal possibilidade. Será fundamental, portanto, que ao menos 172 Deputados votem contra, abstenham-se ou ausentem-se da sessão que tomará tal decisão.

E adivinhem como o governo atual, nesta situação, tentará salvar sua pele? Ora, da mesma forma que tentou Dilma Rousseff: “comprando” apoio junto aos parlamentares e à sociedade como um todo. E isto significa um sonoro adeus à austeridade fiscal.

Já foi noticiado que  Michel Temer pretende dar a “áreas específicas” da economia estímulos econômicos diversos, objetivando, em tese, dar um “empurrãozinho” na produção e no comércio – tal qual John Maynard Keynes o aconselharia, por certo.  Em outras palavras: destinar dinheiro dos pagadores de impostos a empresários amigos do Rei, escolhendo quem vai ficar rico e causando desordem no processo de trocas voluntárias. Ou seja, mais do mesmo do veneno que nos trouxe ao caos presente, indo na contramão da linha defendida (a maior parte do tempo) por Henrique Meirelles e sua equipe até aqui.

A pretexto de recuperar (momentaneamente) a renda média do brasileiro, o respaldo político é, quase literalmente, comprado – ao preço de comprometer seriamente nosso futuro. Após tanto desgaste junto à opinião pública, conseguir adesão para aprovar qualquer reforma estruturante, a partir de agora, exigirá novas rodadas de “toma lá, dá cá” junto a congressistas e seus patrocinadores (os mesmos capitalistas de compadrio de sempre), além de consentir com alterações nas redações originais (a fim de agradar as bancadas que eventualmente tenham lhe poupado o couro) que  desfigurarão por completo estas propostas – e os benefícios delas advindos vão para o ralo (que o diga o esperado veto à derrubada do imposto sindical).

Até mesmo o “acordo do clima” de Paris, solenemente (e corretamente) ignorado por Donald Trump, foi referendado pelo governo brasileiro, em mais um exemplo de como este “pedágio ideológico” precisará ser pago regularmente como forma de acalmar a mídia e os movimentos barulhentos – comprometendo gravemente, neste caso concreto, a competitividade da indústria brasileira frente ao mercado internacional, gerando uma alta fatura a ser paga pelas próximas gerações de brasileiros.

Trocando em miúdos: quem defende a manutenção do atual governo no poder precisa encontrar outra justificativa que não seja a restauração dos índices econômicos, porque esta, infelizmente, ainda vai ter que esperar outro bonde passar – o próximo está previsto para 2018.

De qualquer forma, ressalte-se que Michel Temer só pode ser desalojado do cargo seguindo estritamente o que dispõe a lei. Se à presidenta deposta foram concedidas todas as oportunidades de contraditório em relação aos crimes de responsabilidade de que foi acusada, a seu substituto também não pode ser negado o devido processo legal. Ou isso, ou resignemo-nos com sua permanência até o final de seu mandato tampão. Paciência.

Resistir às tentações revolucionárias, pois, neste momento insólito de nossa história, é dever cívico dos mais relevantes. Nunca deram o poder absoluto a quem não prometia trocar o presente por completo, nem nunca houve totalitarismo sem um povo revoltado com “tudo que está aí” (créditos a Flávio Morgenstern). Se Keynes gostava de repetir que “há longo prazo, todos estaremos mortos”, façamos votos de que nossa claudicante democracia siga respirando em meio a tanto desarranjo institucional e social, ainda que por aparelhos.

Chama a atenção, aliás, que algo bastante curioso pode vir a desenrolar-se na casa legislativa dos representantes do povo muito em breve: caso Rodrigo Janot apresente, de fato, denúncia contra Michel Temer por crimes comuns cometidos no exercício do cargo, os partidos de extrema-esquerda poderão demonstrar se querem mesmo a queda do Presidente ou apenas almejam sustentar este discurso oposicionista até o próximo pleito, e dele colher dividendos eleitorais. A conferir…

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