Já passou da hora de cobrar do Facebook o cumprimento dos contratos firmados

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Já é pública e notória a incoerência do Facebook  quando da avaliação de postagens que supostamente transgrediriam seus “padrões da comunidade”. Perfis que transmitem, de um lado, mensagens extremamente ofensivas, passam incólumes pelo filtro da equipe responsável por apurar denúncias de violação dos termos de uso; de outro, usuários que simplesmente propõe o debate de determinados temas tidos como “sensíveis” são suspensos ou tem suas contas bloqueadas em definitivo.

Como exemplo, há páginas que pregam a morte de judeus que são mantidas no ar porque, segundo declarado pela própria rede social de Zuckerberg, tal comportamento “não infringe as normas da companhia”. Um caso que chamou a atenção recentemente foi a suspensão do escritor Alexandre Borges, da Gazeta do Povo, pelo período de uma semana, em decorrência do seguinte post, alusivo à celeuma envolvendo a exposição queer museum:

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Sobre o caso em tela, o analista político Leandro Ruschel comentou:

Esse foi o post que gerou o bloqueio de Alexandre Borges. Da mesma forma que ocorreu comigo, tal texto não fere os termos de uso do Foicebook. Até hoje estou esperando a resposta da empresa explicando por qual motivo o meu texto foi retirado do ar. Pior do que isso, um seguidor aqui da página que trabalha numa empresa terceirizada do Facebook responsável por moderação afirmou que o meu texto não poderia ter sido censurado. Ou seja, foi um ato arbitrário motivado ideologicamente. 

Pois bem: resta claro que há um tipo de opinião que vem sendo sistematicamente considerado “incorreto” pela patrulha do Facebook. A “régua” utilizada para decidir o que é ou não apropriado está claramente (des)calibrada para uma determinada direção.

Uma simples análise do teor da vasta maioria das mensagens consideradas inadequadas induz a concluir que o errado mesmo, para os vigilantes das publicações, é não reverberar os pontos de vista emanados pelas veículos de comunicação de massa – estes totalmente dominados pela mentalidade anticapitalista, anticristã e pela crítica aos valores que alicerçaram o desenvolvimento do Ocidente.

Por se tratar o Facebook de uma empresa privada, não deveria haver, a princípio, óbice a tal procedimento, visto que os insatisfeitos, em tese, podem simplesmente deixar de usar seus produtos e, quiçá, a partir de sua demanda formada por milhões de insatisfeitos, dar origem a novos serviços voltados a atender seus anseios – e quanto mais liberdade econômica houver no contexto considerado, mais provável que tal rearranjo entre mercado e consumidores aconteça.

O problema, na verdade, reside em outro ponto: uma leitura preliminar do regulamento do Facebook não permite constatar a verdadeira (e inegável) política da empresa. Há somente expressões genéricas, que não possibilitam reconhecer quais são os parâmetros empregados para determinar o que é ofensivo ou não.

Na seção de “discurso de ódio”, por exemplo, a companhia declara que “organizações e pessoas dedicadas a promover o ódio contra grupos protegidos não têm a presença permitida no Facebook” – sem mencionar que grupos seriam esses. Suas ações deixam claro, todavia, que se trata dos estratos sociais tidos como “minorias oprimidas” pelo estamento midiático, mas não há nenhuma menção expressa a tal fato. Dependendo do conteúdo da manifestação, portanto, ela pode virar “ódio do bem” ou ser defenestrada a título de preservar o ambiente saudável das interações.

No mesmo sentido, a empresa roga aos usuários que “avisem o público sobre o que estão prestes a ver, caso o conteúdo inclua violência gráfica” – sem definir o que viria a ser tal conceito abstrato, mas que, pela experiência prática, sabemos bem do que se trata: imagens que contradigam os paradigmas ocultos (mas nem tanto) serão censuradas; as demais serão consideradas tão somente liberdade de expressão ou mesmo manifestação artística.

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Ora, se aqueles que utilizam a referida plataforma digital precisam aderir aos termos de uso compulsoriamente (e voluntariamente), faz-se necessário que as regras sejam claras, ainda que sejam de honestidade questionável. Ou isso, ou o cumprimento do contrato firmado entre as partes torna-se impossível, gerando insegurança jurídica e prejuízos inesperados àqueles atingidos pelo censor – o qual sequer presta-se a fornecer informações mais detalhadas a respeito de suas decisões (o que corrobora com a hipótese de escamoteamento intencional dos reais ideiais do empreendimento).

O cenário até aqui descrito caracteriza uma fraude contratual, um típico desrespeito à propriedade privada.

Se um posto de revenda de combustíveis alega estar vendendo um litro de gasolina quando, a partir de uma bomba adulterada, fornece apenas 800 ml do produto, cabe à parte lesada ser indenizada pelo descumprimento do acordo tácito selado entre comprador e fornecedor –  eu te dou três reais, você abastece meu carro com 1000 ml de combustível.

Da mesma forma, usuários do Facebook celebram um pacto com Mark Zuckerberg quando resolvem fazer uso de sua rede social: você me fornece o instrumento para atingir meu público-alvo com minhas ideias e informações, e eu contribuo atraindo audiência que irá turbinar os ganhos da empresa (e que ganhos) com publicidade.

As cláusulas conforme as quais se dará esta troca voluntária podem ser acordadas entre as partes livremente, e quanto mais explícitas forem, mais fácil ficará de resolver futuros conflitos oriundos de alegações de descumprimento contratual.

Friedrich Hayek, ícone da Escola Austríaca de Economia, sustentava que a ordem espontânea do livre mercado seria a melhor forma de organizar a complexa economia moderna, mas afirmava que o Estado deveria agir para manter o funcionamento espontâneo deste mercado, defendendo a propriedade privada e o cumprimento dos contratos realizados.

Eis porque acredito que já passou da hora de o Facebook receber uma chuva de ações judiciais pelos prejudicados por sua política de legitimidade duvidosa, requerendo tanto o ressarcimento por danos materiais gerados (inclusive lucros cessantes), quanto que a empresa passe a dizer, com todas as letras, sem fazer uso de eufemismos e outros subterfúgios, qual são os seus critérios para definir “discurso de ódio” ou “violência gráfica” – e passe a segui-los fielmente, bem como informe seus parceiros sobre quaisquer eventuais alterações.

A tarefa não é das mais simples para os brasileiros e demais cidadãos não-americanos, uma vez que o foro eleito pelas partes (naquele momento em que simplesmente sai clicando e confirmando que aceita tudo que lhe perguntam na hora de criar seu perfil) é internacional. O capítulo que trata de eventuais disputas legais diz que:

“Você resolverá qualquer reivindicação, causa de ação ou disputa (reivindicação) decorrente de ou relacionada exclusivamente à esta Declaração ou ao Facebook no tribunal distrital americano, para o distrito do norte da Califórnia, ou um tribunal estadual localizado no condado de San Mateo, e você concorda em submeter-se à jurisdição pessoal de tais tribunais com o propósito de pleitear todas essas reivindicações. As leis do estado da Califórnia regem esta Declaração, bem como as alegações que surjam entre você e nós, independentemente de conflitos nas disposições legais.”

Conhecendo a forte influência do “progressismo” no golden state, é de se prever que convencer um magistrado dos argumentos aqui elencados será bastante difícil, mas nada que um bom escritório de Direito Internacional, representando inúmeros litigantes conjuntamente, não possa ao menos tentar – nem que seja para chamar atenção para a fraude contratual em comento.

Ademais, há uma linha jurisprudencial segundo a qual qualquer lesado pelas restrições do Facebook poderia entrar na justiça aqui no Brasil, inclusive por meio do juizado especial (de graça). A cláusula de eleição de foro na Califórnia, segundo estes juristas, seria abusiva.

As redes sociais consistem na última trilha que ainda permite contornar o aparelhamento da imprensa tradicional e estabelecer canais de comunicação entre pessoas comuns e produtores independentes. Todas elas, todavia, vem apresentando, em maior ou menor grau, problemas como os relatados pelos usuários do Facebook. O Youtube estaria desmonetizando vídeos de seu desagrado; o Twitter deletando contas sem aviso prévio; o Google escondendo websites quando da realização de pesquisas.

E todas estas atitudes precisam ser questionadas junto ao Judiciário. Ou isso, ou o Vale do Silício seguirá tranquilamente sua sanha de calar vozes dissonantes ao discurso hegemônico do jornalismo tradicional.

Que fique claro: Se Zuckerberg viesse amanhã a público e admitisse que sua rede social privilegia perfis e publicações de esquerda, sem problema: a empresa é dele e dos demais acionistas, e eles fazem o que bem entenderem. Só que eles JAMAIS demonstrarão tal sinceridade, pelo simples motivo de que, no mesmo dia, TODOS os usuários conservadores e liberais sairiam da rede, e juntos formariam uma demanda tão grande por outro serviço do gênero que fariam surgir uma concorrência que o Facebook não enfrenta há anos.

Além disso, este suposto surto de honestidade ainda custaria ao Facebook ver o preço de suas ações despencar, pois todos os seus investidores de Direita (ou boa parte deles) venderiam suas participações na empresa imediatamente.

Por isso ele precisa manter a pose de “isentão”, exatamente como faz a mídia tradicional. E é esta máscara de isonomia conveniente que precisa ser derrubada, sendo as ações judiciais um caminho possível.

Se, “por acaso”, estas remoções de postagens e suspensões de usuários estiverem relacionadas a gritarias virtuais organizadas simultaneamente, que o Facebook assuma que suas regras de nada valem, e que prevalece a vontade de quem grita mais alto. Se assim for, ao menos podemos tentar revidar na mesma moeda – tal qual ocorreu em um episódio envolvendo um certo banco semana passada…

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Senador do PSDB quer socialismo até na hora de pagar a academia

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Projeto de Lei do Senado nº 30/2016, de autoria do senador Eduardo Amorim (PSDB–SE), veda a cobrança de taxas extras em academias de ginástica para alunos que optarem pelo acompanhamento de professor particular (personal trainer), integrante ou não do quadro de empregados do estabelecimento.

O senador ressalta que, em outros casos, essas cobranças são feitas diretamente ao profissional de educação física. Na avaliação dele, os valores adicionais não se justificam, já que o professor particular apenas supervisiona o treino do aluno, sem utilizar os aparelhos da academia.

Então vejamos: algumas pessoas que frequentam estabelecimentos voltados ao condicionamento físico preferem ser acompanhadas por um treinador exclusivo durante a prática dos exercícios. Em alguns casos, elas contratam personal trainers da própria academia. Outras preferem contar com profissionais autônomos de sua confiança, desvinculados da empresa prestadora de serviços.

O fato é que, de uma forma ou de outra, os usuários que optam pela assistência personalizada costumam ser submetidos a mais duas cobranças – além da mensalidade a que todos estão sujeitos: a remuneração do personal e uma taxa extra cobrada pela academia.

O projeto de lei em questão pretende tornar ilegal esta taxa suplementar, sob o argumento de que os personal trainers orientam os alunos sem fazer uso dos equipamentos da academia – o que tornaria indevida a cobrança.

Eis porque os legisladores não devem interferir nas trocas voluntárias, realizadas sem coerção ou fraude: o conhecimento está disperso entre os agentes de cada setor produtivo, e não há como um burocrata, lá de seu gabinete no Planalto Central, regular a vida de indivíduos sem gerar graves distorções.

Sim, pois o maior problema dos empreendedores deste ramo é que seus estabelecimentos ficam apinhados de gente em determinados horários – aqueles em que a maior parte das pessoas consegue encaixar suas agendas de trabalho, estudo e demais compromissos.

Agora imagine se mais da metade dos usuários resolvesse levar seu próprio treinador consigo: o ambiente ficaria tão caótico que o empresário seria obrigado a reduzir o número de clientes admitidos ou a construir uma nova ala para ganhar mais espaço.

De uma maneira ou de outra, custos adicionais seriam gerados, e seria preciso elevar o preço da mensalidade para cobrí-los. Ou isso ou a insolvência seria o próximo passo.

O preço diferenciado, neste caso, ainda presta-se a transmitir uma mensagem a quem paga; é como se o dono da academia dissesse “tragam seus próprios treinadores, mas com moderação, porque o espaço é um recurso escasso”.

Só que, se o PL do senador social-democrata for convertido em lei, não será possível sobretaxar apenas aqueles indivíduos que motivaram as despesas extras do empreendedor. A solução, por certo, será distribuir este incremento na mensalidade entre todos os consumidores – inclusive aqueles que preferem malhar sem personal trainer.

E temos que o preço da academia foi socializado entre seus frequentadores!

É claro que muitos deles ficarão insatisfeitos em pagar (indiretamente) por algo que não utilizam, e procurarão outras opções de treinamento físico – reduzindo a clientela e colocando em risco a própria sobrevivência do empreendimento.

Vale a pena conferir o comentário sarcástico – mas nem tanto – de Leonardo Glass sobre o imbróglio:

Aí se aprovarem essa lei, as academias vão barrar a entrada de profissionais “independentes”. Então será feita uma nova lei, dizendo que academias não podem barrar personal trainers.

Nesse interim, um personal maroto vai colocar a academia na justiça do trabalho, alegando vínculo. Será então forjada uma NOVA LEI, regulamentando a relação entre profissionais autônomos e academias. O sindicato dos personal trainers e o Conselho de Educação Física entrarão na jogada, exigindo a regulamentação da jornada de trabalho, das condições de trabalho (Volume da música, quantidade de alunos atendidos por dia, e até o uso de EPI’s); e claro, o recolhimento da contribuição e das taxas respectivas.

Nesse interim, alguma startup fará um aplicativo de personal trainer (já existem, eu sei…) e o Governo passará então a discutir a legalidade disso e se isso configura quebra da lei. Sindicato e Conselho de classe novamente fazendo pressão pela proibição de aplicativos de personal trainers em academais. Será então sancionada uma lei disciplinando o uso destes aplicativos em academias.

A coisa chegará num ponto tão caótico que algum deputado fará uma NOVA LEI (a quarta, não perca a conta), dizendo que o aluno poderá sim usar personal trainer ou aplicativo nas academias, desde que haja acordo entre as partes (aluno e academia).

E assim o Brasil seguirá sendo o país do futuro!

É por isso que o artigo 1° de nossa Constituição Federal deveria prever em letras garrafais: “É terminantemente vedado aos governos de todas as esferas intervir em relações comerciais estabelecidas de livre vontade entre os indivíduos”. Os prejuízos gerados pela mentalidade planificadora de nossos gestores são maléficos demais para serem suportados de bom grado por todos os membros da sociedade – mesmo para aqueles que pensam que estão se dando bem em um primeiro momento. Um dia é da caça e outro do caçador; o malandro de hoje é o otário de amanhã.

Se estiver insatisfeito com sua academia, procure outra; a concorrência faz milagres. Deixe o Senado Federal e o Procon de fora disso, de preferência…

 

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Boas notícias, meu povo feio: agora somos todos pós-bonitos!

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Eleger determinados extratos sociais supostamente desfavorecidos, sob um ponto de vista qualquer; apontar certos grupos de indivíduos como detentores de privilégios e responsáveis pelo sofrimento dos primeiros; gerar, desta forma, conflito e instabilidade no seio da sociedade; oferecer-se como mediador e defensor dos fracos e oprimidos; alegar que necessita, para realizar tão nobre missão igualitarista, concentrar muito poder e recursos financeiros extraídos do setor produtivo em suas mãos; usar tais prerrogativas para criar regramentos esquizofrênicos e implantar tributações que tornam o ambiente de negócios extramente viciado – no sentido de favorecer empresários com “boas relações” e impossibilitar que a concorrência lhes ameace.

Esta tática de Divide et Impera, isto é, Dividir e Conquistar, é tão antiga quanto o império romano, mas nunca sai de moda. Há sempre o embate da vez fomentado por aqueles que veem nas massas de manobra – aquelas pessoas que se deixam levar por uma onda filosófica qualquer sem se dar ao trabalho de investigar suas origens, agindo por impulso revolucionário e alienando sua própria consciência – os instrumentos necessários à legitimação de suas odiosas pretensões disfarçadas de “progressismo”.

Nesta esteira, nos acostumamos a ver  operários sendo atiçados contra patrões, negros contra brancos, esposas contra maridos, homossexuais contra heterossexuais, dentre tantas outras dicotomias artificialmente criadas entre povo e contra-povo, como bem definiu Gloria Álvarez em sua obra sobre o populismo bolivariano.

Mas tudo tem limite: opor pessoas feias e bonitas já é apelar demais – para não dizer que é hilário, com todo respeito aos “prejudicados no quesito face”, como dizia um amigo. Bem-vindos todos a era da pós-beleza, tema deste “trabalho” de publicidade produzido por um blog do UOL:

Observem a que ponto chega o relativismo de concepções, o desprezo pela realidade material: não há mais certo ou errado, melhor ou pior, e nem mesmo bonito ou feio – a menos que a ordem para enxergar beleza em alguma coisa tenha partido de pessoas “preocupadas com a diversidade”, claro: daí pode ser o cão chupando manga que vira lindo de morrer do dia para a noite.

Os entrevistados deixam clara sua preocupação em serem “diferentes”, ou então “meio errados”, como afirma um deles. Quase todos (com exceção da linda moça “reaça”) demonstram orgulho de dizer que “não estão nem aí para os outros”, mas gastam horas e horas na frente do espelho para, justamente, deixar o seu visual o mais estranho possível. Eis aí a demonstração prática da ideia de Supervalorização da Racionalidade nas Escolhas formulada por Theodore Dalrymple:

Não causa surpresa, pois, que as pessoas concluam que um costume qualquer não deveria ser ridicularizado ou descartado em razão de sua conteúdo particular, mas simplesmente por ser um costume e, portanto, deletério – ex officio, por assim dizer. Essa conclusão seria em muito fortalecida pelo elogio contemporâneo à originalidade, ou seja, aos esforços de uma pessoa meramente para se fazer diferente – não para ser melhor em algo, mas apenas para ser diferente. Aqui, de forma muito clara, temos um preconceito contra o preconceito.

Vale dizer: o conceito de clássico resta totalmente invertido, na medida em que deixa de ser aquilo que sobreviveu ao teste do tempo e foi aprovado e transmitido adiante por muitas gerações como algo a princípio bom, para passar a ser algo que merece ser desmoralizado pelo simples fato de ter sido herdado de nossos ancestrais – ainda que tal tradição se mostre benéfica. A verdade, neste contexto, passa a ser também apenas uma questão de ponto de vista – ótimo para defensores de ideologias que não deram certo uma única mísera vez na história.

Roger Scruton, em sua obra Por que a Beleza Importa, argumenta que a beleza não é apenas uma questão de gosto puramente subjetivo, mas algo que dá sentido à vida, que nos conduz momentaneamente a planos morais e espirituais superiores:

“Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem. Depois, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, cada vez mais, concentrou-se em perturbar e em quebrar tabus morais. Não era a beleza, mas a originalidade, conseguida por qualquer meio e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.

Não apenas a arte fez um culto à feiura; a arquitetura também se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso ambiente físico que se tornou feio. Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas.  […] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida.”

Edmund Burke, em Uma Investigação Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo, assim definiu a beleza:

Chamo a beleza de uma qualidade social, porque toda vez que a contemplação das mulheres e dos homens, e não somente deles, quando a visão de outros animais nos proporciona uma sensação de alegria e de prazer (e há muitos que causam este efeito), somos tomados de sentimentos de ternura e de afeição por suas pessoas, gostamos de tê-las ao nosso lado e iniciamos de bom grado uma espécie de intimidade com elas, a menos que tenhamos fortes motivos para o contrário.

Mas tudo isso, aparentemente, virou démodé. O lance agora é chocar, é surpreender, é aplicar um susto – e olha que neste comercial do UOL eu levei alguns, viu? No episódio recente da exposição profana, pedófila, zoófila e de péssimo gosto organizada pelo Santander e bancada com dinheiro do pagador de impostos ( cuja resolução se deu sem demandar interferência estatal ou envolver episódios de violência, ensinando aos “antifascistas” como resolver as coisas feito adulto), alguns pândegos alegaram que “a arte sempre foi ofensiva”, como se artistas tivessem salvo conduto para incorrer em crimes em sua sanha de subverter a expectativa do interlocutor.

Sou bem mais a arte da minha sogra: ela não quer chocar os clientes que compram seus quadros, mas tão somente agradar suas vistas, provocar sentimentos positivos e acalmar-lhes a alma. E o resultado é de tirar o fôlego:

Mulata. 1  Princesa Mulher na janela

Menina e girassol

https://www.pinterest.com/garcezaraujo/meus-quadros/

Galo

Leitora

 

Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo: o que representa a insignificante realidade diante da premente necessidade de ter os desejos atendidos? Se você nasceu ou é feio, portanto, basta exigir que lhe reconheçam como pós-bonito, e pronto – mesmo vivendo em uma época na qual tratamentos estéticos e de condicionamento físico são acessíveis a todos como nunca foram.

No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos. Uma rápida pesquisa deixa claro o porquê desta orientação revolucionária ser tão presente no referido espaço virtual: o Universo Online faz parte do Grupo Folha, dono do jornal de mesmo nome que adora retratar policiais como bandidos, dentre outras presepadas típicas da esquerda pós-revolução cultural de 1968.

E agora? Vamos mandar queimar todas as cópias do best seller A Vida Sexual da Mulher Feia? Vamos retirar vídeos do cantor Falcão do Youtube? Que o façam, mas deixem pelo menos este aqui, como lembrança de uma época em que era sinal de bem-aventurança saber rir de si próprio:

 

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A vítima da vez: agora a língua inglesa é acusada de xenófoba

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A Física já teve seus dias de Cristo crucificado na mão da turba “progressista”. Depois foi a vez da Matemática levar uns sopapos por sua relação intrínseca com a lógica pura – e avessa, portanto, a qualquer princípio básico da esquerda. E agora, no mais novo capítulo deste esforço concentrado para retirar do currículo escolar qualquer coisa que permita aos jovens serem úteis aos demais cidadãos e tornarem-se produtivos no mercado de trabalho, o alvo está na testa do idioma anglo-saxão: organizadores de uma conferência em Boston declararam sua pretensão de fazer a língua de Shakespeare perder relevância no mundo acadêmico. O motivo? Preocupação com a ascensão de sentimentos nacionalistas e xenófobos, dizem.

Mais especificamente, a Society for Social Studies of Science (jura? achei que era o pessoal do clube de caça e tiro do Texas) estimulou os inscritos em seu encontro anual a elaborarem seus trabalhos de pesquisa em outras línguas que não o inglês. Segundo consta do comunicado, Estados Unidos e Inglaterra, grandes responsáveis por transformar o inglês em uma linguagem universal, são países que hoje adotam políticas que “enviam uma mensagem de isolamento e provincianismo, ameaçando a importância das diversidade humana”.

A piada pronta do evento: muito embora pretendam promover este tão bem intencionado (suposto) enriquecimento cultural, o comitê pede que as pesquisas entregues em outros idiomas venham acompanhadas de suas respectivas….versões em inglês! Ué?

Agora um pouco de vida real para adultos que não comem com talher de plástico: o inglês não foi imposto de cima para baixo como língua que deveria dominar o planeta, sob pena de multa e prisão dos descontentes. Foi a produção cultural, científica e industrial destes países que espalhou o idioma aos quatro ventos de forma totalmente espontânea. Músicas, filmes, obras literárias, descobertas em diversos campos de estudo, inovações tecnológicas: foram estes bens gerados, ofertados e trocados voluntariamente que levaram consigo a língua inglesa (no pacote) a todos os confins do mundo.

Se isso facilitou, dali em diante (especialmente a partir da segunda metade do século XX), a vida dos falantes nativos do inglês? Sem dúvida. Mérito deles – e sorte a nossa. O que o Esperanto fracassou miseravelmente em realizar, ingleses e americanos operacionalizaram (sem querer) como brinde para a humanidade: as fronteiras do conhecimento erguidas pelas diferenças linguísticas foram derrubadas pela comunicação universal oferecida pela língua inglesa.

Eis aí o cerne da questão: se hoje um grupo de empresários de Xangai reúne-se com sauditas para tratar de negócios, não se faz necessário nem que chineses arranhem no árabe nem que os sheiks arrisquem o mandarim; a língua inglesa presta-se a intermediar o negócio, eliminando custos na medida em que facilita o processo.

Se um turista Belga resolve visitar a Itália, o inglês pode perfeitamente proporcionar entendimento entre o turista e o povo local, dispensando a necessidade de contratar um tradutor ou de perder tempo e dinheiro antes da viagem aprendendo italiano – barateando o passeio em muito e ampliando o contato entre diferentes culturas.

Se um fugitivo dos campos de trabalhos forçados da Coréia do Norte ou da ilha de escravos dos irmãos Castro no Caribe pretende, tão logo se restabeleça dos percalços da fuga, contar sua história de sofrimento ao maior número possível de pessoas, basta publicar um livro em inglês – a partir dali, ele será rapidamente traduzido para todos os demais códigos linguísticos existentes.

Ou seja, não apenas esta adoção da língua inglesa como idioma mundial tornou diversos aspectos de nossas vidas mais eficientes e menos dispendiosos, mas também pôs todos os seres humanos para conversar. Abrir mão desta ferramenta seria, aí sim, condenar as nações e seus povos ao isolamento. Como se fala incoerência em inglês mesmo?

Nas palavras de Leonardo Glass, colaborador do Instituto Liberal:

há algumas décadas, o francês e (em menor extensão) o latim eram línguas universais, ou seja, a universalidade de uma língua não tem a ver com “pagar pau pra americano”. O crescimento do inglês como idioma universal se deve principalmente ao fato de que trata-se de uma língua mais simples de aprender e de falar do que os idiomas latinos (dentre eles o próprio francês e o latim).

O inglês é uma língua mais “primitiva” do ponto de vista da sintaxe, mas funciona muito bem para expressar ideias completas e sentimentos complexos. Não fosse assim, certamente outra língua tomaria o lugar dela.

Está mesmo difícil deste pessoal das “ciências sociais”(?) digerir o Brexit e engolir o resultado da última eleição americana. Qualquer oportunidade de bater em ingleses e americanos não pode, aparentemente, ser desperdiçada – ainda que ao preço de condenar a língua inglesa, o instrumento que permite a irmanação de cidadãos de toda a Terra, ao banimento.

Sejamos francos: aumentar o abismo intelectual entre as elites financeiras e as pessoas comuns é tudo que estes perseguidores da Física, da Matemática e do Inglês querem – enquanto as próximas iniciativas neste sentido estão sendo preparadas. Quanto mais imbeciliza-se uma população, mais fácil fica alegar que ela não reúne condições para decidir por si própria que rumos tomar, servindo como justificativa para manter poder econômico e decisório na mão de burocratas e seus apaniguados da iniciativa privada.

Os colombianos rejeitaram o famigerado “acordo de paz” com as FARC, o qual equivaleria a conceder anistia e garantir cotas no congresso nacional ao PCC? Cuánta ignorancia de este pueblo!

Os brasileiros em massa rejeitaram o desarmamento? Quanta ignorância deste povo!

Transformar o sistema previdenciário em fundos individuais? Mas o brasileiro médio é muito ignorante para poupar por si próprio.

E assim segue o ciclo: retira-se sucessivamente mais e mais importância de todas as matérias tradicionais do ensino clássico, a ponto de encher a grade curricular com aula de dança na boquinha da garrafa, oficina de lacração no Youtube, ideologia de gênero, e pronto: temos um estamento burocrático garantido e ampliado, na medida em que a mobilidade social característica do livre mercado resta deveras prejudicada pela idiotização dos indivíduos.

Até o Bolsonaro mostrou que manda bem no inglês. Fica a dica…

JB

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Milagre: filme do Netflix critica eugenia abortista e ressalta valor da família

Reunião

Faço desde já o alerta de spoiler para quem ainda não assistiu a este filme, até pelo fato de que, mesmo após a leitura desta análise, ainda valerá (e muito) a pena conferir esta raridade em meio a tantas obras cinematográficas de viés “progressista”. What Happened to Monday (Onde Está Segunda) desafia o padrão predominantemente esquerdista das produções hollywoodianas e lança um olhar crítico sobre o o dirigismo estatal justificado por catástrofes, questiona a prática do aborto e enfatiza o poder da família contra pretensões tirânicas.

Os fatos narrados nesta distopia futurística ocorrem a partir de uma forte escassez alimentícia provocada, supostamente, pelo aumento desenfreado da população mundial e pelo aquecimento global. Têm início, a partir daí, uma política governamental voltada ao controle de natalidade: cada mulher pode dar à luz apenas um filho.

Todos os irmãos dos primogênitos compartilham do mesmo destino: serem congelados por meio de processos criogênicos para que possam ser acordados somente no dia em que os problemas nutricionais na Terra tiverem sido equacionados – o Estado, naquele momento, está investindo pesadamente no desenvolvimento de formas mais avançadas de cultivo e produção de alimentos.

O diretor do filme, intencionalmente, informa aos espectadores sobre esta suposta situação caótica do clima no planeta – bem como suas consequências nefastas sobre a atividade agropecuária – e sobre o fato de que o mundo estaria superpovoado, por meio de uma propaganda estatal veiculada pela mídia tradicional.

Ou seja, conhecendo o alarmismo infundado difundido por estes meios de comunicação (aliado à conveniência deste cenário degradado para motivar maior intervenção estatal),  não há sequer como afirmar se de fato a conjuntura real seria aquela descrita pela imprensa e pelo governo.

O simples fato de que a protagonista do filme compra uma ratazana no mercado para o jantar, como se artigo de luxo fosse, não corrobora com a tese propagada, visto que na Venezuela, por exemplo, o povo também está comendo ratos para não morrer de fome, e a culpa não é do aquecimento global ou da superpopulação.

O fato é que, uma vez convencida a opinião pública de que o mundo está desmoronando (tarefa que, na vida real, é empreendida incansavelmente), entra em ação a teoria malthusiana para justificar a criação do CAB (Child Allocation Bureau, ou simplesmente centro de alocação de crianças), órgão estatal que fiscaliza a vida de cada cidadão – inclusive fazendo uso de sistemas eletrônicos subcutâneos – a fim de impor a restrição de nascimentos por mulher.

Algo semelhante, portanto, à política de filho único adotada por Mao Tse-tung, a qual, após décadas de trágicos resultados, precisou ser aliviada por motivos econômicos: a taxa de fertilidade na China estava abaixo do nível de substituição (1,17) em 2013, prestes a gerar uma crise de mão de obra em idade laboral – eis o que Malthus não previu: uma maior quantidade de pessoas possibilita divisão e especialização do trabalho, dando origem a novos métodos mais eficientes de produção (inclusive de alimentos).

A dor de cabeça destes burocratas começa efetivamente quando Karen Settman engravida de sétuplos (todas meninas) e morre durante o parto. O avô das recém nascidas, então, resolve dar um jeito de enganar o governo: dá o nome de um dia da semana para cada uma delas, determina que cada qual só pode sair de casa naquele dia específico, e então elas devem assumir uma única identidade, escapando ilesas de serem capturadas.

E aí entra em cena a capacidade destas sete mulheres, trabalhando em equipe, derrotarem as pretensões estatais. Ela frequentam o colégio, graduam-se, atingem a idade adulta e conseguem destaque no banco onde trabalham, tudo em função da união de suas habilidades em prol de um objetivo comum: sobreviver. Sexta-feira é a mais inteligente, Quinta-feira a mais corajosa, Sábado é a mais sociável, Quarta-feira pratica artes marciais e defesa pessoal, e assim por diante.

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Daí fica fácil entender porque regimes totalitários sempre buscam esfacelar os núcleos familiares: a cooperação mútua que os caracteriza é deveras nociva para a pretensão de dominação de cada aspecto da existência dos indivíduos. Orlando Figes, no livro Sussurros: A Vida Privada na Rússia de Stálin, revela:

“A família era o primeiro campo de batalha dos bolcheviques. Nos anos 1920, eles tinham por artigo de fé que a ‘família burguesa’ era socialmente danosa: auto-centrada e conservadora, era vista como um reduto de religião, superstição, ignorância e preconceito; estimularia o egoísmo e o consumismo, oprimindo mulheres e crianças. Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse à medida que a Rússia soviética se tornasse um sistema socialista pleno, no qual o Estado assumiria a responsabilidade por todas as funções domésticas básicas, fornecendo berçários, lavanderias e refeitórios em centros públicos e blocos de apartamentos.”

Não por acaso, a dramaturgia dos dias atuais, quando retrata conflitos familiares (a cada cinco minutos, no caso), privilegia cenas de adolescentes sendo desrespeitosos para com seus pais, e de pais humilhando-se perante seus filhos. Quanto mais instabilidade for gerada, melhor: menos provável que os membros desta família fortaleçam seus laços afetivos e reúnam, assim, condições para opor-se ao Estado (e à elite financeira que com ele anda de braço dado) ou mesmo possa abrir mão de seu auxílio.

Não que arranjos familiares sejam perfeitos e livres de desavenças. Como dizia o refrão do seriado A Grande Família, parentes “brigam por qualquer razão mas acabam pedindo perdão”. No filme em questão, é justamente uma traição da “ovelha negra” das sete gêmeas que revela seu segredo.

Sexta

Eis que Nicolette Cayman, espécie de ministra responsável pelo controle populacional, ao tomar ciência do caso, resolve assassinar as irmãs, pois sabe que, caso venha a público a informação de que as Settman sobreviveram por tanto tempo valendo-se deste expediente, restará desmoralizada a própria política do filho único.

Claro que as irmãs não deixam barato e partem para o enfrentamento. Em sua luta pela sobrevivência, acabam por deparar-se com a revelação mais chocante do filme: as crianças que, segundo alegava o governo, seriam adormecidas por tempo indeterminado, eram, em verdade, incineradas em escala industrial.

Ou seja, o “Centro de alocação de crianças” é, na realidade, uma gigantesca clínica de eugenia (especificamente dos mais pobres, de onde vem a maioria dos irmãos capturados), aos moldes daquelas mantidas (inclusive com dinheiro público) pela Planned Parenthood nos USA – especialmente nos bairros habitados predominantemente por negros de baixa renda.

A instituição criada por Margaret Sanger e apoiada por Hillary Clinton, afinal, pretende conseguir aprovação no congresso para realizar “abortos pós-nascimento”. Pergunta: qual será a diferença entre tais procedimentos e as cremações executadas no filme?

Todos partilhavam da sensação de que vidas inocentes não eram ceifadas no processo – apenas seriam suspensas para renascerem em um momento mais adequado. É ou não é a típica ilusão coletiva que fomenta políticas abortistas?

Aliás, a citada antagonista do enredo repete, em sua defesa, um mantra adotado frequentemente por adeptos do aborto: “As crianças não sofreram” (elas eram sedadas antes de serem reduzidas a cinzas). Convenhamos: quem defende o aborto com base neste argumento (de que o “feto” não sofre) precisa concordar com ela e absolvê-la, não? Tudo em nome de “uma sociedade perfeita”, como aquela almejada na Islândia.

Nicolette Cayman, em verdade, fazia-se notar como uma pessoa supostamente interessada no bem da humanidade (inclusive acusando de “egoísmo” quem se atrevia a ter mais de um filho), enquanto articulava, nos bastidores, sua ascensão ao cargo de primeira-ministra. Qualquer semelhança com os políticos que ditam nossos rumos não é mera coincidência.

Ao ser detida por seus crimes e ver sua lei eugenista revogada, ela dirige ao público a questão que mais revela sobre seu caráter (e dos gestores públicos em geral): “Quem vai tomar as decisões difíceis por vocês?”. Ou seja, não interessa a vontade popular (especialmente se ela contrariar os desejos da elite financeira e governamental); os tecnocratas e intelectuais ungidos é que sabem o que é melhor para o povo ignorante – e para ampliar este entendimento, nada melhor do que imbecilizar as pessoas cada vez mais.

Cayman

Faço aqui previsões das mais fáceis e manjadas: esta obra cinematográfica jamais será premiada, na medida em que é puro “gramscismo às avessas” – ou seja, introduz de forma velada conceitos que são a antítese da mentalidade dominante hoje nas universidades e no jornalismo. Receberá duras críticas a quaisquer defeitos de produção. E irá demorar muito até que o diretor Tommy Wirkola limpe sua barra com o politicamente correto…

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Por que os alunos de colégios militares apresentam melhor rendimento escolar?

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Ganhou destaque nas mesas de debate artigo veiculado pela Folha de São Paulo semana passada, no qual o jornal informa que “Bolsonaro quer militarizar ensino no país e pôr general no MEC”. A matéria pormenoriza as normas de conduta que vigoram em colégios militares como se estivesse descrevendo o inferno de Dante, ao mesmo tempo em que admite o inegável: os índices de aprovação tendem a disparar nestas escolas, cujos alunos costumam figurar entre os primeiros colocados do Enem.

Entrevistado pelo periódico, Renato Janine Ribeiro, que foi ministro da Educação do governo Dilma por seis meses em 2015, afirma que “é um erro, numa sociedade democrática, tentar colocar a formação militar, hierárquica e obediente, ideal para todos os jovens, inquietos por natureza”; seriam eles, afinal, “o futuro de um país que sempre cultivou uma autoimagem de uma coisa mais alegre, mais solta nos costumes”.

Pois vejam vocês: não é que o proeminente professor universitário passou raspando na X da questão e sequer deu-se conta?

São tão somente dois fatores que elevam o desempenho dos alunos de colégios militares (mantidos pelo Exército Brasileiro ou pela Polícia Militar) acima da média do restante da rede de educação pública  – fatores estes que já se fizeram presentes em todas as escolas brasileiras no passado recente, e hoje estão em absoluta falta nas salas de aula:

1) Os estudantes respeitam os professores, e são punidos em caso de indisciplina;

Será que existe requisito mais básico do que este para o aprendizado? Não há nem mesmo sentido debater sobre a eficácia de uma determinada didática se os alunos não reconhecerem o professor como alguém a quem devem obediência. De que adiantaria equipar as instituições de ensino com equipamentos de última geração e educadores doutorados em Harvard se a turma estiver fazendo algazarra durante as explanações e recusar-se a seguir as instruções do professor? Neste sentido, a aplicação de sanções como suspensão e até mesmo transferência educativa (expulsão, em português claro) ajuda a arrefecer a sensação de impunidade que permeia as demais escolas do Brasil (inclusive particulares).

Foi em meados da década de 1980 que esta relação entre instrutores e instruendos degringolou de vez. Os métodos paulofreireanos atualmente em voga retiraram do professor sua autoridade, proibindo castigos e punições de qualquer natureza, e até mesmo reduzindo demais a probabilidade de reprovação. Foi a senha para que os estudantes passassem a ver o colégio com desdém e começassem a desafiar os professores – ainda mais estando amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual lhes confere total inimputabilidade penal. Daí para começarem a ser observadas até mesmo agressões físicas foi um pulo (para não mencionar consumo de drogas e sexo entre pré-adolescentes), como revela Percival Puggina neste artigo:

Eis os números revelados por Zero Hora (jornal gaúcho): 23.930 atos de indisciplina em sala de aula, 4.861 atos de violência física entre alunos, 4.811 agressões verbais a professores e funcionários, 1.275 depredações ou pichações dentro da escola, 294 casos de posse ou tráfico de drogas, 199 agressões físicas a professores ou funcionários. E não eram números referentes a todas as escolas, nem cobriam um ano letivo inteiro. Os dados foram coletados em apenas 1.255 educandários estaduais (menos da metade da rede) e informavam ocorrências relativas a seis meses letivos (os dois últimos de 2015 e quatro primeiros de 2016). Então, no processo de “conscientização” e construção da cidadania, o caso da professora que levou um soco no rosto é apenas um ovo quebrado, como o que ela considerou merecido por Dória, na omelete da revolução. Um entre milhares.

2) Os estudantes são cobrados de sua parcela de responsabilidade no processo de aprendizado, e sofrem as consequências em caso de desleixo, bem como são premiados pelo sucesso;

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Uma pesquisa da CNT/Sensus mostrou que, para 78% dos professores entrevistados, o papel mais importante da escola é “formar cidadãos”. Apenas 8% responderam que a missão principal da escola é “ensinar as matérias”. Eis aí a raiz do problema: se a tarefa primordial do colégio, na visão dos próprios encarregados do processo pedagógico, não é mais difundir conhecimento, então os pais estão mandando os filhos até a escola todos os dias…para que mesmo?

Ora, se nem mesmo os professores consideram importante ensinar, por que os alunos considerariam importante aprender? Nesta conjuntura, o estudante vê-se desincumbido de sua obrigação de prestar atenção às explicações, estudar e tirar boas notas.

E como aos alunos não é imposta esta obrigação de assimilar os conteúdos ministrados (quando são ministrados), acaba que a responsabilidade por eventuais baixos rendimentos recai exclusivamente sobre os ombros de professores e diretores de escola. Ou seja, nossos jovens saem do ensino médio sem formar a consciência de que precisam sofrer as consequências de seus atos e de que podem usufruir dos louros de suas conquistas – que belos “cidadão” estamos formando neste processo.

Os colégios militares, a seu turno, são extremamente metódicos neste quesito: cobra-se que o aluno comprove que aprendeu o que foi ensinado, e os professores entendem que sua missão restringe-se a ensinar Matemática, Português e demais matérias. Simples assim. Tive a oportunidade de estudar na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), instituição onde, a exemplo das demais academias militares, tirar nota abaixo da média exigida implica em desligamento automático do curso. Ou o estudante assimila o que foi transmitido, ou o portão da saída é o próximo destino.

A contrario sensu, aqueles que alcançam destaque são premiados até mesmo com viagens para o exterior, representando as instituições em competições acadêmicas.

Já as escolas civis, a cada dia que passa, buscam novas justificativas para aprovar alunos sem rendimento suficiente para tal. Assim fica difícil motivá-los a buscar o aprendizado.

Trocando em miúdos: não é necessário fardar nossos estudantes para que alcancem o desempenho de seus pares de escolas militares. Basta que recuperemos a obediência para com os professores e voltemos a exigir esforço dos alunos. O nível de formação intelectual dos educadores dos colégios militares não difere muito daqueles que ministram aulas nas escolas regulares, e os recursos disponíveis também se equivalem. O diferencial reside portanto, no perfil dos alunos – e isso não será corrigido enquanto o discurso focar apenas em “mais dinheiro para a Educação”.

Será tão difícil assim atingir tal meta sem tocar uma corneta para iniciar o expediente?

 

Refugiada síria graduada na UFPR comprova: assimilar a cultura local é essencial

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O nome dela é Lucia Loxca. Precisou evadir-se da Síria quando a vida tornou-se impossível em sua terra natal, em virtude da guerra civil resultante da famigerada “Primavera Árabe”,  fomentada por Barack Obama – que prestou apoio logístico, financeiro e bélico a “rebeldes” locais (muitos deles membros do próprio ISIS). Caso lograssem ascender ao poder, provavelmente iniciariam eles campanhas de dizimação de cristãos e judeus (tal qual procedeu a irmandade muçulmana no Egito).

Lucia saiu de Aleppo enquanto era tempo, portanto. Virou notícia esta semana pelo fato de que conseguiu graduar-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFPR, sediada em Curitiba – curso que já havia iniciado antes de sua diáspora. Mas sua trajetória de vida é ainda mais notável por outro motivo: Lucia (e seu marido) chegaram em 2013 em nosso país e já estão totalmente ambientados. Aprenderam a língua portuguesa (apesar de nunca sequer terem ouvido o idioma até então) e já não diferem muito dos brasileiros natos.

A simpática e aguerrida moça, que adora nosso pão de queijo e admira nossa diversidade étnica, nos ensina a mais importante lição a respeito da crise de refugiados que assola especialmente a Europa: migrar para outra nação requer assimilação dos valores e costumes locais. Caso contrário, transfigura-se em invasão. Adaptar-se à cultura do povo que faz a acolhida é requisito básico para que o imigrante sinta-se integrado, reconheça-se como parte da comunidade onde passou a residir e com ela identifique-se.

Ou seja, hábitos  que sejam incompatíveis com nossas normas de convívio (tanto as positivadas em lei quanto aquelas não escritas) devem ser deixados para trás, sob o risco destes estrangeiros acabarem por se reunir em guetos onde vigorem códigos de conduta não aceitos em sua nova casa.

Tal cenário já é uma realidade em diversos subúrbios de capitais europeias, onde a lei islâmica é imposta e nem mesmo a polícia possui mais jurisdição nestes redutos – o que acaba por reproduzir, em escala reduzida, as mazelas que motivaram a saída destas pessoas de seus países de origem.

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Como Lucia é de família cristã, tal qual os sírios e libaneses que fundaram o renomado hospital de São Paulo no início do século XX, sua tarefa de abrasileirar-se foi bastante facilitada. Os valores cultivados no Ocidente ao longo dos séculos caem como uma luva para os professantes da fés cristã e judaica – quais sejam: a separação entre Igreja e Estado, o império da Lei e a igualdade de todos perante ela, a liberdade de consciência e expressão, os direitos humanos, a democracia liberal, a valorização da vida humana e a busca pela felicidade individual.

Nas palavras de Ibn Warraq:

“Os valores ocidentais – que são base para seu visível sucesso político, científico, econômico e cultural – são claramente superiores a quaisquer outros valores inventados pela humanidade. Quando tais valores foram adotados por outras sociedades, tais como a Japonesa ou a da Coreia do Sul, seus cidadãos hauriram benefícios.”

Este  ex-muçulmano nascido na Índia e criado no Paquistão e na Inglaterra, famoso pelas suas críticas ao Alcorão e às sociedades islâmicas, ainda complementa:

“No Ocidente nós somos livres para pensar o que queremos, ler o que queremos, praticar nossa religião, viver como escolhemos. A liberdade está codificada nos direitos humanos, outra magnífica criação sua, mas também, creio, um bem universal. Os direitos humanos transcendem valores locais ou étnicos, conferindo igual dignidade para todos, independentemente do gênero, etnia, preferência sexual, ou religião. Ao mesmo tempo, é no Ocidente que os direitos humanos são mais respeitados. É no Ocidente que existe a emancipação das mulheres, e das minorias raciais e religiosas; dos gays e lésbicas que defendem seus direitos.”

Ou seja, a aceitação tácita de nosso modo de vida, a aderência aos nossos preceitos basilares, é benéfica tanto para os imigrantes vindos do Oriente quanto para os ocidentais. É justamente a resistência em consentir com a maneira como se relacionam os “infiéis” neste lado do Globo que gera graves tensões entre habitantes locais e refugiados muçulmanos. Em alguns casos, este sentimento de aversão irá eclodir na forma de atentados terroristas, como a tragédia ocorrida em Barcelona há poucos dias.

Ademais, Lucia veio para o Brasil cumprindo todos os requisitos legais para tal. O presidente americano Donald Trump recentemente aprovou uma reforma no sistema de imigração daquela nação, passando a basear no mérito os critérios para concessão de vistos a estrangeiros. Caso tal legislação estivesse em vigor em nosso país, Lucia certamente seria selecionada com louvor, por se tratar de uma cidadã que irá acrescentar em muito a nossa sociedade.

Adentrar um país em meio a hordas de milhões de pessoas sem qualquer identificação (sendo a maioria delas homens em “idade de combate” – entre 18 e 25 anos – oriundos de países que sequer estão em guerra, tornando despropositado até mesmo o uso do termo “refugiado”) não é a maneira correta de pedir asilo, afinal de contas.

Exigir que nações abram indiscriminadamente suas fronteiras é uma afronta deste projeto globalista encabeçado pela ONU que visa tão somente gerar instabilidade e justificar mais intervenção estatal (e de entidades supranacionais, como ela própria) para resolver o caos criado por esta conjuntura.

Neste processo, enriquecem ainda mais os bilionários “capitalistas de compadrio” e votos são garantidos para políticos supostamente preocupados com o sofrimento destes estrangeiros, já que os benefícios do Welfare State precisarão ser estendidos a todos os novos chegados, garantindo um eleitorado cativo.

Por isso é necessário aplaudir e parabenizar pessoas como Lucia Loxca, que aqui chegou pela porta da frente e vem demonstrando gratidão ao povo que a acolheu (e inclusive bancou sua faculdade), absorvendo nossa cultura e tornando-se cada vez mais uma das nossas, mesmo sem deixar de lado as tradições árabes.

Bem-vinda ao Brasil e obrigado pelo ótimo exemplo!

الله معك (fique com Deus)…