AS LIÇÕES DE UM PÉ DE FEIJÃO

Pé

Texto de Leonardo Glass:

As histórias infantis, mais do que entreter crianças (e adultos, também, por que não?), tem o objetivo claro de ensinar lições para a vida cotidiana. Lições como: honestidade, obediência,  perseverança… Curiosamente, uma das mais famosas histórias infantis, “João e o pé de feijão”, não tem uma lição de moral direta. Para aqueles que não se lembram deste clássico publicado pela primeira vez, por Benjamin Tarbat, em 1804. De forma extremamente resumida, eis a história:

João era um menino pobre que vivia com a sua mãe. A única fonte de renda da família era uma vaquinha velha e debilitada que a cada dia dava menos leite. Quando finalmente cessou de dar leite, a mãe decidiu vender a vaca no mercado da cidade, mas como não podia ir até a cidade, pediu que João fosse e vendesse a vaca. 

 No caminho, João encontra um vendedor que também estava indo ao mercado. Ele estava indo vender alguns feijões mágicos que encontrara. João, querendo evitar a fadiga de ir até o mercado, troca ali mesmo a velha vaquinha por um punhado de feijões. Ao voltar pra casa e contar à mãe a sua troca, ela fica furiosa e joga os feijões pela janela. 

 No dia seguinte, um pé de feijão gigante nasceu no quintal de João. O pé ia até o céu, por entre algumas nuvens. Curioso, João sobe pelo pé de feijão e lá em cima descobre um castelo. No castelo, mora um gigante. Enquanto explora o castelo, João ouve o gigante se aproximando e se esconde. Após jantar, o gigante cochila e João aproveita para fugir, não sem antes levar algumas moedas de ouro que o gigante deixara sobre a mesa. João volta pra casa e conta para a mãe e sucedido. Ambos se alegram pela boa sorte e vivem bem por um tempo com as moedas roubadas por João. 

 Tempo depois as moedas acabam e, para evitar nova penúria, João sobre novamente no pé de feijão e novamente vai ao castelo com o fito de roubar algumas moedas. Porém desa vez João descobre uma ganso que colocava ovos de ouro (algumas versões dizem uma harpa de ouro que tocava sozinha). E mais uma vez, enquanto tentar fugir, o gigante chega, janta e acaba cochilando. Desta vez, ao tentar sair do castelo com o ganso, este grasna e acorda o gigante. Vendo que está sendo roubado ele persegue João. 

 João desce pelo pé de feijão, e enquanto o gigante descia, ele corta o pé de feijão que cai, derrubando o gigante, matando-o. João então vive feliz para sempre com seu ganso que coloca ovos de ouro.

São inúmeras as variações desta história, em algumas João invade o castelo três vezes, em outras há uma galinha ao invés de um ganso; algumas dão conta que João rouba, além do dinheiro e de uma galinha, uma harpa que toca sozinha. Porém, o ponto em comum em todas estas histórias é que, ao contrário das fábulas tradicionais, não há uma lição de moral direta. Porém, podemos traçar inúmeras as analogias aqui, que ilustram a realidade do pensamento de esquerda no Brasil e no mundo: desde a falácia keynesiana de que imprimir dinheiro é a solução para todos os males econômicos, passando pelo conceito de propriedade privada e até mesmo a noção historiográfica de que a história oficial é escrita pelos vencedores.

Antes, contudo, duas importantes observações: 1) Obviamente que o autor da história não a escreveu pensando em tais lições. Mas aqui cabe o conceito de parábola, onde uma história simples tem a capacidade de ilustrar uma realidade mais complexa. 2) “Ah, mas é só uma história, e nas histórias coisas incoerentes acontecem e…” OK, mas repito o que escrevi antes, histórias, ainda que simples, podem nos fazer refletir sobre situações complexas. E este será o exercício aqui.

A história começa com uma perfeita ilustração do conceito de nacionalismo barato uma ideia tola que só atrasa ao invés de desenvolver. João e sua mãe eram pobres e se contentavam em vender o leite de sua única vaca. Não havia um planejamento maior! Não havia uma poupança, um excedente que lhes permitisse adquirir novas vacas. Não havia trocas nem busca por novas alternativas de renda. Eles se contentavam com uma única vaca e eram reféns de uma mentalidade arcaica (e isso ficará ainda mais claro mais adiante na história). Ao ver que a produção de leite diminuía dia após dia não houve nenhum projeto pensado a longo prazo. Por que não agregar valor ao leite, vendendo-o na forma de manteiga, por exemplo?

Mas ignoremos esse pano de fundo e nos concentremos nas atitudes de João e de sua mãe. Quando finalmente decidem mudar – após uma crise, e não por vislumbrar novas oportunidades – João e sua mãe bolam um plano; um bem ruim, é verdade, mas ainda assim, um plano: vender a vaca. E o plano só piora quando a mãe manda que o garoto, uma pessoa inexperiente, venda a vaca. João, além de parvo é preguiçoso e decide tomar o caminho mais fácil: iludido com uma promessa mágica, troca a vaca por um punhado de feijões. A analogia aqui com a questão da indústria nacional fala por si só.

Não se sabe como, mas incrivelmente os feijões eram mágicos e nascem. João acertou – pelo motivo errado, mas acertou. As commodities valorizaram apesar de tudo, abrindo caminho para aquela família a um novo reino, com novas possibilidades. João resolve explorar o reino e qual a primeira coisa que ela faz? ROUBA (voltarei a este verbo mais à frente) algumas moedas e as traz para casa. Como sai incólume desse crime, João pensa que está tudo bem, aplacando a sua consciência, e pensando que, se tudo der errado, ele pode voltar a subir no pé de feijão.

A sorte sorriu para João. João tem uma quantidade incrível de ouro. E o que ele faz? Investe? Compra mais vacas, já que pelo menos entende de leite? Explora o pé de feijão como atração turística? Usa o dinheiro para comprar mais casas e viver de aluguel? Ao menos especula no mercado futuro do leite? Nenhuma dessas alternativas. João e sua mãe simplesmente gastam o dinheiro sem se preocupar com o dia de amanhã. Afinal, basta subir no pé de feijão de novo, não é? Isso mostra que a mentalidade de João e de sua mãe era atrasada. Não buscavam  melhorar de vida, senão apenas enriquecer. E esse era o maior pecado de João e sua família e, provavelmente, a verdadeira causa de sua pobreza.

 A realidade não é diferente da história. Gastar, consumir, não são sinônimos de riqueza. Nunca foram (antes são sinônimos de mera ostentação). Diversos países, e o exemplo mais latente é a Venezuela, acharam muito ouro (ou petróleo) e ao invés de usar esse dinheiro de forma inteligente,  ostentaram medidas populistas. Crédito à rodo, subsídio fácil… Nenhum incremento na poupança, nenhuma fonte de renda. Apena só consumo de crédito.

Quando o dinheiro acaba (e ele SEMPRE acaba), João, tranquilo, sobe de novo no pé. Dessa vez, o inteligentão do João tem uma ideia melhor: E se ao invés de roubar as moedas, eu roubar a impressora de moedas (no caso, o ganso dos ovos de ouro). João adentrará de vez no keynesianismo.

 O plano de João funciona, e ele consegue roubar a impressora de dinheiro do gigante. Como a história acaba no “felizes para sempre” tem-se a impressão que o segredo do sucesso é imprimir dinheiro. Ledo engano.

Basta um pouco de imaginação e concluiremos, sem muitas dificuldades, que com o passar dos dias, o ouro se tornaria tão comum na aldeia de João, que logo as pessoas teriam uma percepção errada de valor. Coisas simples, como pães e leite, passariam a ser valorados em gramas de ouro, não mais em moedas de cobre ou prata.

 Assim, se no curto prazo, imprimir dinheiro (ou botar ovos de ouro, você escolhe) parece uma boa ideia, no médio e, principalmente no longo prazo, o desastre é inevitável. João logo se tornaria como um Zimbábue com suas notas de 100.000.000.000.000 (cem trilhões, caso você tenha se perdido nos zeros) de dólares Zimbábues – e que não valem nada.

Mas as lições da não acabam aí. João invade o castelo do gigante, rouba e mata o gigante. No final, é pintado como herói da história. Ainda se casa com uma princesa. Recompensa justa para alguém que praticou roubo e homicídio? Até tentaram tornar o gigante em alguém malvado que comia carne humana (embora comesse outras coisas também). Porém, em momento algum o Gigante ameaça João ou sua família, ou sua aldeia, sequer o seu mundo. É João quem sobe no pé de feijão, não o contrário; é ele quem primeiro invade a propriedade do Gigante, que acaba perseguindo João com fito unicamente de recuperar seus bens e repelir uma injusta agressão.

O ponto é, o gigante estava lá “de boas” em seu castelo. João é quem invade o reino e agride o modo de vida do gigante com o intuito de manter intacto o seu modo de vida (que lembremos, era preguiçoso e perdulário). Mais uma vez, a analogia aqui fala por si só. Como será que os outros gigantes do reino contaram para seus filhos e netos o que sucedeu com o dono do castelo? E mais,  será que houveram imensas marchas entre os gigantes pedindo a integração entre gigantes e os humanos, dizendo que os humanos são uma raça de paz e que só uma minoria extremista é que faz mal; que não se deve julgar toda uma raça, por causa da atitude de alguns? Jamais saberemos.

Nunca um pé de feijão pode nos ensinar tantas e tão atuais lições de vida. Obrigado, Benjamin Tarbat. Embora, a história original, não traga nenhuma lição de moral, ainda assim ela é capaz de nos ensinar muito.

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“Artista” denuncia colega insensível: leite é crime!

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Costuma ser cômico quando os adeptos do politicamente correto (leia-se: projetos políticos estatizantes travestidos de boas intenções) esticam tanto a corda do cerceamento do discurso e do direcionamento das ações humanas conforme seus próprios desígnios que acabam, eventualmente, por atingir uns aos outros.

Tal qual ocorreu, por exemplo, quando o Ministro Barroso, fervoroso caudatário da legalização do comércio de drogas pesadas (cocaína em especial) e da descriminalização do aborto (ato odioso por ele já liberado para gestações com menos de três meses), viu o mundo “progressista” desabar sobre sua cabeça ao referir-se a Joaquim Barbosa como “negro de primeira linha”. Típico fogo “amigo” (pero no mucho) trocado entre revolucionários Toddynho.

Mas a pendenga da vez extrapolou as raias da esquizofrenia e da comédia pastelão: um “ator” (categoria profissional acostumada a depender de financiamento estatal até para levantar da cama)  atacou uma colega de ofício pelo fato de que ela, vejam vocês, teria praticado apologia ao consumo imoderado de…LEITE!

DS

Interessante. Muito embora seja o leite um dos alimentos mais completos que existem, o rapaz canaliza toda sua fúria virtual contra o consumo do aparentemente inocente líquido, fazendo uso de palavras muito duras para dirigir-se a uma mulher que só queria dar dicas para quem fica estufado após ingerir laticínios.

Pois bem: em não tomando leite, como será que o protagonista do conflito substitui seus importantes nutrientes no cardápio? Vamos às alternativas disponíveis:

1) Será que ele gosta de verdura (no bom sentido, claro)? Isto é, será que Dado costuma procurar em vegetais diversos as substâncias de que necessita para sua subsistência, pois assim evitaria o sofrimento das pobres vaquinhas leiteiras? Bem provável, uma vez que estamos diante de um vegano declarado, e não lhe restam muitas opções, convenhamos.

Contradições à vista: a atividade agrícola causa consideráveis impactos ao meio ambiente em decorrência da aplicação de agrotóxicos, fertilizantes e adubos. E é bom que se diga: ainda bem que a agricultura faz uso de tais defensivos químicos, pois foi justamente a partir se seu advento que epidemias de fome deixaram de ser tão comuns e passaram a ser quase que exclusividade de nações assoladas  por governos totalitários e/ou teocracias islâmicas – características partilhadas pelos países em grave crise humanitária (mais a Coreia do Norte, claro).

Graças às pesquisas do cientista Walther Nernst, a partir das quais tornaram-se possíveis a fabricação de fertilizantes artificiais e a própria concepção de agricultura em escala industrial (aliada à evolução da logística de transportes e do maquinário agrícola), alimentos outrora escassos tornaram-se abundantes, baratos e acessíveis – a tal ponto de alguns indivíduos darem-se ao luxo de querer proibir alguns deles, como no caso em estudo. A produção em massa reduz o custo unitário dos bens produzidos, e não foi diferente com a comida.

Como explica Leandro Narloch no Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo:

Antes de Haber, a agricultura era sonho dos sustentáveis – desde que o sustento não seja o de vida humana. Não havia pesticidas ou fertilizantes sintéticos. Os agricultores evitavam as pragas e as doenças das plantas com técnicas milenares; o esterco e as sementes vinham da natureza. Famílias plantavam e colhiam com as mãos ou com poucas ferramentas rudimentares. Esse mundo idílico e ecologicamente correto tinha um resultado: a fome. Como a produção dependia da fertilidade do solo e da disponibilidade de adubos naturais, as colheitas eram ralas – um hectare rendia com sorte 700 quilos de trigo, um quarto do que se produz hoje. A falta de variedades mais resistentes deixava a plantação vulnerável demais ao clima. Por causa disso, faltar comida era rotina. A fome matou 10% dos ingleses entre 1315 e 1317, um terço dos russos entre 1601 e 1603, 10% dos franceses e noruegueses no fim do século 17, quase 20% dos irlandeses entre 1845 e 1849, entre muitas outras crises de alimentação.

E agora? Como conciliar a ânsia “por um mundo melhor” com a necessidade de encher a barriga?

2) Ora, basta aderir à comida orgânica, certo?

Pesquisadores da Cornell University realizaram uma experiência oferecendo dois produtos alimentícios totalmente idênticos a pessoas comuns, mas alegando, todavia, que um deles seria orgânico. O resultado: a vasta maioria declarou que achou menos calórico e mais nutritivo o falso orgânico, e ainda admitiu que pagaria até 25% a mais em relação ao alimento comum.

Este experimento, por si só, já diz muito sobre esta mania natureba: tudo resume-se a marketing para ganhar dinheiro de indivíduos que querem comprar a sensação de estarem não apenas se alimentando de forma mais saudável, mas também salvando o planeta.

Em 2012, a universidade de Stanford realizou o mais amplo estudo comparativo entre alimentos orgânicos e seus similares convencionais, o qual acabou por concluir que os primeiros não são, em hipótese alguma, mais nutritivos do que os segundos.

Mas este fator não guarda relação com o caso em questão, uma vez que Dado Dolabella está(ria) mesmo interessado é na qualidade de vida dos bichinhos e na preservação da natureza, segundo consta, correto?

Na trave de novo: animais criados em fazendas que produzem produtos orgânicos não levam uma vida tão melhor assim. O Comitê Científico Norueguês para segurança alimentar não encontrou diferenças significativas na incidência de doenças quando comparou fazendas convencionais com suas similares orgânicas. A aparente “liberdade” por eles usufruída nestas últimas também não constitui vantagem, visto que elevam-se os riscos de contrair parasitas e ficar exposto a predadores.

Fazendas orgânicas demandam menos energia para seu cultivo e desprendem menos gases de efeito estufa, sim. Mas ela apresentam um grande revés: por não utilizarem fertilizantes e pesticidas no processo, elas são muito menos eficientes do que fazendas tradicionais – ou seja, necessitam de bem mais área disponível para produzir a mesma quantidade de alimento.

Para ser mais preciso, é necessário 82% mais terra para produzir carne orgânica. 200% para trigo orgânico. E 59% para leite orgânico (opa, foi mal). E mais áreas destinadas para agricultura significam menos reservas naturais preservadas. Por demandarem mais terra, horas de trabalho e capital investido, o alto custo dos alimentos oriundos de fazendas orgânicas redundam em preços proibitivos para boa parcela da população, fazendo deles um luxo de poucos. Acabar com a inanição de milhões de pessoas mundo afora, portanto, não consta do repertório dos orgânicos.

Por fim, a agricultura orgânica utiliza agrotóxicos “naturais” em sua produção, como sulfato de cobre, que pode causar doenças no fígado em moradores de regiões circunvizinhas.

Então o caminho para Dado aliviar a consciência e a fome ao mesmo tempo, aparentemente, não é por aqui.

3) Então será que a solução não é consumir menos alimentos de origem animal mesmo?

Esta é a concepção dos chamados reducetarianos, os quais evitam, sempre que possível, comer carnes, peixes, frutos do mar, ovos e laticínios, sob o argumento de que “a criação de animais para a obtenção de alimentos derivados gasta recursos naturais e usam-se grandes áreas de terra para cultivo de grãos e cereais para ração e também para a criação de animais, em vez de alimentos vegetais para as pessoas”. Desenvolveram eles até mesmo um website por meio do qual seria possível calcular o quanto se poupou de água e de emissão de gás carbônico ao deixar de comer carne pelo menos uma vez por semana.

Mais falacioso impossível. Aproximadamente 70% de toda a água disponível no mundo é utilizada para irrigação de plantações. No Brasil, esse índice chega a 72%. Além disso, já restou comprovado que o nível de CO2 na atmosfera aumenta após a elevação da temperatura global, e não o oposto. Mas pelo menos para vender livros de dieta a prática tem se mostrando bastante eficaz.

Dado continua faminto e frustrado. Lamentável.

Mas em busca de algum alívio para a alma enquanto toma um copo de leite ou come um bife, bastaria ele comparar, por exemplo, como são abatidos animais de corte em frigoríficos de grande porte e em estabelecimentos de fundo de quintal: aqueles não tem tempo para esperar um boi morrer sangrando e estrebuchando no chão. Eles precisam que sua morte seja rápida, por uma questão de produtividade, e indolor, para que o sabor de sua carne não seja afetado pelo estresse da agonia.

E o que dizer das vacas leiteiras que passam o dia calmamente ouvindo música relaxante porque, ao fazer isso, o produtor obtém incrementos significativos na ordenha?

Moral da história: os mecanismos de estímulo do livre mercado (a demonizada busca por lucro) se encarregam de reduzir o sofrimento dos animais que abastecem nossa mesa diariamente – não por conta de alguma suposta bondade que ecochato nenhum possui de fato, mas sim por uma mera questão de pragmatismo.

Exceção feita, no caso, ao abate Halal: no ritual que mais lembra um sacrifício religioso, os animais têm a carótida cortada e sangram (e sofrem muito) até desfalecer – tudo para adequar o produto aos ditames do Alcorão. Nada que possa ser criticado pelas associações protetoras de animais sem o risco de serem acusadas de Islamofobia, claro. Silêncio absoluto do povo que gosta de invadir laboratórios e clínicas “mercenárias” para “libertar” ratos.

Chama a atenção ainda o fato de que Dado diz estar preocupado com as mamães vaquinhas, mas agride mulheres com uma espontaneidade  notável, tanto verbalmente quando com porrada mesmo. Declarar-se defensor de conceitos abstratos como humanidade ou natureza é fácil mesmo; difícil é amar o próximo.

Aliás, não fossem o veganismo e o feminismo movimentos irmãos de armas,  preocupados tão somente com suas agendas políticas anticapitalistas e intervencionistas, a esta altura, certamente, textões espumando de raiva já estariam entupindo a TL do agressor. Mas que nada: vale tudo em busca do objetivo comum de dividir a sociedade entre opressores e oprimidos, colocando mulheres contra homens, negros contra brancos, homossexuais contra heterossexuais e, por que não, herbívoros contra carnívoros, vejam só.

Depois disso, é só pedir para o Estado acalmar os ânimos, conferindo-lhe mais poder para comandar cada passo dos cidadãos, enquanto ele distribui privilégios. Se “carne é crime” (mesmo sendo a ingestão regular de carne o que permitiu mudanças cruciais na raça humana, como o desenvolvimento do cérebro), então talvez seja hora de o governo vigiar e punir estes trogloditas de bigodinho de leite também, pois não?

Em vez de achincalhar com Dani Suzuki por motivo tão torpe, Dado poderia prestar aconselhamentos a outro colega seu de trabalho que tem consumido uma outra substância branca que não tem feito muito bem a sua carreira

PJW - milk

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Número de ações trabalhistas no Brasil reflete incompatibilidade entre lei e vida real

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O chef francês e jurado do programa Masterchef Erick Jacquin afirma que nunca mais na vida vai assinar uma carteira de trabalho e critica a legislação trabalhista brasileira, alegando ser ela a grande vilã para empreendedores com seu perfil – que precisam de mão-de-obra bastante especializada.

Mulher causa polêmica ao oferecer moradia em troca de serviços domésticos, e alega, em sua defesa, que “não tinha condições de pagar uma babá registrada, com o décimo terceiro e férias”.

Juiz de Minas Gerais decide que motorista possui vínculo empregatício com o Uber, e manda a empresa pagar todos os salários e demais benefícios retroativamente ao reclamante.

Pergunta: o que essas três histórias acima elencadas têm em comum?

É evidente: elas demonstram o quanto nossa deveras rígida legislação trabalhista e o mundo real em constante transformação e muito diversificado no qual vivemos estão apartados um do outro.

É notável a disparidade entre os contratos de trabalho possíveis de serem celebrados entre as partes interessadas, dadas as peculiaridades de cada situação específica, e aqueles exigidos pela norma como “patamar mínimo civilizatório” a ser observado.

Tal diferença entre as contraprestações laborais determinadas pelo Estado (dotadas das mais diversas denominações, mas todas indo parar na mesma folha de pagamentos) e os custos com que efetivamente podem arcar os contratantes não deixa de existir somente porque o Congresso Nacional editou leis sob pressão de certos grupos de interesse – entidades de classe em sua maioria. O papel aceita tudo, mas a matemática financeira é implacável.

Se alguém contrata duas empregadas domésticas para cuidar de um pai idoso em sua residência (formalizando seus vínculos empregatícios conforme reza o ordenamento jurídico), mas ante nova regulamentação estatal regendo tal atividade – prevendo equiparação total com os demais trabalhadores celetistas – vem a  perceber que pagar as duas senhoras (bem como perder tempo preenchendo formulários online) sai mais caro e gera mais transtorno do que hospedar o pai na melhor clínica de repouso da cidade, de duas uma:

A) O arranjo entre estas pessoas será reformulado à margem da lei (sob cláusulas distintas das regulamentadas pelo Parlamento, na informalidade);

B) Ou elas serão despedidas e o velhinho irá para a clínica.

E não há passe de mágica que tecnocrata algum possa fazer para mudar este cenário. O interesse mútuo de empregados e empregadores vai sempre buscar atingir um ponto de encontro entre a demanda por aquela mão-de-obra e sua oferta no mercado – seja por meio de negociação individual ou coletiva -, quer gostem os planejadores e engenheiros sociais ou não.

Se preciso for (leia-se: para que o empreendedor não fique sem a força de trabalho de que necessita e os trabalhadores sem dinheiro algum), ambos irão desconsiderar a CLT e acordar condições mais condizentes com as circunstâncias as quais estão submetidos.

Só que tal pacto costuma manter-se de pé apenas durante a vigência do contrato de trabalho.

Tão logo cessa a prestação de serviços, o caminho está livre para que tais trabalhadores busquem, junto ao Judiciário, a compensação pelo tempo em que trabalharam regidos por acordos menos benéficos do que os previstos em lei – sejam aqueles formal ou tacitamente (de maneira não expressa) firmados.

Eis aí desnudado o ciclo que atulha de processos nossas instâncias julgadoras: a iniciativa privada está sempre sufocada pela tributação, pelo excesso de burocracia, pela indevida intervenção governamental na economia e pela logística capenga do Brasil; em decorrência, ela gera menos empregos (e pior remunerados) do que são demandados pela população economicamente ativa; assim, aos indivíduos não resta opção senão aderir a quaisquer condições impostas pelo empregadores; tão logo finda a relação de emprego, todavia, eles recorrem ao Estado para que determine o adimplemento das diferenças salariais eventualmente havidas.

Tal fenômeno acentua-se ainda mais na medida em que apenas a União Nacional possui competência constitucional para editar normas de Direito de Trabalho. Ou seja, as singularidades regionais, uma vez desprezadas no processo legislativo, acabam por criar contrastes ainda maiores entre o que dispõe o Congresso Nacional como baliza a ser seguida e as obrigações efetivamente assumidas nos contratos reais de trabalho celebrados nos rincões Brasil afora.

Como se São Paulo e Tangará da Serra pudessem compartilhar o mesmo regramento jurídico (elaborado em Brasília de forma a ser cumprido uniformemente no país inteiro) sem gerar fortes contradições com os costumes locais – a matéria-prima para que mais conflitos irrompam e precisem ser resolvidos no Judiciário.

E os efeitos maléficos advindos desta ciranda maldita impulsionada desde o início pela hipertrofia estatal são diversos e prejudicam, em especial, os próprios postulantes a vagas no mercado de trabalho.

1) No processo de recuperação de períodos de recessão, os níveis de emprego costumam ser os últimos a apresentarem melhorias, por conta do fundado receio dos empregadores em verem-se envolvidos em lides judiciais após rescisões contratuais, tal a insegurança jurídica em voga.

2) Empreendedores buscam incessantemente implantar mecanismos de automação em toda etapa da cadeia produtiva onde seja possível, já que máquinas não processam ninguém.

3) Cria-se um ambiente de desconfiança entre empregados e empregadores, o que constitui fator extremamente negativo para o desenvolvimento e o enriquecimento de uma sociedade, como bem explica Gary North neste artigo: a percepção de honestidade nas interações entre indivíduos guarda estreita relação com os índices de desenvolvimento sociais e econômicos.

4) Acionamentos judiciais descabidos viram tendência – uma verdadeira indústria de ações trabalhistas -, como a recente questão dos três jogadores filmados em masturbação coletiva em vestiário de clube de futebol, que foram sumariamente demitidos e viraram, aos olhos da imprensa “progressista”, vítimas de homofobia. O advogado dos atletas já prometeu ingressar na Justiça do Trabalho cobrando indenização por danos morais. Em caso de sucesso, mais acentuada restará a sensação de que nem mesmo a mais comezinha disciplina profissional pode ser exigida no ambiente laboral – péssimo para a a nossa já combalida produtividade nacional.

5) Mais gasto estatal acaba sendo justificado na implantação de novas varas judiciais, tendo em vista a crescente procura pela mediação de contendas.

E por aí vai.

Como diz o provérbio, o combinado não é caro. Após um mês de trabalho, o empregado confia que seu patrão irá lhe pagar o salário ajustado entre eles, tal qual um fornecedor entrega uma mercadoria para seu cliente e confia que este irá lhe pagar dali a trinta dias, como tratado entre ambos.

Nada mais natural, portanto, que existam entidades, tanto públicas quanto privadas, voltadas a fazer valer a palavra dos pactuantes – desde que eles próprios tenham voluntariamente estabelecido os termos (não apenas os padrões remuneratórios, mas também jornada de trabalho, férias e demais aspectos).

É claro que, com frequência, será mais vantajoso negociar de forma coletiva, especialmente ante empresas de grande porte. Ganha mais importância ainda, neste contexto, o pleito pelo fim da unicidade sindical – ou seja, pela possibilidade de que os trabalhadores possam optar entre diferentes organizações representativas (ou simplesmente decidir não filiar-se a nenhuma delas).

O fim do imposto sindical, aprovado no bojo da recente reforma trabalhista, é um importante passo neste sentido, pois quanto mais liberdade houver na deliberação das condições de trabalho, mais relevante torna-se a necessidade de livremente eleger quem sentará na mesa de negociação para falar pelos trabalhadores.

Por falar na aprovação da reforma trabalhista, que fique claro que a modernização por ela prometida ainda é bastante acanhada, no sentido de que tão somente os itens nela aventados poderão ser objeto de negociação entre as partes, e apenas dentro dos parâmetros estipulados pelo diploma legal.

Ou seja, a regra geral ainda é a prevalência do legislado sobre o negociado, abrindo-se algumas poucas (mas salutares) exceções, como a legalização do trabalho intermitente e do já praticado há tempos “acerto” na resilição de contratos.

Mas o ideal, dentro deste contexto, seria o oposto: que o normal fosse a primazia do negociado sobre o legislado, estabelecendo-se exceções em casos específicos – como limites para excesso de carga horária em trabalhos perigosos e insalubres, dentre outras situações.

Conclusão: a rigidez normativa desconectada de nossa móvel e díspar realidade não apenas é a principal causa do elevado números de ações trabalhistas, mas também contribui em muito para o desemprego. É esse desencontro entre o mundo idealizado em gabinetes parlamentares e a vida real quem também insufla um sem número de fraudes nas contratações de empregados, como, por exemplo, aqueles contratados como pseudo pessoas jurídicas – a famigerada “pejotização”.

Encerro com as palavras de Denis Rosenfield :

A autonomia dos indivíduos e de suas organizações, dentre as quais os sindicatos, é central em todo Estado pautado pelos princípios da liberdade. Deve a sociedade apropriar-se de sua liberdade de escolha, reduzindo a margem de arbítrio das intervenções legislativas impostas de cima.

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A Incrível Fábrica de Fake News

Andrew Klavan, neste vídeo produzido pela PragerU – e legendado por este que vos fala -, explica como funciona o processo de fabricação de notícias falsas pela mídia americana. Nota-se que lá, como cá, os veículos de comunicação converteram-se em propagadores das bandeiras de Esquerda, com ela compartilhando métodos espúrios e assassinando reputações sempre que necessário.

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13 perguntas para os manifestantes anticapitalistas na reunião do G20

Polícia impede avanço de manifestação contrária ao G20 nesta quinta-feira (6) em Hamburgo (Foto: STEFFI LOOS / AFP )
Tema do protesto em Hamburgo é “bem-vindos ao inferno”.

“A polícia da Alemanha dispersou nesta quinta-feira (6) uma manifestação contrária à reunião do G20 em Hamburgo, na Alemanha. O tema do protesto, que é também usado como hashtag em redes sociais, era “Bem-vindos ao inferno” (#welcometohell). A polícia agiu quando um grupo de black blocs, mascarados e com roupas pretas, se misturou aos outros manifestantes. À frente da marcha, um grande cartaz pedia para “esmagar o G20” (“smash G20”). Ela foi convocada por uma autodenominada “aliança autônoma anticapitalista”.

Seguem algumas singelas perguntas para este pessoal politicamente engajado que tão valentemente luta “contra o capital e a exploração do mercado” – eufemismo para idiota útil:

-> Quantos deles ainda moram com os pais e vivem de mesada?

-> Quantos deles foram às ruas vestindo tênis da Nike, agasalho da Adidas, óculos Ray-Ban e com o Iphone em riste para filmar tudo e bombar nas redes sociais?

-> Que sistema pretendem eles implantar após a sonhada abolição do capitalismo? Alguma novidade elaborada por intelectuais ungidos na Sorbonne, ou a alternativa é o ruim e velho socialismo mesmo, em alguma de suas muitas versões e variantes, do chavismo ao maoismo, que, ao fim e ao cabo, sempre acabam por “deturpar Marx” e motivar novas tentativas de implantá-lo?

-> Quantos deles arrumaram a cama antes de sair de casa?

-> Quantos daqueles que estão raivosos com a recusa de Donald Trump a tomar parte do acordo do clima em Paris tiveram acesso a algum material que refute as cascatas que dominam a discussão sobre o tema, e quantos limitaram-se tão somente a assistir à “Uma Verdade Inconveniente” comendo pipoca feita em um micro-ondas produzido por alguma empresa capitalista poluidora e opressora, e bebendo Coca-Cola?

-> Quantos daqueles que pedem “igualdade” já fizeram doações à caridade ou passaram seu fim de semana prestando serviços gratuitos para um orfanato ou casa de repouso de idosos?

-> Quantos deles recebem subsídio estatal (ou seja, provido com o dinheiro cobrado dos pagadores de impostos) de qualquer espécie para estar ali fazendo baderna sem precisar trabalhar?

-> Quanto de dinheiro da Open Society Foundation, de George Soros, foi injetado como patrocínio para esta turba ruidosa?

-> Quantos deles estão cientes da ameaça globalista, que faz uso do mesmo discurso coletivista para justificar interferências de entidades supranacionais nas soberanias de seus países?

-> Quantos deles tem ciência que em países comunistas (inclusive na Alemanha Oriental) seria impossível realizar tal protesto, pois seriam eles reprimidos com tiro, porrada e bomba – tal qual vem fazendo Maduro na Venezuela, que matou mais de cem cidadãos “insatisfeitos” com a fome e a miséria em menos de um mês?

-> Quantos desses que clamam por “mais democracia” – fazendo uso de atos terroristas neste intento – estão preocupados com a iminente islamização da Europa, a qual, uma vez convertida em um continente de teocracias muçulmanas, reprimiria com a morte até mesmo manifestações pacíficas do gênero, e conduziria os sobreviventes à forca em praça pública – além de rir dos clamores por eleições livres e “Estado laico”?

-> Quantas destas pessoas que afrontam a autoridade policial nunca precisaram chamar a polícia em situações de emergência?

-> Quantos destes rebeldes marionetes dos bilionários que lucram com o capitalismo de compadres (muitos dos quais estão, ironicamente, participando da reunião de líderes do G20) tem noção de que são massa de manobra das mais descartáveis?

Aguardo retorno…

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Homens buscam “amor” – e uma fuga da realidade – em bonecas de silicone

 

Doll
Sorria, querida…

“Quando o fogo da paixão se apagou definitivamente entre ele e sua esposa, Masayuki Ozaki tomou uma decisão curiosa para preencher seu vazio: comprou uma boneca de silicone que se tornou – ele garante – o amor de sua vida.

Com tamanho natural e aparência muito realista, apesar do olhar perdido, Mayu divide sua cama na casa da família em Tóquio, onde também moram sua mulher e a filha adolescente do casal.”

(…)

“Meu coração bate a mil por hora quando volto para casa com Saori”, garante Senji Nakajima, de 62 anos, enquanto vai fazer piquenique com sua companheira de silicone.

“Nunca me passaria pela cabeça enganá-la, nem com uma prostituta, porque para mim ela é humana”, explica este empresário, casado e pai de dois filhos.

(…)

Estes episódios insólitos recentemente noticiados dizem muito mais sobre o atual estágio que atravessa a humanidade do que possa parecer à primeira vista, na medida em que evidenciam o despreparo emocional de parcelas crescentes da população para lidar com a imperfeição daqueles que nos rodeiam, para aceitar as falhas dos arranjos sociais que firmamos, e a decorrente necessidade de buscar alternativas fora do mundo real.

Primeiramente, faz-se necessário enfatizar que tal fenômeno não é uma exclusividade do povo nipônico – que consome em torno de 2000 bonecas ao ano. A produção destes objetos inanimados na Europa também vem se tornando bastante significativa, muito embora os modelos de maior sucesso no mercado ainda sejam produzidos artesanalmente.

Boneca

Vida real e arte costumam imitar-se mutuamente, e não foi diferente com as situações narradas na matéria supracitada. No filme Ela (2013), o protagonista (Joaquin Phoenix) apaixona-se pela sistema operacional de seu computador, que possui a capacidade de comunicar-se com o proprietário da máquina com uma voz feminina (Scarlett Johansson).

Quando conta a novidade para sua ex-namorada, ela reage dizendo-lhe o óbvio: que ele não é capaz de envolver-se com pessoas de carne e osso e seus defeitos inerentes, e acabou por “encontrar a felicidade” em um programa desenvolvido para ser “perfeito” – ou seja, totalmente adequado aos desejos do consumidor (o software varre a Internet em busca de informações sobre o usuário, traça seu perfil e passa a agradá-lo, dizendo sempre o que ele quer ouvir).

A ironia é que, ao final do enredo, o personagem é traído pela máquina, que se apaixona por outro sistema operacional, deixando claro que, não importa o que façamos para contornar as vicissitudes dos relacionamentos afetuosos, não há como evitar os conflitos afetivos, éticos e morais que uma história de amor pode suscitar. Esta é uma “compra casada” da qual não há como fugir nem apelar ao Procon: ou adquiri-se o pacote completo, com tristezas e alegrias sortidas dentro da caixa, ou passar bem (mal).

Tal forma de encarar a existência e suas facetas menos agradáveis como parte da natureza na qual estamos imersos e da qual não temos como nos esquivar assemelha-se, em muito, ao que Thomas Sowell denominou, em sua obra Os Intelectuais e a Sociedade, como visão trágica, a qual teria poucas soluções a oferecer, mas sobrar-lhe-iam negociações dolorosas a realizar:

“Soluções não são esperadas pelos que consideram muitas das frustrações, doenças e anomalias da vida – o aspecto trágico da condição humana – algo que está diretamente relacionado às inerentes restrições dos seres humanos, tanto individual quanto coletivamente, espiritual ou fisicamente.”

Buscar a perfeição, notadamente em outros seres humanos, seja no convívio social ou nos relacionamentos amorosos, costuma conduzir à solidão, a tentativas patéticas de reconhecer características humanas em corpos inertes ou em qualquer coisa que responda a estímulos, ou pior ainda: a endossar experiências que visam moldar pessoas a teorias que intentam atingir o paraíso na terra.  

Há forte correlação, pois, entre as ideias que pregam ser possível edificar civilizações utópicas com este sentimento de rejeitar as idiossincrasias da personalidade daqueles com quem convivemos. Regimes de governo totalitários costumam alçar-se ao poder apostando, justamente, nesta vã esperança dos cidadãos de viver sem problemas, sorrindo de manhã à noite.

Impossível não lembrar, neste contexto, o que se passa em Admirável Mundo Novo – clássico da literatura que mostra como seria uma sociedade totalitária e utópica, onde não existem crimes, guerras e doenças, a comunidade é perpetuada através de seres humanos geneticamente criados, bebês nascem com seu destino preparado por um Estado que tudo sabe, que tudo vê e que está presente em todas as instâncias da vida dos indivíduos.

O fatídico desenlace da narrativa não deixa dúvidas: a morte, nesta conjuntura, seria a única forma possível de afirmar a liberdade e a individualidade diante do mundo padronizado, de recusar-se a participar de uma sociedade massificada em que nem mesmo o desejo de isolar-se seria respeitado pelos engenheiros sociais.

Pois foi o que ocorreu, por exemplo, no Camboja destroçado pelo Khmer Vermelho do “intelectual” formado na Sorbonne Saloth Sar (Pol Pot), o qual, ao ser responsabilizado pelo genocídio de 1/3 da população do país, alegou em sua defesa que “sempre quis apenas a justiça social” para seu povo – motivação comum entre tantas outras carnificinas provocadas por utopias coletivistas no século XX.

Ou seja, estimular a falta de empatia entre os membros da sociedade é o estopim ideal para que instituições governamentais ofereçam-se como “mediadoras de divergências”, dispostas a harmonizar esta coexistência, ditando normas e interferindo em todo e qualquer aspecto da vida das pessoas. Segundo o escritor John T. Flynn, os adeptos do socialismo fabiano (vertente do comunismo avessa a revoluções violentas):

Perceberam prematuramente o imenso valor das reformas sociais em acostumar os cidadãos a ver o estado como a ferramenta para curar todas as suas doenças e inquietudes. Eles viram que uma agitação em prol de um estado assistencialista poderia se tornar o veículo ideal para incutir idéias socialistas nas mentes do cidadão comum.

Nesta empreitada em prol da concentração de poder nas mãos de um Estado dirigista,  a patrulha politicamente correta exerce papel crucial, na medida que gera múltiplas  desavenças por onde passa, criando animosidades entre supostos opressores e oprimidos em todo lugar, jogando negros contra brancos (buscando justificar cotas raciais em processos seletivos), patrões contra operários (buscando justificar a manutenção de leis trabalhistas obsoletas), e, dentre tantos outros casos, forjando intrigas dentro do seio familiar – tanto jogando filhos contra pais como esposas contra maridos.

Após décadas com estes movimentos semeando ódio entre homens e mulheres e convencendo ambos os sexos da impossibilidade de uma vida conjunta, não é de se estranhar que, eventualmente, alguém comece a desistir de vez de estabelecer relações com pessoas reais e comece a apelar para bonecas de silicone ou a tratar animais de estimação como se filhos fossem. 

E tal qual o cachorro que ingere um comprimido em meio a um pedaço de pão oferecido por seu dono sem nem perceber, também esta sensação de que as imperfeições daqueles com quem compartilhamos ambientes e momentos seriam insuportáveis é transmitida via mídia.

O seriado da rede Netflix intitulado Bloodline (linhagem, em tradução livre) faz sua parte neste esforço ao apontar que os laços sanguíneos de uma família de uma pequena cidade litorânea seriam os responsáveis por motivar crimes da mais alta monta. 

Há também uma grande influência, neste processo, exercida pela escola e pela academia, as quais, especialmente por meio da propagação da “ideologia do oprimido”, torna os estudantes, desde a mais tenra idade, pessoas mimadas e despreparadas para ouvir “não” e para serem contrariados.

O ser humano adulto (mas infantilizado), destarte, torna-se hipersensível às diferenças que precisam ser ajustadas de comum acordo quando da decisão de namorar, morar juntos, casar. Torna-se, outrossim, emocionalmente incapaz de absorver experiências ruins eventualmente vivenciadas, com elas aprender a lidar e a partir delas amadurecer.

LFP

Todas os embates que naturalmente surgem (o tal do leão que precisa ser morto todo dia), assim, vão formando o convencimento do indivíduo de que é impossível a relação a dois – e redundando na corrente onda de divórcios (prejudicando sobremaneira os filhos, sobrem quem recaem os piores efeitos desta decisão).

Soubessem estas pessoas que, na média, homens casados geralmente ganham mais do que solteiros, ou que pesquisas comprovam que as mulheres representam em torno de 80% das decisões de compras realizadas por consumidores casados, talvez este interesse na separação diminuísse – mas tais informações, por óbvio, precisam ser sonegadas, sob o risco de atrapalhar os planos da agenda igualitarista. 

A evolução da tecnologia (a preços acessíveis), a seu turno, trouxe para os indivíduos a sensação de que a perfeição também como pessoas seria possível ou desejável de ser atingida, mas a despeito da incrível capacidade de todas as máquinas que nos cercam atualmente, seguimos sendo os mesmos seres falíveis de outrora, cujos tropeços devem ser compreendidos e perdoados, sob pena de todas as vantagens do convívio social serem jogadas fora por questões de puro capricho.

É como comparar a saga O Senhor Dos Anéis com As Crônicas de Gelo e Fogo: os personagens da primeira não transam, escarram, defecam ou mesmo morrem se forem “mocinhos” da história; os da segunda fazem tudo isso. E é justamente esta identificação com nossas imperfeições humanas um dos fatores que fazem “Game of Thrones” quebrar recordes sucessivos de audiência.

A lição é que a realidade, ainda que nojenta ou dolorida, deve ser sempre encarada e enfrentada. A alternativa é fugir dela, ao estilo dos japoneses lá do início ou enchendo as fuças de crack ou heroína. Não, né? 

Nas palavras de Roger Scruton, “Todos são impacientes com as imperfeições da Civilização Ocidental. Todos procuram uma ideologia mais eficiente. Todos se preparam para uma guerra civil, adotando a categorização de classes por seus efeitos explosivos em uma sociedade coesa”.

E os frutos desta impaciência são, invariavelmente, a perda da liberdade e da dignidade.

OC

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