Como Formam-se os Preços – e os Casais!

 Melhor Preço

Há certas ocasiões em que tanta coisa já foi dita sobre um determinado evento, que tudo aquilo que pensamos e poderíamos ter dito sobre o fato já foi falado, ou escrito. É o caso do estupro da adolescente do RJ, que ganhou a mídia nos últimos dias. De qualquer forma, aproveito o ensejo para ilustrar como o respeito a uma determinada regra do livre mercado, quando aplicada a relações interpessoais, pode ajudar a evitar que abusos (de toda ordem) ocorram: a formação de preços. À primeira vista, pode parecer pouco sensível comparar pessoas a commodities, mas vos garanto que, na realidade, nós fazemos isso o tempo todo, de forma intuitiva.

Vamos imaginar uma situação bastante corriqueira na elucidação: uma festa com homens e mulheres, todos solteiros. Antes de prosseguir, justifico o porquê de usar uma situação tão trivial: o capitalismo não consiste em um sistema implantado por uma autoridade, mas sim em um processo natural de trocas voluntárias – diferentemente do comunismo, o qual precisa ser imposto, de cima para baixo, e de forma autoritária, “se preciso for” (acredite, não é uma coincidência ou simples falta de sorte que toda experiência socialista termina como uma ditadura comunista).  Assim sendo, quando mais prosaica a situação hipotética, melhor. No caso, o caráter essencialmente voluntário das trocas capitalistas também desempenha importante papel na metáfora.

Consideremos que, em uma determinada noite, 40 homens e 10 mulheres compareceram a uma “balada”, e que cada um dos solteiros gostaria de ir embora acompanhado por uma mulher. Desnecessário dizer que, nas circunstâncias, o “preço” de conseguir tal proeza tornou-se bem alto, já que há muita demanda e pouca oferta – os elementos básicos da composição do preço no livre mercado.

Diante deste cenário, as mulheres não apenas podem, mas DEVEM ser muito exigentes na escolha do parceiro, pois desta forma estarão prestando dois serviços essenciais ao “mercado de solteiros”:

  • Alertar a todos sobre a escassez de mulheres na festa: basta comparar com a recente mudança na política tarifária da energia elétrica na Argentina. Durante o governo populista dos Kirchner, havia forte subsídio estatal (leia-se: o Estado retirava dinheiro dos pagadores de impostos, e usava para abater a conta de luz dos… pagadores de impostos!), o que fazia com que até os ricos pagassem pela conta de luz o equivalente a dois litros de leite. O resultado? Desperdício de energia elétrica e, claro, apagões. Só agora os Argentinos reaprenderam a reduzir o consumo de luz, e a administrar esse produto escasso – graças ao “aviso” (cortados os subsídios, o preço subiu) enviado por Macri e sua equipe econômica.

Repare-se também na semelhança com o desabastecimento enfrentado pelos Venezuelanos, gerado, inclusive (mas não somente), em decorrência do tabelamento de preços (ou seja, o governo passa a mensagem errônea de que os produtos não estão escassos, provocando fome e suscitando um mercado negro de comida) determinado por Maduro.

  • Incentivar a competição entre os pretendentes: Não há melhor mecanismo de estímulo à produtividade do que premiar o esforço e o mérito. E aqui não é diferente: certamente, os solteiros vão ter que “rebolar” (talvez até literalmente) para não irem embora sozinhos. Se não houver “jogo duro” por parte das solteiras, não haverá motivo para empenho, em breve todas estarão acompanhadas, e a escassez de mulheres se fará sentir rapidamente. É assim que grandes empresas, que oferecem excelentes carreiras e altas remunerações (cuja relação entre candidatos e vagas vai muito além deste mero 40/10), selecionam seus empregados: sabedoras da forte demanda por seus cargos, exigem muito dos aspirantes, o que lhes motiva a procurar evolução e capacitação profissional.

Mulher sendo cortejada

Aqui, nota-se que houve a formação de um oligopólio natural, ou seja, um pequeno número de mulheres “domina” a festa, mas isso não é decorrência de nenhuma determinação legal. Vale dizer: ninguém proibiu mais mulheres de comparecerem ao evento. Ao mesmo tempo, nenhum fator impede que os solteiros saiam do estabelecimento e dirijam-se a outro recinto mais frequentado por solteiras (o que é bastante comum, a propósito). Todos estão ali de espontânea vontade, e da mesma forma permanecerão – ou não.

Percebam quanta diferença quando comparamos, por exemplo, com o serviço de táxi, um bom exemplo de um monopólio artificial. Existem barreiras legais à entrada de novos motoristas na atividade econômica (permissão da prefeitura), o que impede os usuários de optarem por outro serviço do gênero. Eis por que a grita foi tão alta com o surgimento de serviços como Uber e Willgo, pois eles quebraram um monopólio “no muque” (nem pediram licença para entrar). E melhoraram nossa vida, enfatize-se – pelo menos enquanto as prefeituras não “regularem” esses serviços (leia-se: taxarem-lhes até os olhos, para não ficar “injusto” com os taxistas; a alternativa de aliviar a tributação dos táxis, nem se cogita, óbvio).

Mas e se o dono da casa noturna quiser dar uma “forcinha” aos solteiros (pensando, claro, em seu próprio benefício), aumentando o número de solteiras na festa? É possível, com certeza. Mas seria algo desejável? Vejamos.

Tal atitude caracterizaria, na economia real, uma intervenção do Estado, sob a forma de subsídios a determinados setores e empresas. Podemos pensar em exemplos positivos, como a implementação da Zona Franca de Manaus (fosse um expediente apenas temporário, seria ótimo), ou então da “guerra fiscal” entre estados ou municípios. Na prática, o empresário precisaria conceder algum benefício às mulheres, como pagar menor valor na entrada, ou simplesmente não pagar. Como dinheiro não surge do nada (a não ser quando o governo imprime moeda), os solteiros iriam arcar com o custo desse privilégio, pagando mais caro para entrar.

Tal prática é utilizada com habitualidade por empreendedores do ramo, e costuma trazer bons resultados. Atrair determinados investidores diminuindo a margem de lucro costuma ser feito por governantes também, ao passo que outros preferem espantá-los com cobranças exorbitantes de toda ordem. Trata-se de medida que pode, até mesmo, ajudar a combater o trabalho em condições degradantes, em rincões longínquos do Brasil (estimulando mais empreendedorismo nessas regiões, gerando empregos e dificultando, assim, a vida de verdadeiros “coronéis” e “barões” destes confins).

Cabo de Guerra

Então, tudo certo! Desde que esse empresário não faça nenhum lobby junto ao poder público e coloque-se em vantagem competitiva indevida em relação às demais casas noturnas da cidade, sem problemas. Essa disputa entre os estabelecimentos favorecerá todos os clientes, e todos os gostos e bolsos serão contemplados.

 O que não estaria nada certo, em hipótese alguma? O empresário permitir que, diante da circunstância, assédio sexual ocorra em seu estabelecimento. A segurança das hipossuficientes e vulneráveis (no caso, as mulheres) deve ser garantida pelo proprietário, tal qual é dever do Estado (positivado em leis como a Maria da Penha).

Mais estapafúrdio ainda seria ele determinar que as solteiras não pudessem recusar investidas de solteiros! Pode soar surreal, mas não é muito diferente do que ocorre nos casamentos arranjados da Índia, do Orienta Médio e alguns países Africanos. É difícil me convencer que obrigar uma mulher a casar com um homem que, muitas vezes, ela sequer conhece, não caracterize estupro – ainda que ocorra por preceitos religiosos.

Felizmente, estamos no Brasil (e no Ocidente, bom frisar), e aqui, caso tal disparate ocorra, as mulheres, na melhor das hipóteses, apenas deixarão de frequentar a casa noturna; na pior, chamarão a polícia e os meliantes serão conduzidos à delegacia. E eles que rezem para não irem parar na cadeia por esse motivo…

Casamento arranjado

Se esse processo todo, em que solteiros buscam solteiras, e investidores buscam lucros, formando, assim, preços no mercado, é visto como natural por boa parte da gente, por que ocorre tão frequentemente a demonização do capital?

Meu palpite: o que incomoda a maioria das pessoas não é a desigualdade financeira, mas a impossibilidade de uma vida digna por muitos que compõem a base da pirâmide social. Ora, mas isso é fácil de resolver: mais livre mercado! Quem se der ao trabalho de procurar o ranking Heritage de Liberdade Econômica (facilidade de abrir e fechar empresas, legislação trabalhista, carga de impostos, burocracia, etc.) vai perceber a correlação positiva com os níveis de IDH (índice de desenvolvimento humano) e de emprego, ou seja, baixa taxa de desemprego. Assim como na economia Liberal, na vida afetiva “há sempre um chinelo velho para um pé cansado”, como diz o provérbio português.

O importante é que todos possam ter o mínimo para viver bem, pouco importando quanto tem os que compõem o topo da pirâmide. Mas é claro que sempre haverá quem olhe com olhar invejoso para alguém dirigindo uma Lamborghini, ou para algum casal feliz. Bom, se não existisse inveja, não haveria Comunismo…

Inveja Leleco

Para finalizar, eu ouvi muitas pessoas afirmando que no Brasil há uma “cultura de estupro”. Nem vou entrar no mérito se a assertiva é procedente ou não. Vou apenas sugerir, para quem está preocupado com isso, que estimule o Conservadorismo no Brasil! Sim, não há quem possa tratar melhor uma mulher do que um conservador. E hoje, infelizmente, muitos olhares tortos são desferidos quando se menciona estas palavras. “Too bad”, como dizem os “imperialistas Ianques”.

Um último conselho às solteiras: “avaliem e precifiquem” seus possíveis companheiros sem nenhum medo de estarem sendo preconceituosas. Andar com traficantes de drogas que postam fotos empunhando fuzis aumenta (bastantinho) as chances de acontecer algo MUITO ruim – seja lá o que for. Talvez esta garota carioca tivesse escapado da tragédia se tivesse ouvido falar sobre o psiquiatra Theodore Dalrymple, e sua análise a respeito do aumento da violência doméstica, em período recente, na Grã-Bretanha: “Elas aceitaram, talvez sem saber, o preconceito moderno contra o preconceito (casaram com homens que já haviam batido em ex-esposas), preconceito esse que, no caso delas, poderia tê-las poupado de espancamentos, e por vezes da morte.”

E de estupros.

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O Gigante que Mata, Mutila e Humilha:

Giant Government

Associar os milhares de acidentes de trabalho fatais e graves que ocorrem anualmente no Brasil (em média 700 mil) à busca descomedida de ganhos por parte do empregador: eis uma prática bastante recorrente no Brasil, mas que se presta tão somente a apontar um motivo aparente dessa calamidade, e passa muito longe de construir uma solução definitiva.

Em uma sociedade livre, nada mais natural que cada um defenda seus interesses, desde que não sejam agredidos direitos de outrem – no caso, estaria sendo prestigiado o lucro em detrimento do direito coletivo a um meio ambiente laboral saudável. Todavia, será que o Estado brasileiro não estaria tolhendo a iniciativa privada dos meios necessários para a consecução deste comando constitucional (Capítulo II, art. 6º, inciso XXII)? Ou por outra: tratar-se-ia o imbróglio apenas de má vontade e negligência dos empresários descumpridores das normas de segurança e saúde no trabalho?

 Uma significativa parcela desses acidentes (além de doenças ocupacionais desencadeadas) ocorre na indústria da transformação.  É sabido, todavia, que esta atividade econômica encontra-se em estado de penúria, tendo regredido sua participação no PIB nacional a níveis dos anos 1950. E as razões apontam todas na mesma direção: a sanha arrecadadora do Estado – e sua incapacidade de devolver serviços de qualidade aos pagadores de tributos.

O fisco, quando avança de forma tão voraz sobre a produção no país, apropria-se de rendimentos que seriam reinvestidos nas empresas; O Banco Central do Brasil, quando percebe o potencial inflacionário contido no nível de consumo da economia e decide elevar juros para coibir parte desta demanda, engessa parte dos investimentos da indústria; a deficitária infraestrutura causa diversas perdas no transcurso do processo produtivo, aumentando os custos totais de produção; a falta de qualificação crônica da mão de obra onera a atividade econômica (que frequentemente precisa assumir os custos de capacitar os empregados praticamente do “zero”), reduzindo a eficiência do setor como um todo.

Disso tudo advêm dois resultados básicos: o primeiro, mais evidente, é que a Indústria, descapitalizada em razão da conjuntura econômica predominante há décadas em nosso país, fica sem possibilidade de investir em renovação de seu maquinário, permanecendo o parque fabril brasileiro com equipamentos muito antigos (alguns parecem medievais), os quais não atendem aos requisitos mínimos de segurança operacional – inclusive a prensa mecânica por engate de chaveta, que teria subtraído um dedo de Luiz Inácio.

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O segundo, não menos nefasto para os trabalhadores, é que as empresas, no afã de reduzir prejuízos, acabam cortando custos (dentre outras áreas) em segurança e saúde laboral, adiando (Ad Eternum), por exemplo, a adequação de suas máquinas e equipamentos aos ditames da Norma Regulamentadora nº 12, medida essencial para redução de probabilidade de acidentes.

Incrementar os níveis de segurança ocupacional, aliás, não seria tão dispendioso se as empresas nacionais pudessem fazer uso, de forma mais frequente, de soluções caseiras, normalmente mais baratas. Todavia, elas esbarram em outra grande deficiência brasileira: a inovação!

Adotar práticas inovadoras em meio a tanta insegurança jurídica já seria uma aventura, mas há outros fatores que emperram essa iniciativa, notadamente a escassez de crédito de longo prazo disponível no mercado para essa finalidade (fazendo com que as empresas precisem usar seus parcos recursos próprios), e, claro, a educação, onde a formação profissional científica, em especial na área de Engenharia, é preterida pela formação em Humanas (eis porque profissionais em Tecnologia da Informação são muito requeridos no mercado nacional). Nem teria como ser diferente, visto que a base em Matemática e Física dos alunos egressos dos níveis fundamental e médio costuma ser muito fraca – talvez não sobre muito tempo para ensino dessas matérias depois de tanto proselitismo político em sala de aula.

Inep 2011

Métodos de produção arcaicos (bastante dependentes de utilização de força física do trabalhador), muito presentes ainda no Brasil, além de reduzirem a competitividade das empresas nacionais, colaboram para o surgimento de doenças decorrentes de inconformidades ergonômicas, como lesões de esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT).

Já a automação de determinados processos industriais, a seu turno, possui o condão não apenas de aumentar e melhorar a produtividade, mas também de oferecer mais segurança em atividades que envolvam temperaturas extremas, explosivos, fundições, processos químicos e outros geradores de riscos demasiadamente altos para trabalhadores humanos. Entretanto, esta possibilidade também se depara com uma barreira: o número de alunos do ensino médio no Brasil que frequentam ensino técnico gira em torno de 9% (muito pouco comparado aos 54% da Alemanha). Assim, automação, no Brasil, normalmente implica em redução do emprego, pois é muito difícil adaptar os empregados que perderam seus postos de trabalho para atividades mais complexas.

Ressalte-se que há outro fator que incentiva empregadores a exporem empregados a condições inadequadas de segurança: o baixo custo de descumprir as normas. Fiscalizações muito esporádicas (que geram concorrência desleal entre o empregador que foi compelido pelo Estado a cumprir as normas, e aquele que não as cumpre porque nunca foi auditado), multas de baixo valor, alta ocorrência de suspensão de embargos e interdições pela via judicial, baixos valores obtidos no Judiciário a título de indenizações por invalidez ou morte, e não responsabilização criminal por acidentes fatais.

Tudo isso desestimula o empresário a arcar com os severos custos de seguir à risca todas as obrigações legais. É aritmética básica. E assim segue a sina do brasileiro honesto, que se sente “otário” assistindo seu competidor “se dando bem” em cima de sua retidão moral.

Caso o leitor esteja se perguntando por que um trabalhador se submeteria a condições perigosas de labor, a resposta é simples: ele precisa! Como o Estado estrangula a iniciativa privada, ele reduz os postos de trabalho, e assim o empregado, para sustentar sua família, acaba por não ter alternativa melhor. Pelo mesmo motivo, alguns ainda preferem laborar em atividades ainda mais perigosas ou insalubres, posto que perceberão remunerações maiores.  Outra evidência do mesmo fato: até mesmo trabalhadores resgatados de condições degradantes, por vezes, acabam retornando para o mesmo empregador.

 NR-35

Acidentes de trabalho e doenças laborais geram déficit na Previdência Social (pagamento de auxílio-doença e acidentário, aposentadorias por invalidez e pensões por morte), bem como altos gastos para o SUS. Além do prejuízo financeiro para o Estado, esta conjuntura torna muitos (outros) brasileiros dependentes do Estado, uma vez que eles não mais podem valer-se da própria força de trabalho para garantir sua subsistência. Terrível para sua autoestima – e para a democracia.

Chaveta II

Transformar uma máquina de moer gente em um posto de trabalho relativamente seguro custa dinheiro. Então, se o Estado quer que o empresário promova tais adequações, poderia começar diminuindo a carga tributária escorchante. Quem sabe os sindicatos, que existem para defender o interesse de seus contribuintes (no caso, TODOS os trabalhadores, visto que não há como optar em “contribuir” ou não) poderiam dar um tempo nos protestos de legalidade duvidosa, e encampar uma luta pela reforma e simplificação tributária? A luta continua, companheiros! Ou… a alternativa é continuar enxugando gelo – e empilhando membros e corpos de inocentes.

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O Jogo “Banco Imobiliário” X Economia na Vida Real

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Era um jogo que estimulava a acumulação de capitais e ativos imobiliários, lançado em 1935, durante a grande depressão econômica causada pelo crash da bolsa de Nova York, que tinha tudo para dar certo, e deu mesmo: a Hasbro, empresa que produz o jogo, estima que mais de 200 milhões de unidades já tenham sido vendidas, e hoje já é possível jogar até mesmo pelo celular ou Facebook. Em razão de seu conteúdo que, supostamente, incita o “Capitalismo desenfreado”, o jogo foi proibido na União Soviética até 1987.

Inspirado no “jogo do senhorio”, o Monopoly (que não tinha esse nome nos USA à toa) e seu antecessor pretendiam – além de proporcionar lucros a seus desenvolvedores, por certo – ilustrar a injustiça social que seria criada pela propriedade da terra, e que monopólios seriam fontes de desigualdade e pobreza. Todavia, as lições que podem ser aprendidas a partir de uma simples partida desse clássico da diversão demonstram que, na verdade, o que faz com que os perdedores acabem “à míngua” são as barreiras impostas pelas regras do jogo – e que muito se assemelham ao intervencionismo estatal experimentado pelo Brasil e outros países de economia pouco Liberal.

A “riqueza” existente no jogo é limitada. Se um jogador ganhar muito dinheiro e amealhar propriedades por todo o tabuleiro, os demais jogadores, necessariamente, estarão prestes a falir – ou seja, trata-se de um sistema de “soma zero”, onde a abastança de um passa obrigatoriamente pelo empobrecimento dos demais. Tal característica do jogo, gerada pelo fato de que o capital disponível está adstrito às peças de papel e plástico (nem poderia ser diferente, ou a partida não teria fim), já o difere por completo da vida real, onde é possível gerar riqueza de forma infinita – desde que não haja muitas regras e empecilhos de ordem prática restringindo essa geração, tal qual no jogo.

Tome-se o próprio Monopoly como exemplo: uma determinada quantidade de plástico, papel e tinta, dispostos sem nenhum arranjo, possui valor de mercado muito baixo. Entretanto, somem-se esses insumos a uma boa ideia (e aí entra educação), à intenção de empreender e ganhar dinheiro (sem que isso seja visto como um crime), à tecnologia que permite a impressão em série e a baixo custo de várias unidades, aos transportes que farão a distribuição do produto acabado (infraestrutura), dentre outros fatores que compõe a cadeia produtiva, e o resultado é a concepção de um jogo que movimentou bilhões de dólares desde sua criação, gerando muitos empregos e prosperidade – e lucro, claro – além de entretenimento. Obviamente, o universo do jogo precisa ser circunscrito ao tabuleiro e suas regras, mas a economia real não – muito embora diversos governantes não pareçam concordar.

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Outra crítica contumaz que costuma ser feita é que, durante uma partida de Banco Imobiliário, é comum ocorrer a formação de monopólios, onde somente um jogador vai possuir quase todos os hotéis e terrenos da cidade. Trata-se, no caso, de um monopólio artificial, pelo fato de que existem barreiras que impedem a entrada de novos investidores na atividade econômica em questão – no caso, o número limitado de peças de plástico, de cartas e de jogadores.

Eis aí outra faceta do jogo que difere da economia real, onde na formação de monopólios naturais (isto é, sem que imposições legais ou estruturais dificultem ou impossibilitem o ingresso de novos empreendedores no mercado), caso o monopolista abuse do preço praticado, ocorre, invariavelmente, o seguinte ciclo: o consumidor considera que o preço daquele produto ou serviço está além de sua margem de renda e para de consumir/ surge a demanda por aquele mesmo produto ou serviço dentro de patamares razoáveis de preço/ surgem novos fornecedores visando atender essa demanda reprimida pelo monopolista/ a concorrência volta ao mercado, junto com preços mais baixos e melhor qualidade. Isto tudo, claro, se empreender no país considerado não for uma aventura ingrata através de uma selva de tributos, legislação e pagamentos de propina, como no Brasil.

Tome-se como exemplo a Apple, que logo após a invenção do smartphone por Steve Jobs, possuía o monopólio da venda deste aparelho (somente ela detinha a tecnologia inovadora). Como se tratava de um monopólio natural, não havia empecilhos legais à entrada de novos fornecedores do mesmo produto no mercado. Foi exatamente o que ocorreu, quando a Samsung (seguida, na sequência, por diversas outras companhias) passou a competir pelo mesmo segmento, fazendo com que surgissem smartphones mais baratos e com praticamente as mesmas funções do Iphone. Durante o período de monopólio, a Apple poderia cobrar o quanto quisesse por seus celulares, sabedora, porém, de que não deveria extrapolar a margem de renda disponível de uma parcela alta de seus consumidores, sob o risco de criar uma demanda por aparelhos mais baratos – precisamente como ocorreu!

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Há outra diferença entre o jogo e a vida real, mas esta seria interessante que não existisse: não há como o banqueiro do jogo imprimir mais dinheiro (notas) durante a partida, ao passo que governos perdulários adotam (e como adotam) a estratégia de emitir títulos da dívida para cobrir o déficit público, criando dinheiro “do nada”, sem lastro em aumento da atividade produtiva – gerando, indefectivelmente, o imposto mais severo com os pobres: a inflação.

Ficar sem dinheiro no jogo significa a derrota, o fim, sair do tabuleiro e só voltar na próxima rodada. Mas em uma economia saudável, uma empresa vir a falir não apenas faz parte do processo natural em que os consumidores escolhem livremente quais fornecedores atendem melhor suas necessidades, como também não constitui, necessariamente, o final da linha para os empreendedores falidos. No Brasil, infelizmente, encerrar as atividades de uma empresa é um processo desgastante, muito burocrático e que requer tempo e paciência do empresário. Dependendo da quantidade de pendências que possui, o tempo para fechar a empresa pode chegar a um ano. Além disso, o custo de fechamento de uma microempresa de serviços, por exemplo, que não estiver com nenhuma dívida pendente, pode ultrapassar mil reais entre taxas e encargos.

Por isso falir, em nosso país, pode significar o fim da linha, como no Monopoly, mas em países que seguem as recomendações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), nos quais o número de procedimentos requeridos para abertura e fechamento de um negócio não costuma passar de cinco (em torno de 12 dias), fica bem mais fácil virar a página e partir para outra. São muitos os casos de empresários que fracassaram e deram a volta por cima, como Walt Disney, cujo primeiro estúdio de animação faliu em 1922, e em 1928, em seu novo estúdio, criou o personagem Mickey Mouse. O resto da história todos conhecem.

O Estado, portanto, deve facilitar a vida de empreendedores que foram à bancarrota e pretendem reerguerem-se, não apenas visando a manutenção dos empregos gerados, mas também para que o empresário consiga, pelo método de tentativa e erro, encontrar o foco correto para seu negócio – como definir melhor seu público alvo (nicho) ou voltar seus recursos para outra atividade econômica, por exemplo – e possa assumir, assim, mais riscos na condução de seus investimentos.  Caso contrário, ele ficará com receio de ampliar esses investimentos, travando o crescimento do país.

Monopoly

Chama atenção no Banco Imobiliário o fato de que todo o dinheiro vem do “banqueiro”, do qual advém todas as notas do jogo. Este monopólio do agente emprestador lembra bastante a realidade brasileira e seus juros altos – estabelecidos, ente diversos outros fatores, pela falta de concorrência entre instituições financeiras. Existem nos EUA 7.597 cooperativas de crédito, que administram US$ 916 bilhões em ativos originários de 92 milhões de associados, as quais concorrem com os bancos na oferta de empréstimos. No Brasil há apenas duas grandes cooperativas do gênero – SICREDI e SICOOB.

Jogar Banco Imobiliário implica, necessariamente, em adotar uma estratégia pouco recomendável em se tratando de investimentos: colocar todas as moedas no mesmo pote (no caso, apenas no mercado imobiliário). Eis aí outra distorção entre o jogo e a vida real, na qual o investidor precisa diversificar seus investimentos, de modo a ficar menos exposto a oscilações do mercado – principalmente porque o sucesso no jogo depende de um fator que desempenha pouca influência em nossos destinos (a não ser na hora de jogar na loteria): SORTE! Jogar dados e ganhar dinheiro são ações que só combinam em cassinos. No mundo real, obter rendimentos tem muito mais a ver com dedicação e perseverança (no caso do Brasil, BASTANTE perseverança).

Por tudo isso, pessoas com inclinações socialistas costumam apontar as situações criadas durante uma partida de Monopoly como a demonstração clara da frieza e crueldade do Capitalismo. Nada mais irreal: no jogo, os recursos são escassos, e precisariam, de fato, ser distribuídos – como se os participantes estivessem em uma ilha deserta, onde não há possibilidade de produzir mais riqueza; na economia real, porém, sempre há a possibilidade de ir além – de criar, inclusive, outros jogos (não à toa, os videogames fizeram minguar os jogos de tabuleiro, outrora muito populares).

Thinking out of the box, eis o lema. Se eu me deparo, durante minha vida, em uma situação como a de alguém que está indo mal em uma partida de Monopoly, eu paro de rodar o tabuleiro pagando aluguéis altos, apenas torcendo para passar logo pelo início para ganhar mais 200 dinheiros (equivalente a esperar o fim do mês para receber o salário, empurrando as dívidas com a barriga): vou procurar alguém para dividir apê (como já fiz), de modo a viver dentro de minhas possibilidades financeiras; me mudo para outra região mais barata da cidade, ou até para outra cidade, buscando novos horizontes. Enfim, não há necessidade de virar o tabuleiro e aloprar – desde que tenhamos liberdade e possibilidade de buscar melhores condições de vida.

Banco-Imobiliário

Percebe-se, portanto, que há um ponto de interseção entre a diversão e a economia capitalista: não há limites para a prosperidade, tanto considerando os jogadores de Banco Imobiliário quanto os investidores, desde que haja níveis altos de poupança e pouca intervenção. Em relação aos empresários, considere-se poupança como o capital economizado hoje para investimentos futuros, e intervenção como excesso de regulação estatal. Em relação aos jogadores, tome-se poupança como salário ou mesmo mesada economizados para comprar jogos “menos violentos”, e intervenção como a ingerência indevida de terceiros no gasto da remuneração. Em suma: ninguém deve ser obrigado, no mundo real, a permanecer indefinidamente racionando recursos escassos na base do tapa, tal qual no jogo. Bom, talvez em Cuba, Coréia do Norte e Venezuela…

Antes de encerrar, um último aspecto a ser considerado: em um jogo, seja qual for sua natureza, ganha-se ou perde-se. É tudo ou nada. Ao vencedor (e apenas a ele), as batatas. Em uma economia saudável, diferentemente, o perdedor também pode ter algumas batatas, na forma de uma vida digna, mesmo sendo um microempresário ou em trabalhador que desenvolve um trabalho menos complexo – como ocorre em diversas nações desenvolvidas, onde muitos daqueles considerados pobres vivem melhor do que a classe média brasileira.

E se ainda assim o perdedor encontrar dificuldades demais em conseguir algumas batatas por conta própria, nada impede que, para tais cidadãos, seja implantado um sistema temporário de imposto de renda negativo, tal qual postulado por Milton Friedman e Friedrich Von Hayek – os verdadeiros “avôs” dos programas de transferência de renda. Ou, melhor ainda, quem sabe possamos estimular mais, em nossa cultura, as doações e ajudas voluntárias (não apenas em espécie, mas também por meio da criação de hospitais e outras organizações sem fins lucrativos, por exemplo).

Nada disso significa que eu vá aliviar na próxima vez que eu for jogar Monopoly. Lá é pé no pescoço!

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A TV Brasil se foi. E a Voz do Brasil, Fica? Por quê?

Foto - Voz do Brasil

Já não era sem tempo: a malfadada EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) vai passar por um processo de depuração, de maneira que a TV Brasil (se você não souber que canal é esse, você faz parte da maioria: Em 2012, a preferência pelo canal na Grande São Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope) deve deixar de ser propaganda partidária não oficial, cabide de emprego para “jornalista“ pelego, e desperdício de recursos oriundos de tributos. Mas se esse vazamento descontrolado de dinheiro público vai ser estancado por tais motivos, por que então não aproveitar e fechar, ou pelo menos otimizar, pelas mesmíssimas razões, outra torneira que jorra verba estatal desde 1935, testando a paciência dos brasileiros e prejudicando as rádios de todo o país? Sim, este momento de higienização dos órgãos governamentais é ideal para dar fim à Voz do Brasil – ou aperfeiçoar seu formato, na pior das hipóteses.

Idealizada pelo ditador do Estado Novo, Getúlio Vargas, com o objetivo de propagandear as realizações do governo federal, o programa tornou-se transmissão obrigatória pelas emissoras de rádio, sempre no horário das 19 horas – essa imposição só encontra parâmetro em países de regimes políticos fechados e ditatoriais, como China, Cuba e Coréia do Norte. Desde então segue intocável, sem que ninguém ouse bulir neste dinossauro da comunicação, proveniente de uma época em que até mesmo a televisão era artigo de luxo no Brasil.

A intransigência é de tal ordem que mesmo em situações excepcionais, como enchentes, as pessoas são privadas de ouvir orientações da defesa civil pelo rádio. Se seu time for jogar uma partida importante neste horário, então, esqueça a possibilidade de ouvir o jogo.

Já na época de sua criação, tenho sérias dúvidas de que as 50 rádios então existentes não fossem capazes, por si mesmas, de informar os ouvintes sobre as mesmas notícias veiculadas durante a Voz do Brasil – e fazê-lo muito mais rapidamente (sem precisar esperar até às sete da noite para noticiar fatos importantes), e com mais imparcialidade (digno de nota: quem já ouviu alguma vez este programa, e não desligou o rádio imediatamente antes que a ópera “o Guarani” parasse de ser reproduzida, certamente pensou estar ouvindo o horário eleitoral gratuito, e não um noticiário – com direito a escutar a palavra “Presidenta”).

Todavia, nos dias atuais, a conjuntura ganha contornos de escárnio com o pagador de impostos: dezenas de milhões de reais ao ano para acompanhar a saga da tocha olímpica pelo Brasil; para dar notícias já veiculadas 12 horas antes por canais de TV, rádios e portais da internet (em relação a esses, estima-se que mais de 50% da população brasileira já tem acesso à rede mundial); para reproduzir o discurso de deputados e senadores no congresso nacional naquele dia. E não há que se falar em “atingir os mais longínquos rincões do Brasil”, como tentam alguns justificar a preservação dessa cara excrecência: 75% dos brasileiros da região Norte NUNCA ouvem a Voz do Brasil; no interior de Goiás, esse número atinge 80%!

Outra faceta deste deboche com o “contribuinte” (esse eufemismo me faz recordar dos empregadores que chamam empregados de “colaboradores”): o dispêndio de dinheiro público de múltiplas formas para a mesma (duvidosa) finalidade. Os três poderes da União Federal contam hoje com emissoras próprias de TV em sinal aberto e rádios – muitas delas com redes em plena expansão (como é o caso da Rádio Senado e Rádio Câmara). Além disso, o programa A Voz do Brasil é transmitido ao vivo (inclusive com imagens dos estúdios) pelo site da EBC Serviços. Pra não mencionar que as ações governamentais já são divulgadas a custo bilionário, com direito a propagandas produzidas por grandes agências de publicidade, nos canais privados de TV. Por fim, até mesmo por meio do Facebook e do Twitter a divulgação de tais informações é realizada a baixíssimo custo – duas redes sociais que atingem um contingente altíssimo de brasileiros.

Considere-se, ainda, o outro lado do balcão de desperdício de tempo e recursos: o das empresas de radiodifusão. São cinco horas a menos de programação por semana – e, portanto, cinco horas a menos de anúncios de patrocinadores. E segue a tônica da economia brasileira: mais dinheiro circulando nas mãos do Estado, menos dinheiro circulando nas mãos dos investidores privados – e as consequências inevitáveis: menos empreendimento, menos empregos, menores salários. E mais verba disponível para acordos espúrios e cargos para usar como moeda de troca eleitoral, claro.

Aos nostálgicos que não conseguiriam viver sem a Voz do Brasil, que defendam a adoção de métodos mais eficientes no cumprimento da meta de “manter o cidadão informado” (claro), tais como: reduzir o broadcast diário para apenas um único resumão semanal na sexta-feira; gravar todos os programas em formato de podcast e disponibilizar no website do governo federal; permitir horário flexível para sua veiculação, autorizando as rádios a escolherem o momento mais oportuno.

Mas esses mesmos nostálgicos podem rebater tais medidas com a justificativa de que, desta forma, os ouvintes vão trocar de rádio na hora do programa, ou não irão ouvir o podcast, ou não irão privilegiar o resumão da sexta. Exatamente, meus camaradas: ninguém quer ouvir essa coisa! E não cabe ao Estado enfiar informação nas cabeças das pessoas contra a vontade delas, ao estilo Laranja Mecânica. Quem quiser ouvir a Voz do Brasil (em caso de não extinção total dela), que o faça no horário e da forma que melhor lhe aprouver. E se não quiser, essa pessoa vai ler, ouvir ou assistir sobre as mesmas notícias em outras fontes, muito antes e em uma plataforma mais amigável. E se ela quiser passar a vida sem ouvir este programa bolorento, faça-o. Eu e quase todos os brasileiros já fazemos isso, na verdade. Só queremos que cesse a sangria de verba pública, e que as rádios ganhem uma hora a mais por dia de programação – não que eu faça questão de ouvir tanta música, mas porque queremos esses recursos transferidos do governo para o mercado. Boa noite!

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Quando o Mínimo é Máximo!

Estado Mínimo_Máximo

Bastou Renan Calheiros confirmar, em 12/05/2016, que tínhamos um novo Presidente da República, para que tornasse a pulular nos meios de comunicação de massa uma expressão que estava, digamos, “démodé” desde que Fernando Henrique passou o bastão para Lula em 2003: ESTADO MÍNIMO. Eu até imaginava que, após mais de 13 anos de hibernação forçada (quando pronunciar esta expressão era sacrilégio dos mais graves e quase suicídio eleitoral para políticos), os debates sobre esse tema – inescapável em tempos de economia destroçada após longo período de políticas estatizantes – seriam menos rasos.

Mas que nada: segue a rotina de jornalistas fazendo cara de nojinho para proferir essa expressão; “analistas políticos” referindo-se a ela quase como um castigo dos abastados imposto aos menos afortunados; comentaristas de ocasião associando as imperativas medidas de austeridade como a chegada do bicho papão Liberal. The Winter is coming, e o Estado mínimo vem aí comer o seu fígado: eis a mensagem predominante quando se trata de discutir as propostas da equipe econômica de Michel Temer, a qual tenta, a duras penas, gerir o Brasil herdado do PT como se uma massa falida fosse (fosse?).

 O principal argumento empregado por essas viúvas da Esquerda é que esta agenda política teria sido derrotada em todas as eleições presidenciais desde 1998, em favor do modelo de expansão estatal. Não vou negar a realidade (sou de Direita, portanto, gosto de lidar com ela), mas é preciso que se tenha em vista que essa antipatia generalizada ao Liberalismo econômico foi fomentada em nosso país, basicamente, por dois motivos: a eficácia do PT em descolar de sua imagem as crises econômicas geradas por seus métodos que, invariavelmente, “matam a galinha dos ovos de ouro” e depois saem gritando que foi uma raposa – que ninguém mais viu; e a dificuldade do eleitorado em compreender a repercussão positiva direta de procedimentos como privatização, redução de gastos públicos, responsabilidade fiscal e abertura econômica em suas vidas – pelo contrário: munido de chavões ideológicos embutidos em suas mentes por sindicalistas e demais “movimentos sociais” bancados com recursos públicos, o brasileiro médio repudia tais instrumentos, pois foi doutrinado pela Esquerda a vê-los como sinônimo de empobrecimento.

Quem sabe um pouco dessa ojeriza não se dissipe se começarmos, então, explicando que Estado mínimo (restrito apenas à prestação jurisdicional e segurança pública) é uma meta perseguida por adeptos do Libertarianismo, e que não há Libertários no governo Temer? Observe-se a (santa) linha que separa a Esquerda da Direita, e observe a posição histórica do PMDB. O critério para posicionar partidos e correntes de pensamentos é o grau de liberdade do indivíduo X grau de interferência estatal – mais liberdade, mais para a Direita; mais Estado, mais para a Esquerda:

Escala política II

Como não poderia deixar de ser, todos os regimes totalitários, onde o Estado concentra todo o poder em sim mesmo (Comunismo, Fascismo, Nazismo) estão na extrema Esquerda. Na extrema Direita reside o regime anárquico, onde não há autoridade governamental constituída (comum no período anterior à civilização). Em comum entre ambas, a utopia de considerar que prescindir TOTALMENTE do Estado ou da liberdade individual pode trazer bons resultados.

E no Centro, está precisamente o PMDB, partido (justamente) criticado por ser fisiológico, capaz de se adaptar a qualquer ideologia que esteja no comando, a fim de governar a seu lado – e colher os frutos dessa simbiose. Todavia, desta vez, acredito que o maior defeito do partido de Temer pode acabar virando sua maior virtude.

Explico: Por não ser adepto ferrenho de nenhuma das vertentes acima explicitadas, o PMDB pode, sem contrariar princípios partidários (quais mesmo?), fazer o que é necessário para recuperar nossa economia. E o que é necessário para tirar o Brasil da estagflação? Tudo o que o foi declarado por Temer no dia de seu primeiro pronunciamento: redução do número de cargos em comissão e ministérios, reformas trabalhista e previdenciária, transferir empresas estatais para a iniciativa privada, entre outras medidas saneadoras. E isso tudo não é defender Estado mínimo, mas sim apertar os cintos para atravessar a turbulência severa em que nos metemos.  Ou alguém já viu partidários de Estado mínimo assegurando que benefícios sociais serão mantidos?

Mas por que o PMDB está adotando este expediente? Querem para si o capital político de terem resgatado o Brasil da depressão econômica? Talvez. Mas o principal motivo é que, para que a política continue “valendo a pena” (sim, eu quis dizer financeiramente, para os políticos) é necessário, urgentemente, ressuscitar a galinha dos ovos de ouro! Daí alguém questiona: e por que o PT não faria isso então, já que também, por certo, quer que a política continue “valendo a pena” (Sérgio Moro não me deixa mentir)? Por que o PT tem “princípios” a seguir: ele não quer, não pode, não sabe, não consegue fazer o ajuste fiscal necessário para desatolar nosso economia (o fracasso de Joaquim Levy, duramente atacado por setores do próprio PT, corrobora tal assertiva). Partidos de Esquerda gostam de surfar na onda da riqueza, mas produzi-la são outros 500 (bilhões de reais).

E se outra pessoa questionar: mas o caos não é necessário para transformar um país em uma ditadura, tal qual Nicolás “há um golpe em curso no Brasil” Maduro tem feito com a Venezuela, e esse, portanto, seria o real motivo do PT assistir de forma contemplativa nossos índices econômicos degradarem-se? Eu teria bastante dificuldade em responder não, confesso. Mas é preciso notar que esse hábito de países em crise econômica chamarem os Liberais para descascar o abacaxi (como se eles fossem “opostos” de voleibol) não é mais uma típica jabuticaba Brasileira, e sim um fenômeno recorrente no mundo e na história.

Tomemos, primeiramente, o exemplo caseiro: a década de 1990 nos apresentou um socialdemocrata que, diante da necessidade, deu continuidade a abertura de nossa economia (iniciada por Fernando Collor), reduziu a participação do Estado na economia (transformando empresas deficitárias como a Embraer em multinacionais geradoras de empregos e divisas), criou mecanismos de imposição de responsabilidade fiscal a governantes, e conseguiu reduzir (muito) a inflação. Ao final, o Brasil ainda era um país de terceiro mundo, mas estavam criadas as bases para o desenvolvimento econômico do país.

 Os países Escandinavos também não escaparam do clássico ciclo “enriquece com medidas Liberais/adota medidas de cunho socialista/chama os Liberais de volta correndo”. Segundo o economista Stefan Karlsson, até a década de 1850, a Suécia apresentava índices de desenvolvimento humano baixos. A partir de 1860, passou a dotar medidas de livre mercado, as quais, na esteira da revolução industrial, beneficiaram a economia do país, permitindo um grande aumento do número de empreendedores – época em que Volvo, Saab e Ericsson foram fundadas. Neste ritmo, a Suécia teve o maior crescimento de renda per capita mundial entre 1870 e 1950, tornando-se uma das nações mais ricas do mundo, sendo que os gastos estatais eram inferiores a 10% do PIB. Todavia, entre 1950 e 1975, os gastos subiram de 20% para 50% do PIB, com a ascensão dos socialdemocratas ao poder.  Uma coalizão de centro-direita chegou ao poder em 1976, mas somente a partir de 1986 a Suécia aboliu os controles de moeda e reduziu impostos – como quase todo remédio, o impacto imediato foi amargo: até 1994, a economia Sueca ainda estava em queda, enfrentando ajustes necessários por anos de irresponsabilidade do governo (esse papo não me é estranho). Novas reformas foram adotadas, privatizações foram feitas e vários setores foram desregulamentados, permitindo a recuperação do país.

Ou seja, muito embora a Esquerda aponte a Suécia como um exemplo de um país de “Welfare State” rico, é forçoso afirmar que a Suécia é rica APESAR de conceder muitos benefícios a seu povo, mas EM DECORRÊNCIA de suas reformas liberais. Para efeito de comparação, as empresas brasileiras demoram, em média, 39 dias para exportar mercadorias; as suecas, oito, devido, especialmente, à baixíssima burocracia. De se notar que os benefícios estatais pagos aos suecos tem aumentado em valores brutos, mas tem diminuído em relação ao PIB – a boa e velha responsabilidade fiscal, tão em falta no Brasil.

Os Estados Unidos, ao que tudo indica, estão prestes a entrar neste ciclo: enriqueceram muito devido a décadas de governos Liberais (inclusive de políticos Democratas, como Bill Clinton, que governou o país durante o maior crescimento econômico da história norte-americana, bem como herdou o maior déficit da história e inverteu o quadro, deixando para o sucessor George W. Bush um superávit de US$ 230 bilhões) e, hoje, há forte pressão popular por medidas de distribuição de renda.  O curioso é que eles atingiram o “sonho socialista”, de uma vida digna até mesmo para os menos abastados, por meio do capitalismo. Mas isso não é uma ironia: é a realidade deixando um recado muito claro!

 O roteiro é sempre muito semelhante, e a Argentina acabou de entrar na fase de recuperação deste ciclo. Esperamos que o Brasil também. Quanto antes começar, melhor.  E quanto antes os brasileiros começarem a entender que guinadas à Direita são imprescindíveis em determinados momentos históricos, melhor ainda.

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O que a Esquerda, He-Man e Dançar na Rua têm em Comum?

Leftists X Conservatives

O que poderia levar um internauta a abrir um tópico de discussão como esse da figura? Convencer um determinado grupo de pessoas, por meio de argumentação, que Esquerdistas são “melhores” do que Conservadores (incluindo, neste caso, simpatizantes de qualquer corrente de pensamento da Direita)? Ou convencer apenas a si mesmo disso? Eis a única dúvida que repousa neste caso, a meu ver. Mas não pense que estamos diante de um caso isolado de baixa autoestima: oferecer a possibilidade de sentir-se como um verdadeiro “cavaleiro das boas intenções” costuma ser o principal método da Esquerda para cooptar novos adeptos. E o pior é que funciona. E pior ainda é que costuma funcionar melhor com pessoas jovens!

Convenhamos que a proposta é tentadora: quem não quer sentir que está jogando no time que “defende os pobres”? Que está ao lado das “minorias”? Que luta por um mundo “mais justo” (haja aspas, viu)? Todos querem estar “do lado do bem”. Desenvolvemos esse sentimento desde a mais tenra infância, quando torcemos para que o He-Man mate o Esqueleto, e levamos tal preceito no inconsciente para toda a vida. Quem não gostaria de estar na pele de David, quando ele derruba o gigante Golias – personificados, respectivamente, nos “oprimidos pelo Capitalismo desenfreado” e nas grandes corporações do mercado? Oferecer às pessoas essa sensação de estar jogando no time dos mocinhos é quase irresistível – como diria Chapolin Colorado, “sigam-me os bons” (mas quem define quem são os bons?). Só lamento ser eu a informar que o que a Esquerda oferece não passa de uma sensação mesmo – e nada mais.

Quer oferecer algo que jamais será recusado? Ofereça aos jovens a possibilidade de lutar contra o establishment, de desafiar o status quo, de fazer uma revolução. A adolescência é a época da rebeldia contra as regras impostas pelos pais e pela sociedade (agravada pela dificuldade recorrente de muitos em sentir-se parte de um grupo), e canalizar essa energia para a política “transformadora” costuma render partidários fiéis e obedientes. Por outro lado, nada pode ser mais monótono e careta para os púberes do que o trabalho repetitivo diário, a família tradicional, a “monotonia” gerada pelos inegáveis avanços da civilização: é muito chato dirigir um carro em uma estrada com cinco faixas, de asfalto perfeito e muito bem sinalizada; emocionante é atravessar de moto uma trilha repleta de despenhadeiros e perigos. Ponto para os partidos de Esquerda, que costumam oferecer essa chance de aloprar, de jogar para o alto as “imposições do mercado” (muito embora eu não me recorde de alguma empresa já ter colocado uma arma na minha cabeça e me obrigado a comprar algo), de resetar tudo e começar do zero.

A tradição, assim, passa a ser vista por esses jovens como um arcabouço moral que visa manter os privilégios da burguesia dominante (que preguiça), e não mais como a consagração de valores e costumes que, em maior ou menor grau, contribuíram e contribuem para a estabilização da humanidade, para amansar o selvagem do homem. A partir daí, o clássico estudar/trabalhar/seguir regras/respeitar limites passa a ser visto como subserviência, e, portanto, a ser contestado e recusado por essa turma. Mais preocupante ainda é que muitos desses jovens não abandonam essa visão com o avançar da idade, e em diversos casos ainda aprofundam esse comportamento, invariavelmente apontando sua bazuca intelectual na direção do liberalismo econômico – esse mesmo que, vez por outra, é convocado pela própria Esquerda para pôr ordem nas contas públicas.

Edmund Burke, em seu clássico ensaio “Reflexões sobre a Revolução na França”, já criticava a radicalização dos revolucionários franceses, por seu rompimento brusco e violento com os antigos costumes e com a tradição – com o uso indiscriminado da guilhotina. Transcrevo trecho célebre de sua obra: “É impossível estimar a perda que resulta da supressão dos antigos costumes e regras de vida. A partir desse momento não há bússola que nos guie, nem temos meios de saber a qual porto nos dirigimos. A Europa, considerada em seu conjunto, estava sem dúvida em uma situação florescente quando a Revolução Francesa foi consumada. Quanto daquela prosperidade não se deveu ao espírito de nossos costumes e opiniões antigas não é fácil dizer; mas, como tais causas não podem ter sido indiferentes a seus efeitos, deve-se presumir que, no todo, tiveram uma ação benfazeja”. Em outras palavras, a humanidade chegou ao atual estágio civilizatório não porque ignorou todos os aprendizados transmitidos pelas gerações anteriores, e sim, justamente, porque cada sucessor partiu de onde o sucedido havia parado.

E o que nos ensinaram as experiências de diversas nações no campo econômico? Que quanto mais livre o sistema, melhores serão as condições de vidas de todos os cidadãos, especialmente dos mais pobres – acreditem: os alemães pobres não pulavam o muro de Berlim do lado ocidental para o oriental. Deveríamos, então, em nome da filosofia de manter a “mente aberta”, ignorar tais lições e partir de uma tábula rasa? Eu considero que mais de 100 milhões de mortes (muitas por inanição) não podem ter sido em vão!

Por falar em mortes, é digno de nota que, uma vez que pessoas são convencidas de que estão lutando o “bom combate”, elas passam a acreditar que quaisquer métodos serão toleráveis em prol de seu ideal. Vale absolutamente tudo no jogo do Bem contra o Mal, inclusive virar a mesa e cuspir no adversário reacionário. Todas as atrocidades do Comunismo foram “justificadas” partindo desse princípio: tudo é permitido na busca de uma sociedade igualitária – menos estudar, trabalhar e produzir, claro. Se o monopólio das boas intenções está comigo, do outro lado só pode haver um fascista. Porrada nele!

Contestar a busca pela estabilidade é remar contra a natureza humana, que busca incessantemente reduzir o caos em seu cotidiano. Evidência disso é que turistas de países desenvolvidos gostam de visitar, por exemplo, o Brasil, mas dificilmente cogitam fincar raízes em um país tão instável. E todos somos assim: gostamos de aventuras na desordem, mas no final do dia queremos voltar para casa. Até mesmo o mais mulherengo dos homens, eventualmente, vai acabar casando – não estou rogando praga, viu: casar é bom pra caramba! Conheço pessoas que moram em Curitiba, a capital MENOS bagunçada do Brasil, e que costumam criticar o povo Curitibano e seus hábitos MENOS brasileiros, como evitar jogar lixo no chão e manter um círculo de amigos mais restrito. Todavia, esse pessoal não quer se mudar para outra cidade, e alguns que se mudaram acabaram voltando. Normal: é da natureza humana, como explicado.

Papel essencial na formação desta dicotomia desempenham os estúdios de Hollywood e os dramaturgos nacionais, disseminando a cultura de ódio aos “capitalistas” (como se nós, que fazemos trocas voluntárias todos os dias, não fossemos capitalistas também). É explícito que os protagonistas das tramas quase sempre são pessoas que não valorizam os bens materiais (aham, sei), ao passo que os antagonistas, indefectivelmente, são gananciosos que desprezam qualquer coisa que não possa ser comprada. O mantra “trabalhe menos, viva mais” é difundido à exaustão (de se notar que o carpe diem de Horácio pregava “colher o dia” no sentido de evitar gastar o tempo com coisas inúteis, e não da vagabundagem). Todavia, é fato que os melhores IDH no mundo são observados em sociedades capitalistas que adotaram medidas de cunho liberal em sua economia – possivelmente a Nova Zelândia seja o exemplo atual mais emblemático. Mas isso talvez não renda audiência para o filme ou para a novela.

Já que a tônica é “problematizar” (passatempo favorito da Esquerda), não seria de bom tom que os esquerdistas, antes de virarem “inocentes úteis” (versão menos ofensiva da expressão cunhada por Lenin), checassem se as medidas que propõem, são, de fato, benéficas à população? Será que lutar por ajuda estatal (ou seja, com o dinheiro dos pagadores de impostos – inclusive dos ajudados) para todos os cidadãos (experimente somar todas as minorias do Brasil e ver o resultado) é melhor do que reivindicar privilégios para quem realmente está em desvantagem competitiva, como portadores de necessidade especiais e idosos? Será que desejar que a renda seja distribuída (com o distribuidor, o Governo, cobrando muito por este “serviço”), em detrimento de enxugar o Estado para que circule mais dinheiro nas mãos da iniciativa privada (inclusive nas dos mais pobres) é mesmo o melhor para as pessoas baixa renda, ou vai apenas fazer com que quase todos virem pessoas de baixa renda? Será que aumentar tributos para subsidiar o não-trabalho vai fazer nossa sociedade evoluir mesmo? E será que já cogitaram a hipótese de que muitos pobres só são pobres EM DECORRÊNCIA do tamanho do Estado, e não apesar dele? Vou deixar Milton Friedman encerrar este parágrafo: “Geralmente a solução do governo para um problema é tão ruim quanto o próprio problema.” Pra não mencionar que costumam custar muito caro!

Eis o “X” da questão: essa sensação de altruísmo que as pessoas buscam na Esquerda é uma falácia. Apoiar partidos com aspirações socialistas para se sentir bem consigo mesmo – nem que para isso seja necessário desviar o olhar dos FATOS, estes eternos adversários da Esquerda – pode ser confortável (dá para fazer até do sofá de casa), mas não repercute positivamente na vida de ninguém. Por isso, deixo sugestões de ordem prática para aqueles que querem MESMO “melhorar o mundo”: doe dinheiro para um orfanato; use seu domingo para prestar serviços gratuitos para um asilo; desenvolva ações filantrópicas diversas. Enfim, não queira financiar o Estado para que ele preste auxílio: faça você mesmo.

Aliás, essa menor intervenção estatal é fundamental pelo simples motivo de que há pessoas desonestas tanto entre os políticos de Esquerda quanto entre os de Direita – e justamente por isso é salutar que essas pessoas não possuam poder de causar muito impacto em nossas vidas com suas atitudes. Vamos de Milton Friedman uma vez mais: “O poder para fazer coisas certas é também poder para fazer coisas erradas; os que controlam o poder hoje podem não ser os mesmos de amanhã”.

Ainda nesse sentido, menos governo e mais iniciativa privada significam mais “boas ações”. Ou você não é grato ao padeiro que acorda cedo todo dia para fazer pão para as pessoas do seu bairro, ou ao açougueiro que prepara a carne para seu churrasco com seus amigos? Ah, mas eles não pretendiam ajudar ninguém, queriam apenas lucro, os gananciosos. Pois é…

E se você achou estranho um fórum nos Estados Unidos com esse tipo de tópico, provavelmente também ficaria surpreso em saber que a Esquerda avança a passos muito largos naquele país. Bernie Sanders, quase um Che Guevara de cabelos brancos e sem boina, é que não deve ter ficado surpreso com tanto apoio recebido nas prévias do partido Democrata. Não tem jeito: uma população com tanta “elite culpada” é um prato cheio para os “progressistas” (essa palavra eu não me conformo de a Esquerda ter conseguido colar em sua imagem).

Um dia desses, no seriado “Mom”, vi uma cena muito elucidativa. A mãe fala para a filha, fingindo muita emoção: “Vá e dance como se ninguém estivesse olhando; viva como se não houvesse amanhã; ame sem limites; e na volta, traga-me um balde de frango frito, extra crocante”. É por aí mesmo: é bacana se deixar levar pelos instintos às vezes, mas bom mesmo é poder viver nossas vidinhas, assistir TV com a família e dar comida para o cachorro.

Reze agradecendo a Deus todo dia que a maioria das pessoas possui rotinas chatas e enfadonhas: são elas que garantem boa parte da estabilidade do mundo moderno (compare um pouquinho com períodos anteriores antes de levantar o dedo), além dos serviços e produtos que estão a nosso alcance. Que bom que os caixas do supermercado hoje não saíram dançando na rua como se não houvesse amanhã, senão eu teria ficado sem leite. Pode ser coisa da minha cabeça, mas eu me sinto grato apenas por acordar vivo todo dia. Não precisa muito mais, não. E se eu quiser mais, vou correr atrás.

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Sério Mesmo? Luta de Classes? DE NOVO?

Homem X Mulher

Imaginava eu, nesta semana de importância ímpar na história do Brasil, que poderíamos, quem sabe, começar a virar o disco do “coitadismo” e da autopiedade em nosso país, quando me deparei com essa notícia, publicada na versão eletrônica do jornal Extra:

“… Michel Temer pode ser o primeiro presidente desde Ernesto Geisel, que governou entre 1974 e 1979, a ter um governo sem mulheres na Esplanada. Para formar sua equipe, o peemedebista chamou apenas Ellen Gracie, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, que assumiria a Controladoria-Geral da União, mas ela recusou o convite. Além disso, Temer pode formar um Ministério sem nenhum negro, caso os nomes cotados para ministros em seu governo sejam confirmados…”.

Com o perdão do trocadilho, mas “haja saco”, viu. A esquerda não consegue fazer um único discurso sem jogar os cidadãos uns contra os outros! Além do clássico da ideologia marxista “ricos (não os de esquerda, claro) versus pobres”, opor mulheres contra homens e brancos contra negros também sempre fez parte do repertório de instrumentos de manipulação da sociedade utilizados pelos “neocomunistas” (já que eles gostam de chamar qualquer opositor de “neoliberal”, me senti no direito de cunhar este termo). E o pior é ver a imprensa dando eco para tais estratagemas, mesmo em se tratando de expediente tão manjado.

A própria Dilma chegou a dizer ontem pela manhã, em sua última oportunidade de usar o palácio do planalto para chamar de golpe um processo que conta com a chancela do STF, que “a história ainda vai dizer o quanto de violência contra a mulher tem nesse impeachment.” A conferir, então, o quanto de incompetência e desonestidade constará dos registros históricos deste governo que brincou de queimar o Tesouro Nacional para bancar sua popularidade e acabou com menos de 8% de ótimo/bom – conseguiu perder para José Sarney durante a hiperinflação. Acusar o governo Dilma de ser o pior da história da República não constitui atitude sexista, mas pura e simples constatação da realidade.

 Aqui cumpre rememorar: na campanha presidencial de 2010, o que mais se ouvia era que “estava na hora de uma mulher governar o Brasil”. Infelizmente, o eleitor precisou aprender, da pior maneira possível, que a hora de uma mulher (e essa premissa aplica-se a qualquer cidadão brasileiro) ser Presidente da República é a hora em que surge, no ambiente político, uma mulher com capacidade para gerir o país. Provavelmente uma mulher que preenchesse esse requisito já existisse naquela ocasião, mas certamente NÃO era Dilma Rousseff – nem Marina Silva, por Cristo! No entanto, na afobação por corrigir aquela “injustiça machista histórica”, fazia-se necessário, na cabeça de muitos, alçar, a qualquer custo, uma candidata ao mais alto cargo eletivo da nação – ainda que ela fosse Dilma, a pessoa que mergulharia nosso país em uma depressão econômica que remonta ao grande crash de 1929.

Desta forma, não há sentido em cobrar que um percentual mínimo de mulheres (ou negros, ou índios, ou orientais) deva compor o Ministério do Executivo Federal. A discussão cabível deve ser feita caso a caso, ou seja: para o Ministério X, havia a mulher A, que preenchia todos os requisitos para ser nomeada e fazer um bom trabalho, mas foi preterida pelo homem B. Nesta situação hipotética, aí sim, poderíamos e deveríamos cobrar explicações do chefe de Estado que teria promovido tal atitude claramente discriminatória. Eu posso até mesmo contribuir com alguns exemplos práticos, para que os movimentos feministas exijam esclarecimentos do novo PRESIDENTO:

1 – Janaína Paschoal para a Advocacia-Geral da União;

2 – Ana Amélia Lemos para o Ministério do Planejamento;

3 – Joice Hasselmann para a Casal Civil;

4 – Sinara Polycarpo Figueiredo para o Ministério da Fazenda;

5 – Simone Tebet para o Ministério das Cidades;

6 – Shéridan Esterfany Oliveira para o Ministério da Integração Nacional.

Pronto. Agora podemos reivindicar junto a Michel Temer a nomeação dessas mulheres tão competentes e de fibra! Vamos lá então companheiras… Hein? Fiquei no vácuo? Ah, claro: eu sugeri apenas “coxinhas reacionárias”, não é mesmo? Eis aí a celeuma: a esquerda se preocupa com a emancipação das mulheres… de esquerda! Mulheres de Direita? Virem-se! Mulheres reconhecidas por seu talento e dedicação não costumam precisar de auxílio estatal, nem fazer o jogo de vitimização, não agregando, portanto, à causa socialista. Mulheres que representam o contraponto da mentalidade populista? Aí é tiro, porrada e bomba: dentre as sugestões acima relacionadas, há mulheres que foram demitidas de suas empresas, a pedido de Lula, por falarem verdades sobre o PT; que foram difamadas pela esquerda por pedir o impeachment de Dilma; e que são consideradas traidoras da causa feminista por votarem favoravelmente ao impedimento da primeira mulher PRESIDENTA. Então não servem. Não são mulheres de “g _ _ _ o duro”.

Querem saber quais mulheres “serviram” durante o governo do PT? Eis algumas:

1 – Gleisi Hoffmann e Berenice Guerra na Casa Civil, enroladas até o pescoço em acusações de recebimento de propina;

2 – Maria do Rosário na Secretaria de Direitos Humanos, lutando pelos direitos humanos de assassinos e estupradores menores de 18 anos;

3 – Kátia Abreu, Ministra da Agricultura que os produtores rurais não querem ver tão cedo na frente;

4 – O exemplo matador: DILMA ROUSSEFF, Ministra da Casa Civil de Lula.

Onde quero chegar: Não é o fato de ser homem ou mulher (ou negro, ou índio, ou oriental) que irá determinar se um(a) político(a) exercerá com honestidade e competência um cargo público. Se há (e há muitas) mulheres que deveriam ter sido lembradas nesta hora de recomposição de Ministérios (em casos concretos específicos), que sejam questionadas as autoridades que cometeram tal ato atentatório ao princípio da impessoalidade  – em nome do interesse público, e não da causa feminista. A seu turno, cobrar  a implantação de cotas de Ministro, de qualquer natureza, atentaria contra o princípio constitucional da eficiência da administração pública – tão ignorado pelos agentes políticos. Menos sentido ainda faz a Presidente afastada, em atitude desesperada, provocar conflitos entre grupos de pessoas em seu ato final. Mas é compreensível: ao PT e à esquerda, restou tão somente a narrativa de novela melodramática. Cabe ao Brasil trocar de canal e seguir em frente.

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