A Revolução das Máquinas – e das Mulheres!

“…É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar…” (Edmund Burke). 

A pergunta é simples: quem tirou a maioria das mulheres da frente do tanque de roupas  e as colocou como protagonistas na história recente da humanidade? Duas dicas: pense um pouco antes de responder que foram os famigerados movimentos feministas; e conte até dez antes de proferir impropérios quando eu responder que a busca por produtividade e por maiores lucros do mercado e da indústria foi responsável por permitir que o talento e a capacidade inatos das mulheres ganhassem importância, e, portanto, possibilitou que elas passassem a ocupar papel de destaque na sociedade atual.

Duvida? Então contemos até dez juntos:

1 – Os postos de trabalho, em sua maioria, desde os primórdios da atividade produtiva, demandavam grande FORÇA FÍSICA por parte dos trabalhadores. Este fator, por si só, era suficiente para afastar a possibilidade de as mulheres ocuparem tais postos de trabalho – o que reservava para elas, primordialmente, os afazeres domésticos, cuidar do lar.

2 – A mecanização da indústria e da agricultura, nos fins do século XVIII, advinda da 1ª  fase da revolução industrial,  começava a substituir o trabalho braçal e a força motriz muscular humana, animal ou ainda da roda de água. Eram máquinas grandes e pesadas, mas com incrível superioridade sobre os processes manuais de produção da época. Na sequência, tem início a aplicação da força motriz elétrica à indústria, o desenvolvimento do sistema fabril, e a evolução dos meios de transporte e das comunicações – e todas essas etapas apontam em uma mesma direção: eliminar, cada vez mais, a necessidade de força física do trabalhador, tornando, em consequência, o INTELECTO, as competências e habilidades cognitivas, muito mais relevantes no desempenho laboral. Não preciso nem dizer que, neste processo, a desvantagem competitiva da mulher em relação ao homem diminui substancialmente;

3 – A indústria, então, passa a desenvolver tecnologias que reduzem em muito o trabalho de cuidar do lar. Principalmente a partir do surgimento das linhas de produção e a decorrente redução dos custos de fabricação e distribuição, torna-se possível, para o cidadão comum, adquirir máquinas que tornam as tarefas domésticas muito mais fáceis e rápidas de executar – a tal ponto que até um homem poderia faze-las (hehe) – liberando a mulher, desta forma, de parte da necessidade de permanecer em casa;

4 – Outros serviços oferecidos de forma cada vez mais acessível pelo mercado, como alimentos de rápido e fácil preparo, escolas maternais, dentre outros, reduzem ainda mais as responsabilidades tradicionalmente tidas como da mulher sobre o lar, liberando-a, definitivamente, para o mercado de trabalho (que se note: a intenção das empresas era, como de praxe, faturar, mas acabaram por beneficiar as mulheres – fenômeno descrito por Adam Smith, quando referiu-se ao conceito da “mão invisível” do mercado, em uma de suas muitas facetas);

5 – Contribuíram ainda, para o processo de integração das mulheres ao mercado de trabalho, as grandes guerras mundiais: os homens foram convocados a defender suas pátrias nos campos de batalha, e recaiu sobre as mulheres a obrigação de ocupar o espaço por eles vagado. Principalmente na Segunda Grande Guerra, funções nunca antes assumidas por mulheres foram entregues a elas, em uma alteração na cadeia produtiva que já havia sido notada na guerra anterior – ou seja, uma vez mais, a demanda do mercado (no caso, por mão de obra) ajudando a derrubar a visão machista predominante da época (a lamentar que esta demanda foi criada por  tragédias sem precedentes);

6 – A meritocracia e a busca pelo lucro também foram fundamentais na mudança cultural dos empregadores, que passaram a contratar mais mulheres. Entenda: se um homem e uma mulher apresentam-se para o mesmo cargo, e o empregador contrata o homem motivado por preconceito, sendo que a mulher era mais competente, isso vai causar-lhe prejuízo no médio prazo, visto que a pessoa mais competente será, inevitavelmente, contratada por algum concorrente seu que não seja machista – até chegar uma hora que a empresa do primeiro empresário estará cheia de homens incompetentes, e a do concorrente cheia de mulheres competentes;

7 – Recebendo seus próprios salários e não mais dependendo do homem (marido) para sua subsistência, abre-se uma grande porta para que a mulher passe a exigir tratamento igualitário, em todas as esferas. Algumas dessas conquistas não foram positivadas em normas estatais, mas simplesmente constituem demandas que passaram a ser atendidas pelo mercado que buscava lucros: cada vez mais produtos e serviços voltados às mulheres foram criados e ampliados – não por respeito à igualdade, mas porque elas passaram a ter dinheiro para pagar a conta.

Criou-se, assim, um ciclo virtuoso, no qual a mulher contribui diretamente com a geração de riqueza para a sociedade e recebe o retorno desta (observe-se que o trabalho da mulher nos séculos passados, de cuidar do lar e criar os filhos, deveria, sem sombra de dúvida, ter sido devidamente valorizado, mas como esse trabalho não lhe gerava renda, esse ciclo virtuoso acima descrito não tinha como ocorrer, e a mulher ficava a mercê da boa vontade dos homens. Não mais.).

8 – Até mesmo normas especiais de proteção à mulher, como as presentes na Consolidação das Leis do Trabalho e na Lei Maria da Penha, são fruto de todo esse processo, em que a mulher passa a ser vista como protagonista na sociedade, e merecedora, portanto, de tratamento respeitoso, e, por vezes, diferenciado (mais benéfico);

9 – A evolução dos meios de comunicação e transporte tirou muitas sociedades do planeta do isolamento cultural até então vivido, permitindo que regiões onde as mulheres costumavam ser subjugadas pelos homens deixassem de considerar tal tratamento como natural, e passassem a estender ao sexo feminino  direitos já desfrutados por mulheres de outras civilizações. Como exemplo, cito a recente conquista da população feminina da Arábia Saudita, que adquiriu o direito ao sufrágio – fruto do intercâmbio cultural com o Ocidente, onde o Iluminismo, e seus ideais de liberdade e igualdade, já influenciam as relações humanas há séculos.

Aliás, a regra é que as mulheres do Oriente busquem equiparação com as do outro hemisfério, tendo em vista, especialmente, a forte disseminação da cultura Islâmica, a qual desfavorece a mulher em quase todos os aspectos de sua vida. Desnecessário dizer que o desenvolvimento dos transportes e das comunicações é resultado da busca por lucros, visto que empresas aéreas, telefônicas e empresas que difundem informação e entretenimento não vivem de caridade;

10 – Na época em que títulos de nobreza valiam mais do que o mérito (antes da revolução industrial), o status de uma pessoa permanecia inalterado por toda sua existência – como ainda ocorre em países de economia planificada, como a Índia. A partir do advento da economia de mercado, pessoas de talento passam a poder ascender socialmente independentemente de sua origem, desde que logrem atender ao interesse de um considerável número de pessoas com seu trabalho. Neste cenário, as mulheres começam a livrar-se da sombra de seus maridos, na medida em que aos consumidores pouco importa quem produziu aquele bem que facilita sua vida – se um homem ou uma mulher.

Portanto, na prática, as mulheres, DESDE SEMPRE, possuíram capacidade para serem figuras de alto relevo, mas durante muito tempo foram tolhidas dessa possibilidade, em função de tudo que foi exposto. Até mesmo trabalhos que nunca dependeram de força física (como literatura, jornalismo, atividade legislativa, etc) passaram a ser desempenhados por mulheres com muito mais frequência, uma vez que a população masculina “acostumou-se”, por falta de uma palavra melhor, a ver mulheres como colegas de trabalho e, muitas vezes, como chefes, e isso diminuiu o machismo em todas as áreas.

Tivessem nascido algumas geracões antes, e mulheres como Margareth Tatcher, Angela Merkel e Janaína Paschoal poderiam passar a vida apenas atendendo aos caprichos de seus maridos, sem nunca explorar seu imenso potencial latente – aliás, quantas grandes mulheres deixaram de desabrochar por causa disso, e nunca iremos nem saber…

Aproveito aqui para elucidar uma questão recorrente: a de que mulheres ganham menos do que homens. Isso é uma meia verdade, pelo seguinte: a média salarial dos homens (massa salarial dividida pelo número de trabalhadores) é maior do que a das mulheres (massa salarial dividida pelo número de trabalhadoras), pelo fato de que AINDA há mais homens ocupando funções de chefia e gerência, já que a entrada das mulheres no mercado de trabalho ainda é um fenômeno relativamente recente, mas a tendência é que essa lógica INVERTA-SE RAPIDAMENTE.

A visão que muitos tem de que há mulheres que ganham menos do que homens fazendo o mesmo trabalho, é de difícil concepção, por um motivo simples: se um empregador pudesse pagar, para uma mulher, salário mais baixo do que paga para um homem, para fazer o mesmo trabalho, por que diabos ele contrataria homens? Para ter menos lucro? Isso pra não mencionar que, no Brasil, esta prática já é ilegal (artigos 460 e 461 da CLT). Portanto, se tal disparate ocorre de fato, o Judiciário (para casos individuais) ou a Inspeção Trabalhista (para casos coletivos) podem e devem ser acionados.

Oportuno ressaltar que o fato de que determinadas atividades venham a ser desenvolvidas, prioritariamente, por homens ou mulheres,  não implica, necessariamente, em discriminação. Pedreiros são na maioria homens, e operadoras de teleatendimento na maior parte mulheres, por questões naturais de aptidão. Homens e mulheres merecem tratamento igualitário, mas não são iguais – ao contrário do que determinados “intelectuais” propagam. Essa seleção natural torna o desempenho de ambos mais eficiente, motivo pelo qual instituir cotas para mulheres em qualquer profissão é algo que vai de encontro aos interesses delas mesmas, e de toda a coletividade.

Tenho certeza que mulheres que invadem igrejas com os seios de fora ou pregam o ódio contra os homens muito pouco ou nada contribuem para a “causa feminina”. Em vez de me alongar comentando sobre esses grupelhos fanáticos, preferi apenas citar Edmund Burke, com a frase no início do post. Vale dizer: Bill Gates e Henry Ford fizeram mais pelas mulheres (e por toda a humanidade) do que  as queimadoras de sutiã em praça pública.

Que bom que tudo isso aconteceu e continua acontecendo. O mundo é muito melhor assim, com as mulheres tendo a oportunidade de mostrar seu valor com trabalho e dedicação, e podendo exigir o devido reconhecimento. Melhor para elas – e para os homens também, com certeza.

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5 comentários sobre “A Revolução das Máquinas – e das Mulheres!

  1. Na verdade as mulheres perderam o direito de ficar em casa.
    E para quem acha que as mulheres não tinham papéis de destaque na sociedade, é só ver hoje às crianças que crescem sendo criadas em creches, por babás ou por outra pessoa que não a mãe. A mãe tinha o papel de educar seus filhos moral e socialmente, tanto filhos quanto filhas, sendo assim a sociedade muito mais educada e civilizada.
    Hoje muitas mulheres gostariam de poder cuidar de seus filhos e não conseguem justamente porque o “mercado” não permite, fazendo com que o homem sozinho não tenha condições de cuidar financeiramente da família, bem como também pelo baixíssimo nível moral que temos hoje em dia onde a mulher precisa se tornar independente para não correr o risco de ser largada as traças.

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  2. “…para quem acha que as mulheres não tinham papéis de destaque na sociedade, é só ver hoje às crianças que crescem sendo criadas em creches, por babás ou por outra pessoa que não a mãe…”

    Conheço muita gente que cresceu em escolinhas e ficou muito mais esperto do que eu, que só fui para a pré-escola aos 6 anos. Minha sobrinha de 5 anos humilharia em todos os quesitos a minha versão com a mesma idade. Passar menos tempo com o filho não é sinônimo de dar menos amor.

    “…Hoje muitas mulheres gostariam de poder cuidar de seus filhos e não conseguem justamente porque o “mercado” não permite, fazendo com que o homem sozinho não tenha condições de cuidar financeiramente da família…”

    É mesmo? Estranho, pois para mim foi a implantação de métodos que aumentaram a produtividade da indústria que tornou os bens de consumo mais acessíveis a todos, desde comida até carros, passando por viagens. Normalmente, casais onde ambos trabalham querem alcançar um padrão de vida superior, mas sobreviveriam com o salário apenas do marido. E se hoje o orçamento das famílias está mais apertado, é por culpa justamente da intervenção do governo no “livre mercado”, impossibilitando uma maior concorrência e protegendo empresários amigos do rei.

    “…bem como também pelo baixíssimo nível moral que temos hoje em dia onde a mulher precisa se tornar independente para não correr o risco de ser largada as traças…”

    Promover o facilitamento do divórcio sempre foi o sonho da Esquerda: juntos, homem e mulher são mais fortes e independentes; separados, ficam mais frágeis e podem até, quem sabe, precisar do Estado em momentos de dificuldade…bingo!

    “…Na verdade as mulheres perderam o direito de ficar em casa…”

    Perderam o direito de ficar em casa lavando roupa no tanque (inclusive fraldas de pano), pendurando no varal, passando roupa com ferro de carvão, encerando o chão manualmente, tirando o pó com um espanador? Claro, elas devem morrer de inveja da vida das avós…

    Fica esta dica de leitura: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2535

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