Milagre: filme do Netflix critica eugenia abortista e ressalta valor da família

Reunião

Faço desde já o alerta de spoiler para quem ainda não assistiu a este filme, até pelo fato de que, mesmo após a leitura desta análise, ainda valerá (e muito) a pena conferir esta raridade em meio a tantas obras cinematográficas de viés “progressista”. What Happened to Monday (Onde Está Segunda) desafia o padrão predominantemente esquerdista das produções hollywoodianas e lança um olhar crítico sobre o o dirigismo estatal justificado por catástrofes, questiona a prática do aborto e enfatiza o poder da família contra pretensões tirânicas.

Os fatos narrados nesta distopia futurística ocorrem a partir de uma forte escassez alimentícia provocada, supostamente, pelo aumento desenfreado da população mundial e pelo aquecimento global. Têm início, a partir daí, uma política governamental voltada ao controle de natalidade: cada mulher pode dar à luz apenas um filho.

Todos os irmãos dos primogênitos compartilham do mesmo destino: serem congelados por meio de processos criogênicos para que possam ser acordados somente no dia em que os problemas nutricionais na Terra tiverem sido equacionados – o Estado, naquele momento, está investindo pesadamente no desenvolvimento de formas mais avançadas de cultivo e produção de alimentos.

O diretor do filme, intencionalmente, informa aos espectadores sobre esta suposta situação caótica do clima no planeta – bem como suas consequências nefastas sobre a atividade agropecuária – e sobre o fato de que o mundo estaria superpovoado, por meio de uma propaganda estatal veiculada pela mídia tradicional.

Ou seja, conhecendo o alarmismo infundado difundido por estes meios de comunicação (aliado à conveniência deste cenário degradado para motivar maior intervenção estatal),  não há sequer como afirmar se de fato a conjuntura real seria aquela descrita pela imprensa e pelo governo.

O simples fato de que a protagonista do filme compra uma ratazana no mercado para o jantar, como se artigo de luxo fosse, não corrobora com a tese propagada, visto que na Venezuela, por exemplo, o povo também está comendo ratos para não morrer de fome, e a culpa não é do aquecimento global ou da superpopulação.

O fato é que, uma vez convencida a opinião pública de que o mundo está desmoronando (tarefa que, na vida real, é empreendida incansavelmente), entra em ação a teoria malthusiana para justificar a criação do CAB (Child Allocation Bureau, ou simplesmente centro de alocação de crianças), órgão estatal que fiscaliza a vida de cada cidadão – inclusive fazendo uso de sistemas eletrônicos subcutâneos – a fim de impor a restrição de nascimentos por mulher.

Algo semelhante, portanto, à política de filho único adotada por Mao Tse-tung, a qual, após décadas de trágicos resultados, precisou ser aliviada por motivos econômicos: a taxa de fertilidade na China estava abaixo do nível de substituição (1,17) em 2013, prestes a gerar uma crise de mão de obra em idade laboral – eis o que Malthus não previu: uma maior quantidade de pessoas possibilita divisão e especialização do trabalho, dando origem a novos métodos mais eficientes de produção (inclusive de alimentos).

A dor de cabeça destes burocratas começa efetivamente quando Karen Settman engravida de sétuplos (todas meninas) e morre durante o parto. O avô das recém nascidas, então, resolve dar um jeito de enganar o governo: dá o nome de um dia da semana para cada uma delas, determina que cada qual só pode sair de casa naquele dia específico, e então elas devem assumir uma única identidade, escapando ilesas de serem capturadas.

E aí entra em cena a capacidade destas sete mulheres, trabalhando em equipe, derrotarem as pretensões estatais. Ela frequentam o colégio, graduam-se, atingem a idade adulta e conseguem destaque no banco onde trabalham, tudo em função da união de suas habilidades em prol de um objetivo comum: sobreviver. Sexta-feira é a mais inteligente, Quinta-feira a mais corajosa, Sábado é a mais sociável, Quarta-feira pratica artes marciais e defesa pessoal, e assim por diante.

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Daí fica fácil entender porque regimes totalitários sempre buscam esfacelar os núcleos familiares: a cooperação mútua que os caracteriza é deveras nociva para a pretensão de dominação de cada aspecto da existência dos indivíduos. Orlando Figes, no livro Sussurros: A Vida Privada na Rússia de Stálin, revela:

“A família era o primeiro campo de batalha dos bolcheviques. Nos anos 1920, eles tinham por artigo de fé que a ‘família burguesa’ era socialmente danosa: auto-centrada e conservadora, era vista como um reduto de religião, superstição, ignorância e preconceito; estimularia o egoísmo e o consumismo, oprimindo mulheres e crianças. Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse à medida que a Rússia soviética se tornasse um sistema socialista pleno, no qual o Estado assumiria a responsabilidade por todas as funções domésticas básicas, fornecendo berçários, lavanderias e refeitórios em centros públicos e blocos de apartamentos.”

Não por acaso, a dramaturgia dos dias atuais, quando retrata conflitos familiares (a cada cinco minutos, no caso), privilegia cenas de adolescentes sendo desrespeitosos para com seus pais, e de pais humilhando-se perante seus filhos. Quanto mais instabilidade for gerada, melhor: menos provável que os membros desta família fortaleçam seus laços afetivos e reúnam, assim, condições para opor-se ao Estado (e à elite financeira que com ele anda de braço dado) ou mesmo possa abrir mão de seu auxílio.

Não que arranjos familiares sejam perfeitos e livres de desavenças. Como dizia o refrão do seriado A Grande Família, parentes “brigam por qualquer razão mas acabam pedindo perdão”. No filme em questão, é justamente uma traição da “ovelha negra” das sete gêmeas que revela seu segredo.

Sexta

Eis que Nicolette Cayman, espécie de ministra responsável pelo controle populacional, ao tomar ciência do caso, resolve assassinar as irmãs, pois sabe que, caso venha a público a informação de que as Settman sobreviveram por tanto tempo valendo-se deste expediente, restará desmoralizada a própria política do filho único.

Claro que as irmãs não deixam barato e partem para o enfrentamento. Em sua luta pela sobrevivência, acabam por deparar-se com a revelação mais chocante do filme: as crianças que, segundo alegava o governo, seriam adormecidas por tempo indeterminado, eram, em verdade, incineradas em escala industrial.

Ou seja, o “Centro de alocação de crianças” é, na realidade, uma gigantesca clínica de eugenia (especificamente dos mais pobres, de onde vem a maioria dos irmãos capturados), aos moldes daquelas mantidas (inclusive com dinheiro público) pela Planned Parenthood nos USA – especialmente nos bairros habitados predominantemente por negros de baixa renda.

A instituição criada por Margaret Sanger e apoiada por Hillary Clinton, afinal, pretende conseguir aprovação no congresso para realizar “abortos pós-nascimento”. Pergunta: qual será a diferença entre tais procedimentos e as cremações executadas no filme?

Todos partilhavam da sensação de que vidas inocentes não eram ceifadas no processo – apenas seriam suspensas para renascerem em um momento mais adequado. É ou não é a típica ilusão coletiva que fomenta políticas abortistas?

Aliás, a citada antagonista do enredo repete, em sua defesa, um mantra adotado frequentemente por adeptos do aborto: “As crianças não sofreram” (elas eram sedadas antes de serem reduzidas a cinzas). Convenhamos: quem defende o aborto com base neste argumento (de que o “feto” não sofre) precisa concordar com ela e absolvê-la, não? Tudo em nome de “uma sociedade perfeita”, como aquela almejada na Islândia.

Nicolette Cayman, em verdade, fazia-se notar como uma pessoa supostamente interessada no bem da humanidade (inclusive acusando de “egoísmo” quem se atrevia a ter mais de um filho), enquanto articulava, nos bastidores, sua ascensão ao cargo de primeira-ministra. Qualquer semelhança com os políticos que ditam nossos rumos não é mera coincidência.

Ao ser detida por seus crimes e ver sua lei eugenista revogada, ela dirige ao público a questão que mais revela sobre seu caráter (e dos gestores públicos em geral): “Quem vai tomar as decisões difíceis por vocês?”. Ou seja, não interessa a vontade popular (especialmente se ela contrariar os desejos da elite financeira e governamental); os tecnocratas e intelectuais ungidos é que sabem o que é melhor para o povo ignorante – e para ampliar este entendimento, nada melhor do que imbecilizar as pessoas cada vez mais.

Cayman

Faço aqui previsões das mais fáceis e manjadas: esta obra cinematográfica jamais será premiada, na medida em que é puro “gramscismo às avessas” – ou seja, introduz de forma velada conceitos que são a antítese da mentalidade dominante hoje nas universidades e no jornalismo. Receberá duras críticas a quaisquer defeitos de produção. E irá demorar muito até que o diretor Tommy Wirkola limpe sua barra com o politicamente correto…

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Por que os alunos de colégios militares apresentam melhor rendimento escolar?

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Ganhou destaque nas mesas de debate artigo veiculado pela Folha de São Paulo semana passada, no qual o jornal informa que “Bolsonaro quer militarizar ensino no país e pôr general no MEC”. A matéria pormenoriza as normas de conduta que vigoram em colégios militares como se estivesse descrevendo o inferno de Dante, ao mesmo tempo em que admite o inegável: os índices de aprovação tendem a disparar nestas escolas, cujos alunos costumam figurar entre os primeiros colocados do Enem.

Entrevistado pelo periódico, Renato Janine Ribeiro, que foi ministro da Educação do governo Dilma por seis meses em 2015, afirma que “é um erro, numa sociedade democrática, tentar colocar a formação militar, hierárquica e obediente, ideal para todos os jovens, inquietos por natureza”; seriam eles, afinal, “o futuro de um país que sempre cultivou uma autoimagem de uma coisa mais alegre, mais solta nos costumes”.

Pois vejam vocês: não é que o proeminente professor universitário passou raspando na X da questão e sequer deu-se conta?

São tão somente dois fatores que elevam o desempenho dos alunos de colégios militares (mantidos pelo Exército Brasileiro ou pela Polícia Militar) acima da média do restante da rede de educação pública  – fatores estes que já se fizeram presentes em todas as escolas brasileiras no passado recente, e hoje estão em absoluta falta nas salas de aula:

1) Os estudantes respeitam os professores, e são punidos em caso de indisciplina;

Será que existe requisito mais básico do que este para o aprendizado? Não há nem mesmo sentido debater sobre a eficácia de uma determinada didática se os alunos não reconhecerem o professor como alguém a quem devem obediência. De que adiantaria equipar as instituições de ensino com equipamentos de última geração e educadores doutorados em Harvard se a turma estiver fazendo algazarra durante as explanações e recusar-se a seguir as instruções do professor? Neste sentido, a aplicação de sanções como suspensão e até mesmo transferência educativa (expulsão, em português claro) ajuda a arrefecer a sensação de impunidade que permeia as demais escolas do Brasil (inclusive particulares).

Foi em meados da década de 1980 que esta relação entre instrutores e instruendos degringolou de vez. Os métodos paulofreireanos atualmente em voga retiraram do professor sua autoridade, proibindo castigos e punições de qualquer natureza, e até mesmo reduzindo demais a probabilidade de reprovação. Foi a senha para que os estudantes passassem a ver o colégio com desdém e começassem a desafiar os professores – ainda mais estando amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual lhes confere total inimputabilidade penal. Daí para começarem a ser observadas até mesmo agressões físicas foi um pulo (para não mencionar consumo de drogas e sexo entre pré-adolescentes), como revela Percival Puggina neste artigo:

Eis os números revelados por Zero Hora (jornal gaúcho): 23.930 atos de indisciplina em sala de aula, 4.861 atos de violência física entre alunos, 4.811 agressões verbais a professores e funcionários, 1.275 depredações ou pichações dentro da escola, 294 casos de posse ou tráfico de drogas, 199 agressões físicas a professores ou funcionários. E não eram números referentes a todas as escolas, nem cobriam um ano letivo inteiro. Os dados foram coletados em apenas 1.255 educandários estaduais (menos da metade da rede) e informavam ocorrências relativas a seis meses letivos (os dois últimos de 2015 e quatro primeiros de 2016). Então, no processo de “conscientização” e construção da cidadania, o caso da professora que levou um soco no rosto é apenas um ovo quebrado, como o que ela considerou merecido por Dória, na omelete da revolução. Um entre milhares.

2) Os estudantes são cobrados de sua parcela de responsabilidade no processo de aprendizado, e sofrem as consequências em caso de desleixo, bem como são premiados pelo sucesso;

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Uma pesquisa da CNT/Sensus mostrou que, para 78% dos professores entrevistados, o papel mais importante da escola é “formar cidadãos”. Apenas 8% responderam que a missão principal da escola é “ensinar as matérias”. Eis aí a raiz do problema: se a tarefa primordial do colégio, na visão dos próprios encarregados do processo pedagógico, não é mais difundir conhecimento, então os pais estão mandando os filhos até a escola todos os dias…para que mesmo?

Ora, se nem mesmo os professores consideram importante ensinar, por que os alunos considerariam importante aprender? Nesta conjuntura, o estudante vê-se desincumbido de sua obrigação de prestar atenção às explicações, estudar e tirar boas notas.

E como aos alunos não é imposta esta obrigação de assimilar os conteúdos ministrados (quando são ministrados), acaba que a responsabilidade por eventuais baixos rendimentos recai exclusivamente sobre os ombros de professores e diretores de escola. Ou seja, nossos jovens saem do ensino médio sem formar a consciência de que precisam sofrer as consequências de seus atos e de que podem usufruir dos louros de suas conquistas – que belos “cidadão” estamos formando neste processo.

Os colégios militares, a seu turno, são extremamente metódicos neste quesito: cobra-se que o aluno comprove que aprendeu o que foi ensinado, e os professores entendem que sua missão restringe-se a ensinar Matemática, Português e demais matérias. Simples assim. Tive a oportunidade de estudar na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), instituição onde, a exemplo das demais academias militares, tirar nota abaixo da média exigida implica em desligamento automático do curso. Ou o estudante assimila o que foi transmitido, ou o portão da saída é o próximo destino.

A contrario sensu, aqueles que alcançam destaque são premiados até mesmo com viagens para o exterior, representando as instituições em competições acadêmicas.

Já as escolas civis, a cada dia que passa, buscam novas justificativas para aprovar alunos sem rendimento suficiente para tal. Assim fica difícil motivá-los a buscar o aprendizado.

Trocando em miúdos: não é necessário fardar nossos estudantes para que alcancem o desempenho de seus pares de escolas militares. Basta que recuperemos a obediência para com os professores e voltemos a exigir esforço dos alunos. O nível de formação intelectual dos educadores dos colégios militares não difere muito daqueles que ministram aulas nas escolas regulares, e os recursos disponíveis também se equivalem. O diferencial reside portanto, no perfil dos alunos – e isso não será corrigido enquanto o discurso focar apenas em “mais dinheiro para a Educação”.

Será tão difícil assim atingir tal meta sem tocar uma corneta para iniciar o expediente?

 

Refugiada síria graduada na UFPR comprova: assimilar a cultura local é essencial

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O nome dela é Lucia Loxca. Precisou evadir-se da Síria quando a vida tornou-se impossível em sua terra natal, em virtude da guerra civil resultante da famigerada “Primavera Árabe”,  fomentada por Barack Obama – que prestou apoio logístico, financeiro e bélico a “rebeldes” locais (muitos deles membros do próprio ISIS). Caso lograssem ascender ao poder, provavelmente iniciariam eles campanhas de dizimação de cristãos e judeus (tal qual procedeu a irmandade muçulmana no Egito).

Lucia saiu de Aleppo enquanto era tempo, portanto. Virou notícia esta semana pelo fato de que conseguiu graduar-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFPR, sediada em Curitiba – curso que já havia iniciado antes de sua diáspora. Mas sua trajetória de vida é ainda mais notável por outro motivo: Lucia (e seu marido) chegaram em 2013 em nosso país e já estão totalmente ambientados. Aprenderam a língua portuguesa (apesar de nunca sequer terem ouvido o idioma até então) e já não diferem muito dos brasileiros natos.

A simpática e aguerrida moça, que adora nosso pão de queijo e admira nossa diversidade étnica, nos ensina a mais importante lição a respeito da crise de refugiados que assola especialmente a Europa: migrar para outra nação requer assimilação dos valores e costumes locais. Caso contrário, transfigura-se em invasão. Adaptar-se à cultura do povo que faz a acolhida é requisito básico para que o imigrante sinta-se integrado, reconheça-se como parte da comunidade onde passou a residir e com ela identifique-se.

Ou seja, hábitos  que sejam incompatíveis com nossas normas de convívio (tanto as positivadas em lei quanto aquelas não escritas) devem ser deixados para trás, sob o risco destes estrangeiros acabarem por se reunir em guetos onde vigorem códigos de conduta não aceitos em sua nova casa.

Tal cenário já é uma realidade em diversos subúrbios de capitais europeias, onde a lei islâmica é imposta e nem mesmo a polícia possui mais jurisdição nestes redutos – o que acaba por reproduzir, em escala reduzida, as mazelas que motivaram a saída destas pessoas de seus países de origem.

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Como Lucia é de família cristã, tal qual os sírios e libaneses que fundaram o renomado hospital de São Paulo no início do século XX, sua tarefa de abrasileirar-se foi bastante facilitada. Os valores cultivados no Ocidente ao longo dos séculos caem como uma luva para os professantes da fés cristã e judaica – quais sejam: a separação entre Igreja e Estado, o império da Lei e a igualdade de todos perante ela, a liberdade de consciência e expressão, os direitos humanos, a democracia liberal, a valorização da vida humana e a busca pela felicidade individual.

Nas palavras de Ibn Warraq:

“Os valores ocidentais – que são base para seu visível sucesso político, científico, econômico e cultural – são claramente superiores a quaisquer outros valores inventados pela humanidade. Quando tais valores foram adotados por outras sociedades, tais como a Japonesa ou a da Coreia do Sul, seus cidadãos hauriram benefícios.”

Este  ex-muçulmano nascido na Índia e criado no Paquistão e na Inglaterra, famoso pelas suas críticas ao Alcorão e às sociedades islâmicas, ainda complementa:

“No Ocidente nós somos livres para pensar o que queremos, ler o que queremos, praticar nossa religião, viver como escolhemos. A liberdade está codificada nos direitos humanos, outra magnífica criação sua, mas também, creio, um bem universal. Os direitos humanos transcendem valores locais ou étnicos, conferindo igual dignidade para todos, independentemente do gênero, etnia, preferência sexual, ou religião. Ao mesmo tempo, é no Ocidente que os direitos humanos são mais respeitados. É no Ocidente que existe a emancipação das mulheres, e das minorias raciais e religiosas; dos gays e lésbicas que defendem seus direitos.”

Ou seja, a aceitação tácita de nosso modo de vida, a aderência aos nossos preceitos basilares, é benéfica tanto para os imigrantes vindos do Oriente quanto para os ocidentais. É justamente a resistência em consentir com a maneira como se relacionam os “infiéis” neste lado do Globo que gera graves tensões entre habitantes locais e refugiados muçulmanos. Em alguns casos, este sentimento de aversão irá eclodir na forma de atentados terroristas, como a tragédia ocorrida em Barcelona há poucos dias.

Ademais, Lucia veio para o Brasil cumprindo todos os requisitos legais para tal. O presidente americano Donald Trump recentemente aprovou uma reforma no sistema de imigração daquela nação, passando a basear no mérito os critérios para concessão de vistos a estrangeiros. Caso tal legislação estivesse em vigor em nosso país, Lucia certamente seria selecionada com louvor, por se tratar de uma cidadã que irá acrescentar em muito a nossa sociedade.

Adentrar um país em meio a hordas de milhões de pessoas sem qualquer identificação (sendo a maioria delas homens em “idade de combate” – entre 18 e 25 anos – oriundos de países que sequer estão em guerra, tornando despropositado até mesmo o uso do termo “refugiado”) não é a maneira correta de pedir asilo, afinal de contas.

Exigir que nações abram indiscriminadamente suas fronteiras é uma afronta deste projeto globalista encabeçado pela ONU que visa tão somente gerar instabilidade e justificar mais intervenção estatal (e de entidades supranacionais, como ela própria) para resolver o caos criado por esta conjuntura.

Neste processo, enriquecem ainda mais os bilionários “capitalistas de compadrio” e votos são garantidos para políticos supostamente preocupados com o sofrimento destes estrangeiros, já que os benefícios do Welfare State precisarão ser estendidos a todos os novos chegados, garantindo um eleitorado cativo.

Por isso é necessário aplaudir e parabenizar pessoas como Lucia Loxca, que aqui chegou pela porta da frente e vem demonstrando gratidão ao povo que a acolheu (e inclusive bancou sua faculdade), absorvendo nossa cultura e tornando-se cada vez mais uma das nossas, mesmo sem deixar de lado as tradições árabes.

Bem-vinda ao Brasil e obrigado pelo ótimo exemplo!

الله معك (fique com Deus)…

 

Matemática é racista, dizem “educadores”. Ou: Você vai acreditar em mim ou nos seus olhos?

Racist

Organizações americanas de matemáticos concluíram que “o ensino da matemática é injusto e baseado em um legado de discriminação institucional”. Em uma nota oficial conjunta, a TODOS: Mathematics for All e a National Council of Supervisors of Mathematics (NCSM) declararam que “a justiça social é crucial para o acesso, o engajamento e o desenvolvimento no aprendizado de matemática da juventude”.

Afirmaram ainda que “a matemática ajudou a perpetuar a segregação racial, pelo fato de que o desempenho na matéria é normalmente medido por meio de testes padronizados que acabam por selecionar os estudantes em função de sua raça, classe social e gênero, desde a escola elementar”.

Lamentam também os referidos social justice warriors “a noção generalizada entre os profissionais da área de que é essencial que os alunos aprendam os elementos básicos antes de abordar problemas mais complexos”. Por fim, alegam que “predominam entre os professores de matemática brancos de classe média, o que destoa da diversidade racial de seus alunos“.

Eis aí mais um capítulo da saga coletivista: a desigualdade de notas oprime os alunos com menor rendimento em determinada disciplina. Na maioria dos campos de estudo, todavia, é perfeitamente possível que um professor relativize o conhecimento demonstrado em provas e trabalhos escolares  e nivele (por baixo) a performance de todos.

Mas a matemática, como ciência exata que é, admite pouca ou nenhuma margem de manobra. Consciência social e senso crítico não se prestam a resolver cálculos e solucionar equações.

E isto, obviamente, é um grave entrave para o avanço da mentalidade socialista revolucionária, que vê na disparidade de mérito pessoal (habilidades naturais + esforço + legado cultural herdado), inerente a qualquer grupo de indivíduos, um pecado mortal. A miséria (intelectual, no caso) adora companhia, por certo.

Flertam eles até mesmo com o conceito de “progressão continuada” implementado no Brasil sob influência de Paulo Freire, o idealizador da “pedagogia do oprimido” (método este intrinsecamente ligado à queda acentuada de QI registrada em nosso país nas últimas décadas, conforme gráfico abaixo). É exatamente isso o que propõem eles quando dizem que seria descabido exigir a comprovação da assimilação dos conceitos básicos antes de passar para temas mais aprofundados.

QI

O intento destes institutos constitui um verdadeiro crime contra a humanidade, na medida em que a matemática é a base da engenharia e da tecnologia da informação, duas atividades que permitiram o notável avanço dos índices de desenvolvimento humano registrado por todo o globo nos últimos dois séculos.

A evolução dos meios de transporte e de comunicação, bem como o incremento da produtividade das indústrias (que possibilitaram o acesso das massas a bens antes restritos a pessoas ricas), seriam feitos impensáveis sem a figura do nerd que fatura a olimpíada de matemática – independente de sua cor, credo e origem.

O racismo destes “educadores” pode, destarte, nos fazer retroceder no tempo e causar a degradação da qualidade de vida sem precedentes por todos usufruída nos dias atuais.

Mas a verdadeira meta destes acadêmicos tão indignados com a matemática vai bem além de meros muxoxos corporativistas, como de praxe se observa na rede pública brasileira de ensino. É consenso entre os esquerdistas que a realidade é sua principal inimiga no processo de submissão da sociedade ao Estado – e aos bilionários a ele conectados. Alguns minutos de observação honesta dos fatos e do mundo que nos cerca são suficientes para jogar por terra slogans marxistas. Entre a utopia igualitarista e os fatos, pior para os fatos, por assim dizer.

Convencer as pessoas de que uma parede azul é vermelha faz parte, portanto, da empreitada de doutrinação levada a cabo por aqueles premiados com a audiência cativa diária de nossos filhos. Como convencer alguém que Che era um sujeito humanitário sem distorcer a própria História? Como persuadir pessoas minimamente dotadas de inteligência de que o caos na Venezuela é culpa dos capitalistas gananciosos e dos imperialistas ianques sem adulterar aquilo que está diante de seus olhos?

O histórico do socialismo é, pois, péssimo para sua propaganda e disseminação, e então é preciso transformar, no imaginário popular, fome e genocídio em igualdade e harmonia, adulterando os sentidos do indivíduos e deturpando seu senso comum.

Boa parte do conteúdo programático da matemática, entretanto, não pode ser refutado sem que a própria realidade seja desafiada. São de fácil observação, e até mesmo experimentação em nosso cotidiano, as operações matemáticas em geral. Seja trabalhando, fazendo compras ou viajando, a validade dos preceitos matemáticos pode ser aferida a cada momento em que precisamos fazer contas, desde a divisão da despesa do churrasco até a realização de investimentos na bolsa de valores.

1 + 1 = qualquer resultado que não ofenda minorias e contribua para uma sociedade mais “justa e igual”? Não: a resposta é 2. E viva com isto. Às favas com o relativismo moral, que não tem vez aqui.

Aí está a característica desta ciência, exata por natureza, que tanto desagrada os “progressistas”. Contestar a matemática é tão complicado quanto negar que a liberdade econômica tirou de condições de vida deploráveis bilhões de habitantes deste planeta. A tal ponto que chegará o dia em que o professor, revoltado com a situação, precisará indagar aos seus alunos, com as veias do pescoço saltando: “vocês preferem acreditar em mim ou nos seus olhos?” Exatamente como descrito no vídeo Modern Education, produzido em 2015:

Idiotizar a todos, rebaixando a burros de carga alienados, desestimulados ao aprendizado e repetidores de mantras desconexos da vida real pessoas que poderiam, na idade adulta, vir a criar riqueza e melhorar as condições de vivência de seus concidadãos  ao longo do processo: este o verdadeiro objetivo oculto destes agentes da revolução (alguns voluntários conscientes de sua missão, outros idiotas úteis). E a frieza dos números é um empecilho em seu caminho. Quem sabe uma boa e velha “ação afirmativa” não possa dar um jeito nisso…

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O Brasil e suas “soluções” estapafúrdias: a mania de tirar o sofá da sala

O marido chega em casa mais cedo do trabalho e flagra a esposa em pleno ato libidinoso com um terceiro em cima do sofá. O que faz o rapaz de cabeça enfeitada para resolver o conflito? Tira o sofá da sala. Pronto.

Seria cômico se não fosse parte de nossa tragédia diária como cidadãos brasileiros. Diante de problemas quaisquer, nossas autoridades governamentais costumam tentar resolver os imbróglios retirando alguma peça de suas engrenagens, com vistas a interromper o processo danoso. Só que, via de regra, elas mexem na ponta errada do circuito, e, em vez de por fim ao prejuízo gerado, só fazem aumentá-lo.

O Capitalismo de laços sempre distorceu a vontade popular nos pleitos eleitorais. Empresas privadas financiam as campanhas de políticos e partidos que, uma vez empossados, devolverão a gentileza por meio de favorecimentos diversos, e todos os envolvidos enriquecerão ilicitamente durante a empreitada.

E o que faz o Estado (personificado, nesta situação, nos Ministros do STF) para quebrar esta corrente de corrupção, trapaça  e desvio de dinheiro extraído do setor produtivo da sociedade? Ora, proíbe as doações de pessoas jurídicas, bem como limita a um mínimo as doações de pessoas físicas – simplesmente impedindo que os simpatizantes das associações as financiem.

A Suprema Corte, para começo de conversa, poderia ter se limitado a sua função jurisdicional e não ter legislado sobre o tema, mas como o ativismo judicial está bastante em voga, decidiu por bem reescrever a lei.

Havia, portanto, um cenário em que os políticos ocupantes de cargos públicos, a partir de seu vasto poder de interferir na economia (podendo inclusive, por meio do BNDES, escolher quem fica rico no país) e dos inúmeros contratos administrativos celebrados por incontáveis empresas públicas e órgãos estatais, nas três esferas e nos três poderes, podiam oferecer benesses a quem lhes bancasse a reeleição – ou a eleição de um apadrinhado.

Ou seja, de duas uma: ou se procurava retirar este farto poder de barganha dos agentes políticos, esta possibilidade de vender facilidades após criar dificuldades, por meio do enxugamento da máquina estatal, da eliminação de regulações puramente burocráticas e da contenção dos gastos públicos, ou se proibiam as doações de empresas. As chances erro e acerto eram de 50% para cada lado, portanto.

E não é que tiraram o sofá da sala?

O resultado: de onde raios sairiam os recursos para realizar as próximas campanhas? Somente aqueles partidos que já houvessem amealhado dinheiro de forma improba em outros mandatos estariam aptos a concorrer, beneficiando, assim, os desonestos – e praticamente impossibilitando a renovação das bancadas legislativas e da chefia do Executivo.

A consequência desta emenda pior do que o soneto? O estapafúrdio fundo partidário de R$3,6 bilhões aprovado recentemente na calada da noite no Congresso Nacional. Quer dizer, agora é o pagador de impostos quem vai fazer papel de corno manso e ainda receber a dolorosa para pagar.

Este é um exemplo bastante atual deste bizarro modus operandi, mas nem em sonho é exceção.

O Brasil é um país de índices de violência altíssimos. Homicídios, latrocínios, fraudes e estupros em profusão – tudo fruto da sensação de impunidade gerada pela legislação penal patética, e pelo fato de nossa população ter sido desarmada ao longo das últimas décadas. Tais estupros, como relações sexuais que são, acabam dando origem, por vezes, a gestações (obviamente indesejadas) nas pobres vítimas.

De novo: que peça deve ser removida deste circuito maligno? As leis lenientes que motivam a prática destes crimes hediondos (estupros entre eles), ou as gestações resultantes destes estupros? 

O entorno de bares e restaurantes, em vários locais do Brasil, costuma virar uma completa zona em determinados dias e horários da semana. Carros apostando racha, brigas na rua com direito a garrafas voando, som automotivo de trocentos decibéis, drogas ilícitas consumidas e comercializadas livremente, e por aí vai.

E o que faz o poder público diante de tal cenário: compele os frequentadores da região a portarem-se feito gente, fazendo uso do monopólio da força que detém (ou seja, mais ninguém pode cumprir esta tarefa senão o próprio Estado), ou restringe o horário de funcionamento dos estabelecimentos locais, cujos proprietários não tem nada a ver com a omissão e a ineficiência das forças de segurança, nem tampouco com a falta de educação do brasileiro médio?

As vagas oferecidas por universidades federais costumavam ser ocupadas quase que exclusivamente (especialmente em cursos de maior prestígio e melhor perspectiva de remuneração no futuro) por alunos oriundos de famílias de alta renda, tendo em visto a péssima qualidade do ensino oferecido pelas escolas estaduais e municipais.

Diante desta conjuntura, como agem os gestores estatais: procuram fazer com que os estudantes da rede pública saiam do colégio com algo mais em suas cabeças do que slogans marxistas repetidos à exaustão (apoiando medidas como o Escola Sem Partido e adotando o sistema de vouchers), ou criam cotas para acomodar este pessoal nas instituições públicos de ensino superior, dividindo ainda mais a sociedade e passando longe de equacionar o problema?

A resposta oferecida pelos tecnocratas para os três casos concretos apresentados é: retirar o sofá da sala!

Melhor ligar e avisar que está saindo mais cedo do trabalho na próxima, brasileiro…

O preço do passe e o salário de Neymar NÃO são frutos de um livre mercado

Neymar estreou pelo Paris Saint-Germain no último domingo, após muita expectativa pela primeira partida do atleta mais caro da história do esporte. Mais alvoroço ainda causaram as cifras envolvidas em sua transferência de Barcelona para a capital francesa.

Afirmar que professores e médicos deveriam ser remunerados no mesmo patamar, dada a importância de sua atividades, virou lugar comum nas discussões que se sucederam. A seu turno, pessoas mais focadas no empirismo empreenderam esforços para demonstrar que, em um ambiente de trocas voluntárias, o preço de uma determinada mão de obra é determinado pelo próprio mercado, e não por alguma autoridade dotada de poder para tabelar salários.

A resultante destes debates deixa claro que os valores recebidos como contraprestação por um dado serviço dependem muito mais da vontade subjetiva dos consumidores e do número de usuários que pagam por ele do que de juízos de valor eventualmente elaborados por pessoas supostamente esclarecidas.

De maneira tal que é possível traçar um algoritmo que indicará se você pode tornar-se rico em seu atual trabalho ou não, bastando percorrer seus poucos passos. Considere-se, aqui, que o Estado não intervém (muito) na economia criando barreiras para entrada de investidores nos setores produtivos nem beneficiando empreendedores específicos com crédito barato custeado pelo restante da sociedade, por exemplo.

Algoritmo da riqueza III

Eis aí o caminho para a bonança a ser percorrido em um país onde o governo deixe os agentes econômicos agirem livremente – e não permita que funcionários do Estado recebam contracheques ostentando meio milhão de reais e digam que “não estão nem aí”.

Evidência de sua validade é o fato de que Pelé, o melhor futebolista de todos os tempos, amealhou fortuna tão somente após sua aposentadoria. Na época em que Edson Arantes do Nascimento desfilava talento nos gramados, ninguém conseguia fazer o que ele fazia, muitas pessoas consideravam uma experiência quase divina vê-lo jogar, mas este era um privilégio de poucos, já que a evolução dos meios de transporte e de comunicação só viria a alcançar seu auge algumas décadas mais tarde – possibilitando, aí, sim, que muitas pessoas usufruíssem de seus dribles e jogadas geniais simultaneamente.

Com cada fã do esporte do planeta (atingidos pelas transmissões via televisão e até pela Internet) contribuindo um pouquinho, tornou-se viável reduzir o lucro dos investidores na margem (per capita) para aumentá-lo a partir do maior volume de transações efetuadas. Típico negócio de ganha-ganha: um lado ganha entretenimento a preço acessível, o outro serve champagne de quase R$3.000 aos amigos como quem paga uma rodada de Skol.

neymar

Nada para se espantar: com as associações desportivas enriquecendo por meio do processo elucidado, elas puderam passar a oferecer maiores vantagens na disputa pelos melhores jogadores. Tal cenário demonstra, ainda, que a combinação “mágica” de mais dinheiro circulando em um determinado segmento da iniciativa privada com a “briga” pela mão de obra disponível sempre resulta em aumento de salários para os trabalhadores. Nos dias atuais, até mesmo atletas medianos (para não pegar pesado) ganham mais do que Pelé recebia em seus tempos áureos.

Nada contra o neurocirurgião ou o professor com doutorado que ganham menos que o Neymar, mas o primeiro não tem como operar várias pessoas ao mesmo tempo (muito embora alguns deles que dirigem o trabalho de diversos outros profissionais do mesmo ramo também possam ganhar fortunas, como o novo chefe da oncologia do Sírio-Libanês), e o segundo, normalmente, dá aula para no máximo algumas dezenas de alunos por vez – e aqueles que superam essa limitação logram ficar tão ricos quanto o brasileiro, tal qual Carlos Wizard.

Até aí, tudo dentro do razoável, apesar dos números do negócio entre PSG e Barça impressionarem de fato. Mas daí vem o detalhe que passou despercebido pela quase totalidade dos analistas: o preço pago pelo passe do atleta e o salário oferecido estão dentro da realidade dos clubes de futebol na Europa? Foram eles o resultado de negociação pura e simples entre as partes?

Para entender esta questão, é preciso retroceder ao momento da assinatura de contrato entre o brasileiro e o clube catalão. O Barça, na ocasião, planejou a carreira de Neymar no longo prazo, e sua intenção era de que ele viesse, em algum ponto, a substituir o ídolo Lionel Messi, tanto em seu papel de principal figura em campo, quanto no coração dos torcedores.

Pensando nisso, foi estipulada, de comum acordo entre contratante e contratado, uma multa rescisória que parecia, a princípio, ser impagável por uma entidade esportiva. €$222.000.000. É zero pra caramba, em moeda forte. Qual clube poderia desembolsar tal quantia sem ir à bancarrota (e clubes de futebol podem ir à falência no Velho Mundo, ao contrário do que ocorre no Brasil)? Que patrocinador poderia preencher este vultuoso cheque? Tudo levava a crer, então, que Neymar ficaria na Espanha até o fim de seu contrato.

Agora um exercício de imaginação: considere que o CEO da Audi seja um aficionado por futebol; que seu sonho seja ver o Bayern de Munique dominando o futebol mundial; que ele resolva, então, patrocinar o clube alemão; e que, num surto de megalomania, resolva ele contratar Neymar, depositando sua fantástica multa rescisória, concordando com um salário nababesco e entregando-lhe de bandeja para o treinador do time da Baviera.

Pergunta: o que aconteceria com esta empresa no dia seguinte? Acertou quem respondeu que veria seu valor de mercado despencar violentamente!

Ora, uma empresa que deve satisfações a acionistas não pode se aventurar desta forma. O risco de o investimento não dar retorno é considerável e depende de fatores alheios à ingerência dos administradores.

E se o brasileiro cair na gandaia e não jogar absolutamente nada – fato muito comum entre jogadores sul-americanos? E se houver ciúmes do restante do elenco e restar comprometida sua performance – e sua capacidade de agregar valor aos produtos do clube?

E se…pois é. Empresas que estão sujeitas aos mecanismos de estímulo do livre mercado não podem trabalhar com tantas hipóteses incertas que possam redundar em prejuízo, ainda mais em se tratando de uma área estranha a sua atividade-fim: fabricar e comercializar carros.

Ou seja, o dia seguinte da notícia da aquisição de Neymar registraria um forte movimento na bolsa de venda de ações da Audi, com a decorrente redução do valor de seus papéis e prejudicando sua capacidade de investimento.

A partir deste raciocínio, deduz-se que o Barcelona não estava de todo errado em sua lógica. Não fosse pelo detalhe crucial: os magnatas do ouro negro árabe e outros bilionários oriundos de países com pouca liberdade econômica não estão preocupados com nada disso.

Roman Abramovich já havia ensinado esta lição quando despejou dinheiro a rodo no Chelsea, da Inglaterra. O bilionário russo é mais daqueles que se deu muito bem quando da dissolução da URSS, ocasião em que subornou autoridades governamentais para obter concessões para exploração de petróleo e alumínio, além de estar envolvido no contrabando de diamantes de Angola e enfrentar até mesmo acusações de que teria embolsado recursos emprestados pelo FMI a Rússia. Em suma: foi o capitalismo de laços que formou o time campeão da UEFA Champions League de 2012.

Al-Khelaïfi, novo dono do PSG e responsável pela transação de Neymar, é, a seu turno, amigo de Tamim bin Hamad al-Thani, que desde 2013 é o emir do Catar. Os dois jogaram tênis profissional juntos e a boa relação com a autoridade suprema do país garantiu ao empresário o comando do Qatar Sports Investment (QSI), braço esportivo do Qatar Investment Authority (QIA), fundo criado pelo governo local para investir em diversos projetos espalhados pelo mundo. Além disso, Al-Khelaïfi é também um dos membros do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022.

Trocando em miúdos: foi verba estatal proveniente de uma das monarquias absolutistas mais ditatoriais existentes (país onde vigora a lei islâmica e que dá suporte a terroristas, por sinal) que levou Neymar para a cidade luz. Assim fica fácil brincar de Elifoot na vida real: se tudo der errado, qual o problema?

Pela mesma lógica torta, a Caixa Econômica Federal pode patrocinar metade dos times da série A do Brasil sem preocupar-se com as consequências. Empresas protegidas da concorrência por regulações estatais, como operadoras de planos de saúde (Unimed/Fluminense), ou empreendimentos que lucram muito devido à absurda taxa de juros nacional provocada pelo déficit público (Crefisa/Palmeiras), até podem brincar de Sheik às vezes…mas não muito. A Rede Globo, uma das maiores beneficiárias do BNDES, também costuma distribuir bônus por direitos de transmissão muita acima dos praticados no restante da América do Sul, pelas mesmas razões.

Empresas que concorrem pela preferência de consumidores sem auxílio governamental já não podem se dar a este luxo – ou não deveriam. Experiências fracassadas no Brasil deixam isso claro: Grêmio (ISL), Palmeiras (Parmalat) e Corinthians (MSI) já sofreram pesados castigos por apostarem em parcerias milionárias que bateram em retirada tão logo o lucro cessou e o prejuízo (ou a insolvência) bateu à porta. Não é trairagem: é matemática básica imposta pela realidade do mundo dos negócios.

A composição bilionária do time do Paris Saint-Germain, propiciada pelos petrodólares em abundância de seu novo proprietário, causou revolta nos defensores do famigerado “fair play financeiro” (favoráveis a proibir, por regulamento, que os gastos dos clubes excedam suas próprias receitas), os quais alegam que “o capitalismo está estragando a magia do futebol”.

Como foi possível constatar, o livre mercado não tem nada a ver com isso. O problema é que o futebol não tem como isolar-se em uma bolha: estando ele exposto ao crony capitalism, como todos nós, será por ele afetado inevitavelmente.

A solução, para não variar, é mais liberdade econômica. Just like that

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O próximo passo do socialismo chavista será impedir que cidadãos saiam do país

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Se fosse proposto o desafio de prever os próximos passos do regime totalitarista de Nicolás Maduro, eu cravaria sem medo de errar, baseando meu palpite tão somente na surrada cartilha de implantação do comunismo mundo afora: muito em breve, os cidadãos de nosso vizinho do norte serão tolhidos do direito de sair do país.

Se tal “privilégio” foi sonegado aos alemães que viviam no lado da nação regido pelo leninismo  com a construção do muro de Berlim, aos cubanos que precisam fugir do inferno dos Castro remando em botes feitos com garrafas pet, e aos norte-coreanos que não tiveram a mesma sorte dos coirmãos do sul ajudados pelos americanos, não há porque acreditar que o mesmo fado não está reservado aos habitantes da outrora terceira terra mais rica da América Latina.

O ex-maquinista do metrô de Caracas demitido por desídia e notório sindicalista puxa-saco de Hugo Chávez está muito próximo, afinal, do xeque-mate em sua empreitada de impor o controle estatal sobre cada mínimo aspecto da vida dos venezuelanos.

Senão vejamos: tanto Executivo quanto Judiciário já estavam sob o jugo irrestrito do bolivarianismo desde a era de seu antecessor; com o advento de sua estapafúrdia Assembleia Constituinte (realizada sob o cadáver de mais de 160 pessoas famintas e desesperadas as quais a mídia brasileira não cansa de chamar de “oposição”), também o Legislativo – que tentou destronar Maduro propondo uma consulta popular que poderia antecipar o fim de seu mandato – foi totalmente abduzido pelas forças do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV); as forças armadas do país também já haviam sucumbido às aspirações ditatoriais, posto que Chávez, além de ser oriundo da caserna, logrou subjugar revoltosos que tentaram sacar-lhe do poder em 2002.

Some-se a este cenário desolador um povo desarmado, milícias municiadas até os dentes pelo próprio governo e o controle absoluto da imprensa, e pronto: não há mais como reverter – ao menos de forma pacífica – o processo que sempre inicia-se com promessas de “redução de desigualdade”, “apoio às minorias” (especialmente indígenas neste caso) e “combate às elites” – tudo regado a muito dinheiro do BNDES distribuído pela Odebrecht.

Tudo ainda piora na medida em que até mesmo os oposicionistas do regime tirânico também são socialistas – mas estes prometem não deturpar Marx pela enésima vez. E com até mesmo a Smartmatic (mesma empresa que fornece o sistema de nossas urnas eletrônicas) admitindo fraudes eleitorais, restou pouco ou quase nada a ser feito pela via democrática. Detalhe: o novo parlamento recentemente empossado já aprovou lei que restringe as futuras candidaturas aos candidatos portadores de licença expedida por este mesmo parlamento!

Dada esta conjuntura irreversível, um ponto de não retorno do dirigismo estatal, torna-se natural que a quase totalidade da população desalentada deseje deixar o país – “votando com os pés”, procurando recuperar a esperança alhures (dá para ter uma ideia do nível do desânimo desse povo quando um dos principais destinos é o…Brasil!).

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Fonte: O Antagonista

O problema é que, se a ditadura bolivariana assim permitir que ocorra, escassearão os escravos que precisam laborar para manter as benesses dos apoiadores do regime – digo aqueles que se dão bem com o socialismo, não os que fazem regime de calorias forçado (animais do zoológico entre eles).

A sequência dos fatos é fácil de deduzir: eufemismos como “segurança nacional” serão utilizados como subterfúgio para dificultar ou mesmo impedir a confecção de passaportes; princípios jurídicos como a “solidariedade”, empregados para justificar a obrigatoriedade de participação dos trabalhadores na previdência social e a existência do falido SUS no Brasil, serão lançados à mão no esforço de “convencer” a todos a ficar na Venezuela e “contribuir” com a coletividade – quem sabe até mesmo sendo obrigados a trabalhar no campo, como o Mao caudilho intenciona proceder em breve; autorizações que nunca serão emitidas passarão a ser obrigatórias nos aeroportos e pontos limítrofes de estradas.

Até o dia em que, cansado de disfarçar suas reais intenções, o Estado irá baixar a cortina de ferro em definitivo, obstaculizando até mesmo que se saiba o que passa lá dentro por meio do controle severo da Internet – medida que já está entrando em vigor, bom que se diga. Mitos de Saúde e Educação modelo poderão ser construídos facilmente, tal qual se passa em Cuba.

Em suma: a Venezuela terá atingido os objetivos propostos no estatuto do Foro de São Paulo com louvor. A partir daí, histórias como a da “Fuga do Campo 14”, protagonizada por Shin Dong-hyuk, em sua jornada rumo à liberdade surrupiada em nome de um suposto bem maior, passarão a tomar lugar na América do Sul.

O Brasil demonstrou mais sorte do que juízo ao escapar de José Dirceu no Planalto, guerrilheiro que vinha sendo talhado para fazer as vezes de Maduro por aqui. Se quisermos, todavia, depender menos de eventos fortuitos (o Mensalão) para a manutenção de nossa liberdade no futuro, basta permanecer atento aos sintomas deste mal. Tudo sempre começa pelo gasto público desenfreado, como bem elucida Paulo Rabello de Castro na obra “O Mito do Governo Grátis”:

Maduro, que não tem o carisma de Chávez, precisa continuar “conquistando” o apoio da população. Agradar a todo custo é o princípio programático de qualquer governo grátis. Com esse objetivo, foram aumentados os gastos públicos com a própria máquina de governo e com propaganda. Ele manteve os 39 ministérios e criou 111 “vice-ministérios”, nisso ultrapassando muito o Brasil. Há, por exemplo, o Ministério da Transformação Revolucionária e o de Desenvolvimento Integral. Pela bizarra lógica administrativa de Maduro, cada ministério precisa de um apêndice. O da Saúde tem quatro vice-ministérios: Saúde Integral, Saúde Ambulatorial, Saúde Coletiva e Recursos, Tecnologia e Regulação. Há vice-ministérios para quase todas as atividades do governo, além do Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo. Existe o Vice-Ministério para a Economia Socialista, um para a União com o Povo e outro para o Desenvolvimento Produtivo da Mulher. Os mais espantosos são o Vice-Ministério para o Saber Ancestral e para a Vida e a Paz, além de um específico para as Redes Sociais.

A liberdade nunca está a mais de uma geração de ser perdida, como bem ensinava Ronald Reagan. E os venezuelanos estão aprendendo esta amarga lição da pior forma possível…

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