Temer nos “protege” de café bom e barato

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Deu no Antagonista hoje mais cedo:

“Michel Temer decidiu suspender a medida que autoriza a importação de café verde pelo Brasil. Ontem, como mostramos, parlamentares ‘invadiram’ o gabinete do secretário de Governo para cobrar justamente isso.

Parlamentares ‘invadem’ gabinete de Imbassahy

Deputados capixabas e mineiros ‘invadiram’ o gabinete de Antonio Imbassahy, secretário de Governo, para barrar a importação de café.

O Espírito Santo, por exemplo, é o segundo maior produtor de café. Os parlamentares do estado estão indignados com Blairo Maggi porque, na avaliação deles, o ministro da Agricultura “ignorou pareceres de estoques” ao autorizar importação de café do Vietnã.

Imbassahy prometeu recomendar a Michel Temer a suspensão do processo.”

Então vejamos: segundo consta, já haveria “café demais” em nosso país, e permitir a entrada de mais toneladas deste produto oriundo do exterior seria prejudicial ao Brasil, na medida em que causaria perdas aos produtores nacionais, os quais geram empregos e pagam impostos aos fiscos locais.

Será mesmo? Vejamos o que tem a dizer Ludwig Von Mises sobre a alegação de “regulação de estoques” aventada pelos empresários ávidos por protecionismo:

“No mercado de uma sociedade capitalista, o homem comum é o consumidor soberano, aquele que, ao comprar ou ao se abster de comprar, determina em última análise o que deve ser produzido e em que quantidade”.

Aplicando tal pressuposto ao caso concreto, temos que os “pareceres de estoques” deveriam ser elaborados, em verdade, por cada indivíduo que toma café. Caso, em algum momento, a oferta venha a superar a demanda, a concorrência na atividade econômica irá reduzir os preços, ampliar o leque de opções e elevar a qualidade, na competição pelos clientes. Diante de tal cenário, alguns fornecedores podem, sim, se retirar do setor, mas de forma voluntária, por julgarem não mais ser vantajoso, e não por força de lobbies e decretos.

A fatura desta reserva de mercado obtida pelos cafeicultores capixabas e mineiros será quitada, pois, por cada brasileiro que aprecia a bebida, notadamente em decorrência da quebra da safra provocada pela recente seca em regiões produtoras, que encareceu o café.

Não creio que seja do interesse do povo brasileiro arcar com desfalques sofridos por empresas acometidas por contingências inerentes ao risco de investir. Um empreendedor precavido lança mão de estratégias para cobrir eventuais revezes, como contratar apólices de seguro ou diversificar suas atividades. Correr para o gabinete dos burocratas requerendo barreiras ao livre mercado é atitude típica de quem só quer saber de embolsar lucros e “socializar” prejuízos – ainda mais quando se trata de um segmento da economia altamente subsidiado e agraciado com isenções tributárias. Assim até eu.

Se o Executivo quer socorrer um grupo de empresários brasileiros qualquer, ajude todos de uma vez então, cortando impostos, burocracia, regulações e taxa de juros – sem gerar uma bolha,  bom que se diga. Enfim, pare de atrapalhar.

Um empreendimento que transforma cem reais de insumos em cinquenta reais de faturamento está destruindo riqueza ao invés de criá-la, e deve, caso não logre reverter o quadro com meios próprios, ser incorporado por outras companhias mais hábeis no beneficiamento e distribução desta matéria-prima, para que então, aí sim, passe a ser gerado valor a partir daqueles bens de capital. Salvar empresários insolventes com recursos obtidos por meios de impostos, endividamento estatal ou impondo barreiras à importação equivale a usar parte do seu salário para manter um carro velho que já mal sai do lugar. Melhor é passar para frente logo.

Se o Vietnã ou qualquer outro fornecedor do mundo “ousar” agradar mais nossos paladares e bolsos, que seja: este é o princípio da divisão do trabalho aplicado ao comércio global, o qual elevou sobremaneira o padrão de vida da população mundial e permitiu que cada nação se especializasse em determinados nichos. Ou não: quem sabe com estrangeiros “fungando no cangote” os produtores brasucas não buscariam formas de cortar custos e melhorar as características do café que nos servem atualmente – e os vietnamitas ficariam a ver navios, sem nem mesmo despertarem preocupação de nosso empresariado.

De uma forma ou de outra, seríamos nós a ditar quantos e quais empreendedores deveriam servir nossa mesa matinal. Quando o governo intervém em meio a este processo, ele subverte toda sua natureza, provocando desordem nos agentes econômicos, cujos efeitos serão fortemente sentidos nos indicadores financeiros enquanto esta manipulação perdurar.

Alguém deve estar pensando, a esta altura, que os dividendos obtidos pelos asiáticos com as vendas no Brasil voltariam para aquele continente, e que isso seria, a priori, ruim. Acontece que se todos os países do mundo fossem pensar desta forma, os ingleses passariam a vida só comendo batatas com peixe, e os franceses apenas queijo com vinho. Cada um na sua, mas com algumas coisas em comum. Só não me pergunte como o maior produtor mundial desta commoditie agrícola consegue ser tão dependente de estímulos dos cofres públicos e de canetadas de políticos. Deve ser a força do hábito mesmo, da cultura paternalista.

Quanto aos postos de trabalho supostamente extintos na cadeia produtiva do café brasileiro, na eventualidade do produto estrangeiro cair nas graças dos consumidores, estes seriam facilmente compensados pelo aumento do poder de compra e da capacidade de poupança proporcionados pela diminuição da conta do supermercado. Se as pessoas gastam menos na compra do mês com o “pretinho básico”, podem comprar mais um litro de leite ou um quilo de arroz – fomentando, destarte, as indústrias de lacticínios e arrozeira. Ou até mesmo podem economizar a diferença- melhor ainda.

Bola foríssima de Temer, que, com essa medida, só fortaleceu o “capitalismo de estado” em vigor no Brasil e condenou-nos a continuar degustando apenas o refugo do café de boa qualidade que costuma ser exportado para mercados mais abertos – e, por conseguinte, mais exigentes.

Partiu tomar um “chafé”. É o que tem pra hoje – e assim será enquanto seguirmos tão fechados em nossos casulos em que meia dúzia de beneficiados adora viver.

Neste contexto, impossível não recordar da anedota de Bastiat: vamos proibir o sol de brilhar, devido sua concorrência desleal com os fabricantes de velas…

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4 comentários sobre “Temer nos “protege” de café bom e barato

  1. Lembrando que o melhor café do Brasil sempre foi exportado.
    Nós brasileiros olhamos muito – mas nem tanto quanto deveríamos – para as alíquotas de impostos, mas pouco para os subsídios cruzados e medidas desse tipo, que interferem na distribuição natural de renda e riqueza.
    Um abraço.

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  2. Caro Bourdinburke,
    Estou pensando em começar a plantar folha de coca no Brasil. O uso desta liberdade, não é motivo para riso, nem para se assustar, apenas acompanhe este raciocínio e tire suas próprias conclusões.
    Os consumidores de café, são na verdade, dependentes químicos, a substância principal do café é utilizada em larga escala na industria farmacêutica, na fórmula de diversos remédios! Isto é um fato ! O sintoma da abstinência do consumo do café é uma dor de cabeça insuportável, logo, café não é um alimento mas, UMA DROGA! que seqüestrou a população!
    Quando vejo a publicidade institucional da bancada ruralista na tv, fico pensando : QUEM ELES PENSAM ESTAR ENGANANDO?
    Outro caso bem típico, a Petrobras, também junto com o setor financeiro, são empresas que venderam um #SOFISMA ao estado brasileiro!
    Os “sócios” ultracapitalistas, que socializam prejuízo à sociedade, foram os financiadores da classe parlamentar atual que está aí ! como se dizia antigamente : “ESTÃO DE RABO PRESO” , e não representam os interesses da sociedade civil! Isto coloca o Brasil num estado précolonial mercantilista, temerário ! Os juriconsultos da república, não enxergam isso?
    Pois é! O estado foi sitiado! Não possui liberdade para se conduzir! #RETROCESSO!
    O sequestro do estado brasileiro, só pode ser combatido, com uma arma correta, um banco central independente, que consiga mudar os paradigmas capitalistas da colônia cleptocratica de Pindorama, onde senhores feudais, com a ajuda de 38 partidos, enganam 200.000.000 de pessoas, #ABSURDO !
    Voltando ao absurdo inicial do primeiro parágrafo, como uma empresa norte americana conseguiu licença para comercializar uma bebida que contém DEZESSEIS alcalóides diferentes da coca no Brasil ? Pois é, versão green card !
    Falar sobre democracia, numa sociedade viciada, em diversos tipos de substâncias, requer uma sanidade, que poucos membros dos 3 poderes possuem! Se possuíssem, não estaríamos neste pandemônio social, onde os donos das capitanias hereditárias , insistem num modelo colonial, que só beneficiam os mesmos de sempre !
    Isto não é uma sociedade mas, um embuste institucionalizado!
    Não se trata de modelo econômico mas, modelo moral!
    Empresários calados? Devem estar devendo muitos impostos , também foram seqüestrados !
    Aí aí aí !
    QUE ZONA!
    E a classe artística ?
    Que classe ?
    Aquela que paga um peitinho na tv, mas deve os tubos ao cidadão ? AFFF !
    LIVRE MERCADO NO BRASIL?
    Isso não te pertence colono !

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  3. Sempre que há esse tipo de texto, gosto de repetir aquela velha máxima: “Temer nos protege de café bom e barato. E quem nos protege de ‘Temer’*?” “Who watches the watchmen?”

    * Temer aqui, obviamente é um metonímia, representando o TODO da classe política/burocrática, e não uma designação personalíssima.

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