Matemática é racista, dizem “educadores”. Ou: Você vai acreditar em mim ou nos seus olhos?

Racist

Organizações americanas de matemáticos concluíram que “o ensino da matemática é injusto e baseado em um legado de discriminação institucional”. Em uma nota oficial conjunta, a TODOS: Mathematics for All e a National Council of Supervisors of Mathematics (NCSM) declararam que “a justiça social é crucial para o acesso, o engajamento e o desenvolvimento no aprendizado de matemática da juventude”.

Afirmaram ainda que “a matemática ajudou a perpetuar a segregação racial, pelo fato de que o desempenho na matéria é normalmente medido por meio de testes padronizados que acabam por selecionar os estudantes em função de sua raça, classe social e gênero, desde a escola elementar”.

Lamentam também os referidos social justice warriors “a noção generalizada entre os profissionais da área de que é essencial que os alunos aprendam os elementos básicos antes de abordar problemas mais complexos”. Por fim, alegam que “predominam entre os professores de matemática brancos de classe média, o que destoa da diversidade racial de seus alunos“.

Eis aí mais um capítulo da saga coletivista: a desigualdade de notas oprime os alunos com menor rendimento em determinada disciplina. Na maioria dos campos de estudo, todavia, é perfeitamente possível que um professor relativize o conhecimento demonstrado em provas e trabalhos escolares  e nivele (por baixo) a performance de todos.

Mas a matemática, como ciência exata que é, admite pouca ou nenhuma margem de manobra. Consciência social e senso crítico não se prestam a resolver cálculos e solucionar equações.

E isto, obviamente, é um grave entrave para o avanço da mentalidade socialista revolucionária, que vê na disparidade de mérito pessoal (habilidades naturais + esforço + legado cultural herdado), inerente a qualquer grupo de indivíduos, um pecado mortal. A miséria (intelectual, no caso) adora companhia, por certo.

Flertam eles até mesmo com o conceito de “progressão continuada” implementado no Brasil sob influência de Paulo Freire, o idealizador da “pedagogia do oprimido” (método este intrinsecamente ligado à queda acentuada de QI registrada em nosso país nas últimas décadas, conforme gráfico abaixo). É exatamente isso o que propõem eles quando dizem que seria descabido exigir a comprovação da assimilação dos conceitos básicos antes de passar para temas mais aprofundados.

QI

O intento destes institutos constitui um verdadeiro crime contra a humanidade, na medida em que a matemática é a base da engenharia e da tecnologia da informação, duas atividades que permitiram o notável avanço dos índices de desenvolvimento humano registrado por todo o globo nos últimos dois séculos.

A evolução dos meios de transporte e de comunicação, bem como o incremento da produtividade das indústrias (que possibilitaram o acesso das massas a bens antes restritos a pessoas ricas), seriam feitos impensáveis sem a figura do nerd que fatura a olimpíada de matemática – independente de sua cor, credo e origem.

O racismo destes “educadores” pode, destarte, nos fazer retroceder no tempo e causar a degradação da qualidade de vida sem precedentes por todos usufruída nos dias atuais.

Mas a verdadeira meta destes acadêmicos tão indignados com a matemática vai bem além de meros muxoxos corporativistas, como de praxe se observa na rede pública brasileira de ensino. É consenso entre os esquerdistas que a realidade é sua principal inimiga no processo de submissão da sociedade ao Estado – e aos bilionários a ele conectados. Alguns minutos de observação honesta dos fatos e do mundo que nos cerca são suficientes para jogar por terra slogans marxistas. Entre a utopia igualitarista e os fatos, pior para os fatos, por assim dizer.

Convencer as pessoas de que uma parede azul é vermelha faz parte, portanto, da empreitada de doutrinação levada a cabo por aqueles premiados com a audiência cativa diária de nossos filhos. Como convencer alguém que Che era um sujeito humanitário sem distorcer a própria História? Como persuadir pessoas minimamente dotadas de inteligência de que o caos na Venezuela é culpa dos capitalistas gananciosos e dos imperialistas ianques sem adulterar aquilo que está diante de seus olhos?

O histórico do socialismo é, pois, péssimo para sua propaganda e disseminação, e então é preciso transformar, no imaginário popular, fome e genocídio em igualdade e harmonia, adulterando os sentidos do indivíduos e deturpando seu senso comum.

Boa parte do conteúdo programático da matemática, entretanto, não pode ser refutado sem que a própria realidade seja desafiada. São de fácil observação, e até mesmo experimentação em nosso cotidiano, as operações matemáticas em geral. Seja trabalhando, fazendo compras ou viajando, a validade dos preceitos matemáticos pode ser aferida a cada momento em que precisamos fazer contas, desde a divisão da despesa do churrasco até a realização de investimentos na bolsa de valores.

1 + 1 = qualquer resultado que não ofenda minorias e contribua para uma sociedade mais “justa e igual”? Não: a resposta é 2. E viva com isto. Às favas com o relativismo moral, que não tem vez aqui.

Aí está a característica desta ciência, exata por natureza, que tanto desagrada os “progressistas”. Contestar a matemática é tão complicado quanto negar que a liberdade econômica tirou de condições de vida deploráveis bilhões de habitantes deste planeta. A tal ponto que chegará o dia em que o professor, revoltado com a situação, precisará indagar aos seus alunos, com as veias do pescoço saltando: “vocês preferem acreditar em mim ou nos seus olhos?” Exatamente como descrito no vídeo Modern Education, produzido em 2015:

Idiotizar a todos, rebaixando a burros de carga alienados, desestimulados ao aprendizado e repetidores de mantras desconexos da vida real pessoas que poderiam, na idade adulta, vir a criar riqueza e melhorar as condições de vivência de seus concidadãos  ao longo do processo: este o verdadeiro objetivo oculto destes agentes da revolução (alguns voluntários conscientes de sua missão, outros idiotas úteis). E a frieza dos números é um empecilho em seu caminho. Quem sabe uma boa e velha “ação afirmativa” não possa dar um jeito nisso…

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O Brasil e suas “soluções” estapafúrdias: a mania de tirar o sofá da sala

O marido chega em casa mais cedo do trabalho e flagra a esposa em pleno ato libidinoso com um terceiro em cima do sofá. O que faz o rapaz de cabeça enfeitada para resolver o conflito? Tira o sofá da sala. Pronto.

Seria cômico se não fosse parte de nossa tragédia diária como cidadãos brasileiros. Diante de problemas quaisquer, nossas autoridades governamentais costumam tentar resolver os imbróglios retirando alguma peça de suas engrenagens, com vistas a interromper o processo danoso. Só que, via de regra, elas mexem na ponta errada do circuito, e, em vez de por fim ao prejuízo gerado, só fazem aumentá-lo.

O Capitalismo de laços sempre distorceu a vontade popular nos pleitos eleitorais. Empresas privadas financiam as campanhas de políticos e partidos que, uma vez empossados, devolverão a gentileza por meio de favorecimentos diversos, e todos os envolvidos enriquecerão ilicitamente durante a empreitada.

E o que faz o Estado (personificado, nesta situação, nos Ministros do STF) para quebrar esta corrente de corrupção, trapaça  e desvio de dinheiro extraído do setor produtivo da sociedade? Ora, proíbe as doações de pessoas jurídicas, bem como limita a um mínimo as doações de pessoas físicas – simplesmente impedindo que os simpatizantes das associações as financiem.

A Suprema Corte, para começo de conversa, poderia ter se limitado a sua função jurisdicional e não ter legislado sobre o tema, mas como o ativismo judicial está bastante em voga, decidiu por bem reescrever a lei.

Havia, portanto, um cenário em que os políticos ocupantes de cargos públicos, a partir de seu vasto poder de interferir na economia (podendo inclusive, por meio do BNDES, escolher quem fica rico no país) e dos inúmeros contratos administrativos celebrados por incontáveis empresas públicas e órgãos estatais, nas três esferas e nos três poderes, podiam oferecer benesses a quem lhes bancasse a reeleição – ou a eleição de um apadrinhado.

Ou seja, de duas uma: ou se procurava retirar este farto poder de barganha dos agentes políticos, esta possibilidade de vender facilidades após criar dificuldades, por meio do enxugamento da máquina estatal, da eliminação de regulações puramente burocráticas e da contenção dos gastos públicos, ou se proibiam as doações de empresas. As chances erro e acerto eram de 50% para cada lado, portanto.

E não é que tiraram o sofá da sala?

O resultado: de onde raios sairiam os recursos para realizar as próximas campanhas? Somente aqueles partidos que já houvessem amealhado dinheiro de forma improba em outros mandatos estariam aptos a concorrer, beneficiando, assim, os desonestos – e praticamente impossibilitando a renovação das bancadas legislativas e da chefia do Executivo.

A consequência desta emenda pior do que o soneto? O estapafúrdio fundo partidário de R$3,6 bilhões aprovado recentemente na calada da noite no Congresso Nacional. Quer dizer, agora é o pagador de impostos quem vai fazer papel de corno manso e ainda receber a dolorosa para pagar.

Este é um exemplo bastante atual deste bizarro modus operandi, mas nem em sonho é exceção.

O Brasil é um país de índices de violência altíssimos. Homicídios, latrocínios, fraudes e estupros em profusão – tudo fruto da sensação de impunidade gerada pela legislação penal patética, e pelo fato de nossa população ter sido desarmada ao longo das últimas décadas. Tais estupros, como relações sexuais que são, acabam dando origem, por vezes, a gestações (obviamente indesejadas) nas pobres vítimas.

De novo: que peça deve ser removida deste circuito maligno? As leis lenientes que motivam a prática destes crimes hediondos (estupros entre eles), ou as gestações resultantes destes estupros? 

O entorno de bares e restaurantes, em vários locais do Brasil, costuma virar uma completa zona em determinados dias e horários da semana. Carros apostando racha, brigas na rua com direito a garrafas voando, som automotivo de trocentos decibéis, drogas ilícitas consumidas e comercializadas livremente, e por aí vai.

E o que faz o poder público diante de tal cenário: compele os frequentadores da região a portarem-se feito gente, fazendo uso do monopólio da força que detém (ou seja, mais ninguém pode cumprir esta tarefa senão o próprio Estado), ou restringe o horário de funcionamento dos estabelecimentos locais, cujos proprietários não tem nada a ver com a omissão e a ineficiência das forças de segurança, nem tampouco com a falta de educação do brasileiro médio?

As vagas oferecidas por universidades federais costumavam ser ocupadas quase que exclusivamente (especialmente em cursos de maior prestígio e melhor perspectiva de remuneração no futuro) por alunos oriundos de famílias de alta renda, tendo em visto a péssima qualidade do ensino oferecido pelas escolas estaduais e municipais.

Diante desta conjuntura, como agem os gestores estatais: procuram fazer com que os estudantes da rede pública saiam do colégio com algo mais em suas cabeças do que slogans marxistas repetidos à exaustão (apoiando medidas como o Escola Sem Partido e adotando o sistema de vouchers), ou criam cotas para acomodar este pessoal nas instituições públicos de ensino superior, dividindo ainda mais a sociedade e passando longe de equacionar o problema?

A resposta oferecida pelos tecnocratas para os três casos concretos apresentados é: retirar o sofá da sala!

Melhor ligar e avisar que está saindo mais cedo do trabalho na próxima, brasileiro…

O preço do passe e o salário de Neymar NÃO são frutos de um livre mercado

Neymar estreou pelo Paris Saint-Germain no último domingo, após muita expectativa pela primeira partida do atleta mais caro da história do esporte. Mais alvoroço ainda causaram as cifras envolvidas em sua transferência de Barcelona para a capital francesa.

Afirmar que professores e médicos deveriam ser remunerados no mesmo patamar, dada a importância de sua atividades, virou lugar comum nas discussões que se sucederam. A seu turno, pessoas mais focadas no empirismo empreenderam esforços para demonstrar que, em um ambiente de trocas voluntárias, o preço de uma determinada mão de obra é determinado pelo próprio mercado, e não por alguma autoridade dotada de poder para tabelar salários.

A resultante destes debates deixa claro que os valores recebidos como contraprestação por um dado serviço dependem muito mais da vontade subjetiva dos consumidores e do número de usuários que pagam por ele do que de juízos de valor eventualmente elaborados por pessoas supostamente esclarecidas.

De maneira tal que é possível traçar um algoritmo que indicará se você pode tornar-se rico em seu atual trabalho ou não, bastando percorrer seus poucos passos. Considere-se, aqui, que o Estado não intervém (muito) na economia criando barreiras para entrada de investidores nos setores produtivos nem beneficiando empreendedores específicos com crédito barato custeado pelo restante da sociedade, por exemplo.

Algoritmo da riqueza III

Eis aí o caminho para a bonança a ser percorrido em um país onde o governo deixe os agentes econômicos agirem livremente – e não permita que funcionários do Estado recebam contracheques ostentando meio milhão de reais e digam que “não estão nem aí”.

Evidência de sua validade é o fato de que Pelé, o melhor futebolista de todos os tempos, amealhou fortuna tão somente após sua aposentadoria. Na época em que Edson Arantes do Nascimento desfilava talento nos gramados, ninguém conseguia fazer o que ele fazia, muitas pessoas consideravam uma experiência quase divina vê-lo jogar, mas este era um privilégio de poucos, já que a evolução dos meios de transporte e de comunicação só viria a alcançar seu auge algumas décadas mais tarde – possibilitando, aí, sim, que muitas pessoas usufruíssem de seus dribles e jogadas geniais simultaneamente.

Com cada fã do esporte do planeta (atingidos pelas transmissões via televisão e até pela Internet) contribuindo um pouquinho, tornou-se viável reduzir o lucro dos investidores na margem (per capita) para aumentá-lo a partir do maior volume de transações efetuadas. Típico negócio de ganha-ganha: um lado ganha entretenimento a preço acessível, o outro serve champagne de quase R$3.000 aos amigos como quem paga uma rodada de Skol.

neymar

Nada para se espantar: com as associações desportivas enriquecendo por meio do processo elucidado, elas puderam passar a oferecer maiores vantagens na disputa pelos melhores jogadores. Tal cenário demonstra, ainda, que a combinação “mágica” de mais dinheiro circulando em um determinado segmento da iniciativa privada com a “briga” pela mão de obra disponível sempre resulta em aumento de salários para os trabalhadores. Nos dias atuais, até mesmo atletas medianos (para não pegar pesado) ganham mais do que Pelé recebia em seus tempos áureos.

Nada contra o neurocirurgião ou o professor com doutorado que ganham menos que o Neymar, mas o primeiro não tem como operar várias pessoas ao mesmo tempo (muito embora alguns deles que dirigem o trabalho de diversos outros profissionais do mesmo ramo também possam ganhar fortunas, como o novo chefe da oncologia do Sírio-Libanês), e o segundo, normalmente, dá aula para no máximo algumas dezenas de alunos por vez – e aqueles que superam essa limitação logram ficar tão ricos quanto o brasileiro, tal qual Carlos Wizard.

Até aí, tudo dentro do razoável, apesar dos números do negócio entre PSG e Barça impressionarem de fato. Mas daí vem o detalhe que passou despercebido pela quase totalidade dos analistas: o preço pago pelo passe do atleta e o salário oferecido estão dentro da realidade dos clubes de futebol na Europa? Foram eles o resultado de negociação pura e simples entre as partes?

Para entender esta questão, é preciso retroceder ao momento da assinatura de contrato entre o brasileiro e o clube catalão. O Barça, na ocasião, planejou a carreira de Neymar no longo prazo, e sua intenção era de que ele viesse, em algum ponto, a substituir o ídolo Lionel Messi, tanto em seu papel de principal figura em campo, quanto no coração dos torcedores.

Pensando nisso, foi estipulada, de comum acordo entre contratante e contratado, uma multa rescisória que parecia, a princípio, ser impagável por uma entidade esportiva. €$222.000.000. É zero pra caramba, em moeda forte. Qual clube poderia desembolsar tal quantia sem ir à bancarrota (e clubes de futebol podem ir à falência no Velho Mundo, ao contrário do que ocorre no Brasil)? Que patrocinador poderia preencher este vultuoso cheque? Tudo levava a crer, então, que Neymar ficaria na Espanha até o fim de seu contrato.

Agora um exercício de imaginação: considere que o CEO da Audi seja um aficionado por futebol; que seu sonho seja ver o Bayern de Munique dominando o futebol mundial; que ele resolva, então, patrocinar o clube alemão; e que, num surto de megalomania, resolva ele contratar Neymar, depositando sua fantástica multa rescisória, concordando com um salário nababesco e entregando-lhe de bandeja para o treinador do time da Baviera.

Pergunta: o que aconteceria com esta empresa no dia seguinte? Acertou quem respondeu que veria seu valor de mercado despencar violentamente!

Ora, uma empresa que deve satisfações a acionistas não pode se aventurar desta forma. O risco de o investimento não dar retorno é considerável e depende de fatores alheios à ingerência dos administradores.

E se o brasileiro cair na gandaia e não jogar absolutamente nada – fato muito comum entre jogadores sul-americanos? E se houver ciúmes do restante do elenco e restar comprometida sua performance – e sua capacidade de agregar valor aos produtos do clube?

E se…pois é. Empresas que estão sujeitas aos mecanismos de estímulo do livre mercado não podem trabalhar com tantas hipóteses incertas que possam redundar em prejuízo, ainda mais em se tratando de uma área estranha a sua atividade-fim: fabricar e comercializar carros.

Ou seja, o dia seguinte da notícia da aquisição de Neymar registraria um forte movimento na bolsa de venda de ações da Audi, com a decorrente redução do valor de seus papéis e prejudicando sua capacidade de investimento.

A partir deste raciocínio, deduz-se que o Barcelona não estava de todo errado em sua lógica. Não fosse pelo detalhe crucial: os magnatas do ouro negro árabe e outros bilionários oriundos de países com pouca liberdade econômica não estão preocupados com nada disso.

Roman Abramovich já havia ensinado esta lição quando despejou dinheiro a rodo no Chelsea, da Inglaterra. O bilionário russo é mais daqueles que se deu muito bem quando da dissolução da URSS, ocasião em que subornou autoridades governamentais para obter concessões para exploração de petróleo e alumínio, além de estar envolvido no contrabando de diamantes de Angola e enfrentar até mesmo acusações de que teria embolsado recursos emprestados pelo FMI a Rússia. Em suma: foi o capitalismo de laços que formou o time campeão da UEFA Champions League de 2012.

Al-Khelaïfi, novo dono do PSG e responsável pela transação de Neymar, é, a seu turno, amigo de Tamim bin Hamad al-Thani, que desde 2013 é o emir do Catar. Os dois jogaram tênis profissional juntos e a boa relação com a autoridade suprema do país garantiu ao empresário o comando do Qatar Sports Investment (QSI), braço esportivo do Qatar Investment Authority (QIA), fundo criado pelo governo local para investir em diversos projetos espalhados pelo mundo. Além disso, Al-Khelaïfi é também um dos membros do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022.

Trocando em miúdos: foi verba estatal proveniente de uma das monarquias absolutistas mais ditatoriais existentes (país onde vigora a lei islâmica e que dá suporte a terroristas, por sinal) que levou Neymar para a cidade luz. Assim fica fácil brincar de Elifoot na vida real: se tudo der errado, qual o problema?

Pela mesma lógica torta, a Caixa Econômica Federal pode patrocinar metade dos times da série A do Brasil sem preocupar-se com as consequências. Empresas protegidas da concorrência por regulações estatais, como operadoras de planos de saúde (Unimed/Fluminense), ou empreendimentos que lucram muito devido à absurda taxa de juros nacional provocada pelo déficit público (Crefisa/Palmeiras), até podem brincar de Sheik às vezes…mas não muito. A Rede Globo, uma das maiores beneficiárias do BNDES, também costuma distribuir bônus por direitos de transmissão muita acima dos praticados no restante da América do Sul, pelas mesmas razões.

Empresas que concorrem pela preferência de consumidores sem auxílio governamental já não podem se dar a este luxo – ou não deveriam. Experiências fracassadas no Brasil deixam isso claro: Grêmio (ISL), Palmeiras (Parmalat) e Corinthians (MSI) já sofreram pesados castigos por apostarem em parcerias milionárias que bateram em retirada tão logo o lucro cessou e o prejuízo (ou a insolvência) bateu à porta. Não é trairagem: é matemática básica imposta pela realidade do mundo dos negócios.

A composição bilionária do time do Paris Saint-Germain, propiciada pelos petrodólares em abundância de seu novo proprietário, causou revolta nos defensores do famigerado “fair play financeiro” (favoráveis a proibir, por regulamento, que os gastos dos clubes excedam suas próprias receitas), os quais alegam que “o capitalismo está estragando a magia do futebol”.

Como foi possível constatar, o livre mercado não tem nada a ver com isso. O problema é que o futebol não tem como isolar-se em uma bolha: estando ele exposto ao crony capitalism, como todos nós, será por ele afetado inevitavelmente.

A solução, para não variar, é mais liberdade econômica. Just like that

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O próximo passo do socialismo chavista será impedir que cidadãos saiam do país

muro

Se fosse proposto o desafio de prever os próximos passos do regime totalitarista de Nicolás Maduro, eu cravaria sem medo de errar, baseando meu palpite tão somente na surrada cartilha de implantação do comunismo mundo afora: muito em breve, os cidadãos de nosso vizinho do norte serão tolhidos do direito de sair do país.

Se tal “privilégio” foi sonegado aos alemães que viviam no lado da nação regido pelo leninismo  com a construção do muro de Berlim, aos cubanos que precisam fugir do inferno dos Castro remando em botes feitos com garrafas pet, e aos norte-coreanos que não tiveram a mesma sorte dos coirmãos do sul ajudados pelos americanos, não há porque acreditar que o mesmo fado não está reservado aos habitantes da outrora terceira terra mais rica da América Latina.

O ex-maquinista do metrô de Caracas demitido por desídia e notório sindicalista puxa-saco de Hugo Chávez está muito próximo, afinal, do xeque-mate em sua empreitada de impor o controle estatal sobre cada mínimo aspecto da vida dos venezuelanos.

Senão vejamos: tanto Executivo quanto Judiciário já estavam sob o jugo irrestrito do bolivarianismo desde a era de seu antecessor; com o advento de sua estapafúrdia Assembleia Constituinte (realizada sob o cadáver de mais de 160 pessoas famintas e desesperadas as quais a mídia brasileira não cansa de chamar de “oposição”), também o Legislativo – que tentou destronar Maduro propondo uma consulta popular que poderia antecipar o fim de seu mandato – foi totalmente abduzido pelas forças do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV); as forças armadas do país também já haviam sucumbido às aspirações ditatoriais, posto que Chávez, além de ser oriundo da caserna, logrou subjugar revoltosos que tentaram sacar-lhe do poder em 2002.

Some-se a este cenário desolador um povo desarmado, milícias municiadas até os dentes pelo próprio governo e o controle absoluto da imprensa, e pronto: não há mais como reverter – ao menos de forma pacífica – o processo que sempre inicia-se com promessas de “redução de desigualdade”, “apoio às minorias” (especialmente indígenas neste caso) e “combate às elites” – tudo regado a muito dinheiro do BNDES distribuído pela Odebrecht.

Tudo ainda piora na medida em que até mesmo os oposicionistas do regime tirânico também são socialistas – mas estes prometem não deturpar Marx pela enésima vez. E com até mesmo a Smartmatic (mesma empresa que fornece o sistema de nossas urnas eletrônicas) admitindo fraudes eleitorais, restou pouco ou quase nada a ser feito pela via democrática. Detalhe: o novo parlamento recentemente empossado já aprovou lei que restringe as futuras candidaturas aos candidatos portadores de licença expedida por este mesmo parlamento!

Dada esta conjuntura irreversível, um ponto de não retorno do dirigismo estatal, torna-se natural que a quase totalidade da população desalentada deseje deixar o país – “votando com os pés”, procurando recuperar a esperança alhures (dá para ter uma ideia do nível do desânimo desse povo quando um dos principais destinos é o…Brasil!).

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Fonte: O Antagonista

O problema é que, se a ditadura bolivariana assim permitir que ocorra, escassearão os escravos que precisam laborar para manter as benesses dos apoiadores do regime – digo aqueles que se dão bem com o socialismo, não os que fazem regime de calorias forçado (animais do zoológico entre eles).

A sequência dos fatos é fácil de deduzir: eufemismos como “segurança nacional” serão utilizados como subterfúgio para dificultar ou mesmo impedir a confecção de passaportes; princípios jurídicos como a “solidariedade”, empregados para justificar a obrigatoriedade de participação dos trabalhadores na previdência social e a existência do falido SUS no Brasil, serão lançados à mão no esforço de “convencer” a todos a ficar na Venezuela e “contribuir” com a coletividade – quem sabe até mesmo sendo obrigados a trabalhar no campo, como o Mao caudilho intenciona proceder em breve; autorizações que nunca serão emitidas passarão a ser obrigatórias nos aeroportos e pontos limítrofes de estradas.

Até o dia em que, cansado de disfarçar suas reais intenções, o Estado irá baixar a cortina de ferro em definitivo, obstaculizando até mesmo que se saiba o que passa lá dentro por meio do controle severo da Internet – medida que já está entrando em vigor, bom que se diga. Mitos de Saúde e Educação modelo poderão ser construídos facilmente, tal qual se passa em Cuba.

Em suma: a Venezuela terá atingido os objetivos propostos no estatuto do Foro de São Paulo com louvor. A partir daí, histórias como a da “Fuga do Campo 14”, protagonizada por Shin Dong-hyuk, em sua jornada rumo à liberdade surrupiada em nome de um suposto bem maior, passarão a tomar lugar na América do Sul.

O Brasil demonstrou mais sorte do que juízo ao escapar de José Dirceu no Planalto, guerrilheiro que vinha sendo talhado para fazer as vezes de Maduro por aqui. Se quisermos, todavia, depender menos de eventos fortuitos (o Mensalão) para a manutenção de nossa liberdade no futuro, basta permanecer atento aos sintomas deste mal. Tudo sempre começa pelo gasto público desenfreado, como bem elucida Paulo Rabello de Castro na obra “O Mito do Governo Grátis”:

Maduro, que não tem o carisma de Chávez, precisa continuar “conquistando” o apoio da população. Agradar a todo custo é o princípio programático de qualquer governo grátis. Com esse objetivo, foram aumentados os gastos públicos com a própria máquina de governo e com propaganda. Ele manteve os 39 ministérios e criou 111 “vice-ministérios”, nisso ultrapassando muito o Brasil. Há, por exemplo, o Ministério da Transformação Revolucionária e o de Desenvolvimento Integral. Pela bizarra lógica administrativa de Maduro, cada ministério precisa de um apêndice. O da Saúde tem quatro vice-ministérios: Saúde Integral, Saúde Ambulatorial, Saúde Coletiva e Recursos, Tecnologia e Regulação. Há vice-ministérios para quase todas as atividades do governo, além do Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo. Existe o Vice-Ministério para a Economia Socialista, um para a União com o Povo e outro para o Desenvolvimento Produtivo da Mulher. Os mais espantosos são o Vice-Ministério para o Saber Ancestral e para a Vida e a Paz, além de um específico para as Redes Sociais.

A liberdade nunca está a mais de uma geração de ser perdida, como bem ensinava Ronald Reagan. E os venezuelanos estão aprendendo esta amarga lição da pior forma possível…

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Senado quer tornar o “preconceito regional” crime inafiançável!

Sabe aquela do gaúcho? Se sabe, trate de esquecer a piada e jamais replica-la: tal hábito “nefasto” de zoar e tirar onda de pessoas de outros estados ou cidades pode, em breve, virar crime dos mais graves:

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quarta-feira (12) parecer favorável à Sugestão (SUG) 1/2017, que tipifica o crime de discriminação ou preconceito de procedência regional ou identidade cultural e o torna inafiançável. A sugestão surgiu de proposta do Projeto Jovem Senador e agora passa a tramitar como projeto de lei do Senado (PLS) na CDH.

A relatora da matéria será a presidente da CDH, senadora Regina Sousa (PT-PI). Ela argumentou que a proposta cria uma política educativa que permite o reconhecimento da diversidade regional e cultural como uma riqueza do país.

O parecer aprovado propõe que atos de discriminação ou preconceito de procedência regional ou identidade cultural sejam adicionados ao texto da Lei 7.716/1989 – que trata de crimes de preconceito de raça e cor –, e exclui do texto a instituição do Dia Nacional de Combate ao Preconceito de Procedência Regional e Identidade Cultural.

Eis aí mais uma tentativa da esquerda de controlar a sociedade fazendo uso da linguagem como instrumento de dominação. Moldar o discurso dos indivíduos implica, em última análise, em dirigir as interações sociais e transmitir conceitos embutidos na cartilha permitida pelo estamento burocrático. Regular o que pode ou não ser dito é o primeiro passo para que a polícia do pensamento seja implementada, como previa George Orwell no livro 1984.

Práticas discursivas, portanto, podem ser empregadas para a legitimação de ideologias. Antonio Gramsci, segundo quem a constituição de uma hegemonia socialista nas instituições da sociedade civil (por meio da infiltração na escola, na família, na religião e nos meios de comunicação) seria o melhor método de  ação revolucionária, pois gradual e imperceptível, afirmou:

Sempre que aflora, de um modo ou de outro, a questão da língua, isto significa que uma série de outros problemas está se impondo: a formação e a ampliação da classe dirigente, a necessidade de estabelecer relações mais íntimas e seguras entre os grupos dirigentes e a massa popular-nacional, isto é, de reorganizar a hegemonia cultural.

“Quando você rir do português, na minha opinião você perdeu o direito de se ofender com qualquer outra piada.” Assim Danilo Gentili deixou o apresentador Roberto Justus sem som e sem imagem quando de sua tentativa frustrada de constranger o humorista e taxá-lo de preconceituoso em suas tiradas satíricas. E é por aí mesmo: a partir do momento que certos limites são estabelecidos, manifestar o pensamento torna-se uma tarefa tão perigosa quanto complexa, posto que será necessário pensar muito mesmo antes de abrir a boca – comprometendo sobremaneira a liberdade de expressão.

mapa

Ora, fazer graça com um determinado povo não equivale, em absoluto, ao desrespeito às suas tradições, história e costumes; as ações levadas a cabo é que demonstram a capacidade de reconhecer o valor de outras culturas. Eu posso fazer piada de curitibano o tempo todo – e faço mesmo – e, pari passu, valorizar por demais esta terra próspera e povoada por gente trabalhadora e capaz (mesmo que não seja ela tão comunicativa quanto o restante do país).

Não levar a vida tão a sério é requisito fundamental para suportar o fardo do dia a dia sobrecarregado de dificuldades e desilusões. Dar risadas das pequenas tragédias, debochar dos contratempos, ironizar os dramas, encontrar um lado cômico nos problemas na realidade a nossa volta: ou isso, ou o cotidiano torna-se amargo e enfadonho. E a censura até mesmo às piadinhas mais corriqueiras só agrava o quadro.

Até porque qualquer crítica a figuras públicas poderá ser encarada como preconceito regional – todos são naturais de algum lugar, afinal de contas. Quer que Lula cale a boca? Preconceito com nordestinos! Acha que Ciro Gomes não serve nem pra síndico? Idem! Aliás, impedir que se faça qualquer espécie de zombaria com agentes políticos é, sem dúvida, um dos principais objetivos deste projeto de lei de mordaça – Maria do Rosário que o diga.

O Estado brasileiro quer o assassino e o estuprador “dimenor” livre, leve e solto, mas faz questão de encarceirar, sem direito sequer à fiança, quem fizer piada de baiano. O politicamente correto não vê limites para sua capacidade de inverter valores. Se este pessoal pudesse, colocaria um filtro em nossas bocas de maneira que dela só saísse aquilo que atende a seus interesses totalitários – o que, de certa forma, eles estão conseguindo.

Não tem jeito: depois que o capitalismo tirou tanta gente da miséria nos últimos dois séculos e jogou pelo ralo os planos de Marx de opor proletários e burgueses, a causa revolucionária precisa criar rixas as mais variadas a fim de justificar sua atuação intervencionista. Agora é paulista contra carioca, gaúcho contra catarinense, brasileiro contra brasileiro. E o pior é que muita gente vai cair nessa (de novo).

A sorte do “amigo” da Odebrecht, aliás, é que a lei penal não pode retroagir para prejudicar o réu. Senão, o pessoal de Pelotas poderia pleitear sua prisão por MAIS ESSE “crime”…

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Forças Armadas no RJ: com esta Legislação Penal, de que adianta?

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Eis a arma que será utilizada em breve por nossos policiais…

“Fica autorizado o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem, em apoio às ações do Plano Nacional de Segurança Pública, no Estado do Rio de Janeiro, no período de 28 de julho a 31 de dezembro de 2017”.

Por meio deste decreto, Michel Temer enviou um contingente de aproximadamente 10 mil militares para o patrulhamento das ruas e para a realização de operações contra organizações criminosas no RJ.

Considerando o incremento do número de homicídios dolosos no estado na casa dos 24% de 2016 para o corrente ano, aparenta ser medida muito bem-vinda, à primeira vista, determinar que soldados de Exército, Marinha e Aeronáutica ombreiem esforços com os agentes de segurança locais, correto?

Não fosse, claro, por um detalhe crucial: a lei penal vigente no Brasil, a qual impede que bandidos sejam tratados como tais – sob o aplauso de intelectuais intoxicados de Foucault -, precisará ser igualmente seguida pelos militares em suas ações ostensivas.

Ou seja, eles também irão trabalhar de mãos atadas, com o freio de mão puxado.

Neste cenário, que diferença faz aumentar o número de indivíduos empregados no combate aos criminosos, ou mesmo elevar o potencial lesivo das armas de fogo empunhadas, se, mediante situações de enfrentamento com marginais da mais alta periculosidade, tanto policiais quanto militares precisarão esperar serem alvejados para somente então reagir – sob pena de serem eles processados administrativamente?

Que diferença faz prender um número maior de delinquentes se a Justiça irá determinar sua soltura logo em seguida – seguindo, no caso, o previsto em leis elaboradas sob o argumento da superlotação de presídios (já que vagas em instituições prisionais não são criadas em número suficiente justamente por conta da mentalidade de que “devemos construir escolas e não presídios”)?

De que adiantaria largar pelas ruas androides armados até os dentes, como o RoboCop, se os meliantes que apavoram cidadãos honestos e ceifam vidas sem pestanejar são tratados como “vítimas da sociedade desigual”, como pessoas que jamais tivessem tido opção de não ingressar no crime? O que esta máquina ultra-poderosa poderia fazer contra um “dimenor” defendido por Psolistas com unhas e dentes mesmo quando comete as maiores atrocidades? Como ela iria efetuar prisões de assassinos, fazendo uso de meios de busca e localização extremamente avançados, se menos de 8% dos homicídios do Brasil são solucionados (ou seja, a Polícia Civil também está largada às traças)?

Pior: como poderia proceder este herói futurista contra a violência urbana quando até mesmo o auto de resistência à prisão for proibido, como quer o deputado Chico Alencar?

Não pensem, portanto, que o pessoal de verde-oliva poderá acrescentar muito à segurança do povo fluminense, uma vez que não há porque os bandidos os temerem mais do que aos policiais militares: tantos estes como aqueles estão submetidos a um regramento que inviabiliza totalmente seu trabalho.

Já são recorrentes os casos de armamento roubado de dentro de quartéis, exatamente em decorrência da constatação, por parte dos fora-da-lei, de que estão protegidos sob o manto da impunidade e da inversão de valores predominante no Brasil. Até mesmo casos que beiram o deboche já vêm sendo registrados.

Como criminosos costumam ser sujeitos muito pragmáticos, pode ser que eles, sabedores de que, mais dia menos dia, as forças armadas acabarão indo embora, resolvam diminuir o ritmo de suas atividades ilícitas até a poeira baixar e o reforço militar partir.

Se isto realmente ocorrer, tão logo a PM seja devolvida a própria sorte no Rio de Janeiro, a carnificina de policiais, cujas mortes já ocorrem em ritmo muito superior à média da população (mesmo em um país com 60 mil homicídios ao ano), irá atingir níveis ainda mais alarmantes, visto que nada terá sido feito pensando em resolver o verdadeiro problema: a legislação penal anacrônica e deturpada por marxismo cultural – que vê o bandido como apenas mais um “oprimido” pelo “grande capital” a ser manipulado como massa de manobra.

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Dito e feito…

Ou seja, ou reforma-se com urgência o Código Penal, o Código de Processo Penal, a Lei de Execuções Penais e o Estatuto da Criança e do Adolescente, ou surtirão efeito nulo esta e quaisquer outras providências tomadas para, supostamente, tornar mais segura a vida dos cariocas e dos demais brasileiros – o que representa, em verdade, tudo que aqueles dotados de visão estatizante desejam: semear o caos até que as próprias pessoas implorem pela atuação redentora do Estado (o qual atenderá ao pedido de bom grado, apenas, claro, cobrando mais um pouco de impostos para tão nobre tarefa e atribuindo a si mesmo ainda mais poder de intervir em nossas vidas).

Mas tais reformas legislativas não serão factíveis enquanto a mentalidade nacional dominante for ditada por “progressistas” que consideram que “cadeia não resolve” e que todo criminoso é legalzinho como os personagens do filme Carandiru. Não é à toa que Jair Bolsonaro não consegue aprovar quase nenhum dos projetos de lei que apresenta e encampa: como angariar o apoio necessário para endurecer penas de estupradores e reduzir maioridade penal em meio a um congresso tomado por parlamentares esquerdistas que impuseram o estatuto do desarmamento reprovado fragorosamente em 2005 (alguns dos quais querem até mesmo desarmar a polícia)?

Em suma: a iniciativa da Presidência da República de correr em socorro da cidade maravilhosa é louvável, mas resume-se a enxugar gelo – apenas com mais gente no processo agora…

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Um sonho de liberdade – a lição de Shawshank

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Artigo de Leonardo Glass

 

Cena: Prisão de Shawshak. Manhã. Ao proceder a contagem dos prisioneiros, um problema: um deles está faltando. Andy Dufresne, condenado à prisão perpétua por matar a sangue frio a esposa e o amante dela. Ninguém sabe como Andy desapareceu. Ele estava em sua cela na noite anterior.O diretor do presídio, Samuel Norton, ao verificar pessoalmente a cela, se irrita com a fuga. Acaba descontando sua raiva em um poster de Rita Hayworth o diretor descobre que Andy escavou um túnel na parede de sua cela. Por cerca de quase 20 anos, Andy trabalhou discreta e silenciosamente… Livrando-se dos entulhos, pouco a pouco.

Esta cena do filme “Um Sonho de Liberdade” (The Shawnshank Redemption, 1991) se tornou um clássico porque, àquela altura do filme, já havíamos nos acostumamos à ideia de viver na prisão. Já estávamos, juntamente com Red (Morgan Freeman) e Dufresne (Tim Robbins), acostumados com aqueles muros. “Institucionalizados” como dizia Red  Vimos o que aconteceu com quem tentou sair de lá. A sensação de segurança fala mais alto. E quando já estamos prontos para ver Andy Dufresne velhinho na prisão, vem o soco no estômago com a reviravolta. Todo o filme passa a ter um novo significado. O que antes era para ser a luta de um homem para sobreviver na prisão, passa a ser um filme sobre fuga inesperada e o resultado de seu paciente trabalho.

Este certamente é o maior, melhor e mais redentor¹ plot twist da história do cinema, superando inclusive os “Guerra nas Estrelas”, “Clube da Luta”, “Planeta dos Macacos” e “Psicose”. E, no filme, ela foi brilhantemente sintetizada na voz de Morgan Freeman, narrador da história, quando ele diz:

Geologia é estudo da pressão e do tempo. E na verdade, isso é tudo o que   precisamos: pressão e tempo. (…) O hobby de Andy era talhar a sua parede e espalhá-la pelo pátio, um punhado de cada vez.

Não se foge de um presídio da noite pro dia, sem um plano elaborado e trabalhado por meses. Não importa o que o Sylvester Stallone diga, não é assim que funciona. Talvez esse seja o maior acerto do filme, ensinar que na vida o sucesso depende unicamente de pressão (trabalho) e tempo. Pressão e tempo são as chaves para uma vida tranquila e pacata em Zihuatanejo ou qualquer que seja o seu sonho de liberdade.

Por isso a história de Stephen King é tão cativante, porque é fácil se reconhecer e se identificar nela. O plot twist é redentor porque vemos anos de trabalho sendo justamente recompensado. Não há um prêmio de honra ao mérito apenas por ser o protagonista bonzinho e injustiçado. Não é assim que o mundo real funciona; não há saída fácil. O trabalho foi árduo, discreto, silencioso. Características tão esquecidas no mundo atual, mas fundamentais para atingir o sucesso.

Por mais veloz que seja a sua conexão com a internet, algumas coisas ainda levam tempo, e demandam pressão constante para acontecer. Na síntese genial de Warren Buffet: “Não importa quão grande seja o talento e o esforço, algumas coisas simplesmente levam tempo. Você não pode fazer um bebê em um único mês usando nove mulheres grávidas.” Outra cena do filme deixa isso bem claro.

Durante 6 anos Dufresne escreve uma carta por dia, todos os dias para o Senado, a fim de conseguir verba para a nova biblioteca da Prisão. Até que finalmente ele consegue a verba. Ele se gloriou e ficou satisfeito com seu trabalho certo? Sim, mas ele também começou a escrever DUAS cartas por dia, para conseguir mais verbas. Logo, seu novo pedido também foi atendido.

Realizar um sonho, executar um projeto pode levar tanto tempo quanto talhar uma parede com um martelo. E depois de talhada, é preciso ainda quebrar o cano de metal, rastejar pelo esgoto, fugir dos cães… as lutas nunca acabam, apenas mudam.

Em meio a esta nova geração não é só a (hiper) sensibilidade “palavras machucam” que está deturpada. A noção de tempo e recompensa também se diluiu. Em um tempo em que a demora de um segundo importa, é praticamente loucura a noção de que se deve trabalhar por 15 ou 20 anos antes de começar a colher os frutos, de fato. Ninguém ganha um cargo de chefia apenas por que é bacana, por que defende as minorias ou mesmo por que “merece”. Não em empresas sérias.

Talvez a mais dura lição que aprendemos quando viramos adulto é que, ao contrário do que dizem nossos pais e professores quando somos crianças, nós não somos especiais. Ou melhor, apenas somos especiais na medida em que conseguimos gerar valor para alguém. E isso mais do que o conceito de meritocracia.

Longe de tornar as relações utilitárias, esta lição nos mostra o contrário, que se quisermos algo, devemos nos abnegar de nós mesmos e nos dedicar, seja a algo ou a alguém. E de novo, isso vale para o trabalho, para o casamento, para o casamento², para a criação dos filhos, para realizar um sonho, ou simplesmente para um happy hour com os amigos. Se quer ganhar algo, você primeiro precisa dar algo. E em seguida você precisa esperar. O tempo necessário. Não é justo? Talvez não. Mas é assim que o mundo funciona.

Trabalhar duro também não significa trabalhar muito e de forma estúpida, desperdiçando força em coisas inúteis ou de pouco valor. Trabalhar duro significa se dedicar a uma causa – mais uma vez –  seja ela qual for. Dufresne não gastou seu tempo “enfeitando” o túnel, tornando mais “user friendely”.

E se essa lição se aplica à nossa vida, aos nossos sonhos e projetos, também se aplica à questões maiores. Não, não será possível salvar o Brasil em uma ou duas eleições. É impossível mudar, de uma só vez, a previdência, a CLT, a carga tributária e o padrão das tomadas. Nenhuma dessas coisas virá de um grande ato redentor feito por um salvador predestinado. Pelo contrário, a redenção virá de centenas de milhares de pequenas mãos cheias de parede talhada, dia a dia, de forma constante. Ao invés de reformar o sistema tributário, antes deveríamos cobrar nossos representantes para que vetem novos aumentos de impostos; Antes de querer a reforma da previdência, por que não rever o a concessão de benefícios? Enfim, uma guerra se ganha nas pequenas batalhas diárias.

Esforce-se para viver, ou esforce-se para morrer”, disse Andy no filme. De qualquer forma, você terá que se esforçar. Não há escapatória!

¹ Não à toa, o nome da história original é “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”.

² Não consegui escolher qual dos dois textos do genial Stephen Kanitz era melhor. Então, linkei os dois. Há muito mais. Vale a pena ler.

³ Ninguém me convencerá jamais de que este filme não merecia o Oscar de melhor filme. OK, Forrest Gump também foi um ótimo filme, mas convenhamos…