Por que os habitantes das metrópoles tendem a ser de esquerda?

Chamou minha atenção um artigo recente da Foxnews que dava destaque ao esforço do candidato “de centro” (pero no mucho) à presidência da França, Emmanuel Macron, em busca de votos de moradores de áreas rurais daquele país – os quais, conforme costuma mostrar a experiência prática, favorecem candidatos mais à direita (ao menos em comparação com aqueles residentes em capitais e circunvizinhanças).

Este fenômeno, em verdade, não é uma particularidade adstrita à França, visto que, nas eleições americanas realizadas em 2016, Donald Trump também amealhou votos especialmente de eleitores do countryside, isto é, residentes em condados do interior, ao passo que Hillary Clinton foi favorecida principalmente por eleitores de cidades situadas em regiões litorâneas, grandes centros urbanos e suas cercanias. É claro que, no episódio em questão, os autoproclamados intelectuais não perderam tempo e logo rotularam os primeiros de caipiras e “red necks” ignorantes e desprovidos de cultura – este tipo de preconceito, aparentemente, não provoca “microagressões” que possam sensibilizar o povo politicamente correto.

E como esquecer que, no mesmo sentido, foram os ingleses que não vivem na capital Londres que garantiram a vitória do Brexit? Ou que os votos do interior do país definiram a vitória do “não” no plebiscito da Colômbia que rejeitou o “acordo de paz” com as FARC?

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Quais fatores seriam, pois, os responsáveis por esta notória discrepância em termos de preferências políticas em função da localização geográfica, que também costuma ser observada em diversos outros cantos do planeta – e não apenas dentro dos estados ou províncias, mas também quando se traça um paralelo entre diferentes regiões dos países?

Antes de dar início ao estudo de caso, é bom esclarecer que considera-se esquerda e direita como visões dinstintas essencialmente por “defenderem mais ou menos intervenção estatal na sociedade, na economia e na vida de cada indivíduo; verem o estado como a locomotiva da sociedade, seu ente de razão, seu guia para um futuro glorioso e “progressista”, ou acreditarem que a evolução social é feita pelos indivíduos com sólidas bases morais e livres para buscar trocas mutuamente benéficas com outros indivíduos, com a menor participação estatal possível no processo, num sistema que se retroalimenta das informações que nascem destas transações e que se sofistica, portanto, de baixo para cima, do individual para o coletivo, organicamente”, conforme ensina Flávio Morgenstern.

O mais importante dos fatores a serem considerados, por certo, é o fato de que os residentes nas grandes cidades encontram-se, via de regra, mais afastados dos processos produtivos que permitem que haja comida em sua mesa, roupas em seu closet, material de higiene em seu banheiro, e assim por diante. Por outro lado, os habitantes das cidades interioranas (ainda que adjacentes a grandes cinturões urbanos) estão mais próximos das plantações, dos silos, e da maioria das empresas de beneficiamento e transformação.

Em decorrência desta conjuntura, aqueles acabam por esquecer, com o passar do tempo e o suceder das gerações, o quão complexa, intrincada e dependente da iniciativa humana é a cadeia de produção que torna possível que os bens de consumo que possibilitam seu conforto lhes sejam disponibilizados. Esses, a seu turno, conseguem ver com mais facilidade que nada cai do céu, que pão não dá em árvore, que o boi não pula dentro da bandeja de carne voluntariamente. Esta realidade é narrada na canção “Cio da Terra”, de Milton Nascimento:

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar do pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão

Ou seja, os cosmopolitas tendem a, paulatinamente, olvidar-se da importância do sistema de troca voluntárias para sua subsistência e para a geração de tudo aquilo que torna sua vida muito mais digna que a de seus antepassados. E passam, por consequência, a serem muito mais facilmente convencidos de que possuem direito a uma fração qualquer do valor gerado a partir do empenho diuturno de outras pessoas. São, portanto, alvos preferenciais de propagadores de teorias socialistas, segundo as quais sempre houve uma dada quantidade de riqueza imutável no mundo, e que nos basta reivindicar nossa fatia para que tudo seja mais “justo”.

Já os provincianos, por colocarem a mão na massa com muito mais frequência que seus conterrâneos dos grandes conglomerados urbanos, tendem a compreender melhor o esforço contíguo e a extensa cadeia de trabalho que são necessários para dar origem aos produtos e serviços que, hoje, parecem (só parecem) ter sempre estado por aí disponíveis a todos – mesmo aqueles de mais baixa renda. Destarte, vira tarefa bem mais árdua convencer esse pessoal de que alguém além deles mesmos pode melhorar a qualidade de suas vidas.

Outro fator fundamental a ser considerado nesta análise é a diferença de importância conferida à família lá e cá: não há dúvida de que os provincianos dão muito mais valor aos laços de parentesco, uma vez que costumam viver mais próximos uns dos outros e, devido ao relativamente maior isolamento a que são submetidos, a conservar hábitos e costumes – até mesmo pedir “a bênção, pai”.

Além disso, em decorrência de maior escassez de recursos em comparação com regiões metropolitanas,  eles tendem a precisar apoiar-se uns nos outros com bem mais frequência, a precisar contar com aqueles em quem confiam – e, nestas horas, nada melhor do que um ser humano consanguíneo (ou que comungue de laços similares) para pedir socorro.

Muitos dos cosmopolitas, entretanto, não apenas olham com profundo desdém para núcleos tradicionais (muito embora nenhum deles, até onde se sabe, tenha sido criado em chocadeira), como também acreditam que haja uma boa dose de “opressão” nas relação familiares – sob forte influência do ambiente intelectual “progressista” destas localidades.

Alexandre Borges, em artigo publicado pelo Instituto Liberal ainda em 2013, ao abordar o sucesso de um programa de TV americano intitulado “Os Robertsons” (uma espécie de reality show protagonizado por uma típica família do interior da Luisiana), foi direto ao ponto quando afirmou:

O sucesso estrondoso de gente como os Robertsons são um pesadelo para qualquer um que trabalha por uma sociedade tutelada pelo estado, com o povo prestando juramento a líderes carismáticos e marchando nas ruas em paradas comemorando o aniversário da revolução. A família é a maior célula de resistência contra o estado e é por isso que é alvo dos ataques dos totalitários há mais de 100 anos. Hitler dizia que não ia se casar porque era “casado com a Alemanha”, por exemplo. Num tipo de estado como o sonhado por socialistas e fascistas, você deve se casar com o estado e tanto os Robertsons quanto os valores que representam são um inimigo a ser derrotado.

Precisa falar mais sobre este aspecto? Não creio.

Por último, mas não menos importante, há o fato de que os cosmopolitas tendem a experimentar menos contato humano direto (tanto no trabalho quanto em sua folga), e a comunicar-se com outras pessoas preferencialmente pela via digital, reduzindo suas vidas a uma espécie de confinamento ideológico, uma bolha virtual. Assim sendo, os problemas da vida real ficam reduzidos a abstrações, tão palpáveis quanto o sofrimento do personagem da novela.

A partir daí, escancarar as fronteiras para “imigrantes” ou sair soltando bandidos na rua como quer a globalista ONU passam a parecer boas ideias – quando observadas, claro, a partir de posições encasteladas, do alto da comodidade da vida moderna, sem precisar imaginar (ou sentir na pele) as verdadeiras consequências de tais medidas (não, pelo menos, até o dia em que a realidade chutar a porta do idealismo; até lá, dá pra brincar de ser a favor do desarmamento e contra a redução da maioridade penal).

Já os provincianos, por passarem, em média, menos tempo nestes enclausuramentos cibernéticos e mais tempo praticando atividades no mundo físico (sejam elas lúdicas ou laborais),  tendem a encarar com bem mais ceticismo certos delírios multiculturalistas e  outros devaneios do gênero. Eles passam, portanto, a  preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o fato ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica – como diria Michael Oakeshott.

Eis porque candidatos de esquerda costumam precisar suar a camisa para angariar alguns míseros votos do pessoal interiorano. Outros fatores, em especial a formação cultural de um povo, também influenciam sobremaneira neste processo (às vezes, inclusive, revertendo esta expectativa), mas são basicamente os três supracitados que costumam alinhar cosmopolitas à esquerda e provincianos à direita – especialmente ao conservadorismo.

Para se ter uma noção deste fenômeno em nosso território nacional (muito embora ele não se manifeste com tanta força por aqui quanto em outras nações mais politizadas), basta comparar, por exemplo, o desempenho do PT e seus partidos satélites no Rio de Janeiro e no Sul do Brasil (excetuando-se o Rio Grande, cuja herança do Positivismo de Comte deixou um legado assistencialista e paternalista que até hoje perdura). Quem conhece o Paraná e Santa Catarina, e leu este texto com atenção, vai entender e concordar.

Outro dia vivi uma cena hilária: questionei duas senhoras, no interior de Santa Catarina, as quais estavam criticando a crise econômica que atravessamos, se preferiam a volta de Dilma ao poder, ao que responderam em uníssono: “Deus o livre, homem!”. É a indestrutível sabedoria daqueles tidos como capiaus por alguns esnobes do asfalto. Pois sim!

E o que vai acontecer na França? Difícil prever, mas ainda é possível que o “homem comum esquecido”, que já se fez ouvir na América ano passado, fale mais alto na Europa também…

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Esta é a imprensa que checa fatos e desmascara fakenews da Internet? OK!

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Que mico, senhoras e senhores! O jornal britânico The Independent (só no nome mesmo) caiu em uma cilada da Internet e, em um futuro próximo, vai ter que desembolsar alguns milhares (sendo otimista) de libras para indenizar duas pessoas a quem chamou indevidamente de NEONAZISTAS – sim, este foi o tamanho do vacilo.

Tudo começou com uma “repórter” de um outro veículo de comunicação comprando gato por lebre e tuitando que os jornalistas adeptos da Alt-right (que coincidência) Mike Cernovich e Cassandra Fairbanks estavam fazendo “gestos de supremacia branca” dentro da Casa Branca. A saber: ela estava se referindo àquele símbolo de “OK” típico dos americanos, unindo indicador e polegar no ar.

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O Independent, membro da inquestionável mídia tradicional, cuja honrosa missão é não permitir que a era da pós-verdade prospere, bem como aferir a veracidade de tudo que é dito no ambiente virtual (aham), foi na onda e deu repercussão à gafe publicando um artigo inteiro sobre o suposto caso, levando ao conhecimento de seus leitores que, conforme aprendeu junto a confiáveis trollers digitais, sinalizar OK equivaleria a emular saudações da odiosa (e com origens no partido Democrata) Ku-Klux-Klan. Só que não, companheiros!

É no que dá essa ânsia da esquerda em associar todos os seus opositores a Hitler e cia (é bem mais fácil do que contra-argumentar, convenhamos), esquecendo, convenientemente, do quão mais cruel e devastador foi o comunismo para a humanidade. Além disso, se TODOS aqueles de quem discordam são nazistas – alegação fundada em detalhes toscos como o deste episódio – então, na prática, NINGUÉM é nazista. E os verdadeiros supremacistas brancos e racistas em geral agradecem.

O resultado da “barrigada”: quem é fakenews mesmo agora? Paul Joseph Watson explica melhor neste vídeo o enrosco que arranhou, e muito, a reputação da chamada mainstream media. Se eles soubessem, aliás, o que este mesmíssimo gesto significa no Brasil, entenderiam que foi exatamente lá que o editor do jornal tomou…

E pensar que ainda tenho um sem número de amigos que depositam fé quase cega nas notícias vindas destas fontes outrora tidas como 100% fidedignas, e absorvem como se fosse lei, sem submeter a qualquer tipo de filtro ou mesmo crivo de seu próprio senso comum, tudo que sai da TV, do rádio ou dos jornais. Time to wake up, friends. OK?

Trump

 

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A ideologia de Esquerda domina os abaixo-assinados online

Receber convites para assinar petições online, com finalidades as mais diversas, através de e-mail ou redes sociais, é lugar comum nos tempos recentes. Visando desde salvar tartarugas marinhas gigantes até boicotar um determinado produto, tais instrumentos caíram na popularidade virtual por sua capacidade de  convencer um grande número de pessoas da validade de suas propostas ou mesmo  de  sensibilizar autoridades governamentais a tomarem ações conforme as reivindicações. E este é apenas mais um terreno totalmente dominado pelos ditos “progressistas”.

A plataforma canadense Avaaz.org , muito embora conte com menos usuários que sua concorrente Change.org, possui um brasileiro a cada cinco de seus mais de 43 milhões de membros, sendo ela, portanto, a principal ferramenta utilizada por aqui para angariar apoio e visibilidade para determinadas causas por meio da fibra ótica. Muito além das campanhas virtuais, na verdade, várias outras ações (tais como passeatas e atos públicos do gênero) são promovidas por tais organizações no intuito de persuadir o maior contingente possível de pessoas da importância de sua agenda.

A conveniência destes instrumentos digitais tem se mostrado significativa, e os resultados também costumam ser surpreendentemente positivos. Desde aumentar o tempo de travessia de pedestres em semáforos movimentados, passando por exortar empresas a oferecerem ou melhorarem certos serviços prestados, e até mesmo influenciar nos rumos da política: as histórias de sucesso destas correntes transmitidas pelas ondas da Internet acumulam-se e justificam sua prática.

Especialmente em tempos nos quais a tecnologia descentralizada está alterando o equilíbrio de poder em prol do indivíduo, o respeito ao consumidor e ao cidadão tendem a sair favorecidos neste processo no qual inúmeras pessoas compartilham e endossam opiniões ou pleitos de outras – que o diga a United Airlines. No mesmo sentido, assinaturas digitais para proposição de projetos de lei também vem sendo colhidas pelo mesmo método, evidenciando a tendência de advento maciço a tais iniciativas.

Mas o que salta aos olhos é a natureza das pautas que lograram maior adesão no Brasil e no mundo. E seria até oportuno tentar acreditar que trata-se apenas de coincidência ou resultado de maior mobilização de um dos lados o fato de que praticamente todas coincidam com a agenda de esquerda, não fossem as já fartamente comprovadas ligações destas instituições com globalistas como George Soros.

Para o caso de alguém duvidar disso, passemos a examinar quais demandas, nos últimos anos, malgrado os alertas emitidos por muitos cronistas independentes a respeito da inidoneidade destes institutos,  mais fizeram barulho, cooptaram  “ativistas” e engajaram desavisados. Os dados são do próprio website do Avaaz, organizados em uma seção cunhada “nossas vitórias”. Seria mais sugestivo se fosse denominada “vitórias globalistas”.

1 – Mudanças climáticas: o início do fim para os combustíveis fósseis;

Dificilmente esta lista não começaria com aquela supostamente legítima preocupação ecológica a qual, em verdade, hiperboliza os efeitos da atividade humana sobre o comportamento do clima no planeta e promove, por via reflexa, ações que acabam por travar o desenvolvimento econômico das nações. Alex Epstein, da entidade Center for Industrial Progress, explicou de forma didática, para a Praguer University, os benefícios dos combustíveis compostos de hidrocarbonetos, e como, sem eles (tal qual pretende a campanha do Avaaz), será impossível até mesmo ampliar a utilização de energia solar e aeólica:

Parafraseando o escritor Roger Scruton: “A tradição da esquerda é julgar o sucesso humano pelo fracasso de alguns. Isso sempre lhe oferece uma vítima a ser resgatada. No século XIX era os proletários. Nos anos 60, a juventude. Depois as mulheres, e então os animais. Agora, por fim, o planeta”.

2 – Abrindo nossos corações aos refugiados;

Sim, desta forma melodramática foi intitulada a campanha que visa abrir as fronteiras dos estados nacionais europeus e americanos aos protagonistas da mais nova hégira suscitada pelo islamismo. Com tanta complacência dos ocidentais, fica mais fácil impor a lei da sharīʿah aos “infiéis” não-muçulmanos – muito embora os preceitos desta ideologia disfarçada de religião contradigam totalmente qualquer noção comezinha de direitos humanos. Geert Wilders alertou para este iminente risco que apavora mais uma vez aquele continente:

Tudo bem que, conforme a doutrina de Maomé, mentir é permitido se for para ajudar a propagar o Islam, mas daí a ser otário a ponto de acreditar, são (ou deveriam ser) outros quinhentos. No Brasil, a nova lei de imigração e o dispêndio de dinheiro dos pagadores de impostos para lecionar na rede pública de ensino aulas sobre “cultura árabe e islâmica” (em um Estado tido como laico, diga-se de passagem) mostram que estamos percorrendo a mesma desastrada trilha do Velho Mundo. Ponto para o pessoal tão “bem intencionado” do Avaaz.

3 – Um Marco Civil da Internet para o Brasil;

É claro que a entrada em vigor de uma regulamentação tão prejudicial aos consumidores precisaria ser um dos marcos (sem o perdão do trocadilho) históricos do Avaaz. Como bem elucidou Taiguara Fernandes, quando da derrubada do aplicativo Whatsapp pelo Judiciário: “É por isso que o PSOL e o PT defenderam tanto essa lei iníqua. O medo da liberdade alheia e o desejo socialista de censurar os outros é inevitável para eles. Agora que a população percebe os males do Marco Civil da Internet, eles tentam proteger sua cria com mentiras descaradas, como fazem sempre.”

4 – Palestina: acabando com a ocupação;

Israel, a única nação livre do Oriente Médio, o único país daquela região que adota um código civil distinto da religião predominante em seu povo  – justamente por ser o lar da primeira crença no mundo que permitiu esta dicotomia: só podia ser ele o alvo de ataque do Avaaz em meio aos conflitos da faixa de Gaza (“esquecendo”, claro, que antes de falar do conflito Israel-Palestina, muito mais relevante seria notar como Hamas e Autoridade Palestina odeiam-se entre si).

5 – Derrotando um dos políticos mais corruptos do Brasil;

Não. Se você pensou que o mote desta campanha era prender Luiz Inácio, saiba que não há uma única referência ao chefe do esquema do Petrolão – conforme declaração da própria equipe da operação Lavajato – em toda a listagem de campanhas importantes da fundação, nem tampouco qualquer alusão de apoio ao impeachment da Presidenta que nos afundou, após cometer muitos crimes de responsabilidades, na maior recessão da história.

Esta campanha, tão celebrada pelo Avaaz, nada mais era do que o famigerado “Fora Cunha”, e pretendia afastá-lo da presidência da Câmara dos Deputados.

Reparem nas figuras insignes captadas nesta foto utilizada na página em comento para ilustrar a causa: pura coincidência tratar-se de ícones do esquerdismo nacional, por certo.

Derrotando um dos políticos mais corruptos do Brasil

Está mais do que na cara a correlação direta entre as principais bandeiras patrocinadas pelo Avaaz e a agenda ideológica da esquerda, bem como o alinhamento com os interesses globalistas. Ou seja, não fosse o bastante liberais e conservadores estarem perdendo de goleada a guerra cultural no cinema, na música, nas universidades e em diversos outros espaços, até mesmo este tipo de ferramenta mostra-se totalmente dominada pelo “progressismo” (às avessas).

Um dia desses, eu mesmo recebi em meu e-mail um convite para assinar uma petição online. Para minha surpresa (só que não), tratava-se um abaixo-assinado rejeitando o “discurso de medo, ódio e intolerância” de Donald Trump, o Presidente que já fez mais pela América em 100 dias do que Obama em oito anos. Totalmente dentro do esperado, claro. Mas nada que a opção “bloquear” do servidor de correio eletrônico não resolva.

Avaaz - Trump

Não imagine, portanto, que vai ajudar a salvar o mundo, enquanto alivia sua consciência, com um simples clique. Muito pelo contrário!

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O fracasso da “greve” geral confirma: caos que a prisão de Lula supostamente geraria é lenda

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O Juiz Sérgio Moro costuma ser considerado, acima de tudo, um bravo – pelo menos por aqueles ávidos pela devida responsabilização de agentes públicos e privados que dilapidaram como nunca os cofres estatais e contribuíram para mergulhar o país na recessão; bom que se faça a ressalva.

Muito além do conhecimento e da perspicácia, o trabalho do paranaense de Ponta Grossa (a cidade, ok?) tornou-se notório pela coragem de interpretar as leis sempre no sentido de assegurar a eficácia da persecução penal contra os criminosos (especialmente quando da expedição de mandados de prisão preventiva).

Até a lavajato começar a trazer figuras de relevo da política e do capitalismo de laços para sentir o frio de Curitiba, pareciam intocáveis pelo Judiciário e pelo ordenamento jurídico pátrio os maiores corruptos e corruptores de que se tem notícia na história da humanidade.

Ora, se a mesmíssima legislação que servia, até então, para promover a impunidade, agora faz infratores sofrerem as consequências de seus atos, resta claro que o elemento que faltava nesta questão era mesmo ousadia. E a chancela dos tribunais superiores a mais de 90% de suas decisões ainda prestou-se a comprovar que nunca estivemos diante de um suposto “justiceiro” atropelador das normas, mas simplesmente de alguém disposto a dar um basta na impenitência generalizada.

Ou seja, Sérgio Moro não faz nada, portanto, que seus colegas de profissão não possam fazer também – e esperamos que doravante,  diante de tão egrégio exemplo, o façam.

Mas é sabido, por outro lado, que a valentia do magistrado é temperada por sua notável capacidade de pensar a longo prazo, de agir pensando nos desdobramentos de seus despachos ali na frente, como se xadrez jogasse contra a bandidagem.

Não por acaso, ele chegou a pedir apoio da população, durante suas palestras, para que pudesse encarcerar altas autoridades do Brasil. Vale dizer: ele sabe ler o ambiente político, avaliar a vontade do cidadão, ponderar se uma dada ação sua pode vir a comprometer a credibilidade de toda a operação.

E é certamente esse o motivo pelo qual o ex-presidente Lula ainda não está preso: o temor, por parte dos membros da “República de Curitiba”, de uma suposta convulsão social que poderia ser gerada pela condução do ex-presidente para trás das grades.

Bastaria lançar mão, afinal de contas, dos mesmos critérios que foram empregados para aprisionar Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e José Dirceu, dentre outros, e pronto: o “amigo” da Odebrecht começaria a pagar por seus crimes.

Não à toa, Sérgio Moro atendeu à solicitação da Polícia Federal para adiar o depoimento de Lula – no curso de uma das seis ações penais  nas quais é réu – em uma semana, com vistas a evitar enfrentamentos entre seus correligionários e as forças de segurança.

O magistrado chegou a afirmar que os grampos que flagraram conversas suspeitas de Lula, na Operação Aletheia, poderiam justificar sua prisão temporária, mas que, na ocasião, acabou-se optando por ‘medida menos gravosa’ – no caso, a condução coercitiva do petista.

Sérgio Moro deveria realizar este cálculo de possíveis danos à ordem pública antes de decretar uma prisão? Há controvérsias, pois cidadão algum deveria,  em tese, ser visto de forma diferenciada pelo Estado. Já a prática é bem diferente, e sabemos que este trade-off  que permite que Lula usufrua da liberdade até eventual condenação em segunda instância serve para garantir a continuidade da Lavajato e das demais operações dela derivadas.

De qualquer forma, frente a acontecimentos recentes diversos, já é possível afirmar sem medo de errar: este receio de que o encarceramento de Luiz Inácio poderia gerar caos nas ruas do país não tem mais razão de ser. É lenda urbana.

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Com o impedimento de Dilma Rousseff, havia expectativa de que revoltas e protestos de padrões venezuelanos irromperiam impiedosamente. Mas que nada: meia dúzia de apaniguados insatisfeitos atearam fogo a pneus aqui, hashtags indignadas ali, e pronto. O governo que faliu o Brasil para reeleger-se, varreu tudo para debaixo do tapete dos bancos públicos e foi pego no flagra por pessoas como Janaina Paschoal, acabou sendo apeado do poder sem efeitos colaterais de espécie alguma.

A prometida guerra civil não deu às caras e, não fosse pela curiosidade mórbida de rever vídeos engraçados da ex-presidenta vez por outra, ela já teria sido esquecida de vez – embora seu marqueteiro insista em nos reavivar a memória em suas declarações à Justiça.

Nem mesmo as invasões de colégios por parte de estudantes capitaneados por militantes disfarçados de professores surtiram efeito algum. Apesar de contar com a complacência daqueles que deveriam garantir o direito de ir e vir dos alunos que pretendiam estudar, a forte reprovação por parte da população ordeira fez minguar o movimento.

Já há um sem número de pessoas saltando da barca lulista tal qual ratos durante um naufrágio. Quando até mesmo indivíduos outrora apoiadores incondicionais de Lula, como Paulo Henrique Amorim e Leonardo Boff, passam a afirmar que o Brahma “deturpou o petismo”, é porque a água (suja) já bateu no queixo – ou na barba.

Ademais, o partido dos trabalhadores foi varrido nas eleições municipais de 2016, em uma evidente demonstração de que sua capacidade de convencimento das massas reduziu-se quase ao zero absoluto.

E o ato final deste enredo de derrocada: o fracasso estrondoso do movimento que se pretendia paradista neste 28/04/2017. A adesão ficou muito abaixo do pretendido pelos organizadores, e restrita basicamente a descontentes com a perda de privilégios – especialmente o imposto sindical compulsório em vias de ser  extinto.

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Primeiramente, deixemos claro: greve é resultado de desacordo entre empregados e empregadores após tentativa frustrada de negociação. O que ora ocorre nesta (conveniente) véspera de feriadão prolongado pode ser chamada, pois, de qualquer coisa menos greve. Assim sendo, o desconto de um dia de trabalho no salário dos faltantes (mais a remuneração do descanso semanal) é totalmente legal – bem como o emprego, sendo o caso, de outras medidas inerentes ao poder disciplinar, como advertência ou suspensão.

O principal problema causado pelo evento em comento foi a paralisação do transporte coletivo terrestre  (pois os aeroportos operaram normalmente), muito pelo fato de que a maioria dos motoristas de ônibus foi constrangida a não trabalhar por representantes sindicais – conduta tipificada como crime no Brasil, e que poderia perfeitamente (alô, PM) motivar a prisão de seus perpetradores.

Aliás, convém aqui ressaltar que multas impostas a sindicatos pela realização de greves ilegais de nada adiantam, pois como tais entidades são monopolistas em suas devidas regiões de alcance, não há motivo sequer para que elas preocupem-se com uma possível insolvência. A legislação, pois, salvaguarda suas atuações irregulares e prejudiciais à sociedade, incentivando suas práticas manifestamente ilegais.

Apesar, portanto,  de algum transtorno e da esperada paralisação de determinadas escolas (lugar comum na conjuntura atual Paulofreireana), o resultado da mobilização foi praticamente nulo. Pior: serviu para mostrar que as pautas da agenda dos protestantes não coincide com as do povo em geral, dando mais munição política para a aprovação das necessárias reformas que tramitam no parlamento.

Face ao exposto, rogo ao juiz Sérgio Moro, em nome dos demais brasileiros de bem: se o senhor já possui os elementos de convicção para prender preventivamente Luiz Inácio Lula da Silva, e tem segurado a caneta pensando em nossa segurança, fique susse, como se diz em Curitiba, e faça as honras. As delações premiadas são benéficas ao processo penal justamente por propiciarem a captura dos cabeças dos esquemas de corrupção. E se o procurador Deltan Dallagnol estiver certo em seu PowerPoint, vossa excelência está com a faca e o queijo na mão para pegar o Capo do petrolão.

Adaptando um certo slogan entoado por aí, “não vai ter bagunça”; no máximo um dia ou dois de incômodo. Nada mais. Valerá   (e muito) a pena.

Renato Duque, em novo depoimento marcado para 05/05, promete entregar mais subsídios ainda para sua apreciação. Não quer aproveitar o ensejo? Só uma sugestão…

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Campanha “Criança não namora” tenta reverter cenário de erotização precoce

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Quando a rede pública de ensino expõe estudantes à sexualidade de forma prematura ou a mídia reproduz material impróprio para crianças, costumamos tecer críticas contra tais procedimentos, no intuito de preservar a infância, visando propiciar o adequado desenvolvimento da pessoa e a formação de um adulto mental e socialmente saudável. Nada mais justo, portanto, que iniciativas que vão na contramão da atual tendência de erotização infantil sejam elogiadas e propagadas.

A campanha “Criança não namora, nem de brincadeira” foi lançada pelo governo do Amazonas (o qual ganhou a parceria do Conselho Nacional de Justiça na empreitada), e objetiva combater a sexualização precoce, amplamente aceita e até mesmo incentivada (inclusive por muitos pais) em nossa sociedade.

Para os idealizadores do movimento, a principal meta é convencer os adultos do fato de que a relação natural entre meninas e meninos que ainda não chegaram à adolescência é a amizade. Incentivar o namoro na infância, para eles, pode “adultizar” e até mesmo estimular o desejo por experiências sexuais.

Tal precaução não equivale, em absoluto, a reprimir as expressões de afetividade da criança, mas tão somente a evitar transformar relações de respeito e carinho em namoro. Segundo relatado por professores, seriam comuns casos de crianças de quatro anos que se escondem para beijar na boca, e até mesmo pedidos de casamento aos cinco anos.

É trabalho fundamental de todos os envolvidos no processo educacional, pois, separar o mundo adulto do infantil. Cabe aos pais, em especial, orientar seus filhos durante as diferentes etapas do crescimento, não permitindo que importantes estágios deixem de ser vividos. Nesta conjuntura, trocar as músicas infantis por som de “balada” ( e suas coreografias frequentemente obscenas) nas festas de aniversário ou vestir as crianças com roupas e acessórios de adultos são atitudes que contribuem muito para o encurtamento da infância, dando vazão a sentimentos que elas ainda não estão prontas para compreender e processar em suas mentes.

E não adianta tentar jogar esta responsabilidade na conta dos professores: o trabalho da escola é fornecer a educação regular; incutir conceitos morais e limites de comportamento é tarefa dos genitores, para cuja execução eles, eventualmente, podem (e devem) receber ajuda de amigos e familiares, mas nunca esquecendo que o dever repousa sobre seus ombros.

Um indivíduo que tenha pulado a infância enfrentará embaraços para tornar-se um adulto maduro e responsável, pois passará o restante de sua existência tentando recuperar aquele período deixado para trás, além de apresentar dificuldade em assimilar as vicissitudes do cotidiano da vida adulta – virando um eterno púbere e potencial sujeito dependente de benesses estatais diversas (o típico membro da “juventude socialista” aos 50 anos de idade). Este fenômeno já foi melhor explicado neste artigo.

Não é bonitinho instigar beijinhos de namoro ou declarações de amor entre pessoinhas de pouco mais de um metro de altura. Tudo a seu tempo. É claro que os pedófilos não curtiram esta campanha, mas eles não podem reclamar: devem é se contar felizes por ainda estarem com vida – muito embora a Rede Globo (bem como a esquerda em geral) discorde disto  veementemente, por óbvio.

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Nem dar o peixe nem ensinar a pescar: apenas deixem o pescador em paz

pescador

Impossível alguém passar a vida sem proferir, nem que seja uma vez ou outra, o surrado provérbio segundo o qual não se deve dar o peixe, e sim ensinar a pescar. O contexto do emprego da metáfora costuma ser o mesmo: se o governo disponibilizar as condições para que as pessoas humildes evoluam por si mesmas, não será necessário conceder-lhes benesses estatais no futuro, reduzindo, assim, a demanda por políticas assistencialistas.

Só que a tese de que o povo precisa que alguém lhe ensine a pescar é também dotada de teor paternalista, e seus desdobramentos práticos, via de regra, são a degradação do cenário econômico e a necessidade premente de mais paternalismo, em um ciclo infindável.

O brasileiro é um povo notório por sua criatividade, iniciativa e capacidade de adaptar-se a qualquer situação para sobreviver ou prosperar – nosso famigerado “jogo de cintura”, que inclui no pacote, por vezes, ter de driblar a burocracia e a sanha arrecadadora estatais para seguir empreendendo.

Diante de um cotidiano caótico e uma vida atabalhoada pelos percalços da indevida intervenção do Estado na economia, o brasileiro, ainda assim, integra-se às novas tecnologias – malgrado os pesados impostos que tanto as encarecem, dando origem a startups de reconhecido sucesso. Mesmo durante a crise, negócios inovadores despontam e comprovam a capacidade de nosso povo de se virar (mesmo como freelancer) e fazer dar certo.

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Considerar, portanto, que o brasileiro precisa ser pego pela mão por algum suposto ente governamental benfeitor e caridoso para que possa subsistir e evoluir é, no mínimo, ingenuidade – e, no limite, mau-caratismo, tendo em vista que a intenção de “ensinar a pescar” tende a ser o pretexto ideal para criar diversos órgãos estatais, aumentar o papel e a influência do governo na vida das pessoas e inchar a máquina pública (para tanto extraindo recursos dos setores produtivos da sociedade).

“Ensinar a pescar” pode ser caracterizado especialmente como dar educação a todos. Então tome dinheiro para o MEC ficar enchendo a cabeça de nossos estudantes com marxismo e demais teorias anticapitalistas. Falar em privatização, sistema de vouchers, Escola Sem Partido, meritocracia para alunos e professores, ensinar as matérias em vez de instigar “senso crítico” (leia-se: transformar jovens em zumbis repetidores de slogans de esquerda)? Coisa de fascista, claro.

“Ensinar a pescar” também engloba a possibilidade de adquirir o material de pesca, certo? Então vamos criar um banco de fomento a atividades empresariais, ainda que, em verdade, ele apenas sirva para captar dinheiro caro no mercado financeiro e repassá-lo a juros mínimos para os ditos “campeões nacionais”, gerando corrupção indefectivelmente e enriquecendo grupos de interesse que exercem forte lobby junto a governantes. E assim segue o Estado em sua missão de tirar dinheiro das pessoas pobres para dar aos ricos fingindo que tira dos ricos para dar aos pobres.

“Ensinar a pescar” também pode ser tipificado como prover infraestrutura e logística por meio do investimento estatal, visando o desenvolvimento nacional, correto? Nada mais justo, portanto, que o governo transforme-se em um grande empresário de diversas atividades econômicas, desde a geração de energia (ainda que venha a quebrar o setor para baixar na marra as taxas durante o período eleitoral), passando pelos correios (meio bilhão de prejuízos em três meses no corrente ano), até, claro, a menina dos olhos de ébano, a prospecção (junto ao refinamento e a distribuição) de petróleo. Se o custo de oportunidade de realizar todas essas empreitadas for elevadíssimo e ainda tornar necessário endividar o governo até o pescoço, provocando aumento crônico de inflação e juros, paciência: é do jogo.

“Ensinar a pescar” também deve consistir, por óbvio, em expandir o crédito via bancos estatais, ampliando a base monetária, gerando a falsa sensação de que há dinheiro no bolso de todos, e soprando uma bolha que, quando estourar, fará todos os peixes sumirem do rio e endividará todas as famílias do país, causando recessão e desemprego – e transformando indivíduos outrora independentes em novos candidatos a receber as aulas de pesca “gratuitas” do governo, na forma de suas mais variadas facetas, como supramencionado.

Veja a armadilha esquizofrênica em que caímos quando entramos nesta conversa fiada de “ensinar a pescar”: damos carta branca para que aqueles que tem a chave dos cofres públicos possam inflar o orçamento indefinidamente em prol desta “causa tão nobre” de tornar as pessoas autônomas em relação ao Estado – sendo que o efeito obtido é exatamente o oposto!

Os índices de desenvolvimento humanos de um país estão intimamente ligados ao seu grau de liberdade econômica – e isso não é opinião de algum “neoliberal” sem coração, mas sim a frieza dos números falando em alto e bom som.

Ou seja, apenas não atrapalhem o pescador que ele certamente voltará para casa com a bolsa cheia. Nós temos muito o que aprender com ele, com o homem comum que prescinde de conselhos de intelectuais para viver sua vida, e não o contrário. Achar que precisamos ou mesmo podemos ensinar a pessoas possuidoras de tanto conhecimento prático como ganhar seu pão é resultado de prepotência mixada com visão romanceada de mundo. Elas só querem, em verdade, uma coisa: que o governo pare de impor obstáculos, permitindo que elas possam poupar mais e pagar menos pelos bens que consomem. Mais nada. Palavras delas mesmas.

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Nova série Global: Os Dias Eram Assim – e poderiam ter sido bem piores!

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É sumamente melancólico – porém não irrealista – admitir-se que, no albor dos anos 60, este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: “anos de chumbo” ou “rios de sangue”…

Proferida por Roberto Campos, esta assertiva descreve com exatidão o cenário que se apresentava diante dos brasileiros nos idos dos “anos rebeldes”, composto de um lado por João Goulart – e seu flerte indisfarçado com o Comunismo – e por outro da possibilidade de ver as forças armadas assumirem a administração federal. Entre o péssimo e o ruim, optaram eles (em larga maioria) pelo ruim.

Nenhum debate honesto sobre o período do regime militar poderia, portanto, ignorar os efeitos positivos e negativos da conjuntura experimentada pelo Brasil naquele período deveras complexo. Assim procedeu, por exemplo, Lucas Berlanza em artigo recentemente publicado pelo Instituto Liberal, no qual destacou que a simplificação histórica não é capaz de reunir os elementos suficientes para a devida compreensão daquele episódio. Na mesma linha foi este articulista quando opinou sobre a inconveniência de uma nova intervenção militar nos tempos atuais, mas sem deixar de render homenagens àqueles que outrora impediram que virássemos uma Cuba de dimensões continentais.

Mas é claro que a Rede Progressista de Televisão, para não perder o costume, precisaria caracterizar os protagonistas de seu mais novo seriado, ambientado durante os anos 1970, como abnegados que buscavam a “redemocratização” do país a qualquer custo – ainda que, para isso, instaurassem a famigerada “ditadura do proletariado”, como alguns socialistas menos cara de pau admitiram em tempos recentes.

Nenhuma chance, claro, de uma argumentação séria e calcada em fatos reais. Em vez disso, a ladainha totalmente enviesada à esquerda repetida à exaustão a nossos estudantes pelo professores da rede pública. Permeia a obra televisiva apenas a velha e surrada vitimização daqueles supostos jovens idealistas que lutavam  – a base de bombas e sequestros – por um Brasil mais parecido com a URSS. E assim vai o grosso da população brasileira sendo doutrinado enquanto apenas tenta usufruir de algum entretenimento após um longo dia de trabalho.

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O foco central do enredo, por certo, não trata diretamente da crítica à ditadura militar, mas sim do romance de um jovem casal apaixonado, conferindo contornos menos espinhosos à verdadeira peça de propaganda vermelha. E não poderia ser diferente após tantas décadas de dominação de ideologias coletivistas nas universidades – especialmente nos departamentos de Humanas -, quando os princípios  gramscianos e frankfurtianos tomaram conta de nossa produção cultural.

Antonio Gramsci e a Escola de Frankfurt idealizaram métodos diferentes de mobilização das massas: o primeiro pregava a “ocupação hegemônica dos espaços” (infiltração comunista nos meios acadêmicos e jornalísticos, assim como em outros ambientes intelectuais) e a segunda pregava a “revolução cultural” (mudança dos costumes e da moral nas relações familiares e sociais).

No entanto, ambos compartilhavam pontos em comum em suas diretrizes: 1) a luta de classes não se daria pelo método revolucionário; 2) a manipulação psicológica das massas era o objetivo primeiro; e 3) a implementação do programa socialista, que seria a finalidade última, dar-se-ia pelas vias institucionais do regime democrático, e não pela via insurrecional típica das revoluções.

No Brasil, os dois métodos de propagação do marxismo foram implementados juntos, de modo sincronizado, com grande sucesso – e continuam permeando nossa teledramaturgia.

E quando poderemos assistir a um filme ou a qualquer outra obra do gênero que trate do tema em questão com a devida seriedade e honestidade? Demanda para tal já há, sem dúvidas. Basta haver a iniciativa de pessoas da área e patrocínio – que certamente não virá da Lei Rouanet nem da Lei do Audiovisual; estas verbas estatais estão reservadas para personalidades como Kéfera e Luan Santana.

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De fato, os dias era assim, cinzas e incertos, e poderiam ter sido muito piores. Mas nem pense em ficar sabendo disso pelo plim-plim…

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