É a economia, estúpido! Ou é a cultura? E que tal ambas?

Como reverter a mentalidade assistencialista do brasileiro? Qual a melhor estratégia para fazê-lo entender que cada vez que ele deposita no Estado suas expectativas de uma vida melhor ele cria, por via reflexa, mais uma oportunidade de conluio entre pseudoespecialistas e aqueles encarregados dos cofres públicos – ao mesmo tempo em que concede carta branca para que burocratas preocupados apenas com seus próprios interesses interfiram até mesmo no sal que ele põe na comida?

Este processo de “descanonização” dos entes governamentais é tarefa das mais árduas, dado o estágio avançado de infiltração do ideário “igualitarista” (que logra tão somente nivelar os cidadãos comuns na penúria e assegurar privilégios de castas ligadas ao poder central) em todos os setores da sociedade. Tal movimento, todavia, encontra-se em plena expansão no Brasil (para o desassossego de velhas raposas da política como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

Nesta empreitada em busca de uma inédita mudança de paradigmas em nossa consciência coletiva, há aqueles que acreditam que o foco das campanhas deve ser a economia.

Vale dizer: eles acreditam ser o melhor método fornecer ao cidadão comum, de forma descomplicada e acessível até mesmo àqueles desprovidos de maior capacidade intelectual, os meios necessários para visualizar o quão perversa é a relação entre os setores produtivos da sociedade e aqueles que alegam deles precisarem extrair riqueza para devolver-lhes “bem-estar social” – sendo o Instituto Mises Brasil uma das iniciativas neste sentido de maior destaque.

Em tempos recentes, por outro lado, surgiu uma vertente que vê a questão por outro ângulo, e acredita serem as mudança culturais ainda mais relevantes neste esforço de resgatar nosso povo da condição de subjugado pelo excessivo poder coercitivo das entidades estatais.

Entenda-se: por “prestigiar a cultura” não se está a afirmar que as pessoas deveriam ser ensinadas a tocar piano e recitar Shakespeare.

O cerne da proposta é que, a exemplo de como procedem aqueles que professam ideologias as quais submetem integralmente o indivíduo ao Estado (especialmente a partir do advento do “politicamente correto”, inaugurado pela Contracultura – anos 1960 -, e da instituição dos conceitos de Antonio Gramsci na Academia), é necessário transmitir a mensagem redentora não apenas provendo explicações técnicas e formais, mas também internalizar os conceitos libertadores através de canais de comunicação desvinculados de assuntos econômicos e políticos.

Traduzindo: segundo esta corrente de pensamento, marcar presença em filmes, séries, músicas, peças de teatro, documentários diversos, humor, desenhos animados, histórias em quadrinhos, nas escolas, no esporte, e em todos os demais espaços midiáticos (principalmente no ramo de entretenimento) é trabalho essencial para fazer frente àqueles que há décadas tomaram de assalto o debate de praticamente todos os temas importantes e transformaram em “radicais extremistas” qualquer um que contraponha-se a suas convicções.

Ou seja, este pessoal acredita que, antes de ganhar as mentes, é necessário conquistar os corações. Não adiantaria nada, portanto, “ter razão” diante de narrativas que mexem com as emoções e inebriam os sentidos, impossibilitando que as pessoas deem-se conta da mais evidente das realidades por estarem hipnotizadas por “cantos de sereia”  proferidos por agentes da causa socialista – que se apresentam, normalmente, como simpáticas velhinhas ou inocentes rapazes idealistas.

Não se trata, pois, de desconsiderar a validade de ensinar à população noções básicas de economia, mas sim de aliar esta diligência com a transmissão e o resgate de valores que tornam saudável o ambiente de trocas voluntárias, possibilitando que o livre mercado floresça.

Ou alguém acredita ser possível convencer uma pessoa da importância da liberdade econômica enquanto ela assiste a uma novela da Globo na qual o personagem empresário capitalista é um grandessíssimo filho da mãe egoísta e trapaceiro? Êxito pouco provável. Ou quem sabe competir na audiência com o filme Diários de Motocicleta enquanto tenta-se explicar o que é produtividade marginal decrescente? Menos provável ainda.

Nesta conjuntura, resta claro que ambos os projetos de “desesquerdização” dos brasileiros (sendo que muitos deles são esquerdistas de forma involuntária e inconsciente – precisamente o objetivo da turma vermelha) aqui descritos são relevantes a sua maneira, e pouco efeito podem produzir um sem o outro.

Sim, pois também a guerra cultural precisa estar fundamentada na propagação de preceitos elementares que regem as relações comerciais e de como eles influenciam nossas vidas de maneira silenciosa.

Senão vejamos: uma pessoa que desconhece o que é, de fato, a inflação, passará a vida achando que os preços sobem por culpa dos empreendedores gananciosos, e não haverá investida cultural que possa tirar-lhe tal disparate da cabeça – não enquanto ela não entender que está diante dos efeitos de políticas governamentais que geram desvalorização monetária;

Uma pessoa que desconhece os reais motivos pelos quais o preço do capital (juros) no Brasil é tão elevado passará a vida achando que “o mercado” é insensível aos sonhos dos indivíduos comuns, que os investidores preferem arrancar-lhes o fígado a cobrar taxas mais “razoáveis” de retornos em empréstimos, e não haverá investida cultural que possa tirar-lhe tal disparate da cabeça – não enquanto ela ignorar a relação direta dos juros com a dívida do governo.

E por aí vai.

Trocando em miúdos: tanto aqueles que favorecem uma abordagem voltada aos aspectos culturais quanto aqueles que preferem investir seu tempo e energia educando nosso povo na área econômica não apenas contribuem diretamente para uma (sonhada e distante) redução da influência do Estado em nossas vidas, como cooperam mutuamente uns com os outros em suas missões: esses fornecem subsídios sem os quais as ações no campo cultural ficam capengas, carentes de alicerce; aqueles constituem vias de transmissão destas lições muito mais eficientes, na medida em que atingem os destinatários sem que eles tenham buscado deliberadamente tais ensinamentos.

Ou seja, o clichê “unidos venceremos” nunca foi tão atual e conveniente nesta pretensão de ENDIREITAR nosso país. E nada melhor para encerrar do que citar um filme em cartaz nos cinemas o qual demonstra, justamente, o quão benéfica para o atingimento deste objetivo em comum pode ser esta união entre o conhecimento empírico (histórico, no caso)  e sua massificação por meio de uma produção artística. Já passou da hora, pois, de rompermos este monopólio da esquerda nos centros disseminadores de idéias.

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12 comentários sobre “É a economia, estúpido! Ou é a cultura? E que tal ambas?

  1. Acertou na mosca! O Estado só comparece para complicar a vida do cidadão.
    O dinheiro é como uma mercadoria qualquer: se a oferta aumenta, o poder aquisitivo (preço) do dinheiro cai. E vice-versa.
    Importante, ainda, sua referência à dívida pública e à taxa de juros. Fala-se tanto na reforma da Previdência e da legislação Trabalhista (às quais sou favorável), sem jamais se referir à dívida pública interna, hoje em torno de 3,50 trilhões de reais, gerando uma despesa anual com juros (serviço) em torno de 500 bilhões de reais, mesmo com a queda da SELIC, que não dá, ainda, para dizer que é política consistente.
    Abordando a dívida e seu custo, fica mais equilibrado entender os ralos que drenam nossos impostos ao lado do ralo da corrupção que tudo encarece, ou seja, as causas do rombo orçamentário.
    Boa tarde!

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    1. Só um adendo Rubens, a economia para pagar os juros da dívida assim como as amortizações é chamada de superávit primário, só que desde 2013 estamos tendo déficit primário, na prática estamos arcando com a dívida se endividando mais.

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  2. Essa é a minha bronca com o IMB, por exemplo. Em sua grande maioria são textos brilhantes, bem fundamentados, tecnicamente perfeitos, mas secos, áridos, sem qualquer apelo emocional. ótimo para um aluno que está pesquisando para o seu TCC, péssimo para o leitor ocasional.

    O IL já percebeu isso, e mudou um pouco o foco de seus textos. Outros sites liberais e de direita também. É preciso de uma vez entender que se conquista um homem pelo ̶e̶s̶t̶ô̶m̶a̶g̶o̶ coração. Parabéns por já haver aprendido esse truque! 😉

    Abraços!

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    1. Ricardo,
      Quando estudei Economia, numa das aulas o professor falou mais ou menos assim: “após a ‘crise de 29’, surgiu uma nova onda de pensadores econômicos, entre os quais Keynes, que pregaram que o livre mercado por si só não era capaz de geriu a economia, desta forma então a importância da interferência do estado”. Porém, não ensinavam Mises. Hayek, nem se fala.
      Então, no meu caso, “despertei” a pouco quando do Brexit e, ao saber que o Trump tinha sido eleito, foi como ser acordado com um balde de água fria! Peraí, o que está acontecendo? Pois até então eu achava que o “melhor para o Mundo” era a eleição da Hillary e não me importava se o Reino Unido continuasse ou não fazendo parte da UE.
      Como você bem colocou, foram décadas de doutrinação, não vai ser no curto prazo que isso vai ser revertido, mas tenho fé em pessoas como você!
      Abraço.

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      1. Sim, já falou, hehe. Ainda não me sinto preparado para escrever sobre política. Sou um mero observador. Apenas tenho a sorte de ter um mirante melhor (ou, parafraseando Newton, “estar sobre o ombro de gigantes”). Mas se eu rascunhar algo, te envio sim.

        Abraços!

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  3. O professor Loryel e o Olavo sempre falam isso, o projeto mais longo é o que dará melhor resultado. Cada um em sua área deve ocupar espaço e produzir cultura.

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  4. Se inserindo no contexto da matéria, eu posso me apresentar como uma prova viva de que essa desintoxicação possa acontecer com qualquer pessoa. Desde muito novo eu nunca liguei para os estudos, eu era o aluno que apenas fazia bagunça e brincava o dia inteiro, isso foi até o segundo grau, especificamente o último ano do segundo grau. Nesse último ano eu tive um professor de física que além dar aula, ele fazia a turma debater para ter aquele pensamento racional sobre tudo, sobre questionamentos, era uma aula de física, mas parecia uma aula filosófica, esse foi o engate principal para a minha vida mudar totalmente. Após a conclusão do ensino médio, eu já obtive muito conhecimento através dessas aulas e desse professor em particular, mas ainda faltava algo para preencher um vazio, seria mais um vazio de conhecimento, até que eu comecei a fazer um curso técnico de informática. Nesse curso de informática eu fiquei amigo de uma pessoa que já acompanhava Olavo de Carvalho faz tempo, e ele me apresentou livros, matérias, mídias, tudo relacionado ao pensamento de Olavo de Carvalho, esse foi a mudança total. Como sempre estudei em escola pública, todos são levados a acreditar no conceito de igualdade, migrando para um nome mais adequado seria o coletivismo, desse pensamento eu era tido com um socialista, aquele que acreditava na igualdade, porém tudo mudou depois de ler Olavo de Carvalho. Nesse curso começamos a debater e meu raciocínio tanto político e econômico mudou totalmente, até mesmo em questões de estudos, eu estava melhorando. A partir de Olavo de Carvalho, eu conheci Mises e a Escola Austríaca, esse foi o estopim para eu decidir o que eu queria ser, algo relacionado a economia, o que hoje se traduz em uma faculdade de ciências contábeis, como já me falaram do mundo acadêmico é mais voltado ao pensamento keynesiano, eu decidi não cursar economia e sim ciências contábeis.
    Resumindo tudo: Engate principal foi meu professor, um amigo me apresentou Olavo e Olavo me indicou o Mises e a Escola Austríaca e desse para ciências contábeis. Daquele aluno baderneiro que não ligava para a vida para hoje com o pensamento liberal-conservador na faculdade.
    Grande mudança.

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