Passear no parque? Que nada: a onda agora é o “Domingo de Pegação”

Dia P - editado

No Facebook, 8,7 mil pessoas manifestaram interesse e 4,8 mil confirmaram presença, mas quando chegou a hora contavam-se só uns gatos pingados, no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, para o que havia sido anunciado como um grande evento de “pegação” entre adolescentes.

Marcado para as 15h deste domingo, o encontro “Quem pegou pegou, quem não pegou é só chegar” coincidiu com um dia chuvoso, e só umas três ou quatro dezenas de corajosos apareceram no parque – muitos deles integrantes de um outro evento marcado para o mesmo horário e local, com a finalidade de discutir rótulos e orientação sexual.

Os organizadores do evento de “pegação” haviam criado uma espécie de código segundo o qual, conforme a cor da roupa, o participante manifestaria suas intenções. Quem estivesse de preto era “só grudar”, cinza significava “bissexual”, rosa era “lésbica”, vermelho pedia “beijo triplo”, camisa de time era um aviso de que a pessoa estava lá “só pelo sexo”, e assim por diante. Diferentemente do que os comentários no Facebook poderiam fazer crer, até depois das 17h ninguém havia aparecido com a camisa de algum time.

Já devo ter lido umas três vezes Rodrigo Constantino alertar que estamos, em decorrência da perda gradativa de nossa capacidade de controlar nossos apetites humanos, regredindo ao nível dos cães – e este episódio insólito, sem dúvida, foi um grande passo dado na mesma direção.

Esta necessidade desses jovens em abreviar o lapso temporal dispendido entre conhecer uma pessoa pela primeira vez na vida e partir para o coito é motivo para internação psiquiátrica. As ferramentas digitais, como o Tinder, já permitem a filtragem de pretendentes com interesses comuns (inclusive prazeres mundanos diversos), descartando, em grande escala, a chance de frustração após o encontro.

Mas tal possibilidade, aparentemente, ainda não lhes é suficiente, e, portanto, elabora-se um sistema de cores para agilizar o processo, e marca-se dia e hora para uma espécie de vale-tudo a luz do dia, para quem quiser ver – e dane-se se houverem crianças passeando por ali. Quanta praticidade, hein? Duvido fazerem uso de toda essa eficiência para trabalhar. Aliás, duvido aparecer alguém se o mutirão for para ajudar a virar massa para construir um abrigo para pessoas carentes. Venham estudar no parque? Zero curtidas.

II

Lamentável ver a nova geração chegar a esse nível de deterioração total de valores. Ninguém está dizendo que o casal de namorados deveria voltar a sentar-se no sofá com o pai da moça no meio, como nos idos de 1950, mas a deturpação a que chegamos extrapolou o pêndulo para o outro lado a tal ponto que este pai, em breve, vai ter é que pedir licença para sentar no sofá enquanto a filha e o genro praticam o candelabro italiano. E ainda vão olhar torto para o pobre homem.

A ausência paterna, a total omissão dos pais em cumprir seu dever,  que seria impôr limites, regras, dizer não quando necessário, dá nisso daí: liberdade confundida com libertinagem. O papel da família na formação do indivíduo não é cumprido por ninguém, e a pessoa passa a achar que, na vida, tudo é assim mesmo: Estou com vontade? Vou lá e faço, em ato reflexo. Quero? Me Dê, aqui e agora.

Depois vão achar estranho a elevação da taxa de estupros (até mesmo coletivos) e atos de pedofilia – crimes esses que consistem exatamente em satisfazer a própria vontade de lascívia a despeito do animus alheio. Ora, se foi incutido na cabeça dos rapazes que galanteios, técnicas de conquista, mandar flores, fazer serenata e (pasmem) levar um fora, vez por outra, é coisa de gente conservadora ultrapassada, nada mais natural que eles já chegarem se servindo, pois não? Esperar uma menina atingir pelo menos meio metro de sombra para cogitar empreender determinadas práticas concupiscentes  com ela? Mas que bobajada retrógrada!

Quem criou o monstro que o aguente, ou reclame com o povo da Revolução Sexual dos anos 1960. Se nada mais é errado ou feio, tudo o que importa é alcançar o êxtase – e experimente colocar-se no caminho entre o senhorzinho satisfeito e seu objeto de desejo, como bem antecipou Ortega y Gasset.

Pior ainda (mas longe de ser surpreendente) é ver a mídia apoiar e incentivar iniciativas do gênero. O jornal em questão, vinculado à RBS, afiliada da Globo, promoveu esta anarquia realizada ao lado do monumento aos expedicionários (nem dá para cobrar respeito histórico, pois que sequer devem desconfiar do que se trata) o quanto pôde, e estava lá, com equipe de reportagem e tudo, para fazer a cobertura.

Caso o inferninho montado a céu aberto houvesse sido um “sucesso” de público, fico imaginando como seria a matéria: estatísticas dos beijos triplos praticados? Alguém sentiria-se oprimido por não ser selecionado para a farra coletiva em função da beleza escassa? Entrevistas com os pais reacionários que não acham cool ver a filha de 15 anos indo para o abate feito um bezerro? Nas páginas policiais, boletins de ocorrência sendo lavrados na delegacia mais próxima em virtude de abusos sexuais cometidos, tal como ocorre sempre que um “rolezinho” é realizado em São Paulo¹? Curiosidade mórbida é uma coisa chata mesmo.

I

Aliás, pais preocupados deviam ser meia dúzia no caso em questão, arrisco-me a dizer. Talvez a maioria vá se ligar no que está acontecendo na vida da filha adolescente quando ocorrer uma gravidez indesejada. No caso, vão querer abortar o amontoado de células, claro, pois foi um acidente de percurso, ocorrido no “Domingo da Pegação”. Se não for possível, teremos mais uma criança sendo criada, provavelmente, somente pela mãe, o que será bastante prejudicial em sua educação. E começa novamente o ciclo de promiscuidade e perversão.

Theodore Dalrymple, em seu livro Nossa Cultura…ou o que sobrou dela, contribuiu sobremaneira para o entendimento deste fenômeno:

“A literatura e o senso comum comprovam que, ao longo do tempo, as relações sexuais entre homem e mulher sempre foram cheias de dificuldades, exatamente porque o homem não é apenas um ser biológico, mas um ser social consciente que carrega consigo uma cultura. Os intelectuais do século XX, todavia, buscaram libertar todas as relações sexuais de qualquer significado, de modo que dali em diante somente o puro desejo sexual contaria na tomada de decisão”.

A esquerda está reduzindo a humanidade a suas funções biológicas, animalizando as pessoas, criando um rebanho de cidadãos potencialmente dependentes do “bem-estar” social promovido por um estado gigantesco. Tudo a propósito, e a custa da destruição do que trouxe nossa civilização ao atual estágio de desenvolvimento.

No seu livro The Closing of the American Mind, Alan Bloom observou a forma como Herbert Marcuse, expoente da Escola de Frankfurt (derivada do Marxismo) havia atraído os estudantes universitários dos anos 1960 com uma combinação de Marx e Freud. Nos seus livros Eros and Civilization e One Dimensional Man, Marcuse prometeu que a superação do capitalismo e da sua falsa consciência iria resultar numa sociedade onde as maiores satisfações seriam sexuais. Prometeu e cumpriu, a julgar pelas aparências.

A piada pronta do evento: como é possível separar cães após a cruza? Com água. E o que a mãe natureza aprontou para dispersar a turba ensandecida pelos hormônios e minguar a festa da luxúria? Sim, água (da chuva). Taí, Constantino: acho que São Pedro concorda que tá parecendo coisa de cachorro no cio essa parada!

E pensar que meus pais achavam ruim ter de se preocupar que eu iria assistir a Banheira do Gugu no domingo à tarde. Coitados…mal faziam idéia do que se avizinhava.

¹ http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1730717-duas-jovens-foram-estupradas-no-parque-ibirapuera-neste-domingo.shtml

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2 comentários sobre “Passear no parque? Que nada: a onda agora é o “Domingo de Pegação”

  1. Creio que esse tipo de promiscuidade sempre houve, sempre haverá. A diferença é que a gora a internet potencializa isso. Sinceramente não me choca. Ademais, Porto Alegre há um bom par de anos já se tornou a “capital nacional do ‘prafrentismo’ “. Nada mais “natural” (sic) do que um evento desse tipo.

    Porém penso, e aqui uso o comentário para complementar o texto, que esse tipo de ação já encheu o saco da população média. E, de certa forma, os empurra para o conservadorismo (ou, na pior das hipóteses, os repele do esquerdismo). Salvo um ou outro adolescente doutrinado querendo chamar a atenção, ninguém levou esse evento à sério, exceto a RBS, o que diz muito mais sobre esse veículo de comunicação, do que sobre o evento em si, mas divago…

    Aliás, aqui fica latente outra característica dessa geração: a covardia. Ninguém foi com camiseta de time. Por quê? Por que sexo envolve, inerentemente comprometimento. Envolve exposição, ainda que feito de forma “caligulesca”, como propôs o evento. Ora, esses jovens querem ser intransigentes, revolucionários, mas até o ponto que não precisem sair de sua zona de conforto, e nem se expor abertamente. Por isso invadem escolas e se escondem atrás de DCE’s; por isso gritam, “é golpe!”, mas se escondem atrás de sindicatos e blogs pagos.

    Por fim, a verdadeira “ironia”, ao meu ver, não foi a chuva, mas eles terem feito isso ajunto ao monumento do expedicionário, ou seja, aqueles que lutaram para que eles tivessem liberdade, inclusive a de serem completos imbecis.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Paul Joseph Watson concorda contigo, Leonardo: o conservadorismo é a nova contracultura.
    Na mosca tua observação sobre o monumento dos expedicionários: muito fácil ser “rebelde com pensamento crítico” em uma terra cuja liberdade foi garantida por homens de farda que, hoje, são vistos pela esquerda como encarnações de Satã.
    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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