Futebol de graça no celular? Não se “alguém” puder evitar!

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Relato dos fatos: tanto Coritiba quanto Atlético-PR não venderam o direito de transmissão de seus jogos no campeonato estadual de 2017 para a rede Globo (sucursal RPC), por discordância de valores; houve uma tentativa de negociação para televisionamento do clássico Atletiba deste domingo, 19/02, mas as tratativas foram frustradas novamente pela disparidade entre o pagamento pretendido pelos clubes e o oferecido pela emissora; Coxa e Furacão, então, resolveram transmitir o jogo a partir de seus canais no Youtube, sem custo para os torcedores, contratando, para tal, uma equipe jornalística para a narração e reportagens. Faltando poucos minutos para início da partida, havia quase 50.000 pessoas assistindo (de graça) e mais de 8.000 likes no link.

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Até aqui, parecia que as leis naturais do mercado estavam fazendo os agentes econômicos envolvidos desempenharem seus papéis: oferecerem bens aos consumidores a preços minorados e com qualidade crescente – ou algum torcedor do Paraná terá ficado chateado em poder ver o jogo sem pagar? A medida adotada segue na linha da Copa do Rei  (Espanha) e do campeonato mexicano  (quando transmitido para os EUA), cujas partidas são visualizadas pelo Facebook. Os times de Curitiba ainda sairíam ganhando com a audiência online, com o aumento do número de seguidores de suas mídias sociais, com o incremento de vendas de produtos decorrente da valorização das marcas, e por aí vai. Dar amostras grátis nunca é má idéia para atrair clientela.

Mas estava liberal demais para ser verdade – no Brasil. A iniciativa dos clubes já havia sido anunciada com mais de uma semana de antecedência. Até então, muito embora se tratasse de algo inovador, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) confirmou o jogo normalmente, muitos ingressos foram vendidos, as equipes entraram em campo no horário programado, o hino nacional foi entoado…e daí o árbitro da partida recebeu uma comunicação da FPF determinando que o apito inicial não fosse proferido enquanto as câmeras que transmitiam o evento não fossem desligadas! O motivo: os profissionais de imprensa contratados não estariam devidamente cadastrados. Vai gostar assim de formulários, regulação e burocracia lá em Brasília¹.

Segue-se, então, muita discussão, dedo na cara, “eu só cumpro ordens” pra cá, “isto é uma vergonha” pra lá, e após 40 minutos, o jogo é cancelado, com os jogadores dos dois times juntos no centro do gramado pedindo desculpas aos presentes e recebendo total apoio destes em retorno.

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A forma como se deu a arbitrária intromissão da entidade que administra o futebol no estado foi deveras inescrupulosa, pois sabedora de que estava tomando uma atitude ilegal – o regulamento do certame especifica, em rol exaustivo, em que situações um jogo pode ser suspenso, e nada há lá sobre direitos de transmissão -, deixou para intervir apenas instantes antes do pontapé inicial, e encobrindo suas reais intenções sob o manto de uma alegada  estapafúrdia irregularidade².

Malandro é malandro mesmo: apenas algumas horas seriam suficientes para que o departamento jurídico das agremiações obtivesse uma liminar na Justiça determinando a realização do jogo. Conversei com um juiz, aliás, e ele assegurou-me que seria causa ganha. Da maneira como procedeu, a FPF impediu o acesso ao Judiciário, demonstrando clara má-fé em seu agir.

Fizeram muito bem os clubes em não arredar pé, recusando-se a cancelar o broadcast pela Internet. Poderiam ter ido mais longe: assim que o trio de arbitragem se retirou, seria legítimo, amparado nas regras do esporte e em comum acordo entre as partes, nomear uma pessoa neutra ao evento para apitar o jogo – tal previsão legal existe para o caso dos juízes principal e reserva se lesionarem.

Mas tanto melhor: a compensação por todo o prejuízo sofrido por Coritiba, Atlético-PR, torcedores e demais atingidos deverá ser pleiteada e obtida judicialmente, até para que absurdos como este não se repitam. O respeito aos contratos firmados e às regras acordadas é fundamento essencial para que empreendedores invistam com razoável segurança, e este foi um péssimo sinal para aqueles que geram valor e empregos – mas nada que não possa ser sanado com uma gorda indenização.

Este imbróglio rememorou-me de um artigo publicado pelo Instituto Liberal esta semana, no qual o autor, Luiz Maud, revela sentir “vergonha alheia” de empresários que pedem proteção ao Estado contra a concorrência. Aparentemente, todavia, não é só junto ao governo que se pode requerer uma reserva de mercado: a FPF parece estar aceitando solicitações do gênero também. Pode ser que não tenha havido pre$$ão do atual monopolista do pay-per-view, mas os contornos dolosos que revestem o episódio tornam difícil acreditar que não houve conluio nos bastidores.

Menos mal que a referida federação, ao contrário, por exemplo, de sindicatos e entidades de classe, precisa da aprovação de seus afiliados para continuar existindo. Não há o que impeça, pois, que outra federação seja criada e que todos os clubes para ela migrem, fadando a primeira ao ostracismo e a extinção. É claro que como os clubes no Brasil não são empresas  (não estando, portanto, sujeitos à Lei de Falências nem expostos diretamente aos mecanismos de estímulo do livre mercado – lucro e prejuízo para seus administradores e acionistas), é possível que o pioneirismo dos clubes de Curitiba não reverbere país afora como deveria. É bem mais cômodo seguir falando mal de CBF e afins sem mover uma palha para desalojá-las do poder.

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A existência de instituições como a FPF e similares justifica-se para que o esporte profissional não se equipare à várzea, mas elas não são mais importantes do que as associações desportivas que fazem o espetáculo acontecer: os clubes. Da mesma forma que entendemos, por analogia, que algum governo é necessário, do contrário não há ordem e as pessoas não conseguem produzir e viver, mas o Estado não pode ser maior do que aquela que o sustenta com a riqueza que cria: a iniciativa privada.

Seria de bom tom, pois, que federações e governantes parassem de querer aparecer mais do que a bola e os empresários, e se recolhessem a suas funções estritamente delimitadas por aqueles que apenas os toleram como males necessários. Os holofotes não devem iluminar ilustres desconhecidos engravatados, e sim as estrelas maiores desses campos: atletas e empreendedores. Do contrário, quem paga a conta da luz pode perfeitamente desligar o interruptor.

O peitaço da dupla Atletiba contra a FPF é fato sem precedentes em nossa história, digno de elogios e de ser copiado, não apenas dentro das quatro linhas, mas especialmente na política. Espero que Coxa e Furacão não recuem, pois sua briga, agora, a todos interessa.

Da próxima vez que você for explicar para alguém o que é o Globalismo – perda das soberanias nacionais, entidades supranacionais decidindo em nome de representantes eleitos, intromissão de terceiros em relações comerciais bilaterais -, use o ocorrido na Arena da Baixada como exemplo: uma relação voluntária entre clubes, empresas de comunicação e torcedores estava desenrolando-se sadiamente, até que burocratas “sem rosto”, falando, supostamente, em nome dos afiliados, interfere diretamente na negociação, causando danos a todos (menos a si própria e a quem detém atualmente a prerrogativa de transmitir este esporte no estado). George Soros ficaria orgulhoso – e preocupado também, diante do Brexit dos times paranaenses.

¹   http://espn.uol.com.br/video/672610_gian-oddi-diz-que-torcedor-paranaense-foi-feito-de-palhaco-argumentacoes-da-federacao-sao-pateticas

² http://espn.uol.com.br/noticia/672684_relator-da-lei-pele-diz-que-federacao-paranaense-nao-cumpre-lei-lambanca-arrogancia

Editado: E começam a cair máscaras por aí…

http://www.bandab.com.br/esportes/em-video-quarto-arbitro-afirma-que-ordem-para-impedir-inicio-do-atletiba-veio-do-presidente-da-fpf/

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4 comentários sobre “Futebol de graça no celular? Não se “alguém” puder evitar!

  1. Acabei de ouvir na televisão, um repórter perguntar ao ministro da cultura :
    O sistema representativo brasileiro está podre e precisa de uma enorme reforma, não é?
    Então o ministro covardemente, nega a necessidade de reforma, e diz que nossas mazelas, são iguais a de países como o Canadá, como a Alemanha, como a Noruega, como o Japão, ou como a Suíça! #SURREAL!
    Que a internet roubou o protagonismo dos sindicatos de classe, Usou de generalizações e sofismas sem vergonhas, para praticar o que é mais admirado nos 3 poderes, #DIVERSIONISMO !
    A pessoa do leitor pode estar se perguntando, qual é a ligação deste fato, com o assunto do tópico?
    É bem simples! Times! Tudo no Brasil são times!
    Mas, e as instituições?
    Não passam de meras representações abstratas, do que deveria ser a realidade!
    O que conta mesmo, é a qualidade dos times que temos, vamos lá?
    O presidente?
    Um sócio petista, com 13 anos de experiência, travestido de democrata, que convoca um ministro mequetrefe, para conduzir as visões do povo, sobre o mar de lama tóxica que virou o congresso, que foi adotado pelas empreiteiras, há mais de 40 anos, na maior suruba institucional da história política do mundo!
    O senado?
    Um time que adora fazer jogo de empurra e dizer que a culpa é dos governadores! Saibam que parte da decadência moral que o país está mergulhado se deve ao fato de 40% dos senadores terem contas para acertar com a justiça!
    O congresso ?
    Um enorme cabide de emprego para as dezenas de partidos, que em vez de trabalharem para o país, passam o tempo, disputando cargos ou salários!
    Os partidos?
    Agremiações com um único fim!
    Preciso dizer?
    Concessões públicas de rádio e tv
    Empresas que deveriam prestar servições para o país mas, que como o congresso, se tornaram um balcão comercial, que no horário útil, trabalha única e exclusivamente para promoção de suas marcas comerciais, não foi à toa que eu tive de esperar até à 1:00h da manhã, para ver esse filme de horror, que se tornou a representatividade.
    Acredito que isso é só o começo!
    Na semana que vem, será lançado um aplicativo para android e ios que permitirá ao torcedor fazer a transmissão!
    Então a secretária da segurança pública será mobilizada para impedir a entrada de celulares nos estádios!
    Será hilário! Nos presídios podem ter celular, mas nos estádios não ?
    Assistam!
    O GRANDE IRMÃO MOSTRA SUAS GARRAS!
    O futebol brasileiro foi sequestrado por um outro time!
    Não passamos de uma colônia lusitana, exportadora destas commodities para Europa, que hilariamente tem um time que representa a origem desta joça, numa falência sem fim!
    Moro apitará pênalti, para esse povo da segunda divisão, que insiste nesse fisiologismo?
    QUANDO O BRASIL SERÁ DA PRIMEIRA DIVISÃO DOS PAÍSES?
    Essa várzea social em que estamos, é simplesmente, inaceitável !
    2 trilhões de impostos recolhidos, investidos no circo?
    Está na hora de termos um time governamental de verdade!
    HÁ VAGAS!

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  2. Isso me lembrou o finado Clube dos 13, que resolveu peitar a CBF. Em menos de um ano após o ocorrido, o clube foi extinto. Destaque pra SPFC e Internacional que, à época, foram os únicos clubes a peitar a CBF e a Globo.

    De duas uma, ou os clubes deixam de lado o “clubismo” e se unem; ou se administram os clubes e federações como se fossem empresas privadas. Faça o que fizeram, o fato é que, na minha opinião, nada mudará a médio prazo.

    Enquanto isso, cada vez mais brasileiros se ligam na NFL…

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    1. E um fator que diminui ainda mais as esperanças de mudança de rumos é que a maioria dos atuais membros das federações já foram diretores de clubes. Ou seja, os que trabalham hoje em clubes sonham com uma teta gorda no futuro, tal qual ocorre hoje na federação gaúcha, onde o atual presidente é/foi conselheiro do Inter. Complicado mesmo…

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