A Teoria do Pai Ausente Vai Muito Além de uma Simples Brincadeira

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Tudo começou com uma constatação inequívoca do perfil no Twitter “Editora Humanas”: praticamente toda pessoa que publicava posts manifestando posição contrária ao impeachment de Dilma, criticando os Bolsonaro, pregando o socialismo, tremulando a bandeira do feminismo, pedindo votos em Marcelo Freixo, clamando pela legalização dos entorpecentes (enfim, bancando o idiota útil da Esquerda), já havia, em algum momento de seu passado (ou até na mesma postagem), maldito seus pais ou queixado-se  de sua ausência em suas vidas, por meio de alguma mídia social.

O percentual de casos verificados com esta coincidência foi tão significativo que acabou gerando um “spin-off” daquele perfil, o @meupaiausente. Só que tal ocorrência, infelizmente, não se trata tão somente de uma surpreendente casualidade, mas sim do resultado prático de décadas de doutrinação marxista, a qual, por meio de diversos instrumentos ideológicos, ataca a família tradicional incessantemente. O cenário atual no Brasil não poderia, pois, ser diferente.

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Que a ausência dos pais pode comprometer a saúde emocional dos filhos não é novidade alguma. O que impinge aqueles que buscam o agigantamento do aparato estatal a usarem estas pessoas carentes como ferramentas, em busca de seu propósito máximo, é que precisa ser elucidado. Marilena Chauí nos fornece algumas pistas quando assevera que aqueles que defendem a família são “bestas”, e que os pais são “déspotas de sua prole”. Se ela assim afirma, é sinal de que a família representa um obstáculo para o arranjo social que ela gostaria que fosse implantado. Mais do que isso: a estrutura familiar é o último sustentáculo da civilização ocidental, e já não é mais possível prever por mais quanto tempo poderá resistir ao empuxo “progressista”.

O amadurecimento do indivíduo passa, necessariamente, por uma fase de dependência familiar, onde ele ainda não possui maturidade suficiente para fazer escolhas por conta própria. Neste período, portanto, ele não deve dispor da liberdade para traçar os próprios rumos, e deve subordinar-se às decisões tomadas por seus pais, com um grau mínimo de ingerência própria. Com o avanço da idade, é natural que a pessoa, por meio da experimentação e do acúmulo de conhecimento prático, desconecte-se, gradativamente, da “barra da saia” da mãe, passando a assumir as consequências por seus erros e a auferir os louros de suas conquistas.

Quando este processo é interrompido ou sequer tem início, há grande chance de este indivíduo procurar esta referência paternal em alguma outra figura abstrata ou concreta. E já que o governo não pode ver ninguém sofrendo que já fica alvoroçado, é claro que ele vai se oferecer para “tomar conta” desses pobres coitados, assumindo a função de “babá”. Só que esta pessoa adotada pelo Estado precisa entender que este papai tem muitos outros filhos órfãos sob sua tutela, e, portanto, ela deve submeter-se ao interesse coletivo de todos os demais desamparados recolhidos.

Ademais, ele não deve almejar sua independência jamais, pois tal ato de rebeldia colocaria em risco a subsistência dos demais maninhos. Caso insista na pirraça, deverá ser castigado, como medida pedagógica, emitindo um aviso aos demais membros da grande família estatal. Assim, todos devem trabalhar em prol da comunidade, sob a orientação do generoso padrasto, permitindo que ele esquadrinhe cada aspecto de sua vida, determinando desde sua alimentação até o que ele vai assistir na TV. Sim, é exatamente o que parece: o totalitarismo encontra forte resistência na família, e a forma mais eficaz de subjugá-la é, na verdade, tomando seu lugar e assumindo suas funções. Não à toa, no livro 1984, de George Orwell, o indivíduo é criado pelo estado, e a família serve apenas para procriação.

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Ou seja, a destruição do modelo de família tradicional é o primeiro passo para instalar a desordem social que servirá de base para esta revolução cultural – e isso já está acontecendo bem diante de nossos olhos. Karl Marx, em seu medonho Manifesto Comunista, considera o núcleo da “família burguesa” uma instituição que precisa ser abolida, pois, segundo consta, ela seria baseada somente no capital – homens exploram mulheres, pais exploram crianças. Interessante notar que, vendo a questão por este ângulo, os marxistas simplesmente desconsideram que tais pessoas permanecem ligadas por laços afetivos. Será que Marx também ficaria famoso no @meupaiausente se houvesse twitter aquela época? Bem provável.

Assim sendo, não basta aos revolucionários catarem somente os frutos que caem da árvore; isto é, não é suficiente cooptar para seu exército de desocupados apenas aquelas pessoas que, por motivos de ordem diversa, não possuem vínculos familiares sólidos. Não mesmo. Eles precisam atacar também aquelas que são membros de famílias estáveis e felizes (até então), e voltá-las contra seus irmãos e genitores. Desta forma, o “monopólio da generosidade” fica na mão do Estado.

Entenda: se eu precisar de socorro financeiro, por exemplo, posso recorrer a algum dos meus parentes; mas se eu mal olho na cara deles, quando vier a atravessar uma situação de penúria, precisarei aceitar ajuda estatal (bolsa família, seguro-desemprego, subvenções para cursar faculdades e adquirir moradia, e por aí vai).

Extrapolando os efeitos desta lógica para todas as situações da vida em que demandamos auxílio de terceiros, passa a ser aceito com naturalidade que o Estado cresça até níveis insuportáveis pelos pagadores de impostos – sempre em nome do “social”, que nada mais é do que socorrer pessoas em necessidade, como descrito no exemplo. Quando a família não mais pode prover abrigo material e psicológico para seus entes (ou mesmo existir), os camaradas surgem como o último recurso, a mão estendida, o ombro amigo. E pense em um ombro caro.

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Como provas do sucesso parcial alcançado por este pessoal “gente boa” que quer prestar serviços terceirizados de caridade, estão aí o aumento do número de divórcios; o avanço dos defensores do assassinato de bebês; o crescente número de idosos abandonados; a ridicularização, em filmes e seriados, do homem ocidental como provedor da família; a ideologia de gênero ganhando terrenX; o feminismo cada vez mais convencendo mulheres de que seus maridos são seus inimigos, que seus filhos (quando são gerados) são estorvos em suas vidas, e que colecionar parceiros sexuais em profusão faz parte da luta pela libertação feminina; os “educadores” estatais declarando descaradamente que cabe a eles decidir o que deve ser ensinado a nossas crianças – e lecionando, claro, tudo o que consta em sua agenda enviesada politicamente; o vício em drogas destruindo famílias como um verdadeiro tsunami – contando, inclusive, com o apoio de Libertários, que alegam que o usuário seria “livre” para consumir crack, sem perceberem que ele é, na verdade, escravo da substância.

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A propagação do relativismo moral e a flexibilização dos sensos de justiça e de honra contribuem para erigir um império de conflito e agitação, propício para aqueles que buscam corromper a ordem natural das coisas e lançar por terra tudo o que tirou a humanidade da barbárie do período pré-civilizatório. Roger Scruton, em artigo recentemente publicado, abordou essa necessidade de desapego do mundo real na busca pelo igualitarismo:

“Dessa forma, para Žižek (stalinista), o pensamento cancela a realidade, quando o pensamento está “à esquerda”. O que você faz importa menos do que o que você pensa estar fazendo, dado que o que você pensa estar fazendo tem o objetivo principal de emancipação – de égaliberté, como colocou o teórico marxista Étienne Balibar. O objetivo não é igualdade ou liberdade no sentido qualificado em que você ou eu entendemos esses termos. É a igualdade absoluta (com um pouquinho de liberdade, se você tiver sorte), que, por sua natureza, só poderá ser atingida por meio de um ato de total destruição. Buscar esse objetivo também pode significar reconhecer sua impossibilidade – não é a isso que equivalem esses projetos “totais”? Não importa. É precisamente a impossibilidade da utopia que nos prende a ela: nada pode macular a pureza absoluta do que jamais será testado”.

Sendo a família considerada a mais importante célula da sociedade, já que através dela que aprendemos a perceber o mundo e a nele nos situarmos, formando nossa identidade e dando início ao processo de socialização do indivíduo, ela não poderia deixar de ser a primeira vítima daqueles que buscam subverter o status quo. Ataque-a, e tudo o mais virá abaixo, facilitando o trabalho dos inimigos dos valores e princípios conservadores. Russell Kirk costumava afirmar que uma sociedade amoral é uma sociedade caótica, e que “independentemente do sistema político vigente, uma sociedade em que homens e mulheres conheçam as normas e respeitem as convicções de “certo” e “errado”, sempre será uma boa sociedade. Entretanto, seres humanos voltados apenas para a “gratificação de seus apetites”, produzirão uma sociedade ruim”.

Adulterar as fases do amadurecimento do indivíduo tem se mostrado, até então, uma das estratégias mais eficientes adotadas com este intuito de convulsionar a sociedade. Expondo crianças ao sexo precoce em sua infância, e privando-lhes, destarte, de uma etapa essencial de seu desenvolvimento emocional, verdadeiro alicerce do ser humano que será formado ali na frente, torna-se improvável que ele venha a reunir condições de constituir uma família.

 O resultado que se costuma observar são pessoas buscando eternamente esta etapa perdida de suas vidas, sem conseguir portarem-se como adultos, e, claro, sem demonstrar a estrutura psicológica necessária para responsabilizar-se pelo bem estar de outras pessoas – exatamente em que consiste ser arrimo de família. Adicionem-se neste caldo os filhos de adolescentes (alguns deles gerados dentro da escola – literalmente), advindos dessa mesma deturpação de padrões e costumes, e está pronto o preâmbulo de tantas histórias de “pai ausente” em nosso país. Ainda bem que a “creche estatal” sempre mostra-se solícita em acolher estas eternas crianças que sentem falta dos pais, não é mesmo? Essa indústria de massa de manobra é a única no Brasil que não sofre os efeitos da crise…

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9 comentários sobre “A Teoria do Pai Ausente Vai Muito Além de uma Simples Brincadeira

  1. Uma análise quase perfeita!
    A perfeição, como todos sabem, é uma reserva de mercado do criador de todas as coisas, essa reserva de mercado é o primeiro objeto mental, que irrita profundamente a todo comunista! Mas como, pode existir uma reserva de mercado, que engloba a raiz da existência?
    A maioria dos comunistas e seus primos socialistas, possuem sérios problemas mentais, não conseguem abstrair a posse absoluta, não reconhecem sua própria brevidade neste planeta, como um fato! Pelo contrário, querem tomar posse da idéia do absoluto, como a única maneira de definir socialmente, a natureza da matriz dos produtos sociais! É uma #obsessão !
    O primeiro objeto da destruição social visado pelo comunismo infelizmente não é a família, é a moeda! Analisando friamente este ponto de vista, não ê de se admirar que não vemos uma passeata, com milhões de pessoas protestando, contra a destruição da unidade monetária da economia! Para bancar seus projetos populistas, o governo faz arrecadação, desvalorizando a moeda de forma criminosa há anos! Ainda me lembro, quando a bancada ruralista festejava o corte de três zeros de nossa moeda! Os banqueiros também pois, seus títulos a receber do estado valiam cada vez mais numericamente! Os políticos sorriam e se imaginavam as cerejas do bolo democrático, quando empurravam, cinicamente as contas do estado, para a próxima adminstração! Os sindicatos, silenciosamente, como autarquias do estado, arrecadavam fortunas da classe trabalhadora, mas nunca defendiam regras administrativas para o estado, pelo contrário, nunca os sindicatos receberam aportes financeiros tão altos do estado!
    A maior desvalorização da moeda brasileira foi promovida por um partido “social” democrata, que em vez de cortar os “tradicionais”, 000 da moeda, simplesmente fez o povo pagar nada mais, nada menos do que 2.750,00, quase 3 vezes mais do que partidos capitalistas tradicionais promoviam! Um verdadeiro atentado financeiro contra o cidadão! Mas pior mesmo, mas pior mesmo, foi ver o primo siamês deste partido, o Partido Trambiqueiro, bradar publicamente ser contra a reindexação da economia e depois passar 13 longos anos destruindo, o que foi conquistado em termos sociais, enviando fortunas para outros países, onde a moeda tinha sido economicamente destruída!
    Esse modelo econômico é a própria fábrica de país ausentes, cada vez mais e mais, os país devem correr atrás de mais dinheiro, para suprir as necessidades de sua célula social, que é bombardeada pela necessidade de possuir recursos, cada vez mais caros, taxados por um estado, que só enxerga em seu território COLONOS e não cidadãos!
    O Brasil se tornou um estado comunista, que vampiriza uma sociedade capitalista!
    E isso é um fato inegável quando descobrimos que 33% do PIB é utilizado para sustentar uma corte feudal!
    Oh my God !

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    1. Concordo: quanto mais o Estado arroxa o cidadão e as empresas, mais estes precisam correr atrás em seus cotidianos para buscarem seu sustento – e para sustentarem uma elite sanguessuga. Isso vai, inevitavelmente, diminuir o convívio familiar. Ótima estratégia de tomada de poder: esgotando as forças do “oponente” – que é, na verdade, a galinha dos ovos de ouro. Observe este trecho de artigo do Instituto Mises Brasil, que fecha com o teu comentário:

      “Imagine que você pudesse voltar no tempo uns 50 anos. Suponha que a razão por que você está fazendo isso é para implantar políticas que irão garantir que os ricos se tornem mais ricos e que a pobreza seja perpetuada ao máximo. (Por que alguém iria querer fazer isso está além da questão).

      Quais políticas você iria implantar?

      1. Você iria querer adotar políticas monetárias e fiscais que destruíssem ao máximo possível o poder de compra da moeda.

      Os ricos, que têm acesso a aplicações bancárias e financeiras que lhes protegem contra a inflação, manteriam seu poder de compra protegido. Já os pobres, sem acesso a esses mecanismos, ficariam ainda mais pobres.”

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  2. “Família é um assunto complicado, quem não gosta mora ao lado e o mais velho mora só” (O Teatro Mágico)

    Talvez o ponto de apoio para a alavanca que destrói a família esteja justamente na sua imperfeição. Nenhuma família é perfeita e isenta de problemas. E uma criança demora muito até aprender isso e mais ainda até aceitar isso. É nesse hiato que os cooptadores agem. Todos nós temos pelo menos uma história de erros que víamos nossos pais cometendo e dizíamos para nós mesmos: “eu jamais farei isso”. Mas basta ter filhos, ou ao menos um pouco de maturidade, para entendermos os nossos pais. Assim é a vida.

    Esse hiato tem sido dilatado por essa geração “millenial” que aos 30 e tantos sequer cogita sair da barra da saia da mãe (opa, acho que cometi alguma misoginia nessa frase. Corrigindo então: “na barra da saia ou da calça, da mãe, mães, pai ou pais ou qualquer outro cuidador legalmente constituído independente de gênero de nascimento, pois o que vale é o que a pessoa se identifica”).

    De outro lado, muitos pais têm superprotegido seus filhos ao ponto da dissossiação da realidade. O protegem dos perigos da vida, mas também de críticas, de erros, de experiências negativas. Hoje já se discute sobre a ofensa que é um aluno ter a prova corrida com caneta vermelha, pois, em tese, isso evidencia o erro e traumatiza a criança. Nesse sentido há um desestímulo para que a criança largue a barra da saia da mãe (oh não, de novo…). E os protegem também dos erros da família. Quando deparados com eles, as crianças/adolescentes entram em parafuso. Está armado o cenário ideal.

    A parte triste: Não há solução coletiva. Cada pai e mãe terá que ensinar seu filho a encarar o mundo. Cada filho e filha deverá entender que não sabe tudo. É uma luta longa, difícil e que da qual dificilmente veremos os frutos. Ou isso, ou esperar o caos chegar a um ponto tão enorme que dele nascerá uma epifania coletiva que o levará a um novo “zeitgeist”.

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    1. Pois é, Leonardo. Vou botar um tempero neste teu comentário que poderia, perfeitamente, ser o artigo propriamente dito: que falta fazem umas chineladas! Tanto esta “raivinha” com os supostos erros paternos quanto esta superproteção que aventastes fazem parte do repertório dos novos métodos de criação, a partir dos quais seria proibido colocar freios nos adolescentes com um belo puxão de orelha. Daí a filha aparece grávida aos 12 anos, o filho aparece cheirando pó e daí os pais se perguntam “onde foi que eu errei?”. Simples: errou em não dar um “cobre-alinha” nos filhos quando ainda era tempo. Agora a Inês é morta…

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  3. Venho citando isso ha muito.Erich Fromm dizia isso tradicionalmente como amor incondicional (predominantemente de mae),e o amor condicional(pred.pai) Um ensina que a crianca e bem vinda e aceita ou amada no mundo,e outro diz que para continuar assim,se dar bem na vida e nos negocios tem que corresponde da mesma maneira.Somos um mix disso em cada um dos sexos.Na falta disso parentes podem substituir as posições faltantes,ou ate no caso um adulto professor,em seu curso de formacão e independencia pela nocão das coisas coceitual. A velha freudiana do inconsciente ,o id (seu vizinho) ,o superego (autoridade repressora imperativa),a formacão do ego (o pequeno eu egoista,ou autodeterminante de sua independencia do superego,ou dos pais),e por fim a consciencia de sua localizacão diante da sociedade e o mundo,com a capacidade de empatia e juizo expandido. Interessante foi Lula com pai alcolatra (desacreditado) e vida de moleque de rua com suas amizades duvidosas.Hitler odiava seu padrasto,Stalin matou seus pais!…E assim vai,ate com amigos com doses de psicopatias,neurose,sociopatias,egocentrismos,e relacionamentos complicados,decorrentes de variações dessas duas representações familiares.O que me preocupa e que sendo cristão,Erich Fromm foi um dos fundadores da sociedade Fabiana,da escola de Frankfurt (Fleury)

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