Haddad Resolve “Proteger” os Paulistas do Dumping e do Monopólio. Obrigado Por Nada, Prefeito!

capitalismo-globalizacion

 

Está lá no portal G1: Fernando Haddad resolveu sobretaxar motoristas do Uber que rodem acima de uma determinada kilometragem periódica. O motivo, segundo consta, seria proteger os usuários. Nas palavras do prefeito:

“A mudança, segundo o prefeito Fernando Haddad, é uma forma de incentivar a concorrência e evitar que uma empresa específica monopolize o segmento. “A ideia não é tornar o serviço mais caro para o consumidor. É tornar a concorrência mais leal entre os aplicativos”, disse. Para ele, o Uber tem um percentual “exagerado” do mercado.”

g1

Já que a Globonews não convidou nenhum economista da Unicamp para aplaudir, digo, comentar a notícia, eu mesmo irei fazê-lo. E não irei ater-me à questão do transporte, visto que a ideologia intervencionista que permeia esta medida costuma ser adotada para todas as ações dos entes públicos no Brasil na área econômica.

Quer dizer que elevar os impostos de um determinado segmento, dentro de um certo setor produtivo, consiste em incentivar a concorrência? Estranho, porque para mim parece exatamente o contrário. O Uber estava consquistando largas fatias do mercado porque assim queriam os consumidores. Eles são os senhores da razão que devem definir quem vai atender às suas necessidades. Normalmente, irá lograr êxito aquele empreendedor que melhor agradá-los, dentro de critérios subjetivos e inquestionáveis empregados pelos usuários – e que não se resumem ao preço praticado. E assim essa empresa e seus parceiros autônomos vinham fazendo.

O receio do prefeito, aparentemente, é que este processo acentue-se a tal ponto de restar apenas um fornecedor do serviço, tal qual ocorre, por exemplo, com o Google search. Sim, esta ferramenta de busca virtual é praticamente uma monopolista em seu nicho de mercado. Seguindo o raciocínio de Haddad, ela poderia, tão logo abarcou praticamente todos os interessados no bem que ela produz (em torno de 100% da população do planeta), cobrar o preço que bem entendesse, correto? E o que se observa na prática: o serviço ainda é gratuito, bem como vários outros recursos por ele ofertados. Pontos de interrogação pululam nas mentes daqueles cujos corações amam a figura do Estado como resolvedor de todos os conflitos.

Acontece que o Google é um monopolista natural – ou seja, não adquiriu tal condição valendo-se de conluios com o poder público que visassem criar barreiras à entrada de novos investidores em sua atividade. E assim segue sendo até hoje: a plataforma que a empresa oferece agiliza diversos aspectos de nossas vidas, e sem custo algum. Se ela, portanto, valendo-se desse status, resolvesse extorquir seus usuários, acabaria por gerar, ato contínuo, uma demanda por um produto similar gratuito, tal qual as pessoas já estão acostumadas a usufruir (normalente o lucro da companhia vem dos anunciantes). Em pouquíssimo tempo, novos mecanismos do gênero surgiriam, para os quais os clientes do Google migrariam imediatamente. E estaria acabado o monopólio.

Esta política comercial antidumping ainda encontra defensores a partir da seguinte premissa: em alguns setores, caso o monopolista passasse a abusar de sua condição, levaria tempo demais até que novos empreendedores se estabelecessem, gerando prejuízos aos cidadãos. Ora, este ínterim será tanto menor quanto mais fácil for empreender no país. Se abrir uma empresa continuar sendo uma verdadeira aventura ingrata por uma selva de legislação incompreensível e regulação arbitrária, conjugada com preço de capital (juros) estratosférico e insegurança jurídica, de fato, apenas alguns poucos bem-aventurados alcançarão a façanha de constituirem empresas.

Haddad ainda faz questão de ressaltar que a medida não visa incrementar a arrecadação da prefeitura. Bom, se é assim, ele poderia alcançar seu objetivo reduzindo as taxas cobradas do motoristas de táxi, pois não? Tal comportamento lembra em muito as barreiras protecionistas adotadas em nosso país (impostos de importação elevados e procedimentos alfandegários intermináveis) sob o argumento de que nossas empresas teriam dificuldade em concorrer com fornecedores similares do exterior. Não seria o caso, então, de retirar dos ombros das companhias nacionais algumas dessas dificuldades, as quais são causadas, em sua quase totalidade, pelo próprio Estado? Desta forma, elas seriam capazes de modernizar-se e competir em pé de igualdade com as rivais estrangeiras.

Para tal, elas precisariam minorar preços e melhorar a qualidade dos bens produzidos – o que hoje é impossível diante da carga tributária escorchante e outros fatores concernentes à intervenção estatal. Algumas iriam atingir patamares de produtividade e lucratividade até então inimagináveis, outros viriam a falir, e todos os brasileiros gastariam menos para adquirir produtos superiores.

Ou seja, a regulação imposta pelo prefeito de São Paulo causa um empobrecimento geral da população, que, ao dispender mais dinheiro para seu transporte, vê sua capacidade de poupar reduzida – e somente a elevação dos níveis de poupança são capazes de permitir a redução das taxas de juros de forma sustentável. Além disso, tal capital economizado seria inevitavelmente aplicado em outras transações, gerando emprego em diversos setores – estes sim, eleitos espontaneamente pelos consumidores para sobreviverem no livre mercado – e girando a roda da economia de forma muito mais eficiente que a administração municipal consegue fazer com os mesmos recursos (vide o escândalo da “máfia da merenda” nesta mesma cidade, dentre tantos outros episódios de desperdício e desvio das verbas recolhidas junto aos pagadores de impostos).

Ainda dá tempo de revogar este ato normativo até dezembro, Haddad. A população agradeceria imensamente. Seria uma despedida honrosa – na medida do possível, claro.

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7 comentários sobre “Haddad Resolve “Proteger” os Paulistas do Dumping e do Monopólio. Obrigado Por Nada, Prefeito!

  1. Eles, tipicamente, produzem diagnósticos errados. Como resultado, ministram “remédios” errados. Aumente-se a escala (ou o foco) e temos então o que fizeram do Brasil nestes últimos anos.

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  2. Ainda tem o detalhe, que vai ser meio dificil de se controlar esses kilometros excedentes, pois os usuários podem facilmente combinar para de “reduzir” o trajeto real. E talvez até possa ser esse o objetivo (fraudar o Uber).

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  3. Quando trabalhei com sonorização de eventos, lembro de que no meu treinamento ouvi a seguinte máxima: “Ao invés de adicionar as frequências que estão faltando, corte as frequências que estão sobrando”. Ou em “leiguês”: Se o som estiver muito agudo, não se deve colocar grave, mas sim, cortar os agudos. Essa foi umas daquelas frases que a gente leva para a vida e acaba usando ela para tudo, cotidianamente.

    Em que pese as diferenças inerentes entre os exemplos, concordo integralmente com o texto: se o objetivo é proteger os usuários, ao invés de acrescentar o que não se tem (mais taxas a quem ainda não paga) que se corte o que está excedendo (menos taxas a quem já paga). A intenção será a mesma, mas o resultado final será diametralmente diferente.

    Ou então não minta para a população ao dizer que o fito não é arrecadatório. Como eu sempre digo, quer me extorquir, o faça. Mas ao menos olhe na minha cara enquanto faz isso e respeite a minha inteligência.

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  4. De qualquer forma tem que se tomar muito cuidado com Petistas e seus satélites (sobretudo PCdoB, UJS), no futuro e atualmente.
    Vejo muita coisa do Petê. Escrito por Petistas, históricos ou jornalistas.

    Eles adoram, amam mesmo, veneram dizer que a mídia é uma arma golpista. Que a mídia é isso, que a mídia é aquilo.

    Criaram até o termo “midiota”, para se dirigirem a qualquer opositor a Dilma e ao anti-Petismo e ao anti-populismo esquerdalha atrasado. Mas esses blogs Petistas fingem esquecer (sempre fingem), exatamente, de que estão utilizando para falar mal da mídia a mídia, compreendem? O que é um “blog” senão um dispositivo midiático???

    Dizem eles que está havendo um “grande” «Golpe da Mídia» (termo petista), mas os vídeos petistas são também mediáticos, são mídia também… Não seria se tivessem falando em praça pública, sem mediação videográfica — direto ao público, sem gravação. O Youtube é mídia. A Internet é um dispositivo mediático. E vários blogs petistas [Tijolaço, Nassif, 24/7, Carta Capital etc. etc.] são também “Grande Mídia”, patrocinada até a pouco pela Petrobras… PT acha que o povo é otário. Mas os Petistas acreditam nesse papo furado, e o reproduz nas variadas mídias sociais (Facebook, G+, Twitter etc.). Petistas são alienados mesmo.

    E quanto a Dilma está é aqui: Um produto a ser vendido e consumido. Apenas isso. E haja publicidade! Desgastante. Veja. Eis:
    DANONINHO, PT, LULA, DILMA, REQUIÃO, KLEBER MENDONÇA, PSEUDO-INTELECTUAL:
    O PT ainda continua perfeitamente astuto e sutil, quase invisível em seu ilusionismo. Pratica qualquer NARRATIVA para estar no poder.
    Narrativas publicitárias que USURPAM o pensamento, mentes e convencem “intelectuais” a comprar o produto. Vigilância e controle ideológico. Dentro das Universidades, nas ruas, botons, autoadesivos, blogs espertalhões, artistas puxa-sacos, discursos manipuladores, «lavagem cerebral».

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    Mia, bebe leite, tudo indica que é um gato; mas o PT afirma: é um cão.
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    “””Golpe”””, com toda certeza, é um clichê publicitário, é frase-pronta, imagem estereotipada e montada a priori (nessa altura, provavelmente, recomendada por algum marqueteiro, tal qual João Santana. Semelhante a ele. Senão, ele próprio): frases clichês tais quais: “Danoninho vale por um bifinho”.

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    1. Guilherme Boulos, um stalinista, escreve na “mídia golpista e oligopolizada”. A tal Mídia Ninja é financiada pelo George Soros. São apenas dois exemplos da incoerência dessa gente. Um abraço.

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