Jornal Nacional: “Brexit é extrema direita”

Artigo publicado no portal parceiro deste blog Voltemosadireita.com.br:

O JN de 28/6 veiculou longa reportagem sobre o resultado do plebiscito cujo veredito foi retirar o Reino Unido da União Europeia. Na matéria, a vitória do Brexit (abreviação de Britain + Exit, ou seja, saída britânica) é coisa da extrema direita.

Impregnado da linguagem corretamente política e de apoio tácito a globalistas e unificadores de nações, o JN se esforçou para mostrar que, caso o Parlamento Inglês assine embaixo da vontade popular, as trevas retornarão à Europa. Para o JN e para muitos da mídia, como a ISTO É, os que votaram pela “saída” são ignorantes, atrasados, preconceituosos, racistas, homofóbicos, xenófobos, etc. “É extrema direita, gente. Vai esperar o quê?” Nada mais distante dos fatos.

Nesse caso, a vontade popular, o desejo de pessoas de carne e osso, muitos dos quais pobres, foi decisiva. E isso é importante. À semelhança da ONU, com seu governo administrativo que não passa por estâncias participativas, a União Europeia, apesar de ter parlamento, não é vista, sobretudo pelos ingleses mais pobres, como canal democrático efetivo. O povo disse não.

Na verdade, a federação composta por quatro países, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, disse não à União Europeia por pelo menos duas excepcionais razões.

A primeira. O intervencionismo do governo europeu, a partir de Bruxelas, considerado muitas vezes antidemocrático.

A segunda. A quantidade de migrantes – europeus, melhor dizendo – que foram morar no Reino Unido, competindo por emprego, saúde e escolas. A vida cotidiana foi atingida por umtsunami demográfico e social. O povo disse não. Em poucas e boas palavras: a liberdade e o bolso dos britânicos foram atingidos. Quem suporta esse tipo de compressão por muito tempo?

Além de tudo, há um fato central lembrado por especialistas em Inglaterra – a maioria dos que disseram “não” foi de lá. Não existe festa de independência para os filhos da rainha. É como se dissessem ao Parlamento europeu: “sempre fomos livres!”. Somado a isso, o Reino Unido pode manter relações com a União Europeia e continuar no Mercado Comum, sem, contudo, participar da estrutura política de Bruxelas.

Em outro front, muitos analistas têm feito previsões apocalípticas de que a modernidade perdeu, a livre circulação de mercadorias e pessoas levou um duro golpe e outras profetadas do tipo. O que vejo como consequência é que (em efeito talvez não visualizado por conservadores e pela “extrema direita” do JN), parte da chamada civilização ocidental pode enfraquecer perante chineses e islâmicos. Porém, qual remédio, por mais eficaz que seja no combate à doença, não traz consigo pelo menos irritação estomacal?

Brexit foi Vox Populi, é verdade, mas pode trazer consigo algum mal embutido. Entretanto, nesse mundo de meu Deus, o que não traz risco? Melhor afastar o mal atual do que esperar pelo bem num futuro incerto. Se, segundo o JN (28/6) – em tentativa implícita de manobrar a opinião pública brasileira – isso é ser extrema direita, por que não?

Pra frente, Brexit!

Por Pr. Marcos Paulo Fonseca da Costa

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4 comentários sobre “Jornal Nacional: “Brexit é extrema direita”

  1. A imensa maioria das pessoas não tem muita noção do que significa ser de direita (ou de esquerda). E os jornalistas do grupo Globo – TV aberta, Cabo e Jornal – fazem parte dessa imensa maioria, com raras exceções. Até aí, é uma mera – mas não desimportante – questão de ignorância mesmo sobre o assunto – fruto da preguiça mental, cabe dizer, pois todos eles têm acesso à internet, para dizer o mínimo. Outra questão é a ma-fé, a deliberada ação para mudar, aos poucos, a semântica dos termos. (Esse processo foi diligentemente levado a cabo pela esquerda no Brasil, mas não só aqui.) Ser de extrema-direita (isso inexiste no Reino Unido, ao menos inexiste organizado em partidos) não é o mesmo que ser “muito de direita”. Por outro lado, não se vê demonização da extrema-esquerda. Por que será…?
    Um abraço.
    PS: Recomendo a leitura do artigo “O projétil europeu”, do João Pereira Coutinho. E para os jornalistas da Globo, qualquer obra do Roger Scruton sobre filosofia política.

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    1. Pois é, Alexandre, imagina se eles vão afirmar no JN que o Comunismo ou a extrema-esquerda levou a Venezuela ao caos, por exemplo…nem a pau! Vou ler o artigo referido, valeu pela dica. Roger Scrouton é muito bom mesmo, já li “como ser um conservador”.

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      1. Scruton é aquele tipo raro de intelectual. (Tipo ao qual o Brasil não está acostumado.) Domina o suficiente de várias áreas do conhecimento, tais como a filosofia, a sociologia, a história, e a economia, a ponto de conseguir fazer as conexões realmente importantes entre elas – ou seja, o conhecimento é sólido, pois não está solto no ar. Não bastasse isso, seu texto é extremamente elegante e sofisticado, sem que perca em clareza – ao contrário. Recomendo dele também o “O que é o conservadorismo”. Um abraço.

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      2. Outro autor que ganhou meu respeito foi Theodore Dalrymple, com seu livro “Em Defesa do Preconceito – A Necessidade de se ter ideias Preconcebidas”. Ele embasa seus posicionamentos em sua experiência prática como psiquiatra no Reino Unido, recomendo. Abraço

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