Mobilidade Social: uma Escalada sobre-humana no Brasil!

Pirâmide Social

“O sucesso acontece quando a preparação encontra uma oportunidade”. Esta afirmação, de tal sorte sábia e rica em significado, costuma ser a preferida de pessoas que atingiram o ápice em suas áreas de atuação profissional, incluindo neste rol desde jogadores de futebol a proprietários de grandes redes comerciais – especialmente aqueles que começaram de baixo. Muito justo: qualquer um que procure evoluir, a base de esforço, dedicação e riscos, e obtenha êxito em sua trajetória, merece mesmo o devido reconhecimento – e ser premiado por isso. Mas será que agendar este encontro entre preparação e oportunidade, no Brasil, é tarefa simples de executar?

Nem de longe, sabemos. E, justamente por isso, a ascensão social de pessoas de menor renda costuma esbarrar em diversos obstáculos antes que elas, ao final, desistam e comecem a descer (ou rolar) pirâmide abaixo de volta – e a queda costuma ser dolorosa.

O primeiro e principal instrumento que pode (ou poderia) permitir que um cidadão menos abastado ascenda de classe social é a educação, sem dúvida. E prover os meios para que pessoas que não podem arcar com os custos do ensino privado possam estudar é tarefa do Estado, por certo. Todavia, o modelo adotado em nosso país, desde sempre, para a consecução deste objetivo, no qual a educação pública é fornecida pelo governo de forma DIRETA (por meio de escolas públicas), tem entregado resultados “pouco satisfatórios” – muito embora os resultados dos alunos brasileiros nos exames do PISA permitissem que fosse utilizada expressão bem mais contundente.

E não adianta perder tempo discorrendo aqui sobre todas as falhas na gestão da educação pública em nosso país (não há que se falar em falta de verba, uma vez que o Brasil investe percentual do PIB superior à média dos países da OCDE) sem assinalar, primeiramente, que o Norte da bússola que vem guiando nossos educadores aponta, em verdade, para o Sul. Enquanto essa realidade demonstrada em pesquisa do instituto CNT/Sensus – realizada com professores da rede pública – perdurar, pouca ou nenhuma eficácia poderá alcançar qualquer medida, por mais bem intencionada que seja:

“para 78% dos professores entrevistados, o papel mais importante da escola é “formar cidadãos”. Apenas 8% responderam que a missão principal da escola é “ensinar as matérias”. A metade desses mesmos educadores respondeu que o discurso dos professores em sala de aula é “politicamente engajado”, 30% disseram que é “às vezes engajado” e somente 20% dos professores afirmaram ser “neutro”.

Ora, se apenas 8 em cada 100 professores considera que boa parte da vida de nossas crianças e jovens deve ser consumida em sala de aula para transmitir conhecimento empírico e, desta forma, prepara-los para o mercado de trabalho, fica complicado ter esperança em dias melhores. Seria o equivalente a um policial não responder que sua principal missão é proteger a vida dos cidadãos, ou um goleiro dizer está em campo para qualquer coisa que não seja evitar gols do adversário, em primeiro lugar.

Então, se a prioridade não é desenvolver o intelecto dos alunos, acaba sobrando tempo (e recursos públicos) para “outras atividades” – apenas eufemismo para doutrinações ideológicas. Muito Roberto Freire e pouca Matemática, Física e Biologia. Mais ou menos assim:

https://www.youtube.com/watch?v=iKcWu0tsiZM

E aí estamos diante da principal justificativa para que o Brasil adote, gradativamente, o sistema de vouchers na educação, já utilizado, por exemplo, em países como Chile, Canadá, Suécia, e em alguns estados Americanos, com ótimos resultados.

O raciocínio não é muito diferente de um vale-refeição fornecido por um empregador: em vez de construir um refeitório, por vezes vale a pena apenas entregar um documento que autoriza o trabalhador a almoçar onde ele achar melhor. Na educação, tal expediente ainda tem o condão de gerar competição entre as escolas (inclusive as públicas, que passam até mesmo a correr o risco de serem fechadas, caso ocorra uma evasão significativa de alunos em busca de mais qualidade), e de estimular os alunos a estudarem, pois normalmente tal sistema premia com vales de maior valor aqueles com melhor aproveitamento escolar no ano anterior – o que permite escolher escolas mais bem avaliadas e caras. Ou seja, até mesmo uma criança de uma família de baixa renda passa a ter a possibilidade de vir a estudar em uma boa escola particular, caso faça por merecer.

Em seguida, após concluir sua educação, o alpinista social vai precisar de oportunidades para trabalhar e progredir na vida, seja como empregado, seja como empreendedor. E aí começam (ou continuam) as más notícias: desemprego ultrapassando a casa dos 11,5% da população economicamente ativa; a Indústria (onde são gerados os empregados de maior qualidade, que exigem mais preparação) recuando 7,2% em 12 meses; juros altos e muita burocracia como empecilhos para iniciar uma empresa. Enfim, o cenário desolador gerado por muitos anos de “nova matriz macroeconômica”, com o Estado assumindo o papel de motor da economia – até o carburador fundir e o país ficar na estrada.

O resultado? Alunos desmotivados em buscar qualificação profissional (para que estudar tanto, para depois ficar desempregado ou trabalhando na informalidade, a base de bicos?); emigração de nossos melhores estudantes em busca de oportunidades no exterior, especialmente no campo científico, notadamente para Canadá e Austrália; e, claro: nada de ascensão social!

É válida, pois, a seguinte ponderação: será que precisaríamos de sistemas de cotas (como para admissão no ensino superior, ou para ingresso no serviço público), se às pessoas, desde o princípio, fossem dadas as ferramentas para subir por conta, independente de sua classe social? Ou por outra: Se a tarefa de preparar-se e encontrar uma oportunidade de sucesso não fosse tão obstaculizada pelo Estado, não estaríamos bem mais próximos de uma realidade de mobilidade social constante, e menos influenciada pela condição financeira das famílias?

Salvo engano, essa é, justamente, uma das reinvindicações dos militantes de Esquerda. Todavia, neste pacote de construção de uma sociedade mais igualitária, exerce importante papel a redução do tamanho do Estado, para que este gaste menos tirando recursos da inciativa privada, e permita que esta assuma muitas das tarefas hoje desempenhadas por ele. E aí, vale a pena cortar “na própria carne” em benefício dos menos afortunados? Parece-me que sim.

Portanto, da próxima vez que o leitor se deparar com casos de desigualdade social, ou ainda com situações em que as mesmas famílias mantem-se na elite por gerações, lembre-se que boa parte da responsabilidade por essas distorções é justamente do elefantismo da administração pública, que impede, com sua atuação desastrosa, a escalada na pirâmide social – pelo menos no sentido ascendente.

O povo brasileiro é reconhecido por sua capacidade de inovar e empreender. Muitos empresários de sucesso começaram da estaca zero em nosso país. Também são muitos os casos de pessoas humildes que galgaram cargos de grande relevo em empresas de renome. E isso pode continuar a acontecer, porém em muito mais larga escala, o que permitiria que, através do trabalho duro e perseverante, as pessoas alternassem seu status social, de acordo com seu merecimento (pra não usar a palavra mérito, praticamente um sacrilégio para alguns). A única condição para tal é que o Estado pare de representar uma verdadeira avalanche de percalços na escalada dos cidadãos.

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