Como Formam-se os Preços – e os Casais!

 Melhor Preço

Há certas ocasiões em que tanta coisa já foi dita sobre um determinado evento, que tudo aquilo que pensamos e poderíamos ter dito sobre o fato já foi falado, ou escrito. É o caso do estupro da adolescente do RJ, que ganhou a mídia nos últimos dias. De qualquer forma, aproveito o ensejo para ilustrar como o respeito a uma determinada regra do livre mercado, quando aplicada a relações interpessoais, pode ajudar a evitar que abusos (de toda ordem) ocorram: a formação de preços. À primeira vista, pode parecer pouco sensível comparar pessoas a commodities, mas vos garanto que, na realidade, nós fazemos isso o tempo todo, de forma intuitiva.

Vamos imaginar uma situação bastante corriqueira na elucidação: uma festa com homens e mulheres, todos solteiros. Antes de prosseguir, justifico o porquê de usar uma situação tão trivial: o capitalismo não consiste em um sistema implantado por uma autoridade, mas sim em um processo natural de trocas voluntárias – diferentemente do comunismo, o qual precisa ser imposto, de cima para baixo, e de forma autoritária, “se preciso for” (acredite, não é uma coincidência ou simples falta de sorte que toda experiência socialista termina como uma ditadura comunista).  Assim sendo, quando mais prosaica a situação hipotética, melhor. No caso, o caráter essencialmente voluntário das trocas capitalistas também desempenha importante papel na metáfora.

Consideremos que, em uma determinada noite, 40 homens e 10 mulheres compareceram a uma “balada”, e que cada um dos solteiros gostaria de ir embora acompanhado por uma mulher. Desnecessário dizer que, nas circunstâncias, o “preço” de conseguir tal proeza tornou-se bem alto, já que há muita demanda e pouca oferta – os elementos básicos da composição do preço no livre mercado.

Diante deste cenário, as mulheres não apenas podem, mas DEVEM ser muito exigentes na escolha do parceiro, pois desta forma estarão prestando dois serviços essenciais ao “mercado de solteiros”:

  • Alertar a todos sobre a escassez de mulheres na festa: basta comparar com a recente mudança na política tarifária da energia elétrica na Argentina. Durante o governo populista dos Kirchner, havia forte subsídio estatal (leia-se: o Estado retirava dinheiro dos pagadores de impostos, e usava para abater a conta de luz dos… pagadores de impostos!), o que fazia com que até os ricos pagassem pela conta de luz o equivalente a dois litros de leite. O resultado? Desperdício de energia elétrica e, claro, apagões. Só agora os Argentinos reaprenderam a reduzir o consumo de luz, e a administrar esse produto escasso – graças ao “aviso” (cortados os subsídios, o preço subiu) enviado por Macri e sua equipe econômica.

Repare-se também na semelhança com o desabastecimento enfrentado pelos Venezuelanos, gerado, inclusive (mas não somente), em decorrência do tabelamento de preços (ou seja, o governo passa a mensagem errônea de que os produtos não estão escassos, provocando fome e suscitando um mercado negro de comida) determinado por Maduro.

  • Incentivar a competição entre os pretendentes: Não há melhor mecanismo de estímulo à produtividade do que premiar o esforço e o mérito. E aqui não é diferente: certamente, os solteiros vão ter que “rebolar” (talvez até literalmente) para não irem embora sozinhos. Se não houver “jogo duro” por parte das solteiras, não haverá motivo para empenho, em breve todas estarão acompanhadas, e a escassez de mulheres se fará sentir rapidamente. É assim que grandes empresas, que oferecem excelentes carreiras e altas remunerações (cuja relação entre candidatos e vagas vai muito além deste mero 40/10), selecionam seus empregados: sabedoras da forte demanda por seus cargos, exigem muito dos aspirantes, o que lhes motiva a procurar evolução e capacitação profissional.

Mulher sendo cortejada

Aqui, nota-se que houve a formação de um oligopólio natural, ou seja, um pequeno número de mulheres “domina” a festa, mas isso não é decorrência de nenhuma determinação legal. Vale dizer: ninguém proibiu mais mulheres de comparecerem ao evento. Ao mesmo tempo, nenhum fator impede que os solteiros saiam do estabelecimento e dirijam-se a outro recinto mais frequentado por solteiras (o que é bastante comum, a propósito). Todos estão ali de espontânea vontade, e da mesma forma permanecerão – ou não.

Percebam quanta diferença quando comparamos, por exemplo, com o serviço de táxi, um bom exemplo de um monopólio artificial. Existem barreiras legais à entrada de novos motoristas na atividade econômica (permissão da prefeitura), o que impede os usuários de optarem por outro serviço do gênero. Eis por que a grita foi tão alta com o surgimento de serviços como Uber e Willgo, pois eles quebraram um monopólio “no muque” (nem pediram licença para entrar). E melhoraram nossa vida, enfatize-se – pelo menos enquanto as prefeituras não “regularem” esses serviços (leia-se: taxarem-lhes até os olhos, para não ficar “injusto” com os taxistas; a alternativa de aliviar a tributação dos táxis, nem se cogita, óbvio).

Mas e se o dono da casa noturna quiser dar uma “forcinha” aos solteiros (pensando, claro, em seu próprio benefício), aumentando o número de solteiras na festa? É possível, com certeza. Mas seria algo desejável? Vejamos.

Tal atitude caracterizaria, na economia real, uma intervenção do Estado, sob a forma de subsídios a determinados setores e empresas. Podemos pensar em exemplos positivos, como a implementação da Zona Franca de Manaus (fosse um expediente apenas temporário, seria ótimo), ou então da “guerra fiscal” entre estados ou municípios. Na prática, o empresário precisaria conceder algum benefício às mulheres, como pagar menor valor na entrada, ou simplesmente não pagar. Como dinheiro não surge do nada (a não ser quando o governo imprime moeda), os solteiros iriam arcar com o custo desse privilégio, pagando mais caro para entrar.

Tal prática é utilizada com habitualidade por empreendedores do ramo, e costuma trazer bons resultados. Atrair determinados investidores diminuindo a margem de lucro costuma ser feito por governantes também, ao passo que outros preferem espantá-los com cobranças exorbitantes de toda ordem. Trata-se de medida que pode, até mesmo, ajudar a combater o trabalho em condições degradantes, em rincões longínquos do Brasil (estimulando mais empreendedorismo nessas regiões, gerando empregos e dificultando, assim, a vida de verdadeiros “coronéis” e “barões” destes confins).

Cabo de Guerra

Então, tudo certo! Desde que esse empresário não faça nenhum lobby junto ao poder público e coloque-se em vantagem competitiva indevida em relação às demais casas noturnas da cidade, sem problemas. Essa disputa entre os estabelecimentos favorecerá todos os clientes, e todos os gostos e bolsos serão contemplados.

 O que não estaria nada certo, em hipótese alguma? O empresário permitir que, diante da circunstância, assédio sexual ocorra em seu estabelecimento. A segurança das hipossuficientes e vulneráveis (no caso, as mulheres) deve ser garantida pelo proprietário, tal qual é dever do Estado (positivado em leis como a Maria da Penha).

Mais estapafúrdio ainda seria ele determinar que as solteiras não pudessem recusar investidas de solteiros! Pode soar surreal, mas não é muito diferente do que ocorre nos casamentos arranjados da Índia, do Orienta Médio e alguns países Africanos. É difícil me convencer que obrigar uma mulher a casar com um homem que, muitas vezes, ela sequer conhece, não caracterize estupro – ainda que ocorra por preceitos religiosos.

Felizmente, estamos no Brasil (e no Ocidente, bom frisar), e aqui, caso tal disparate ocorra, as mulheres, na melhor das hipóteses, apenas deixarão de frequentar a casa noturna; na pior, chamarão a polícia e os meliantes serão conduzidos à delegacia. E eles que rezem para não irem parar na cadeia por esse motivo…

Casamento arranjado

Se esse processo todo, em que solteiros buscam solteiras, e investidores buscam lucros, formando, assim, preços no mercado, é visto como natural por boa parte da gente, por que ocorre tão frequentemente a demonização do capital?

Meu palpite: o que incomoda a maioria das pessoas não é a desigualdade financeira, mas a impossibilidade de uma vida digna por muitos que compõem a base da pirâmide social. Ora, mas isso é fácil de resolver: mais livre mercado! Quem se der ao trabalho de procurar o ranking Heritage de Liberdade Econômica (facilidade de abrir e fechar empresas, legislação trabalhista, carga de impostos, burocracia, etc.) vai perceber a correlação positiva com os níveis de IDH (índice de desenvolvimento humano) e de emprego, ou seja, baixa taxa de desemprego. Assim como na economia Liberal, na vida afetiva “há sempre um chinelo velho para um pé cansado”, como diz o provérbio português.

O importante é que todos possam ter o mínimo para viver bem, pouco importando quanto tem os que compõem o topo da pirâmide. Mas é claro que sempre haverá quem olhe com olhar invejoso para alguém dirigindo uma Lamborghini, ou para algum casal feliz. Bom, se não existisse inveja, não haveria Comunismo…

Inveja Leleco

Para finalizar, eu ouvi muitas pessoas afirmando que no Brasil há uma “cultura de estupro”. Nem vou entrar no mérito se a assertiva é procedente ou não. Vou apenas sugerir, para quem está preocupado com isso, que estimule o Conservadorismo no Brasil! Sim, não há quem possa tratar melhor uma mulher do que um conservador. E hoje, infelizmente, muitos olhares tortos são desferidos quando se menciona estas palavras. “Too bad”, como dizem os “imperialistas Ianques”.

Um último conselho às solteiras: “avaliem e precifiquem” seus possíveis companheiros sem nenhum medo de estarem sendo preconceituosas. Andar com traficantes de drogas que postam fotos empunhando fuzis aumenta (bastantinho) as chances de acontecer algo MUITO ruim – seja lá o que for. Talvez esta garota carioca tivesse escapado da tragédia se tivesse ouvido falar sobre o psiquiatra Theodore Dalrymple, e sua análise a respeito do aumento da violência doméstica, em período recente, na Grã-Bretanha: “Elas aceitaram, talvez sem saber, o preconceito moderno contra o preconceito (casaram com homens que já haviam batido em ex-esposas), preconceito esse que, no caso delas, poderia tê-las poupado de espancamentos, e por vezes da morte.”

E de estupros.

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10 comentários sobre “Como Formam-se os Preços – e os Casais!

  1. E se o dono da casa resolve fazer uma cota para solteiros feios, os clássicos “komininguem”, uma tribo muito famosa e frequentadora da balada? Qual efeito daria no mercado da solteirice?

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  2. Ninguém trata melhor uma mulher que um conservador.
    Verdade. Tenho exemplos de quatro gerações: meus avós, meu pai e meu filho.
    Dizem que fui mimada. Ótimo! Isto me livrou de virar feminista!

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  3. Nossa, adorei seu blog/posts! Mais didáticos, impossível! E atesto: meu pai conservador me ajudou (sem querer) a escolher um marido TOP (conservador, claro…)

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