“…O Empresário acha que o Dinheiro é dele…”. ACHA?

YDBTF

Muito já foi dito, transcorridas quase duas semanas desde o fato, a respeito da cusparada do ator José de Abreu contra um casal de, segundo ele próprio, “coxinhas”, bem como sobre sua “palestra” proferida domingo retrasado à tarde durante o programa do Faustão – a qual constituiu, em verdade, propaganda gratuita para o PT, oferecida sem custo algum pela “golpista” rede Globo. Todavia, de todo o rol de disparates emanados daquele senhor em horário nobre e em TV aberta, o qual sintetizou com bastante eficácia toda a mentalidade tacanha da Esquerda brasileira, uma me chamou atenção, e parece ter passado despercebida de todos: ao defender a lei Rouanet (a partir de 01:30 no link abaixo), o petista dispara a seguinte observação, talvez por ato falho, ou talvez por não ter vergonha alguma por dizer algo do gênero: “é difícil captar (dinheiro para patrocinar eventos culturais), o empresário não quer, o dinheiro é dele, ele ACHA que o dinheiro é dele”.

Ato reflexo, recordei-me da máxima que vem sendo repetida à exaustão pelos Democratas americanos desde a campanha de reeleição de Obama em 2012: You didn’t build that! Para quem não está familiarizado, trata-se de uma teoria segundo a qual o sucesso de um empreendimento econômico não depende do esforço individual, mas sim de ações governamentais. Achou parecido com a mentalidade em voga no Brasil desde a ascensão do PT ao poder? É porque é parecido mesmo! Reparem na transcrição do discurso abaixo.

“Se você é bem sucedido, alguém ao longo do caminho deu-lhe alguma ajuda. Houve um grande professor em algum momento de sua vida. Alguém ajudou a criar este inacreditável sistema americano que temos, o qual lhe permitiu prosperar. Alguém investiu em estradas e pontes. Se você tem um negócio – você não o construiu. Alguém fez isso acontecer. A Internet não se inventou por conta própria. Pesquisas do governo criaram a Internet, para que todas as empresas pudessem ganhar dinheiro com ela.”

Como se vê, a Esquerda de lá e daqui concordam neste ponto: não interessa se o empresário correu todos os riscos de perder os recursos investidos em seu negócio; se trabalhou com afinco e dormiu quase nada durante anos até ver seu empreendimento dar resultado; se pagou impostos de altíssima monta a cada etapa de seu processo produtivo; se empregou inúmeras pessoas diretamente, e tantas outras indiretamente; se ajudou a desenvolver a região onde se localizam seus empreendimentos; nada disso vem ao caso. Como este empresário utilizou, para o transporte de seus produtos, as estradas construídas pelo governo; para a alimentação de suas máquinas, energia elétrica produzida por estatais; para o resfriamento dessas máquinas, água fornecida pelo Estado; enfim, contou com todo um aparato estatal sem o qual seu sucesso não teria sido alcançado, então aquele empreendimento não seria dele, e toda a sociedade teria direito a uma parte de seu faturamento, correto?

Só faltou trazer à baila o fato de que este empresário pagou, e segue pagando, muito caro por todos estes serviços, ao longo da cadeia produtiva. Ou seja, o sucesso empresarial, no Brasil em especial, ocorre APESAR da presença do Estado, com sua taxações desmesuradas e complexas, regulações esquizofrênicas, desleixo com a dívida pública, e sua incapacidade de devolver a este mesmo empresário – na forma de boa infraestrutura, trabalhadores com educação de alta qualidade, redução da burocracia estatal, etc – tudo aquilo com o que ele contribui para a administração pública. Quem sabe o próprio apresentador do programa, renomado empresário da área da propaganda, que fatura muito com suas ações de marketing, pudesse ter defendido sua classe.

É imperativo ressaltar aqui que os processos produtivos são elaborados e postos em prática pelos agentes do livre mercado, e não por entes governamentais. A intricada engrenagem que faz com que produtos e serviços sejam cada vez mais acessíveis a todos – a tal ponto que até mesmo pessoas de baixa renda hoje vivem melhor do que o Rei Luis XV – em nada dependem da vontade do Estado, mas sim de uma busca articulada e incessante dos indivíduos por meios para sua própria subsistência. Nada melhor do que a “história do lápis”, contada por Milton Friedman, e materializada neste vídeo, para enxergar melhor tudo isso:

A seu turno, José de Abreu considera, aparentemente, que o empresário deveria, compulsoriamente, atender a todo e qualquer pedido de patrocínio de eventos culturais, ainda que não haja margem para tal nas finanças da empresa, que esta empresa não queira ver sua marca associada a determinado evento, ou que outros motivos de natureza diversa o impeçam de conceder o patrocínio. Afinal, o empresário apenas ACHA que o dinheiro é dele. E em função desta ganância do empresariado, a lei Rouanet seria de tanta importância, já que, uma vez aprovado o projeto junto ao Ministério da Cultura, o financiamento do evento está garantido: o proponente é autorizado a captar recursos junto a pessoas físicas ou jurídicas pagadoras de imposto de renda; e tais agentes incentivadores que apoiarem o projeto poderão ter o total do valor desembolsado deduzido do imposto devido.

Isto é, trata-se de financiamento PÚBLICO disfarçado de financiamento privado. Ou o Estado não poderia utilizar este imposto renunciado nas áreas de saúde, educação ou segurança? Agora fica fácil entender porque a maioria dos projetos aprovados pelo Ministério da Cultura são claramente comprometidos ideologicamente com a Esquerda, e porque os artistas beneficiados com o a lei Rouanet apoiam este governo de forma incondicional. Ser “chapa branca” é fundamental para fazer filmes ou peças de teatro no Brasil. Não á toa, o cineasta José Padilha declarou, sobre seu seriado que irá retratar a operação lava jato, que “era fundamental que a série fosse produzida com imparcialidade, e a Netflix é com certeza o melhor parceiro para que isso possa ser concretizado”. Por certo, o PIOR parceiro para contar a história do maior esquema de corrupção da história seria o governo do PT, sem sombra de dúvidas.

Uma ressalva é importante: estou falando de empresários que oferecem seus produtos ou serviços no mercado, suprindo demandas da sociedade, ou ainda aqueles que, eventualmente, contratam com a administração pública, mas não fazem disso seu método de gestão. Pessoas como Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro estão muito longe de se enquadrarem no perfil acima traçado, principalmente porque jamais correram riscos em suas atividades, já que todo o risco estava com o BNDES e, consequentemente, com o Tesouro Nacional – com os brasileiros, pra falar português claro – conforme descortinou a investigação da lava jato.

Um dos personagens que mais marcou a carreira de José de Abreu, o Nilo, vivia chafurdando no lixo, e era conhecido como “homem do saco”. Parece que a vida, de fato, gosta de imitar a arte – talvez eu só trocasse o “do saco” por outro adjetivo parônimo.

Por fim, recomendo cautela sempre que o leitor ouvir que “o socialismo acabou com a queda do muro de Berlim”. Ele está aí, muito vivo nas entrelinhas quase imperceptíveis de “discursos” como o da lhama de bigode.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s